Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Salomão Habib (2010)

Foto: divulgação


De agosto a dezembro de 2009, o violonista paraense Salomão Habib participou de uma das maiores turnês já realizadas no Brasil, ao lado do também violonista Fabrício Mattos, do Paraná. A convite do SESC Nacional, ambos fizeram 80 concertos em cidades de 19 estados de todas as regiões do país, em 102 dias. O próprio Habib considera esta turnê um divisor de águas na sua carreira, que iniciou de forma autodidata em 1986, em Belém, onde nasceu. Posteriormente, estudou com Léo Soares no Rio de Janeiro e aperfeiçoou-se com Henrique Pinto, em São Paulo.

Seu primeiro disco foi um LP, Carta do tempo, em que tocava violão e cantava, lançado pelo selo Clima em 1991, como resultado do prêmio de Melhor Projeto de Disco no Concurso de Composições da Associação de Compositores, Letristas, Intérpretes e Músicos do Pará. No ano seguinte, saiu seu primeiro trabalho instrumental, Tó Teixeira, também em LP.

É o criador do selo Violões da Amazônia, pelo qual lançou seis CDs, sendo o mais recente Santa Maria, de 2009, e dois livros-CD: Belém - O Azul e o Raro (1998) e Pássaro da Terra (1999). Participou ainda de outros quatro CDs no Brasil. Tem dois discos lançados no exterior: Crossover Classic, na Alemanha, e Masterpieces, na Itália, este de 2010. Realizou concertos na Venezuela, Cuba, Alemanha, Portugal, Suíça e Líbano.

A partir de 1989, desenvolve trabalho de pesquisa sobre música indígena, participando como pesquisador do Projeto Renas do Museu Emílio Goeldi e visitando aldeias Tembém na região do Alto Gurupi.

Em 1995, teve premiada em festival uma de suas primeiras músicas utilizando o tronco lingüístico Tupi-Guarani, “Guatá N’dé N’goty Xê Taba Pupé Ndaá Soô Ruã Ixé (Um dia vais passear comigo em minha aldeia; eu não sou bicho!)”. Em 2002, elaborou a tese O Som Indígena e o Oriente - A Música Guardada, em que analisa como a organização tribal dos índios brasileiros favorece a conservação de aspectos das primeiras manifestações musicais do ser humano, ocorridas no continente americano há dezenas de milhares de anos.

Recebeu em 2008 uma bolsa do Instituto de Artes do Pará para compor músicas utilizando elementos musicais indígenas – algumas foram apresentadas em 2009 na publicação do trabalho Auiaramanhe (“Para sempre”). Em 2009, teve concedida pela Funarte outra bolsa, para a composição de 12 rituais sinfônicos para orquestra de violões. 





terça-feira, 21 de novembro de 2017

Pro.Efx (2010)

Foto: Lu Guedes


Nenhum presente que o garoto Amadeu Fernandez recebeu foi tão marcante quanto o vinil do trio Run DMC que ganhou quando tinha sete anos. A partir dali, a música negra entrou definitivamente para a vida do produtor e selectah que hoje se assina Pro.efX. Ele chegou a ser baterista de uma banda de rock, antes de começar, em 1998, a trabalhar exclusivamente com produções eletrônicas inspiradas na cultura jamaicana, unindo os ritmos ragga e jungle. Por esta época, participou da banda Dubcore Attack, cujas influências iam do jungle a coisas bem experimentais, incluindo DJ na banda, muitos samples e percussão pesada.

Com o fim da Dubcore, Pro.efX seguiu trabalhando com o vocalista da banda, Guamat PA. O som da dupla Pro.efX & Guamat PA agregava elementos eletrônicos e do hip hop. Em 2007, formou com outros quatro DJs o coletivo Blacksfera, um marco na cena local – foi a primeira festa constante de Belém cuja line up percorria as várias tendências da música negra, do ragga ao samba.

Pro.efX  lançou em 2006 um EP com seis músicas pela Ná Records. Sua primeira mixtape, Transglobal Roots Overdub Jamin, que mescla drum’n’bass com ragga, saiu em novembro de 2009, com remixes para tunes de grandes nomes do ragga brasileiro, como Jimmy Luv, Rafael Dverso, Buyaka San e Ragga Dmente. Estas parcerias com MCs de outros estados são viabilizadas pela internet, fundamental também para o primeiro convite que recebeu para projeto no exterior. Ao visitar o site da história em quadrinhos Dread & Alive, a primeira tendo jamaicanos como protagonistas, Pro.efX deixou uma mensagem com links de seu som. O autor da HQ, Nicholas Silva, brasileiro residente nos Estados Unidos, respondeu convidando-o para ter músicas suas incluídas no CD lançado com a revista, em fevereiro de 2010. Em junho de 2010, o CD Pro.efX e DJ Konsiderado ­foi lançado pela Red Bull Music Academy Radio, misturando influências como o tecnobrega, o ragga e o drum’n’bass.

Desde 2005, quando trabalhou com a cantora Lu Guedes, tem feito parcerias com artistas dos mais variados estilos. Em maio de 2010, executou as batidas eletrônicas no show de lançamento do CD Amor Amor, de Lia Sophia. Atualmente, tem projetos em comum com as cantoras Nanna Reis e Gaby Amarantos e a banda The Vassos, além do “Raggaxote”, com Mista Prigui S, e o “Brasil roots companhia” com Dizzy Ragga, Ella Si e Biggy N.


  • Making-off do texto - A publicação deste texto inaugura no Som do Norte a republicação sistemática de artigos que escrevi para o site Pará Música, de Belém, entre 2010 e 2011. A maioria dos textos, como este, traçava o perfil de algum artista paraense, diferentemente do que fazia aqui no Som do Norte, onde sempre preferi trabalhar com notícias em vez de perfis.
  • Foi escrito em 31.10.10 e publicado em 13.6.11, ainda antes do lançamento oficial do site (que aconteceu em 15.8.11) - e com o título "Música jamaicana inspira parcerias com tecnobrega e MPB". Depois desta leva inicial, produzida até o final de 2010, trabalhei diariamente na redação do site em maio e junho de 2011, retornando para mais um breve período de 9.9 a 11.10.11. 
  • A redação do site acrescentou uma frase ao final do último parágrafo:
 Em março de 2011, lançou o primeiro single do Projeto Charmoso, sua parceria com a jovem cantora Nanna Reis, em que salsas, sambas, cantigas e tambores se misturam a eletricidade e sintetizadores. 
  • O site Pará Música emitiu nota em 14.3.17 informando a suspensão de suas atividades.