Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Boddah Diciro: Exemplo de Administração de Carreira

Nota: Desde abril, tenho publicado no blog Jornalismo Cultural, sob a denominação "Ovelhas Desgarradas", uma série de textos que escrevi para outros veículos e que jamais havia publicado nos meus próprios espaços. Nesse garimpo, encontrei muitos textos que falam sobre música da Amazônia (o que não é surpresa alguma, afinal o Som do Norte foi meu principal trabalho entre 2009 e 2015). A partir de hoje, toda terça estarei trazendo um texto desta produção, sempre inédito aqui no blog. 

Inicio com as colunas que escrevi para a revista Intera, de Manaus, o primeiro veículo impresso a abrigar uma coluna fixa "Som do Norte" - foi esta a nossa primeira ação offline, como destaquei no Post nº 1000, de junho de 2010. Estreei na Intera falando, a pedido dos editores, sobre a banda roraimense Veludo Branco; a matéria saiu no número 0 da revista (junho/juho de 2010) e já foi republicada no blog no post que marcou o lançamento do CD Veludo Branco Rock'n'Roll, em agosto daquele ano. Segue minha coluna do nº 1 (mais detalhes no making-off ao final do post). 

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  • Foi omitida a legenda que enviei para a imagem - Boddah Diciro na gravação do clipe de "Strange"
  • O nº 1 tem na capa a data "Nov/Dez", sem citar o ano (2010), e circulou durante o 4º Festival Até o Tucupi (16 a 20/11, Manaus) - uma rara edição de festival nortista da época que não tem menção alguma no blog. 
  • Falando em capa do nº 1, olha ela aí:
  • O site citado como sendo da banda hoje pertence a outro dono.




quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O Marabaixo no Amazonas

Que o Marabaixo surgiu no Amapá é assunto fora de questão. O único relato conhecido de festa de Marabaixo fora do Amapá é o apresentado pelo antropólogo Nunes Pereira em seu livro O Sahiré e o Marabaixo, cuja primeira edição é de 1951, e que pude consultar em sua edição de 1989 na Biblioteca Pública Elcy Lacerda (Macapá), em 26 de janeiro de 2016, ocasião em que fiz as fotos que ilustram este post. 

Depois de visitar Macapá e Mazagão Velho em agosto de 1949, Nunes Pereira esteve no ano seguinte em Marabitanas, no Amazonas. Marabitanas está situada no distrito de Cucuí, no município de São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro, na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela. O local já abrigou o Forte de São José de Marabitanas, cuja construção iniciou em 1763, e que não mais existe; em seu lugar, estão hoje uma capela, uma escola e algumas casas, onde moram aproximadamente 80 pessoas – situação não muito diferente da encontrada por Nunes Pereira, pois em seu livro ele classifica Marabitanas como “lugarejo inexpressivo”, “célula insignificante da vida do município”.

Não era assim um século antes, segundo o naturalista britânico Alfred Russel Wallace, que visitou o local em 1851:

Os habitantes de Marabitanas são famosos pelas suas festas. Costuma-se dizer na região que eles passam a metade de suas vidas nas festas e a outra metade preparando-se para elas… (...) Mais ou menos uma ou duas semanas antes de cada festa – que sempre coincide com um dia santo da Igreja Católica Romana – um grupo de dez ou doze moradores sai de canoa pelos arredores, visitando todos os sítios e aldeias indígenas situadas num raio de 50 a 100 milhas, levando consigo a imagem do santo a ser homenageado, diversas bandeiras e alguns instrumentos musicais. O grupo é bem recebido em cada casa por que passa. Os moradores fazem questão de beijar o santo e dar algum presente para sua comemoração. O presente pode ser um frango, ou alguns ovos, ou um cacho de bananas, ou até mesmo dinheiro. É comum reservarem animais ainda vivos para servirem de presente a um determinado santo. Aconteceu-me muitas vezes chegar a um sítio para comprar provisões e receber respostas como ‘aquele porco é o de São João’, ou ‘esses frangos pertencem ao Divino Espírito Santo’ etc”. 

De todo modo, moradores de Marabitanas relataram em 1950 ao antropólogo a presença de Marabaixo em suas comemorações da Festa do Divino Espírito Santo. O mastro do Divino era levantado em frente à capela de Marabitanas, sem haver a preparação com a busca da murta (que Nunes Pereira chama de “bater murta”). Depois da levantação, havia um cortejo aberto por uma “madrinha” conduzindo a bandeira do Divino, à frente do Imperador ou da Imperatriz. No primeiro domingo da festa (o autor não informa a duração dos festejos), havia, como diziam os moradores de Marabitanas, “‘dança grossa’, dança do Marabaixo, com um tocador de caixa que a dirige e faz o solo, a que os foliões correspondem, com as vozes das mulheres, homens e crianças cantando versos”. O último dia da festa era marcado pela eleição não só dos festeiros do ano seguinte, como também de “juízes, juízas, mordomos, porta-bandeiras”, num total de 60 funções. Após o almoço, os nomes dos eleitos eram lidos em frente à capela, derrubando-se então o mastro com “Marabaixo e muita folia”. 

O antropólogo apresenta em seu livro uma série de versos que eram cantados na festa, cada um em um momento específico (“Alvorada”, “Às Seis Horas, “Ao Meio-Dia”, Antes da Reza”, “Depois da Reza”, “Coroação” etc.), numa estrutura mais próxima, por exemplo, da Folia de Reis, com suas canções de chegada e de despedida, do que das celebrações atuais do Ciclo do Marabaixo em Macapá, onde a cantadeira ou o cantador que estiver como solista tem liberdade para escolher qual ladrão irá interpretar, ou mesmo improvisar. Abaixo, uma das páginas com os cantos, recolhidos por Nunes Pereira no caderno de um morador local, conservada a ortografia da época. Nunca ouvi em Macapá estes cantos, nem nenhum dos outros citados no livro como pertencendo ao Marabaixo de Marabitanas. 




Já a presença de um Imperador do Divino guarda semelhanças com algumas celebrações atuais da Folia do Divino Espírito Santo pelo país, como as das cidades de Palmas de Monte Alto (BA), Nova Roma e Pirenópolis (GO), Santo Amaro da Imperatriz (SC) e Alcântara (MA), além do Vale do Guaporé, em Rondônia, fronteira com a Bolívia (cujo trajeto passa por 37 cidades brasileiras e bolivianas). Apenas nas festas de Santo Amaro da Imperatriz e de Alcântara existe a figura da Imperatriz do Divino, mas sempre ao lado do Imperador, e não como soberana única da festa, o que, segundo o relato de Nunes Pereira, acontecia eventualmente em Marabitanas.

E como o Marabaixo teria chegado a Marabitanas? Segundo Nunes Pereira, “aquela tradição” fôra “levada para Marabitanas de Santarém e de Alter do Chão [sic!], dos campos de Macapá e Mazagão Velho, naturalmente – dada a subordinação do Amazonas [até 1850] à vida administrativa, política e econômica do Grão-Pará”. Salvo se o autor estiver se referindo ao trajeto que africanos e/ou afrodescendentes do Amapá que dançavam o Marabaixo tenham feito para chegar a Marabitanas, esta seria a única menção em sua obra (e, de resto, em todo o material que conheço) de que poderia ter havido Marabaixo naquelas duas cidades paraenses. Agradeço se alguém puder me enviar informações a respeito. 

Este mapa no final do livro mostra como Marabitanas é distante de Macapá (são 1.755 km em linha reta, trajeto naturalmente impossível de ser feito, ainda mais em meio à Amazônia). Macapá está na parte superior direita e Marabitanas à esquerda - clique no mapa para melhor visualização).




O livro não traz fotos do Marabaixo em Marabitanas. Das poucas fotos do Marabaixo em Macapá, selecionei esta que mostra a colheita da murta nas matas do Curiaú, provavelmente feita em 1949, quando da passagem de Nunes Pereira por Macapá. 



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Galeria: Vida é Sonho - Renato Torres

Na quinta, 27 de abril, o cantor e compositor Renato Torres apresentou pela terceira vez seu show solo Vida é Sonho no SESC Boulevard (Belém). Por uma feliz coincidência, pude assistir todas as apresentações; publiquei aqui a resenha da estreia, em 2012, e da reapresentação, já no ano seguinte. Para esta volta do projeto - que mescla música e poesia e é classificado como solo porque antes dele Renato só se apresentava junto a bandas como a Clepsidra -, combinei com Renato uma nova abordagem, a fotográfica. Das 20 fotos que lhe enviei, e que ele postou em sua fan page no Facebook, selecionei estas 10 aqui para o blog. 


Renato inovou ao propor para o SESC o show em formato de arena,
que não fora usado nas apresentações anteriores


Na foto acima, aparece a banda que acompanhou praticamente o show todo: à esquerda, o baixista Rubens Stanislaw; ao fundo, à esquerda, o tecladista Rodrigo Ferreira; ao fundo, à direita, o percussionista João Paulo Pires; e à direita, o bandolinista Diego Xavier. Renato, ao violão, circulava por todo o palco e junto à plateia o tempo todo, constituindo um desafio para o registro fotográfico :)


 Esta foto eu postei ainda na noite da quinta no Instagram, 
e foi a única do lote que não teve edição alguma (precisava?:)





A flautista Dulci Cunha participou de "Manhã de Janeiro"
(Renato Torres - Edyr Gaya)


O máximo de interação foi este momento,  em que Renato 
se propôs a literalmente tocar o coração da plateia


Ao lado de Carol Magno... 


...Renato interpretou "Sim", uma das canções 
mais conhecidas do repertório deste show


Em "Boca de Luar", Renato reuniu dois ex-integrantes 
da banda que também se chamava Boca de Luar: 
a cantora Valéria Fagundes e o baixista Maurício Panzera


 Com Armando de Mendonça em
"Viração" (Renato Torres - Paulo Vieira)


Também participaram do espetáculo as cantoras Camila Honda e Lariza Xavier.


* Publicado originalmente no blog

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ye$t lança EP 1997

Há quase um ano, mais precisamente em 29 de março de 2016, conversamos com o rapper Ye$t, de Boa Vista, sobre seu single "Agora é o Fim" (com a participação da cantora Cinthia Sales), e antecipando alguns detalhes sobre o EP 1997, que ele estava gravando desde 2015. Leia o papo no Café com Tapioca nº 9 .

Pois bem, nesta quarta, 14, Ye$t voltou a entrar em contato conosco, informando em primeira mão o lançamento de 1997. O material tem quatro faixas inéditas, cada uma com um produtor diferente, e duas participações especiais - Jimmy MC, na faixa de abertura ("Pura Morfina") e Cínthia Sales, em "Agora é o Fim", a única faixa que já havia sido lançada oficialmente.