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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Café com Tapioca nº 10: Banda Irene



A banda paraense Irene nasceu em outubro de 2015, mas o guitarrista Luciano Costa e o baixista Eduardo Brasil já tinham uma afinidade musical construída ao longo de quase dez anos de amizade. “Eu e o Eduardo sempre tocamos em outras bandas, mas como somos amigos há muito tempo, rolava essa vontade de juntar as ideias”, contou Luciano. Logo no início, outro amigo, Raphael Santos, era o baterista, mas ele precisou sair e hoje quem comanda a cozinha da Irene é Luiz Otávio Moraes, ex-Objecto Quase. “Encontrei com o Otávio por ironia do destino em um show e o convidei para tocar com a gente”, explicou Eduardo. 

Em março a banda mostrou ao público o seu primeiro single chamado “Carmen em NY”, por meio de divulgação nas redes sociais. - ouça ao final do post.  Quem quiser conferir o som deles ao vivo tem duas oportunidades nesta semana, em Belém: na quarta, 6, eles tocam na Quarta Autoral do Old School Rock Bar; e no sábado, 9, a Irene toca no Chevallier, em um evento promovido pelo BarZarte (programação completa no cartaz ao lado). 

Na entrevista exclusiva para o Som do Norte, a Irene contou um pouco sobre o rock autoral que fazem na cidade de Belém.

Som do Norte – Vocês acabaram de lançar um single chamado Carmen em NY, porque essa música foi escolhida para ser lançada por primeiro, como foi o processo de gravação? 
Luciano – Assim, essa música foi composta pelo Raphael, antigo baterista da banda e ele fez esse favor de deixar com a gente essa música. A gente já se identificava muito com ela e começamos a trabalhar nela, a energia do som é muito boa. Então, surgiu a proposta do Fernando Dako, produtor musical de lá do Centur, ele queria fazer uns testes nos novos equipamentos que tinham chegado, e rolou esse convite de gravar lá porque ele já nos conhecia. Nós gostamos muito do resultado!

Som do Norte – Como é esse processo de composição de vocês, quem faz as músicas, em que se inspiram?

Luciano – Quem compõe é geralmente eu e o Eduardo, mas é um processo em conjunto, eu componho umas e o Eduardo outras...
Eduardo – Na questão de construção das músicas a gente compõe separadamente, o Luciano escreve mais do que eu até, mas na hora de montar as músicas como um todo é sempre nos ensaios junto com o baterista.
Luciano – E o lance da inspiração é tudo, filmes e a vivência do mundo mesmo. Tipo, “O Rei Plebeu” eu acordei depois de um sonho e escrevi...
Eduardo – A gente tem um lance de se inspirar também nas músicas da década de 90, dos Estados Unidos...
Eduardo e Luciano – Nirvana, Pearl Jam, Smashing Pumpkins, Silverchair, essas bandas todas do meio grunge.
Luciano – A gente tenta né, que eles nos perdoem (risos).

Som do Norte - Vocês vão fazer um show no dia 9 de abril no BarZarte, o que o público que não conhece a Irene pode esperar?
Luciano – Pura energia, é o nosso primeiro show então a gente vai tentar dar o melhor.

Som do Norte – E vocês pensam em gravar um disco?
Eduardo - Com certeza, surgiu um single agora, e o EP é o nosso próximo passo, estamos nos planejando para isso.

Som do Norte – E por que o nome da banda é Irene?
Eduardo – Na verdade, a gente queria botar o nome de uma mulher, então surgiram vários nomes, alguns estrangeiros, mas eu queria um nome brasileiro, então ficou Irene, não tem um super porquê....

Som do Norte – E pra terminar, com quem vocês gostariam de tomar um Café com Tapioca?
Luiz Otávio – Vocês sacam a banda Medulla? É uma banda de São Paulo bem legal...
Luciano – Já pensou tomar um café com Dave Grohl mano?
Eduardo – Pode ser, mas desses aí sou mais fã do Eddie Vedder! 




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Foi Show: Filho de Gal

Texto e fotos: Raissa Lennon,
de Belém


Na terça, 29 de março, a cantora paraense Liège apresentou ao público de Belém o seu primeiro EP Filho de Gal (ouça no Som do Norte), em um show emocionante realizado no Teatro Margarida Schivasappa no Centur. Além de mostrar as quatro músicas autorais do disco e outras canções de sua carreira, incluindo algumas inéditas, ela também fez interpretações de Cartola, Rita Lee e Novos Baianos. Acompanhada dos músicos Dan Bordallo nos teclados e direção musical, Fil Alencar na guitarra, Yago Mathias no baixo e Júnior Feitosa na bateria, Liège deu a largada para uma carreira promissora, dentro do estilo da nova safra da “MPB contemporânea”, como ela mesma se define. 


        A primeira surpresa foi quando a cantora recebeu no palco sua filha Lis, e a cantora Babi, do Espoleta Blues, que cantaram a música “Toute La Vie”. “Esse foi o meu primeiro single lançado, que eu compus para a minha filha”, comentou Liège sobre Lis, que inclusive, estava superdescontraída e acenando para todo mundo enquanto cantava.  

O público também pôde conhecer uma canção inédita, dessa vez do guitarrista Félix Robatto, outra participação da noite. Eles tocaram pela primeira vez a música “Porque tá a fim”, que fará parte do segundo disco solo de Robatto chamado Belemgue Banger. O músico não poupou elogios para Liège. “Parabéns para vocês que vieram hoje, porque depois o show dela vai estar muito caro”, brincou. A cantora Lia Sophia também fez uma participação especial cantando sua composição “Eu só quero você” (presente nos CDs Livre, de 2005, e Lia Sophia, de 2013), foi perceptível a admiração que Liège sente por Lia, uma de suas principais referências no cenário musical.

Lia e Liège

Eu fiz questão que as participações fossem pessoas que fizeram parte da minha carreira musical, que tiveram interferência direta nela. Como a Lia Sophia, que foi a minha inspiração quando eu comecei em barzinhos. O Félix Robatto, que foi o meu primeiro produtor, e as crianças, para as quais eu componho. Então, sem a Babi, sem a Lis, a festa não estaria completa”, ressaltou Liège em entrevista exclusiva ao Som do Norte logo após o espetáculo.

        Outro ponto marcante do show foi a execução da faixa “Cabelo”, em que todos os músicos usaram perucas coloridas, em uma brincadeira referente a letra da música. Mas foi em Filho de Gal, que dá nome ao EP, que Liège mostrou todo o seu potencial enquanto cantora e compositora. A canção reflete sobre o empoderamento feminino e questões de gênero de maneira mais ampla. No bis, Liège retornou com a faixa “Gira Sóis” e chamou todas as participações para subirem ao palco novamente. “Foi melhor do que eu esperava, a gente cria uma expectativa muito grande, e fica nervosa, mas foi muito além do que eu esperava, foi incrível”, definiu Liège sobre o show.


Todos agradecem

        Agora, a cantora se prepara para abrir o show do cantor Johnny Hooker, em Belém em 4 de junho, junto com a banda Strobo.

O EP Filho de Gal foi lançado digitalmente nas principais plataformas de streaming de música. Gravado em Belém, no estúdio Na Music, foi mixado no estúdio Casarão Floresta Sonora e masterizado no estúdio O Grito, em São Paulo, e lançado pela Editora Na Music em parceria com FUNTELPA e apoio do Blog Som do Norte.