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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Entrevista: Liège

por Raissa Lennon.
de Belém 

 “Meus peitos e meus defeitos são iguais aos seus eu sei, no meio das minhas pernas moram muitas ideias e você gosta delas não é?”. 

Foto: Dianalogica

São esses os primeiros versos da música “Filho de Gal”, que dá nome ao primeiro EP da cantora e compositora paraense Liège. A letra diz muito sobre ser mulher e ter a liberdade para fazer o que quiser e ser o que quiser. Essa mensagem ecoa durante todo o disco de quatro faixas, que foram produzidas por dois anos até o lançamento em 22 de janeiro de 2016 (ouça no Som do Norte).

Com o amadurecimento pessoal depois de se tornar mãe e da carreira que começou aos 15 anos de idade, Liège passeia pela MPB, rock e tropicália com propriedade e segurança. O EP está disponível no Deezer e tem a direção musical de Dan Bordallo e mixagem de Léo Chermont (Strobo), sendo um lançamento do selo Ná Figueredo em parceria com a FUNTELPA e apoio do Estúdio Casarão Floresta Sonora e do Som do Norte. Nesta entrevista exclusiva, Liège conta como foi o processo de criação deste EP. Confira:

Como nasceu o EP “Filho de Gal”, em que momento ele começou a ser construído? 

O EP começou a ser pensado e produzido em 2013, quando a produção e direção musical estavam nas mãos de Félix Robatto. Iniciamos um processo de criação que acabou sendo freado pela falta de recursos financeiros. Recebemos então apoio da FUNTELPA e fomos construindo com calma o perfil do EP que acabou se moldando ao meu amadurecimento como artista. 

O EP tem direção de Dan Bordallo, como foi o processo de gravação? 

Félix me orientou a conversar com o Dan Bordallo e a formar uma banda fixa, própria, que me ajudasse a desenhar esse novo perfil. Aí começamos a mudar arranjos e redesenhar essa produção.

Todas as composições do EP são de sua autoria, como elas surgiram? Quais são as propostas das letras? 

As músicas retratam meu olhar sobre o cotidiano de forma crítica ou bem-humorada, construo narrativas. As músicas pretendem emocionar, fazer com que o ouvinte se identifique e se aproprie delas. Eu componho subitamente, sem programação. Eu vejo algo que me comove, que acho relevante que chegue a todos e dessa inquietude nascem as canções, que em sua maioria, nascem com letra, melodia, videoclipe e show imaginário (risos).

Por que o título do disco e de uma música é “Filho de Gal”, seria uma referência à cantora Gal Costa?

Gal é um artista que sempre foi à frente de seu tempo. Se construiu artisticamente em épocas sociais e políticas ainda mais difíceis e fechadas culturalmente aqui no Brasil. Despertou mulheres transgredindo "normas sociais", ousando nos trajes, nos trejeitos na hora de interpretar, nas letras das canções. A música sugere e instiga a termos essa postura, a sermos donos de nossas histórias, nos aceitando e lutando pelo que acreditamos. Além disso, a música é carregada de ironias que criticam todos os tipos de preconceito. É uma composição minha com arranjo dos músicos João Lemos e Augusto Oliveira, da banda paraense Molho Negro.


Liège no 10º Festival Se Rasgum - 17.11.15
(Foto; Caio Brito e Renato Reis)

Falando em referência, quais foram as suas principais referências e influências para esse disco? 

Em termo de arranjos, os timbres de teclado e sintetizadores foram inspirados no trabalho do músico canadense Mac DeMarco. Tem muito de tropicália e da MPB contemporânea.

A primeira faixa do EP tem uma participação do guitarrista da banda Strobo, Léo Chermont, e do baterista Alexandre Cunha, como surgiu esse convite? 

O Léo não só participou na canção “Gira Sóis”, como também mixou o disco. Ele foi um dos primeiros músicos com quem trabalhei, se tornou um amigo querido e parceiro na música, é um cara extremamente inventivo e talentoso. Me senti honradíssima por ele ter topado não só participar tocando, como mixando. O Alexandre Cunha veio trazido pelo Dan. Foi um querido que topou tocar e doar seu dom pra esse disco. 


Liége na Quarta Autoral - Old School Rock Bar, 17.12.15
(Foto: Augusto Oliveira)

Quando será o lançamento do EP, podes adiantar algumas coisas pra gente? 

Estamos na fase de produção do show de lançamento e de captação de recursos, correndo atrás de patrocínios. Há uma previsão de data, que é 5 de março. Assim que tivermos com tudo amarradinho, avisaremos a vocês do Som do Norte e todos seus leitores e seguidores, para virem cantar conosco!

Por fim, como será a divulgação do EP, shows e etc? 

O EP é virtual, mas há uma possibilidade de disponibilizarmos algumas cópias pra venda. Todos podem acessá-lo pelo meu site www.liegemusica.com.br, que apresenta os links pelo Deezer,  YouTube e SoundCloud pra ouvir!
















Dan Bordallo, Liège e Ná Figueredo no
coquetel de lançamento do EP
- Loja Ná Figueredo, 22.1.16

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