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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Amapá: Macunaíma, intérprete de Boêmios do Laguinho, faleceu ontem no Ceará

Por Mariléia Maciel,
de Macapá

Agnaldo Santos, o Macunaíma, se despediu para sempre neste domingo, 28, após lutar pela vida, desde que foi diagnosticado com câncer no esôfago, no início deste ano. Macunaíma era intérprete oficial da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, fez parte do grupo Sambarte e do projeto musical Perfil do Samba. Na Missa dos Quilombos, sua voz puxava os cânticos, integrava ainda os grupos de sua família, Raízes do Bolão, de batuque, e Afro Brasil"Era talentoso, herdou o gosto pela cultura regional e nasceu com a voz maravilhosa, que vai fazer muita falta na avenida”, disse Vicente Cruz, ex-presidente de Boêmios.

 Macunaíma no festival de samba-enredo de 2015
Foto: Márcia do Carmo

Quem é de sorrir, vai sorrir, quem é de chorar, vai chorar, quando o Boêmios do Laguinho na avenida desfilar

Macunaíma é nativo do bairro Laguinho, com raízes no Curiaú. Neto da lendária Tia Chiquinha e do mestre Bolão, era filho de Maria Catarina, todos já falecidos, e de Benedito Santos, o seu Biluca, um dos fundadores da Universidade Boêmios do Laguinho. Das carreiras pelos campos do Laguinho, um dia, em 1991, sua voz chamou atenção do então presidente de Boêmios, Rozendo Almeida e do carnavalesco Heraldo Almeida. No ano seguinte Macunaíma entrou na avenida Fab como intérprete da sua querida Nação Negra.



Um caso de amor, orgulho e paixão

Macunaíma fez morada provisória em outras escolas,  quando passou uma temporada fora de Boêmios, e encantou com sua voz, os brincantes dessas comunidades. Em 2007, quando o presidente Carlinhos Prazeres e o diretor de carnaval, Vicente Cruz, iniciaram a revolução estética de Boêmios, Macunaíma foi convidado a retornar para o Laguinho. Ele estava dentro grande projeto de valorização de Boêmios, e assim como Francisco Lino, que ganhou o título de Menestrel, a rainha da bateria Vânia começou a ser conhecida como Nega Vânia (na foto ao lado, Nega Vãnia e Macunaíma), entre outros, Macunaíma foi reconhecido como Herói Laguinense.

No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente....” (Mário de Andrade)

Macunaíma, com apelido tirado do famoso romance de Mário de Andrade, publicado originalmente em 1928, honrou o título de herói, e deu muito orgulho e alegrias para a comunidade, emocionando os torcedores de outras agremiações, quando passava na Ivaldo Veras, atual local dos desfiles. Honrou o pavilhão até o fim, e com seu carisma, cativou toda comunidade do samba ao longo de seus 41 anos, e depois, emocionou a cidade, até quem não o conhecia ou quem não gosta de carnaval, que se mobilizou para ajudar na recuperação de sua saúde.

Fizemos tudo o que foi possível, campanhas, ações de solidariedade, para que ele voltasse pra terminar o tratamento em Macapá, mas não o resultado não foi o esperado. Aproveito para agradecer a todos que de alguma forma colaboraram, seja doando, contribuindo com dinheiro, orações, participando das promoções. Agradecemos também às escolas de samba, que provaram que quando queremos, somos fortes, e aos cerca de 80 artistas que emprestaram seu talento nas ações de solidariedade”, disse o presidente de Boêmios, Jocildo Lemos.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ajude o Sancari a comemorar os 8 anos do Projeto Pau & Corda do Carimbó

O Carimbó Sancari divulgou hoje em sua fan page no Facebook a primeira ação que marca a comemoração do oitavo ano do Projeto o Pau & Corda do Carimbó, mantido sem parceria ou convênio com políticos ou entidades.




A primeira ação será o sorteio de uma camisa oficial e um CD novo do Grupo de Carimbó Sancari. O sorteio será através de uma rifa com 100 dezenas (de 01 a 00). Para cada dezena será cobrado o valor de R$10,00 (dez reais), o resultado será apurado pela Loteria Federal do próximo dia 9 de abril. O ganhador irá receber os dois prêmios, camiseta e CD, que serão entregue na sede do grupo, em Belém.

Quem quiser ajudar mas não morar em Belém, pode depositar o valor na conta abaixo:

Banco do Brasil 
Agencia:1232-7
Conta corrente: 715687-1
Lucas Pacheco Bragança

Após fazer o depósito, informar ao grupo e solicitar a dezena que deseja para sorteio. 

Semanalmente o grupo irá divulgar nas redes sociais os números que já tiverem sido vendidos. 

Para outras informações, falar com o diretor de eventos do Sancari, Lucas Bragança, pelos fones: 

91-996073710 (Oi) 
983037950 (Tim)
984103833 (Claro)
91110784 (Vivo) 
Residencial: 32280949

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Entrevista: Liège

por Raissa Lennon.
de Belém 

 “Meus peitos e meus defeitos são iguais aos seus eu sei, no meio das minhas pernas moram muitas ideias e você gosta delas não é?”. 

Foto: Dianalogica

São esses os primeiros versos da música “Filho de Gal”, que dá nome ao primeiro EP da cantora e compositora paraense Liège. A letra diz muito sobre ser mulher e ter a liberdade para fazer o que quiser e ser o que quiser. Essa mensagem ecoa durante todo o disco de quatro faixas, que foram produzidas por dois anos até o lançamento em 22 de janeiro de 2016 (ouça no Som do Norte).

Com o amadurecimento pessoal depois de se tornar mãe e da carreira que começou aos 15 anos de idade, Liège passeia pela MPB, rock e tropicália com propriedade e segurança. O EP está disponível no Deezer e tem a direção musical de Dan Bordallo e mixagem de Léo Chermont (Strobo), sendo um lançamento do selo Ná Figueredo em parceria com a FUNTELPA e apoio do Estúdio Casarão Floresta Sonora e do Som do Norte. Nesta entrevista exclusiva, Liège conta como foi o processo de criação deste EP. Confira:

Como nasceu o EP “Filho de Gal”, em que momento ele começou a ser construído? 

O EP começou a ser pensado e produzido em 2013, quando a produção e direção musical estavam nas mãos de Félix Robatto. Iniciamos um processo de criação que acabou sendo freado pela falta de recursos financeiros. Recebemos então apoio da FUNTELPA e fomos construindo com calma o perfil do EP que acabou se moldando ao meu amadurecimento como artista. 

O EP tem direção de Dan Bordallo, como foi o processo de gravação? 

Félix me orientou a conversar com o Dan Bordallo e a formar uma banda fixa, própria, que me ajudasse a desenhar esse novo perfil. Aí começamos a mudar arranjos e redesenhar essa produção.

Todas as composições do EP são de sua autoria, como elas surgiram? Quais são as propostas das letras? 

As músicas retratam meu olhar sobre o cotidiano de forma crítica ou bem-humorada, construo narrativas. As músicas pretendem emocionar, fazer com que o ouvinte se identifique e se aproprie delas. Eu componho subitamente, sem programação. Eu vejo algo que me comove, que acho relevante que chegue a todos e dessa inquietude nascem as canções, que em sua maioria, nascem com letra, melodia, videoclipe e show imaginário (risos).

Por que o título do disco e de uma música é “Filho de Gal”, seria uma referência à cantora Gal Costa?

Gal é um artista que sempre foi à frente de seu tempo. Se construiu artisticamente em épocas sociais e políticas ainda mais difíceis e fechadas culturalmente aqui no Brasil. Despertou mulheres transgredindo "normas sociais", ousando nos trajes, nos trejeitos na hora de interpretar, nas letras das canções. A música sugere e instiga a termos essa postura, a sermos donos de nossas histórias, nos aceitando e lutando pelo que acreditamos. Além disso, a música é carregada de ironias que criticam todos os tipos de preconceito. É uma composição minha com arranjo dos músicos João Lemos e Augusto Oliveira, da banda paraense Molho Negro.


Liège no 10º Festival Se Rasgum - 17.11.15
(Foto; Caio Brito e Renato Reis)

Falando em referência, quais foram as suas principais referências e influências para esse disco? 

Em termo de arranjos, os timbres de teclado e sintetizadores foram inspirados no trabalho do músico canadense Mac DeMarco. Tem muito de tropicália e da MPB contemporânea.

A primeira faixa do EP tem uma participação do guitarrista da banda Strobo, Léo Chermont, e do baterista Alexandre Cunha, como surgiu esse convite? 

O Léo não só participou na canção “Gira Sóis”, como também mixou o disco. Ele foi um dos primeiros músicos com quem trabalhei, se tornou um amigo querido e parceiro na música, é um cara extremamente inventivo e talentoso. Me senti honradíssima por ele ter topado não só participar tocando, como mixando. O Alexandre Cunha veio trazido pelo Dan. Foi um querido que topou tocar e doar seu dom pra esse disco. 


Liége na Quarta Autoral - Old School Rock Bar, 17.12.15
(Foto: Augusto Oliveira)

Quando será o lançamento do EP, podes adiantar algumas coisas pra gente? 

Estamos na fase de produção do show de lançamento e de captação de recursos, correndo atrás de patrocínios. Há uma previsão de data, que é 5 de março. Assim que tivermos com tudo amarradinho, avisaremos a vocês do Som do Norte e todos seus leitores e seguidores, para virem cantar conosco!

Por fim, como será a divulgação do EP, shows e etc? 

O EP é virtual, mas há uma possibilidade de disponibilizarmos algumas cópias pra venda. Todos podem acessá-lo pelo meu site www.liegemusica.com.br, que apresenta os links pelo Deezer,  YouTube e SoundCloud pra ouvir!
















Dan Bordallo, Liège e Ná Figueredo no
coquetel de lançamento do EP
- Loja Ná Figueredo, 22.1.16