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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Foi Show: Dia D Fest 30 Anos Delinquentes

Texto e fotos: Raissa Lennon,
de Belém

Logo nos primeiros riffs do show de uma das bandas de hardcore mais consagradas do país, a roda punk já se formou naturalmente. A banda Delinquentes comemorou os seus 30 anos de carreira em grande estilo no Dia D Fest, que aconteceu em 28 de novembro no Insano Marina Club (Belém) e contou com mais 12 bandas dos mais variados estilos, do garage rock ao heavy metal.



Os aniversariantes do dia foram a oitava banda a se apresentar e simplesmente “quebraram” tudo em cima do palco, como já era de se esperar. Entre as músicas antigas já conhecidas do público como “Um belo dia pra morrer” ou “Lumo delinquente”, eles mostraram duas novas: “Fúria urbana” e “Mad Max now”. O show também contou com duas participações especiais, a de Raniery Pontes, baterista do Cais Virado que tocou com eles na década de 1990, e de Jacob Franco, que tocou com a banda no início dos anos 2000 e hoje lidera a banda experimental Projeto Secreto Macacos.

Mas sem dúvida o momento mais emocionante foi a bonita homenagem ao vocalista do Babyloyds, Gerson Costa, falecido em 15 de novembro em decorrência de um atropelamento na BR-316. O Delinquentes tocou “Inteligência Humana”, da banda Babyloyds, dedicada pelo vocalista Jayme Katarro a Gerson Costa.

“Posso dizer que o show foi insano. Foi um dos melhores shows em termos de resposta do público dessa formação. Chamamos alguns amigos, a ideia era chamar mais, mas o tempo e o dinheiro não permitiram”, comentou Jayme, que tocou ao lado dos parceiros de banda Pedro Bernardo (guitarra), Raphael Drums (bateria) e Pablo Cavalcante (baixista). O Delinquentes encerrou o show com a música “Planeta dos Macacos”, com o público cantando em coro e o Jayme Katarro no meio da roda punk.


A banda Navalha (ao lado) comentou sobre a relação que eles têm com o Delinquentes. “O Jayme Katarro acompanha nossa banda desde o início por isso é uma honra participar desse evento”, comentou o vocalista Eric Alvarenga que completou dizendo que esse “foi o melhor show do Navalha do ano e que superou as expectativas”. No Dia D, o grupo tocou canções do álbum O instinto, de 2012. 


Outra banda que mandou o seu som foi Blind for Giant (foto acima), que tocou músicas do EP Greetings to the Farewells, de 2013. “Eu acho que o público se divertiu bastante com o show e a gente também”, comentou o vocalista Allan Souza. Eles contaram que receberam o convite para tocar no Dia D por meio do amigo e produtor José Lucas (Sokera), que indicou a banda para o Jayme Katarro. Para Allan, “não tem como não ser influenciado pelos Delinquentes, eles são os ‘caras’ do rock paraense”.

Jayme Katarro explica que é a terceira edição do Dia D Fest e que o evento começou como um festival pequeno, mas depois tomou uma proporção maior do que o esperado. Com a ajuda do Kaká (do selo Xaninho Discos Falidos), o festival ficou no formato do Fabrikaos e do Pitiú Festival, eventos com muitas bandas na programação. “O saldo foi muito bom, pois as bandas mandaram bem, cada qual a seu estilo, e o público compareceu em peso”, destacou. O evento deste ano teve o apoio do Som do Norte.

Velhos conhecidos do festival, os integrantes da banda de heavy metal D.N.A. já se sentem parte desse evento.  “Os Delinquentes são parceiros nossos, tocamos no DVD da banda e agora nessa comemoração mais do que merecida. Eles são uma das mais importantes bandas do punk rock nacional. O Jayme é meu parceiro, meu irmão”, contou o baterista Mauro Seabra, que junto com Bruno, no vocal, Alexandre e Paulo Henrique nas guitarras e Sidney Klautau, no baixo, tocou as músicas do disco “Love and hate”, lançado em outubro de 2015.

O público também pôde banguear com as bandas Sisa, Antcorpus, Sokera, The Last Machine, Rennegados, A Red Nightmare, Briga de Bar, Insolência Públika, e para encerrar a noite teve o show da banda de death metal nipo-brasileira, Neuróticos, única da programação de fora do estado (formada por músicos de São Paulo e da cidade japonesa de Hiroshima). “O Neuróticos foi sugestão do Kaká e ele acertou em cheio. Os caras fizeram um showzão e o povo todo curtiu”, elogiou Jayme Katarro (foto abaixo). 



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Café com Tapioca nº 8: Sônia Nascimento

Por Raissa Lennon, de Belém
Fotos: Walda Marques

Na década de 1990, a cantora Sônia Nascimento fez sucesso nas noites de Belém cantando nas bandas Jardim Elétrico e Florbella Spanka. Depois disso, ficou afastada da música por treze anos e voltou a se apresentar em 2010, em carreira solo. Em 2015, lançou seu primeiro CD, Invento. Canções como “Viver de Brisa” (Renato Torres e Sônia Nascimento), “Aquele amor” (Allan Carvalho e Sônia Nascimento), “Nada vai voltar assim” (Luizan Pinheiro) ou “Algum Mar” (Renato Torres e Edir Gaya), são registros de parcerias musicais de longa data. “Invento já tomou asas e está voando pelo mundo”, festeja Sônia, que em entrevista exclusiva para o Som do Norte comenta a repercussão desse trabalho. Confira:


Som do Norte: Você lançou o seu primeiro disco neste ano de 2015, como está sendo a divulgação deste trabalho, os shows e recepção do público?

Sônia Nascimento: O Invento é meu primeiro trabalho gravado em CD. O lançamento oficial foi em 3 outubro no Centro Cultural Sesc Boulevard. A receptividade do público tem sido surpreendente.  Ouvindo o CD, as pessoas conseguem alcançar o que nós queríamos de fato: a emoção. Não fizemos um trabalho para ser mercadologicamente ou midiaticamente aceitável ou fugir das minhas características como cantora, mas sim alcançar o coração de quem se permite ouvir o Invento. Só tenho a agradecer a quem vem nos dando força.  O trabalho está só começando e em 2016 acredito que ele vá tomar um rumo legal e também muito fôlego. 

Som do Norte: Apesar de ser o seu primeiro disco, você já tinha uma carreira anterior na cena musical paraense. Então, o que esse disco representa para você? Por que do nome Invento?

Sônia Nascimento: Invento foi o título do meu show de retorno aos palcos depois de treze anos afastada. Realizei em 2010 e 2011, com a direção musical do Leo Bitar, cenografia do Nando Lima e arranjos do Renato Torres (violões), Rubens Stanislaw (baixo) e Diego Xavier (bandolim e percussão). Na segunda temporada de shows, o Rodrigo Ferreira (teclado) entrou para trupe. Este show, que tinha no repertório canções de José Miguel Wisnik, Maurício Pereira, Kassin, Egberto Gismonti, Paulinho Moska, Nei Lisboa, Renato Torres, Edir Gaya, Dulce Quental, Renato Vilaça, entre outros, me norteou para escrever o projeto do CD, que acabou tendo o mesmo nome.

A gravação de um CD, mesmo com patrocínio, é um grande desafio – principalmente para uma artista independente. O Banco da Amazônia foi fundamental para que conseguisse realizar esse sonho, junto aos amigos me ajudaram a construir esse trabalho.  O Renato Torres, no seu quarto azul onde fica o Guamundo Home Studio, fez os arranjos, gravações, tocou, cantou, dirigiu, mixou  e masterizou junto com Rodrigo Ferreira, A Latina Produções através do Elisio Eluan e do Floriano Netto fizeram todo o material gráfico do CD  e do projeto, a Walda Marques as fotos, O Discosaoleo com Leo Bitar e Sergio Barbagelata e mais Rubens Stanislaw, JP Cavalcante, Diego Xavier, Allan Carvalho, Elisio Eluan que tocaram e cantaram,  também Edir Gaya (que escreveu a apresentação do CD), Alex D’Castro, Luizan Pinheiro, Silvinha Tavares e Daniel Bastos, Paulo Vieira, Claudio Coimbra e Clemente Schwartz que foram  compositores que cederam suas músicas para compor o “Invento”. Esse disco representa o registro do meu trabalho de quase 25 anos de carreira, uma apresentação da cantora, um sonho realizado com muito suor e lágrimas, mas com muito amor envolvido e é esta emoção que muitas pessoas dizem sentir quando ouvem o Invento.


Som do Norte: Você compôs algumas músicas para este disco, sozinha e com parcerias. Qual é a necessidade de criar canções também, além de cantar? Você se considera mais compositora ou cantora?

Sônia Nascimento: Compor foi um mero acidente (risos), eu não faço melodias, só escrevo letras. Sou uma cantora intuitiva. Então, escrevo e mando para os músicos (eles têm total liberdade de mexer na letra), e foi o que aconteceu com o Renato Torres em “Viver de Brisa” e com o Allan Carvalho em “Cantiga”, “Aquele amor” e “Nu muro”. Me considero muito mais cantora que compositora, agora cantar uma canção onde tem um pedaço da tua vida naquela letra é muito mais pulsante, vai emoção pura. Porém, as outras canções que fazem parte do CD de outros compositores também me traduzem perfeitamente.


Som do Norte: Suas canções versam entre MPB, mas por vezes, tem umas pegadas mais pesadas do rock. Um estilo que foi chamado de "MPB eletrônico". Quais são suas influências musicais? Cantores, cantoras ou bandas que te inspiram, sendo daqui do Pará ou de fora? 

Sônia Nascimento: Sempre me considerei uma cantora de música brasileira, mas no decorrer da minha história esta música foi se transformando em uma “MPB eletrificada”, conceito dado pela imprensa local no período em que fui vocalista das bandas Jardim Elétrico e Florbella Spanka, nos anos 90. Nunca tive preconceitos no que iria cantar e nunca me preocupei com que iriam dizer, cantava e canto o que me emociona e diverte. Nestas bandas cantava Amado Batista, Belchior, Luiz Melodia, Tim Maia, Mutantes, Rita Lee, Secos e Molhados, Chico César, Cássia Eller, Arnaldo Antunes, Waldemar Henrique, Banda Epadú entre outros, mas não eram as mesmas músicas que se costumava ouvir na noite, era um trabalho de pesquisa, rearranjado e levado para o rock’n'roll e o pop, sem esquecer a essência da Música Brasileira. Infelizmente naquela época não existiam as câmeras dos celulares e nem internet, temos pouco material de vídeo, algumas coisas de áudio gravado ao vivo, uma gravação em estúdio de quatro músicas e muitas matérias dos jornais impressos. Algumas das minhas influências já foram citadas acima, porém, sempre ouvi muita música. Adoro vozes que me emocionam, Nana Caymmi, Mônica Salmaso, Gal Costa, Ná Ozzetti, Roberta Sá, Cida Moreira, Milton Nascimento, Gilberto Gil entre outros.

Som do Norte: Para finalizar, com quem você tomaria um Café com Tapioca?

Sônia Nascimento: Adoro café com tapioca e reunir amigos para uma boa mesa de café é delicioso. Tenho total admiração pelo Milton Nascimento, brinco sempre o chamando de primo (risos), sei que ele não sabe da minha existência, mas prepararia um mega Café com Tapioca para recebê-lo.