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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Entrevistão @SomdoNorte: Aeroplano, 10 anos

Por Raissa Lennon,
de Belém


Completando dez anos de existência no cenário de rock paraense, o ano de 2015 é de comemoração para banda Aeroplano. Algumas prévias dessa festa já estão rolando no Facebook da banda, que divulgou um vídeo ao vivo da música “Não Se Vá”, faixa título do primeiro EP, de 2005. Mas é em dezembro que será lançado o Aero10anos, com gravações de músicas ao vivo e comentários da banda sobre as canções.

Durante essa década muita coisa aconteceu com os “aeroplanos”, lançaram dois discos, o “Voyage” (2011) e o “Ditadura da Felicidade” (2014) e ganharam algumas responsabilidades de gente grande: casamento e filhos. Eles falaram sobre tudo isso em uma entrevista exclusiva para o Som do Norte, que rolou durante o ensaio para o próximo show em Natal (RN), no Festival DoSol, em novembro. O evento conta com a participação de grandes bandas brasileiras como Móveis Coloniais de Acajú (DF), Dead Fish (ES), O Terno (SP) e outros.

O Aeroplano é formado por Eric Alvarenga (vocal/guitarra), Bruno Almeida (baixo), Erik Lopes (guitarra), Diego Fadul (guitarra) e Felipe Dantas (bateria), que atualmente mora em Brasília. Nos ensaios em Belém, quem “salva” a banda é o batêra Netto, do Turbo, que estava presente no nosso bate-papo. Confira.


Som do Norte - Como surgiu o convite para tocar no Festival DoSol?  
Eric Alvarenga - O convite foi depois do nosso show no Se Rasgum do ano passado. O Anderson Foca que é o organizador desse evento tocou no Se Rasgum também, com o Camarones (Orquestra Guitarrística) que é a banda dele. Ele tocou no mesmo dia que a gente e coincidiu dele assistir o nosso show, e curtiu muito. Na mesma hora surgiu o convite para tocar esse ano no festival DoSol, e nós aceitamos. O Turbo e o Molho Negro já tinham tocado lá e falaram muito bem do festival, e enfim, é mais uma cidade que vamos ter oportunidade de conhecer.

Som do Norte - Como vocês estão se preparando para esse show?
Eric Alvarenga – Como a gente tá preparando? (risos). A gente leva as coisas meio que na naturalidade assim. Na verdade, a gente não tem uma preparação específica para cada show que a gente faz. Sei lá, a gente escolhe umas músicas e toca. E até que têm dado certo assim.
Bruno Almeida – A gente teve que se adaptar sem o Felipe (Dantas, baterista), que não mora mais aqui, ele se mudou pra Brasília, então o Netto ajuda a gente em alguns shows... Mas o Felipe vai tocar com a gente lá no DoSol.
Erik Lopes – A gente meio que adaptou alguns tipos de shows. Um deles é com o Netto que é pra tocar por aqui, com umas músicas mais antigas até, o outro é para tocar em festival...
Eric Alvarenga – Tu pensaste nisso agora foi? (todos riem)
Bruno – O Erik tá dando ordem pras coisas, a gente precisava disso...
Erik Lopes – Vocês pensam que não, mas tá tudo pensado! (risos)
Eric Alvarenga – É. A gente sempre pensa assim: em shows que deram certo. Tem uma sequência de músicas que a gente sempre usa nos shows, que foram sucesso de público e de crítica! (risos).

Som do Norte - Vocês lançaram agora um vídeo da música “Não se vá” que é do primeiro EP da banda. O que vem mais pela frente para esse especial de 10 anos?



Erik Lopes – A banda comemorou dez anos em maio, e abrimos esse ano de comemoração no Mojo. E a gente gravou em julho passado lá na Rádio Cultura uma prévia desse especial. Fora isso, a gente gravou nove músicas que serão lançadas em dezembro, juntos com alguns depoimentos. (O projeto Aero10anosÉ tipo um documentário, mas o formato vai ser como um programa de TV. Não vamos contar a história da banda, mas a relação que a gente tem com as músicas. Inclusive, tocando músicas que a gente não tocava há anos como “Não Se Vá”. Agora a gente vai lançar mais duas prévias, que é uma de cada período da banda. A gente lançou uma do EP, e agora vamos gravar uma do Voyage, primeiro disco, e depois do Ditadura da Felicidade, segundo disco.  E dezembro fecha com o especial todo.

Som do Norte - E vai ter show para essa comemoração?
Erik Lopes – Pois é, a ideia é fazer um show também no final do ano, mas a gente tá pensando ainda como vai ser. Não tá nada certo.
Bruno – O Erik tá insistindo pra gente organizar esse show e a gente tá enrolando (risos).
Eric Alvarenga – O negócio é que estamos velhos já, só esse ano tem três mulheres grávidas, a mulher do Bruno, a do Felipe e a minha. Aí tá todo mundo trabalhando pra caramba, tem mulher, tem os filhos...
Bruno – Ninguém conversa mais sobre música, só sobre cocô de neném, preços de fraldas...
Eric Alvarenga – E quanto nós gastamos no chá de bebê... (todos riem).

Som do Norte - O que vocês estão falando tem a ver com o que mudou no decorrer desses anos, o que mais para vocês mudou na banda?
Bruno – Musicalmente tem muito do que a gente expressou naquele documentário, que o Erik produziu, o “Pra Onde Estamos Indo?”, que foi sobre o disco Ditadura da Felicidade. E até rolou o comentário depois, que ficou um negócio meio autoelogioso, porque ficamos tão orgulhosos do disco, que ficamos nos elogiando (risos). Mas o que ficou evidente lá, é que a gente amadureceu muito, não só como pessoas, mas o nosso som também. Isso tem a ver com o que a gente quer falar, o que a gente pensa de mundo e que todo mundo concorda. Tá todo mundo ficando velho aqui, praticamente todo mundo tá casado, acho que só não o Erik (Lopes), mas ele tá no caminho...
Eric Alvarenga – Ele já tem até um cachorro.
Erik Lopes – Eu cheguei atrasado porque fui passear com o cachorro (risos).
Bruno – A gente até diminui o número de ensaio, o número de show, e isso acaba dando uma esfriada também, mas a gente tenta compensar o fato de não tá tocando tanto, produzindo vídeos, compondo e gravando. O Diego tem um estúdio na casa dele, então facilita essas coisas de produzir conteúdo e jogar na internet. É basicamente isso. Eu vejo o Molho Negro tocando toda semana e fico pensando: “Como é que os caras conseguem?!” (risos).


Aeroplano no estúdio
(foto: Raissa Lennon)

Som do Norte - Mas o fato de vocês tocarem juntos há tanto tempo não simplifica as coisas?
Bruno - É. Acho que facilita sim, por causa da amizade também, todo mundo é próximo.
Erik Lopes – Até musicalmente também, quando alguém vai compor um arranjo, todo mundo já sabe mais ou menos o que o outro vai fazer.
Eric Alvarenga - Acho que o que resume mais esses dez anos é: a gente já sabe o que quer, que rumo tomar, temos mais maturidade pra isso. No começo da banda, a gente ia para tudo quanto era lado, em várias direções e não criávamos uma espécie de unidade. E agora não é assim.


Som do Norte - O Ditadura da Felicidade é bem diferente dos outros discos, as letras em especial, falam sobre questões em pauta no Brasil atualmente, como a questão do preconceito e outros temas. É isso mesmo ou não?
Eric Alvarenga - Tem a ver sim. Nos outros discos a gente falava muito de desilusões amorosas, problemas pessoais e tal. Já nesse, eu queria fazer alguma coisa diferente e arriscar falar de algo que eu nunca tinha falado antes, como o casamento de pessoas do mesmo sexo, novos formatos de família, a ditadura da felicidade, o consumo de drogas... Mas eu não sabia se ia dar certo, tanto que quando eu fazia as letras eu ficava muito apreensivo se as pessoas iam gostar. Mas as pessoas têm gostado muito, andam até compartilhando as músicas para uma coisa além da própria canção, mas pelo que a letra fala, usam as músicas como uma espécie de mensagem. Volta e meia se discute sobre os novos formatos de família e as pessoas lembram da música “Em defesa da família”. É bem legal.

Som do Norte - E a partir de agora, o que vocês esperam enquanto banda, para além desses dez anos?
Bruno - Todo mundo deveria ser demitido!  (todos riem).
Eric Alvarenga – Boa pergunta. Eu não sei (risos). Mas eu vou falar por mim, a gente não espera tanta coisa assim, esperamos levar o Aeroplano como sempre levamos...
Diego Fadul – Vamos no mesmo caminho do Ditadura... que é focar na produção mesmo, temos essas dificuldades de tempo, mas a gente sempre que pode faz um show em um festival, é bem legal de fazer isso, num fim de semana. Agora até que a gente tá conseguindo fazer shows, tocamos no Quebramar, em Macapá, no Amazonas Rock, em Manaus, tocamos em São Paulo, São Luís também, e agora em Natal. É isso, pensar sempre num outro disco, e depois outro, e outro e vídeos. Pensamos até em lançar um vinil também, mas não sei se vai rolar porque é muito caro. A gente não sabe qual é a próxima coisa que vai chamar nossa atenção ou chamar atenção no mundo.

Som do Norte – Mas tem show aqui em Belém programado?
Diego – Acho que não.
Eric Alvarenga – Por enquanto não...
Erik Lopes – Talvez um em dezembro, mas não tá certo também. Mas acho que o futuro da banda é continuar assim, não se cobrando, porque todo mundo tem as suas responsabilidades pra fazer. De certa forma, sempre coincide uma época de se juntar pra criar coisa nova.


Som do Norte – Vocês param para “fazer um novo disco” ou as músicas vão aparecendo de maneira natural entre os ensaios?
Diego- Não tem uma regra, no Ditadura por exemplo, o Eric (Alvarenga) tinha algumas músicas que a gente vinha ensaiando e aconteceu do Felipe ter que ir embora para Brasília. Então, selecionamos dez músicas que achamos as mais promissoras e corremos para fazer o disco. Já no Voyage, nosso disco anterior, foi outra história. Nós tínhamos um acúmulo de músicas que já estavam sendo ensaiadas há muito tempo, algumas ficaram pelo caminho e fechamos em dez também.
Bruno - A gente tinha o costume antes de fazer os arranjos juntos, geralmente o Eric vinha com um arranjo de guitarra e a voz, às vezes as músicas nem tinham letras, mas tinham uma melodia e no ensaio mesmo a gente ia compondo. Até o Voyage era assim. O Eric tinha uma ideia e todo mundo fazia a sua parte nos seus instrumentos. Eu acho que o Ditadura da Felicidade quebrou um pouco isso por causa da correria, o Felipe se mudou, então fizemos tudo logo. Teve música que a gente foi gravar e nem estava pronta ainda, os arranjos foram surgindo na hora. O Felipe gravou logo a bateria, e depois que ele viajou, continuamos fazendo o resto, pensando em arranjos e tudo. E o que vai rolar daqui pra frente, só o diabo sabe (risos).
Eric Alvarenga – O pai do Diego tem uma casa numa localidade chamada Cururu, lá no Marajó, e a gente tinha um projeto de ir pra lá. A ideia era passar um tempo lá só compondo e gravando, mas esse sonho ficou mais distante.
Bruno – Fala a verdade, ele é o dono da ilha lá... (todos riem).









A banda em 2014

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