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sábado, 8 de agosto de 2015

Aprenda com Fernanda Takai a iniciar do modo que você puder



Muito antes de se tornar uma das fundadoras do Pato Fu, a artista Fernanda Takai teve uma banda com colegas da escola onde estudava em Belo Horizonte. Detalhe: de instrumentos, mesmo, a turma só possuía duas guitarras (uma das quais era usada como baixo, sendo tocada apenas nas cordas mais graves), toda a bateria era improvisada (com materiais tão diversos e improváveis como prato de fanfarra, uma tábua de carne e até um bujão de gás amarrado ao bumbo para que este não se movesse!) e o teclado era "um teclado baratinho, desses que você passa no free shop e compra de presente... assim, muito limitado", conforme ela contou no programa Transando com Laerte, do Canal Brasil, que foi ao ar terça, 4. "Com isso, a gente começou nossa banda de escola". Há um vídeo com esse trecho da conversa disponível no YouTube do Canal Brasil.
Essa história é mais uma prova de nem sempre esperar as condições ideais para fazer o que você quer é a melhor opção. Você não precisa ter uma câmera hollywoodiana para começar a filmar, assim como também não depende de ter um escritório na Avenida Paulista para iniciar seu negócio. Se no decorrer do tempo você puder dar esses upgrades, ótimo. Mas sei por experiência pessoal que muitos dos "sonhos de consumo" padrão que temos ao começar a carreira vão sendo substituídos por outros no decorrer de nossa caminhada profissional, não necessariamente melhores, mas talvez mais coerentes conosco. 
Queria destacar outro aspecto da trajetória de Fernanda Takai - ela ainda hoje mora em Belo Horizonte, a cidade onde teve essa banda de escola. Não cogitou de sair de lá nem quando o Pato Fu assinou o primeiro contrato com gravadora (a BMG, em 1994) ou quando a banda ganhou o primeiro Disco de Ouro, por Televisão de Cachorro (1998). De fato, outro equívoco comum é imaginar que você precisa ir morar em outro lugar para então começar a investir em seu sonho. No Brasil, quase sempre a opção é por São Paulo; já perdi as contas de quantas vezes ouvi esta frase ou alguma variação sua: "Aqui na minha cidade ninguém valoriza o meu trabalho/ a minha arte/ as minhas ideias, eu vou morar em São Paulo e lá as coisas vão acontecer pra mim".
O problema não é a pessoa se mudar para São Paulo (ou para onde for), e sim se agarrar ao pensamento mágico de que apenas a mudança irá por si só impulsionar sua carreira - há quem cometa o erro de ir morar na cidade mais populosa do país, com um dos custos de vida mais altos, sem nem ao menos ter definido um foco para sua atuação profissional. Convenhamos que é contar muito com a sorte. 
* `Publicado originalmente no Linkedin

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