Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

terça-feira, 5 de maio de 2015

Café com Tapioca nº 6: Vinicius Lemos

Som do Norte - Vinicius Lemos, nós já publicamos seu depoimento sobre o final das atividades do Festival Casarão e também uma retrospectiva do que saiu sobre o evento aqui no Som do Norte. Pra encerrar essa série de publicações, pensei em retomar alguns pontos que conversamos na nossa primeira entrevista, há 5 anos e meio. Começo com algo que aliás faltou naquele papo anterior: como foi que você começou a fazer as festas e posteriormente o festival naquele antigo casarão de 1878 às margens do rio Madeira? Era um centro cultural, um bar, o que funcionava nele no restante do ano?

Vinicius Lemos - Era um sítio, não era nada e estava abandonado. Muito antes tinha sido o Iate Club, quando eu tive a ideia em 2000 de fazer uma festa lá, entrei em contato com a pessoa que estava assumindo o local, filho do antigo presidente deste Iate Club, estava limpando e restaurando para ser seu sítio de final de semana. Depois do sucesso do primeiro Casarão ele chegou a alugar para outros eventos, festas de casamentos e tudo mais. 

Som do Norte - Numa entrevista a um outro site, por volta de 2009 ou 2010, (deixo de mencionar qual é porque não consegui mais localizar a matéria), ao falar da dificuldade de conseguir apoio da Prefeitura e do governo do Estado, você chegou a dizer que o fato de pedir verba pública para um evento com ingresso pago era visto por eles quase "como uma coisa demoníaca" (risos). De lá pra cá, você diria que melhorou a relação entre festival e esfera pública?

Vinicius Lemos - Nunca existiu uma política pública em Rondônia e não vejo muita novidade nesse sentido. Temos a notícia boa do Marquinhos Nobre [Marcos Nobre Jr.] ter assumido a fundação municipal (Funcultural), sei que tem boas ideias e planejamento de editais, mas pegou uma administração do meio pro final, não sei se consegue um bom impacto. Do governo do estado não vejo a médio/longo prazo nada demais. Aqui é a política pires na mão e ficar se sujeitando. A ajuda ainda fica por causa do apoio direto restrito a evento sem cobrança de ingresso, o que nunca incluiu o Casarão. Tive apoio em 2007 com um som de uns 7 mil reais da prefeitura. Em 2008 promessa de toda a sonorização no nosso melhor ano e deram pra trás faltando 20 dias. Em 2009, prometeram novamente o som e deram pra trás faltando 7 dias. Em 2010, eu tinha um convenio com o MinC/Funarte aprovado de R$ 80 mil, necessitando da prefeitura pra receber e repassar, com contrapartida de 20 mil. Acabou que o Prefeitura não conseguiu certidões e os 80 mil voltaram. Em 2011 foi a única vez que o governo do estado nos deu hotel e alimentação, uma pequenina ajuda. De lá pra cá, promessas dos dois lados. Infelizmente.

Um dos motivos que o Casarão encerra é falta de apoio, sempre o povo fala "faz aberto", "adia que a gente vê um apoio". Eu sempre fiz na raça, com público, ingresso e com prejuízo e grana própria, se tivesse apoio e patrocínio, certamente continuaria, com uma equipe remunerada e podendo delegar, mas nunca foi assim, sempre no apoio de cada um, uma equipe maravilhosa que dava alma ao festival, mas eu não podia também exigir mais de ninguém. 

Som do Norte - Um aspecto que sempre valorizei no Casarão era sua faceta social: você garantia meia-entrada no evento para quem doasse um quilo de alimento não-perecível ao comprar o ingresso; posteriormente, os alimentos eram encaminhados à Paróquia São Luiz Gonzaga. Você tem uma estimativa de quanto se arrecadou de alimentos ao longo de toda a história do Casarão?

Vinicius Lemos - Só nos maiores anos, 2008 e 2009 foram cerca de 12 toneladas, depois foram menos, mas sempre foi uma busca de demonstrar que era legal doar e pagar meia entrada, um viés legal. Acho legal os eventos continuarem a fazer isso.

Som do Norte - A gente sempre encerra o papo perguntando quem o entrevistado convidaria para um café com tapioca. Quem você gostaria de ter no palco numa hipotética 16ª edição do festival?

Vinicius Lemos - Eu concorri ao edital do Basa [Banco da Amazônia] e não fui contemplado, tinha um line up bem delineado pra esse ano. Mas, fica o mistério.

Nenhum comentário:

Postar um comentário