Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

domingo, 26 de abril de 2015

Rondônia: Vinicius Lemos anuncia final das atividades do Festival Casarão

No final da tarde deste sábado, 25 de abril, o produtor cultural rondoniense Vinicius Lemos publicou um álbum de fotos em seu perfil pessoal no Facebook, acompanhado de um texto em que anunciava o encerramento das atividades do Festival Casarão, após 15 edições - a última aconteceu em maio de 2014. Para este post, escolhi duas das 16 fotos publicadas, e que são da fase em que o festival ainda acontecia no antigo imóvel de Porto Velho que lhe deu o nome e que abrigou as primeiras nove edições do evento. 

De todos os festivais independentes do Norte, o Festival Casarão é sem dúvida o que maior ligação tem com o Som do Norte. Com apenas um mês no ar quando aconteceu a 10ª edição do festival, em setembro de 2009. conseguimos fazer uma inovadora "cobertura à distância" (pra quem não sabe ou não lembra, na ocasião nossa redação ainda era em Porto Alegre, distante 3.758km da capital de Rondônia) que foi elogiada até pela então assessora de imprensa do evento, a jornalista Mary Camata. Nas edições seguintes, contamos com os relatos de nossa correspondente do Acre, Nany Damasceno, em duas ocasiões (2011 e 2014), e eu próprio estive cobrindo o festival em 2012. Amanhã iremos publicar um post especial reunindo todos esses links. E ainda esta semana convidaremos Vinicius Lemos para tomar um Café com Tapioca com a gente. Aguardem!

Reproduzimos a seguir o comunicado de Vinicius Lemos publicado ontem no Facebook. (Fabio Gomes)





***


"No ano de 2000, eu tinha 19 anos e fiz o Festival Casarão. 

Não planejei, era mais uma festa, mais um evento, combinando música e um casarão histórico no meio do mato, na beira do Madeira. Tinha tudo pra dar errado, mas por algum motivo deu certo. 

De lá pra cá, todo ano eu realizei o festival, até 2005 como festa, após como festival. Cada ano uma luta, um aprendizado. Já foi grande, já foi pequeno, já foi balada, já teve banda cover, banda autoral, bandas locais e bandas de fora, bandas grandes e bandas independentes. Mais de 250 bandas de quase o Brasil inteiro, de todas as regiões, puderam mostrar seu trabalho e conhecer Porto Velho. É impossível citar todos, mas grandes nomes como Pitty, Humberto Gessinger, Pato Fu, Dead Fish, Matanza, Cachorro Grande, Emicida, Ratos do Porão, Vanguart, Krisiun, Autoramas, dentre outros. Muitas bandas independentes, como Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acajú, Do Amor, Canastra, Mukeka di Rato, Wado, Banda Cassino Supernova, Macaco Bong, Ecos Falsos, Moptop, MQN, Los Porongas, Os Descordantes, Caldo de Piaba, Mezatrio, Madame Saatan, Superguidis, Veludo Branco, Mr. Jungle, Zefirina Bomba e um caminhão de banda de fora. Excecpcionais bandas locais como Coveiros, Hey Hey Hey!, Di Marco, Sub Pop, Kali, Maria Melamanda, Ultimato, Beradelia, Bicho du Lodo, Bedroyt, Os Últimos, Recato, Par de Sais, Sucodinóis, Gustavo Erse, Expresso Imperial, Rádio Ao Vivo, S/A, dentre uma infinidade. 

De certa forma, realizar o festival me definiu, fez e fará parte da minha vida. 

Mas, uma hora o tempo passa, nesse tempo, me formei, montei meu escritório de advocacia, casei, tenho uma família linda, dou aula em faculdade da matéria que me dedico, participo da OAB, entrei num mestrado. Tantas atividades que o festival acabou por ficar um pouco de lado, sem a minha atenção. Não acho justo continuar a fazê-lo sem a máxima atenção. Creio que o festival fica na história, uma boa história, com aprendizado imenso, erros e acertos, idas e vindas, orçamentos pequenos e gigantescos, com apoio ou sem apoio, sempre rolou Casarão. Infelizmente, esse ano 'num' dá mais. 

O Festival deixou a cidade um pouco melhor, com shows de bandas que nunca se apresentaram em Porto Velho, colocando [a cidade] no mapa da música independente. Deixou um legado, uma história! Um dia, quem sabe, chegue a hora de aprofundar nessa história de 15 edições. 

Nada é eterno, tudo se transforma. Uma galera nova com muito gás tá produzindo música e eventos na cidade, com muito mais qualidade de quando o Festival Casarão começou, a cidade fervilha muito mais cultura hoje. O Festival não é mais tão importante como foi principalmente entre 2005 até os últimos anos. 

Como disse Djalma Lúcio, um maranhense que se apresentou em 2011, “o Festival Casarão tem alma”. Essa alma hoje descansa um pouco em paz, nunca acaba por estar dentro de cada pessoa que um dia foi no festival e fez parte essa história. Essa alma está guardada para sempre. 

Agradeço à minha família que sempre me apoiou nessa empreitada, mesmo nos momentos difíceis; meus parceiros de todos os anos; meus parceiros pontuais de cada ano; os patrocinadores (poucos, mas essenciais); os fornecedores; as bandas; os entusiastas e o mais importante, o púbico. 

Obrigado a todos.

Um agradecimento especial a algumas pessoas que fizeram parte de todo o conceito do festival: 

Juliana Dal Molin, Walter Gustavo Lemos, Vitor Oliveira de Abreu, Natanne Alves, Duana F. Lopes Dandara Simão, Tata Castro, Maria Luísa Medeiros, Nettü Regert, Stenio Castiel, Breno Azevedo, Iury Souza, Jéssica Lima, Rafael Vieira, Douglas Diógenes, Marcos Fonseca, Kau Gomes, Eduardo Mesquita, Marcelo Costa, Marcos Bragatto, Diego Torres Bruzugú, Diogo Soares, Daniel de Souza Daniel Groove, Daniel Benvindo de Carvalho, Gustavo Erse, Gustavo Andrade, Alexandre Lins, Paulo Lins, Francisco Ventura Alvares Oliveira, Artur Mendes, Mariana Mendes, Anderson Daian De Souza Santos, Uilisson Carvalho Calzolari, Alex Nunes, Rita Nocetti, Ricardo Erse, RaphaTattoo Jipa, Cirilo Dias, Bruno Dias.

Vinicius Lemos"

Nenhum comentário:

Postar um comentário