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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Café com Tapioca nº 5: Daniela Nascimento

Parece que foi ontem, mas na real já se passaram mais de dois anos desde que publicamos nossa primeira e até então única entrevista com a cantora e compositora amazonense Daniela Nascimento (releia aqui). Nesse meio tempo, ela reservou um período para se dedicar à família; como agora retoma a carreira com força total, consideramos que era o momento certo para convidá-la a tomar um Café com Tapioca conosco. Aprecie! (Fabio Gomes)
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Interpretando "Alarme", que compôs em parceria com Lívia Mendes, 
pelo 4º Festival Amazonas de Música (Bumbódromo de Parintins/2013
Foto: Divulgação

Som do Norte - O vídeo que vamos destacar nessa entrevista é de você cantando "Alarme", composição sua e de Lívia Mendes, com a qual você participou do 4º Festival Amazonas de Música, em Parintins, 2013. O festival era competitivo? Você chegou a estar entre os finalistas? Pelo andamento, me pareceu um tango, de todo modo é uma canção bem dramática, sem muita relação com "Sonhos em Palhas", outra música do seu repertório que nossos leitores já conhecem.
Daniela Nascimento - Sim. Como nas outras três, essa edição do Festival também foi competitiva, e com essa canção ficamos dentre os 15 finalistas, tendo sido premiadas com os registros em CD e DVD. De fato é um trabalho bem diferente de "Sonhos em Palhas", já que este, em suma, buscou colocar em evidência a importância da valorização do costumes do ribeirinho e da diversidade cultural da Amazônia, como um todo. "Alarme" se demonstrou um trabalho bem mais ousado, principalmente por conta da escolha de que o estilo musical fosse um tango. Nesse trabalho também fui agraciada com a oportunidade de amadurecer bem mais como intérprete, num trabalho em conjunto com minha parceira Lívia Mendes e com uma das melhores intérpretes da nossa Amazônia, a cantora Fátima Silva, que por sinal foi a grande campeã da segunda edição (2011) desse festival. (NR: A Lívia Mendes parceira de Daniela Nascimento em "Alarme" é uma artista de Manaus; não confundir com a Lívia Mendes, de Belém, que foi nossa entrevistada no Café com Tapioca nº 1). 


Som do Norte - Você começou a carreira participando de vários shows coletivos e principalmente festivais, inclusive fora do Amazonas. Você considera que estes canais ainda são importantes para seu trabalho chegar a um público maior? Como você avalia sua participação nos recentes festivais no seu estado?

Daniela Nascimento - Acredito que só se compra a ideia do que se mostra (e se prova) ter credibilidade, e trazendo isso para a questão da música, essa credibilidade muitas vezes se torna algo mais difícil a quem não tem tanto tempo de estrada (o que, muitas vezes, gera um sentimento de preconceito e "desconforto" dentro do próprio meio musical), a quem não tem condições de produzir um trabalho fonográfico (que é onde poderia haver um maior incentivo do poder público, pois em se tratando de Amazonas, há ao menos 20 anos a tal "difusão cultural" só se resume aos bilionários investimentos nos eventos de boi-bumbá, à superprodução americana para o auto de Natal "O Glorioso", às limitadas manifestações artísticas no perímetro do Teatro Amazonas e às edições dos festivais de música, dança, teatro, ópera e cinema, que por sinal já nem temos mais certeza se continuarão no calendário), mas principalmente quando ainda se pode perceber o distanciamento do próprio público com relação a estilos musicais, digamos, menos populares dos que os que a grande massa aprecia. Apesar de tudo, acredito que quando o artista ama e acredita no que faz, o importante é fazer seu trabalho com amor e levá-lo para onde o público está, independente do tamanho deste e da ideia de que "amor à arte não enche barriga". Poder produzir é uma dádiva, e mesmo com toda a incerteza sobre qual será o futuro da produção artística no Amazonas, poder ter a oportunidade de subir ao palco de um grande festival é algo sempre sublime, sentimento esse que também tive na quinta edição do FAM (2014), interpretando "Cinzas de Carnaval", de Miguel Faria, e em minha estreia no Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), também em 2014, interpretando "Bicho-Homem", de Rai Makneh e Iran Makneh. (À esquerda, interpretando "Bicho Homem", no FECANI 2014 -  foto: Divulgação)


Com Miguel Faria (à esquerda) e
Alan Xavier - foto: Divulgação


Som do Norte - Como estão seus planos pra este ano referentes a shows autorais em Manaus ou fora e/ou lançamento de alguma gravação sua (seja EP ou CD)?

Daniela Nascimento - Estive quase que totalmente afastada do trabalho com a música por conta do nascimento do meu segundo filho, que hoje tem um ano de idade. Digo "quase que totalmente" porque, como eu já disse, em setembro do ano passado participei do FAM e do FECANI, mas antes disso, em agosto, cheguei a fazer um show no Dom Luiz Espaço Cultural (Casa da Rô) com ele ainda pequeno (inclusive o tendo como participação especial (risos), sentado em meu colo na execução de três ou quatro músicas), que foi o que me fez perceber que eu ainda precisaria estender meu período de "férias" para me dedicar a ele e ao seu irmão, e assim o fiz, até mês passado, quando tive a oportunidade de voltar aos trabalhos no meu querido e sempre receptivo palco do Dom Luiz, num show que, mesmo tímido de público, foi de grande importância nessa trajetória de quase quatro anos, pois recebi no carinho e acolhimento da proprietária, a produtora cultural Rosângela Bentes Campos, o incentivo que eu precisava pra esse reinício dos trabalhos. A partir  dos próximos shows deve haver algumas novidades com relação ao formato das apresentações e ao repertório, que vai incluir um número bem maior de músicas autorais. Os planos para gravação das minhas obras são vários, mas posso adiantar que o primeiro deles é o de sair da zona de conforto e me abrir às orientações de pessoas e produtoras experientes que, porventura, se interessem em me ajudar nessa nova empreitada.

Som do Norte - E pra finalizar, a clássica pergunta: quem você convidaria para um café com tapioca?

Daniela Nascimento - Nossa! Tanta gente especial eu convidaria pra um café com tapioca! (risos). Sonho com a oportunidade de gravar alguma obra junto do grande cantador Antônio Pereira. O mesmo sonho se estende às letras (e verdadeiras obras-primas) dos amazonenses Ederval Santos, Rô Campos, Rai Makneh, Candinho, Victor França, do acreano Sérgio Souto, do poeta curitibano Altair de Oliveira, dentre muitos outros, o que acredito que num futuro bem próximo possa (e irá) se realizar.


2 comentários:

  1. Livia Regina Prado de Negreiros Mendes23 de abril de 2015 02:01

    A Dani é uma intérprete voraz e não tem medo de ir além da sua zona de conforto.
    Pode sim surpreender cantando um tango tanto quanto um cancioneiro regional com a mesma carga emocional e técnica.
    Além da parceria musical já tivemos a oportunidade de cantarmos juntas "velhas "bossas novas e sambas.
    Acredito que o seu momento está próximo. O momento do tão aguardado Ep autoral.
    Talento e vontade já são premissas fundamentais.
    Parabéns garota e sucesso!

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    1. Feliz por suas palavras, Lívia, e emocionada.
      Obrigada por acreditar.

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