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terça-feira, 17 de março de 2015

Café com Tapioca nº 4: SuperSelf

Por Raissa Lennon,
de Belém

Os integrantes da banda de rock paraense SuperSelf bateram um papo com o Som do Norte para falar do lançamento do seu primeiro EP, carreira, composições e suas influências musicais. O grupo surgiu com o fim de outro chamado Zípper,  que por diferenças musicais culminou na saída do compositor da banda. “Costumávamos dizer ironicamente que cortaram a cabeça do Zípper e o corpo SuperSelf saiu andando apenas com o coração”, brincou o vocalista Rael Andrade, que forma a banda ao lado de Wyber Gester (bateria), Anderson Leal (baixo) e Thiago Costa e Rafael Oliveira (guitarras). A banda se apresenta no projeto Ensaio Aberto (Espaço Ná Figueredo, em Belém), no dia 28 de março. 


Som do Norte -  Vocês lançaram um EP em janeiro, pelo selo Som Independente Records. Contem um pouco sobre a produção e realização desse trabalho?
Rafael Oliveira - Gravar é um resultado natural de todo artista que almeja algo maior para sua música, mas lançar esse trabalho e lidar com os resultados disso era algo novo para todos. O Som Independente Records é uma luz que está nos mostrando o caminho, O Márcio Aracati do Som Independente está sendo um guru para banda em relação a trilhar essa estrada/ nós gravamos tudo em casa e não tínhamos ideia do quão grande isso poderia se tornar. Os desafios continuam e já estamos prontos para mais. 

Som do Norte -  Como acontece a criação das músicas da banda? Em uma faixa do EP tem a participação de Adriana Rolim, como foi que aconteceu essa parceria?



Thiago Costa - As composições geralmente são do Rael, o cara é gênio nas letras, do nada em meio às cervejas e cigarros surge um verso e uma harmonia vocal. O meu trabalho é fácil, só descubro o acorde pra acompanhar ele! Às vezes ajudo na letra, mas muito raramente, só quando as ideias empacam. Lembro quando nasceu a música "Bicho Solto". O Rael tinha uma primeira estrofe completa, muito “porrada”, que falava de um carinha que quer sair pra curtir, sem a namorada ou esposa e diz que voltará só no outro dia, só essa ideia já era perfeita pra uma música, mas não conseguíamos sair da primeira estrofe. Acho que foi a minha maior contribuição para letras, sugeri que fosse um diálogo de casal a música, foi aí que a ideia fluiu. Rael continuou com maestria nos versos pra música, conhecemos a Adriana Rolim e já estava decidido quem iria cantar essa parte feminina. Confesso que a princípio não acreditava no resultado dessa música, mas no final de tudo, ela se mostrou uma música muito forte. Outro grande escritor da banda é o Rafael, ainda estamos compondo novos sons em que ele já vem contribuindo com grande perfeição. Confesso que eu perco a modéstia ao falar do SuperSelf, eu tenho quatro amigos na banda, que pra mim são os melhores no que fazem. Cada um no seu jeito, o Wyber destrói nas baterias e  o Anderson aparece com uns arranjos de baixo que eu “tiro o chapéu”. Sinceramente, meu trabalho na guitarra é só achar o acorde certo, pois todos da banda são excelentes. Nos ensaios, vejo a preocupação do Rafa, cada milímetro dos potenciômetros nos pedais dele é crucial, então isso é de extrema importância para formação das músicas. Vale ressaltar os nossos contribuidores externos à banda, na verdade esses fazem parte do SuperSelf de tão próximos, o pessoal da banda Igrejas Bar, Wilson Moraes e o querido Adriano Reis. Wilson, que é um grande letrista, sempre ajuda nas composições e Adriano, que é um grande baterista e visionário em arranjos musicais, ajuda na parte de lapidação do nosso material. No final de tudo apareceu a figura do Márcio Aracati, um dos grandes apoiadores, trouxe consigo a grandeza do Som Independente Records, sem isso não estaríamos alcançando novos espaços e novo público, até fã-clube a banda já tem, liderados pelo cara que mais incentivou a banda, o grande Marcos Fragoso do Rock no Tucupi.

Som do Norte - O som da SuperSelf me lembrou muito bandas paraenses como Turbo, Johnny Rockstar, Eletrola.... Vocês ouviram/ouvem essas bandas? Quais são as influências de vocês?


Rafael Oliveira - Com toda certeza os artistas e bandas paraenses nos influenciaram e ainda influenciam, sabemos como banda independente que o caminho não é fácil e assim como muitos nos apoiam, apoiamos também os artistas da terra em primeiro lugar, somos fãs do Turbo, Molho Negro, The Tump, a antiga Destruidores de Tóquio, Aeroplano, Vinyl Laranja, Stereoscope, Dharma Burns, La Orchestra Invisível, as lindas Erika, Iza Haber e Aíla, Lobonato e Os Tucunarés Selvagens de Tucuruí e nossos parceiros do Ultramodernos, Igrejas Bar e The Crush Machine, gente que está na luta como nós e que nos ensinam todos os dias. Falar das influências de fora levaria a uma entrevista só pra isso, somos amantes da boa música e vamos deixar que os ouvintes percebam essas influências no nosso som, mas garantimos que vai de Abba à Zappa.

Som do Norte -  Quais são os projetos da banda para 2015? Como está a produção do videoclipe para a música “Bicho Solto”?

Rael Andrade - Levar nosso som ao máximo de lugares e pessoas possíveis, circuito independente dentro e fora do estado, registrar em clipes duas faixas do EP SuperSelf. O clipe de "Bicho Solto" vai contar com a participação de todos nossos fãs e amigos, todos irão participar e é a forma que encontramos de agradecer e dizer que onde o Superself for levaremos nome de todos. E ainda finalizar as gravações do segundo EP que está para ser servido no fim de maio, começo de junho.

Som do Norte - Para terminar, quem vocês convidariam para um café com tapioca?

Rafael Oliveira - Para um sagrado café com tapioca convidaríamos toda essa galera que trabalha no independente, que dá duro na sua arte, seja qual for, essa galera que se ferra toda, que luta, que alcança tudo com muito suor e que acima de tudo não desiste de levar sua arte a toda parte.



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