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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Café com Tapioca nº 3: Moças do Samba

Por Nany Damasceno,
de Rio Branco 


Uma servidora pública federal, outra estadual, uma jornalista, uma professora de artes e uma intérprete. Cinco mulheres e uma paixão: O SAMBA.

Narjara Saab, Carol Di Deus, Vanessa França Sandra Buh e Yasmim O'hana e Vanessa França formam o grupo acreano Moças do Samba que surgiu em dezembro de 2013, quando após participarem de uma oficina, as integrantes decidiram ser o primeiro grupo acreano de samba composto apenas por mulheres. 




Nany Damasceno - Como surgiu o Moças do Samba? Acho que é o grupo que conheço que surgiu da forma mais inusitada, afinal, vocês participaram de uma oficina, que por sinal uma iniciativa bem bacana, e ninguém tinha a pretensão de formar um grupo e sair tocando por aí...

Narjara Saab - Na verdade nem passava pelas nossas cabeças, principalmente, porque não achávamos que teríamos competência para tal. Nossa pretensão era apenas de aprender cada uma a tocar um instrumento. Eu e Carol brincávamos que um dia íamos ter um grupo e eu falava que seria a cantora, mas tudo não passava de brincadeira e a gente inclusive ria muito disso. Ao ver a divulgação da oficina de percussão para mulheres, oferecida pelo  "Clube do samba Acre", cada uma de nós se inscreveu sem pretensões maiores. Com o passar das aulas, o maestro Antônio Carlos viu que algumas de nós tinham interesse em aprofundar o conhecimento sobre samba e marcou encontros semanais paralelamente à oficina e desses encontros surgiu o que primeiro se chamou Samba das Moças e depois passou a ser o Moças do Samba.

O Moças do Samba completou um ano recentemente, me falem dos planos de vocês pra esse novo ciclo que é 2015 e o segundo ano do grupo.

Vamos investir em projetos com o intuito principal de divulgar a cultura do samba de qualidade e também inspirar mais mulheres a participarem do cenário do samba local. Estamos planejando oficinas de percussão, rodas em espaços abertos e afins. Temos um projeto em vias de execução chamado Feminina Voz do Samba, aprovado pela Fundação Garibaldi Brasil, onde iremos apresentar várias rodas com sambas compostos ou consagrados por mulheres e através disso, contaremos a trajetória da mulher no samba. Essas rodas acontecerão em espaços abertos da cidade, em escolas, entidades que cuidam dos direitos da mulher, entre outros espaços. Queremos alcançar cada vez mais qualidade no nosso trabalho, afinal, somos inexperientes e temos consciência do quanto ainda temos que aprender.


Quais as inspirações do grupo e como as usam na música de vocês?

Nosso grupo é composto principalmente por amantes do samba.  A começar pelo nosso maestro Antônio Carlos, que tem vasta experiência e já tocou com grandes nomes do samba brasileiro. As moças por sua vez, em sua maioria ouvem samba desde crianças. Temos influência de nossos pais, avós e pra quase todas o repertório é parecido. Ouvimos muito compositores como Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Cartola, João Nogueira, Zeca Pagodinho, Candeia, Luíz Carlos da Vila... São muitos... Procuramos fazer um samba reto, sem firulas por enquanto, até porque, não temos ainda a experiência necessária nem tocando nem cantando. Assim, no nosso caso, por enquanto, pode-se dizer que "menos é mais". Seguimos as orientações do maestro que é quem conduz a parte musical do grupo.


Quem vocês convidariam pra um café com tapioca?

Seria grande a lista mas, hoje, por ser mulher e pela identificação do grupo com seu trabalho creio que seria uma honra para nós tomarmos um café com tapioca com a Tereza Cristina. Mas há quem do grupo tenha citado a Maria Rita... Na verdade fica difícil decidir. Seria um festival de cafés e tapiocas no nosso caso. (risos)

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