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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ouvindo Junto: Natália Matos

A cantora paraense Natália Matos comenta faixa a faixa seu CD de estreia:

1 – Cio: É uma música do terceiro álbum do Kiko Dinucci, em parceria com Douglas Germano. Sempre quis gravar essa música, pela intensidade que ela carrega e pela identificação com esse universo de imagens e emoções. Ela já estava no repertório dos meus shows e agora ganhou um lindo arranjo do Guilherme Kastrup, cheio de mistérios, que flerta com a cumbia.

2 – Beber Você: Mais uma pérola dessa parceria de Felipe Cordeiro, Arnaldo Antunes, Manoel Cordeiro, Luê e Betão Aguiar. Que belo jogo de palavras de uma saudade doída de um amor. Ela é bem humorada, que até a saudade se veste de leveza, como faz a água. A música é graciosa e ficou cheia de suingue com as percussões arrasadoras de Guilherme Kastrup.

3 – Você Me Ama, Mas: Essa é a nossa música pop do disco. Uma das minhas primeiras composições, fala dos limites do amor e expõe a dificuldade de se ser só quando somos, os dois amantes, um só. Frases impulsivas e um tanto irônicas trazem um quê de humor no incômodo com o outro e na busca da tristeza e da solidão para se compor.

4 – Coração Sangrando: Um brega rasgado da Dona Onete, compositora que conquista qualquer coração com seu chamego e suas incríveis canções. Quando estive em sua casa, ela cantarolou toda a intenção do arranjo dos sopros, e no dia em que ele ficou pronto eu fui abaixo de emoção. Pra completar, tive o prazer de cantá-la ao lado de Zeca Baleiro, que trouxe ainda mais beleza. É de chorar!

5 – Baila de Havana: A gente deu um ar super moderno para esta música inédita de um grande compositor do Pará, o qual eu não poderia deixar de gravar, Ronaldo Silva. A letra é despretensiosa, fala de um jogo de conquista dentro de um baile, ainda faz referência a vários ritmos latinos e tem um clima super caliente.

6 – Flor do Segredo: Fui tocada pela delicadeza e sinceridade desta letra de amor. Embalada por um clima de fado, ganhou efeitos e condução minimalista do Guilherme Kastrup que se somam à viola do Caçapa, aos violinos de Hertz, e trouxe uma intensidade que eu procurava. Ela é do Almirzinho Gabriel, autor de outras tantas belas músicas como esta.

7 – Um Amor de Morrer: Conheci esta canção em um vídeo. Achei aquilo tudo muito precioso e a pedi ao Rômulo Fróes, que me entregou de coração, como se entrega um pássaro ao voo. O arranjo ficou precioso como ela: o cavaco do Rodrigo Campos e a viola do Caçapa ressoando tocantes e doloridos como um amor de morrer.

8 – Pouca Luz: Um momento de solidão, encantamento e reflexão sobre o tempo e a luz elétrica. A música passa por ritmos diferenciados que, neste arranjo, ganharam um refinamento e uma profundidade incríveis.

9 – Maria do Pará: Iva Rothe a compôs pensando nas marchinhas do Pinduca, e nós a fizemos mais experimental. A história é um barato: um romance entre uma paraense do interior, de uma ilha, e um rapaz da “cidade”, que enfrentam a distância pelo “écran” e viagens de po-po-pô (barquinho monomotor usado para chegar a comunidades ribeirinhas). Gosto muito do MPC misturado aos meus vocais, que se confundem com a voz principal quase como se fosse a tentação desta Maria.

10 – Este Pranto é Meu: Quis regravar esta música do Pim, irmão do Pinduca. Fizemos mais grave, mais lenta, passeando pelo carimbó e pelo marabaixo, com as guitarras do Kiko Dinucci “ferindo mais que um punhal”. Há nela um lirismo que me encanta.

11 – Cândido Brilho: Minha primeira música em parceria. Renato Torres veio fazer perdurar o encantamento com a noite e com a lua e levou minha urbana solidão para a beira do mar. Ela flertava com a guitarrada quando cantada no Terruá Pará, e entrou no disco, para registrar este meu momento, em versão mais rápida, quase uma lambada.

12 – Cio (DubMix): Guilherme Kastrup se encantou com a possibilidade de iniciar e finalizar o trabalho com a mesma música depois que vimos prontos os belos Dub que o Victor Rice preparou para esta e várias outras músicas do disco.


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