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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ouvindo Junto: Camila Honda

Camila Honda é paraense de nascença, meio japonesa, meio brasileira e viveu na Europa. Múltiplas referências que ela trouxe para seu trabalho de estreia, onde experimenta vários sabores. Caminhando entre o pop, o folk, o erudito, a MPB e o regionalismo, para construir com naturalidade uma sonoridade própria: transgressora e delicada ao mesmo tempo. Sua voz é serena, seu canto é calmo, mas carregado de emoção. Influenciada por Joan Baez, Chico Buarque, pela Tropicália e por Nara Leão, Camila é uma legítima cantora do novo pop brasileiro. Seu CD de estreia tem a produção musical de Felipe Cordeiro e patrocínio da Natura através da Lei Semear, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e Governo do Pará. Apoio cultural Lei Tó Teixeira, Fumbel e Prefeitura de Belém.

Ouça o disco, comentado pela própria Camila:




1 – Baile Saudoso: Eu tinha o refrão e a vontade de fazer uma música com o Allan Carvalho. Foi assim que tudo começou. A mulher da letra do Allan dizia coisas como “eu vou correndo me atirar no teu colchão”, “nesta noite é você quem eu quero comer, meu bem” e “porque no baile saudoso é gostoso se pegar”. Eu achei um barato! Mas fiz alguns ajustes porque sou um bocadinho mais discreta que ela.

2 – Fora de Área: Essa música tem uma coisa de sarcasmo e doçura, leveza e malícia, descontração. Foi muito divertido entrar nesse clima e fazer essa gravação para o disco. É uma das minhas faixas preferidas.

3 – Embaraço: Tem muito a ver com o fim de um ciclo, com a espera de novos ares e com a sensação de ansiedade, e ao mesmo tempo conforto, de deixar acontecer, deixar fluir. Era bem o meu momento pessoal durante a gravação do disco.

4 – Coração na Balança: Uma vez ouvi que, no Egito antigo, pesavam os corações dos mortos em uma balança, contra o peso de uma pena. Os corações que tivessem peso igual ao da pena eram considerados puros e as almas dignas do paraíso. Caso contrário, os corações eram devorados e as almas estavam condenadas ao submundo. Escrevi “Coração na Balança” em torno da importância de um momento de consciência sobre o estado, o peso dos nossos corações e também sobre o prazer da leveza.

5 – Aparelhagem de Apartamento: Num programa ao vivo da Rádio Cultura, em Belém, eu tive a oportunidade de conhecer e cantar essa música da banda paraense Molho Negro, numa versão despretensiosa e improvisada, que acabou entrando na programação da rádio. A música é demais, merecia uma regravação pra entrar no repertório do CD. Convidei o Arthur Kunz pra produzir a faixa e um dos autores da música, João Lemos, pra gravar a guitarra.

6 – Tamba-Tajá: O Waldemar Henrique é um dos maiores compositores do nosso estado. É o Villa Lobos da Amazônia. “Tamba-Tajá” é uma música muito conhecida no repertório erudito e que, nos anos 70, teve uma versão popular e inesquecível da Fafá de Belém. Sempre gostei muito dessa música que fala da lenda do tamba-tajá, uma história de amor, mas achei que no século XXI seria legal cantá-la de outra maneira. Fui experimentando e descobrindo a minha maneira de contar essa história e cantar essa música tão bonita.

7 – Nightinlady: Essa música aconteceu quando o Jorge Eiró, artista plástico paraense, escreveu um texto no Facebook, no dia do aniversário da sua filha, e me enviou sugerindo que eu musicasse. Todas aquelas referências musicais do texto me remeteram a um clima muito folk, muito leve… A melodia foi acontecendo muito naturalmente, nos poucos acordes que eu sei tocar. Fiz uma gravação caseira e enviei pro Felipe Cordeiro, mas nunca imaginei tocar o violão no CD. Ele me convenceu e a gravação aconteceu num clima “ao vivo”, despretensioso, prazeroso e intimista.

8 – Sabiá: Quando eu comecei a cantarolar essa música, fui percebendo que sentido ela fazia pra mim e descobri que ela era triste, era um lamento. Entrei nesse clima profundo de tristeza, como se naquele momento só um sabiá pudesse me ouvir e entender o que eu sentia. Foi um momento muito especial no estúdio.

9 – Depois que a Chuva Passar: O Felipe Cordeiro me enviou a melodia e eu escrevi a letra. Escrevi num dia daqueles que a gente não tem pressa, que a gente quer e pode assistir ao pôr-do-sol, que a nossa casa é o lugar mais delicioso do mundo, naqueles dias que a gente acorda e tem um amor começando e que essas coisas bastam pra nos fazer feliz.

10 – Refluxo Sentimental: A última faixa do disco foi também a nossa última gravação. Foi gravada em Belém e é uma música que fala de quando vem à tona uma paixão que a gente deseja esquecer.

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