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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Áquilas expõe a dor e a delícia de ser músico no Amapá

Assisti ontem, no auditório da faculdade Estácio Seama (Macapá), a estreia do documentário Áquilas - As dificuldades do artista autoral em Macapá, das estudantes de Jornalismo Verenna Araújo e Viridiane Souza. Verenna participou em 2012 do workshop de Jornalismo Cultural que eu ministrei no MIS-AP, durante o Festival Quebramar. 

O média-metragem ouviu vários artistas de diversos segmentos - entre eles Hanna Paulino (banda Hidrah), as bandas Nova Ordem e Stereovitrola, todos do rock; Lara Utzig, da banda Desiderare (folk); o cantor e compositor Paulo Bastos, ligado à tradição musical -, além dos organizadores do movimento Liberdade ao Rock e do radialista e dono de gravadora Ivo Canutti. 

A maioria, como indica o subtítulo do filme, lamentou os muitos percalços que quem é artista de música autoral independente em Macapá precisa enfrentar - além das dificuldades de acesso à programação das rádios, como destacaram os músicos da Stereovitrola, e da falta de espaço para shows autorais  (destacado por quase todos), há a falta de uma política pública voltada para a cultura, com editais abertos com frequência e não apenas para eventos como Expofeira e Macapá Verão (como lembrou Lara Utzig) e a precariedade do acesso à internet no estado, citada por Hanna Paulino. 

Felizmente, nem só de motivos para se lamentar vivem os músicos macapaenses. Claro que há dificuldades, muitas: por exemplo, o baixista Marinho Pereira (Stereovitrola) destacou que, embora todos seus colegas de banda tenham outras profissões, todos adorariam poder se dedicar apenas à música. Mas o depoimento de Lara Utzig dá esperanças ao espectador, ao destacar a efervescência cultural pela qual a cidade passa - com o que concordo inteiramente; já há algum tempo constatei a vontade de fazer que os artistas de Macapá têm, e sua pró-atividade de tomar atitudes, de fazer, sem esperar que governos ou instituições A ou B tomem a iniciativa. Aliás, os integrantes da Stereovitrola deixam claro que o que esperam da esfera governamental é uma política pública clara para a área da cultura, o que hoje não existe no Amapá. 

Enfim, as duas estudantes estão de parabéns por realizar este filme que registra este momento da cena da cidade e com certeza pode dar margem a um debate muito rico sobre o assunto. 




Nova Ordem, Lara Utzig (Desiderare) e Paulo Bastos


Um comentário:

  1. Parabéns.. queria ter assistido mas nao pude.

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