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sábado, 16 de agosto de 2014

@SomdoNorte Entrevista: Ronnie Blues (Mapinguari Blues)


Uma banda que, a exemplo de tantas outras, começou como um sonho, completou recentemente 18 anos de estrada. Tudo começou em junho de 1996, Ronnie Blues, Toni Ruela e Neemias Maciel resolveram montar uma banda. Era o começo da Mapinguari Blues - o nome faz referência à lendária criatura amazônica, tão amazônica quanto as letras composta pela banda que retratam o cotidiano de quem vive no Norte do país, nessa floresta cheia de encantos e cantos. Em uma tarde com muitas risadas, emoção e resgatando memórias, o vocalista da lendária banda acreana conversou com o blog Som do Norte. (Nany Damascenode Rio Branco)

Ronnie Blues no Festival Chico Pop 2011


Ronnie, como começou o seu interesse pela música?

Meu interesse pela música começou muito cedo, quando eu ainda era criança, com as trilhas sonoras que saiam no Fantástico, eu ficava ouvindo aquilo e fui me interessando pela música. Quando eu tinha 7 anos, meu pai me deu de presente uma vitrola que nem stéreo era ainda, e ganhei uns discos de soul music, eu nem conhecia, não entendia direito o que era, mas já gostava da música negra.

E o blues, como ele surgiu na tua vida, já que não era um estilo difundido aqui no Acre?

Antigamente, o pessoal tinha mais gosto por aquela música difundida no seringal, principalmente o forró, e pra chegar a essa música tida como ‘negra’ foi mesmo pelo meu interesse pelos elementos musicais, foi aí que começou, ouvindo o soul que tinha um movimento forte nos anos 1970. Esse interesse pelo black, no geral, me levou a gostar tanto do blues, que é um estilo que permite misturar instrumentos, transformar.

E teve ainda o incentivo do seu pai, né?

Sim, nossa, meu pai sempre me deu muito incentivo, ele e a mãe, que Deus tenha os dois (nesse momento Ronnie se emociona, perdeu a mãe há pouco tempo). Todo final de mês meu pai trazia um vinil e era nosso programa de domingo: ouvir os vinis em casa. Eu me sinto muito feliz pelo incentivo que tive dos dois, que sempre levaram a música pra dentro de casa

Quais são as suas influências musicais?

B.B. King! Ele é minha grande influência, mas também tem Robert Johnson, essas raízes. Na realidade, na minha adolescência eu ouvia muito rock, lá pelos meus 14 anos, aí lá pelos 20 foi quando comecei a ouvir mais blues, tive muita influência de  Led Zeppelin, Pink Floyd. Porém tô sempre ouvindo coisa boa, esses dias mesmo, pesquisando pro meu programa de rádio, descobri Johnny Winter, o cara é albino, um branco fazendo som de negro! Ele é fantástico, tem vários trabalhos. Então é isso, todo dia a gente vai se renovando, redescobrindo novas influências.

E a Mapinguari Blues, como ela aconteceu?

A Mapinguari foi uma ideia minha, do Neemias e do Toni. Nós queríamos montar uma banda pra tocar cover de bandas com Iron Maiden, depois pensamos bem e sentimos que precisávamos seguir o exemplo do Clenilson Batista, do Heloy de Castro e do Pia Vila que já estavam na cena com suas próprias músicas. Resolvemos assim que a Mapinguari Blues seria uma banda autoral. Foi aí, então, em 1996, que pra ter onde tocar, montamos um bar e ali começou a nossa banda, o nosso sonho. Cada um cuidava de uma parte, eu cuidava do som, Neemias é contador e ficava com a administração do bar, e lembro que era sempre lotado!  E aí, estamos com a nossa banda até hoje, a música do Acre é muito forte!

Mapinguari Blues no Festival Varadouro 2009


E no meio dessa trajetória de 18 anos, vocês passaram uma temporada fora do Estado, como foi esses anos no Rio De Janeiro?

Nany, nós fomos pro Rio de Janeiro, como dizem, “na cara e na coragem” a gente não tinha nenhum centavo no bolso, conseguimos as passagens, fizemos uns shows e nos mandamos. Fizemos shows de Parati a Macaé, dois extremos do Rio de Janeiro. E foi uma fase muito importante, nós descobrimos toda a nossa musicalidade, aliás, o acreano é muito musical! A gente vive aqui no meio da Amazônia, na fronteira, estamos no finalzinho, mas chegam novidades a toda hora. E foi isso, nesse caminho, resolvemos rodar por aí, o que resultou num disco, o Borboletas, através da lei de incentivo, gravado na beira de uma cachoeira, um lugar inspirador. E esse disco é pra gente, uma obra, porque nesta época nosso tecladista Marcelo Agripino estava conosco, e logo depois ele infelizmente foi assassinado. Esse tempo no Rio foi muito bom pra gente, serviu pra expandir nossos horizontes, conhecer pessoas novas, fazer novos amigos e contatos, hoje Paulinho ainda toca com varias pessoas que conhecemos nessa época e Charles também passou um tempo morando lá, tocando com um monte de gente bacana. Então é isso, o Rio de Janeiro nos trouxe muitas experiências, lembranças, pessoas, amigos novos e inspirações.

Você falou sobre inspirações pra compor, como acontecem as composições das canções da banda?

Eu não costumo sentar pra escrever, a música pra mim acontece ali naquele momento e ela flui, não consigo parar e compor, quando ela tá vindo a gente faz, às vezes estamos todos (da banda) reunidos ali e cada um pega um instrumento e pega aquela inspiração e faz ali, aproveitando aquela viagem, a música ela tem o tempo dela. Tenho a sorte de trabalhar com muitos músicos bons, isso colabora pros bons resultados.

Ronnie, a Mapinguarí tá com uma ideia de lançar um aplicativo pra Smartphone, me conta isso, como é esse app?

Essa ideia surgiu como parceria com o Sebrae, eu estava passando pelo Facebook e vi essa coisa de aplicativos, me veio a ideia de fazer um pra que nossos amigos pudessem, através do celular, ter acesso rápido a uma plataforma que armazene todo nosso trabalho: fotos, vídeos, musicas, agenda de shows etc. Ainda estamos desenvolvendo e tá dando um trabalho danado porque nunca mexi com isso, mas vai sair e logo, logo a gente vai lançar essa novidade.

Até hoje a Mapinguarí Blues tem quantos trabalhos lançados?

Hoje nós temos 3 CDs, o primeiro, A Fuga  lançado em 2004 no Teatro Plácido  de Castro. Em 2008, lançamos o Borboletas, gravado no ano anterior em Parati. Em 2010, foi um trabalho que fizemos ao vivo, pelo projeto Pixinguinha, que vai resultar no nosso DVD, que pretendemos lançar até novembro. 

Foto: Quase nos finalmente!!!!!! em breve...

E agora que a banda atingiu a maioridade, está com 18 anos, quais são os novos planos?

A gente tá trabalhando num especial “25 anos sem Raul” que é uma segunda edição do luau que fizemos ano passado, o “Viva Raul”, além disso, estamos também trabalhando no DVD que já tá quase finalizado, tivemos alguns imprevistos, mas já estão resolvidos, e pretendemos lançar no próximo ano o nosso 4° CD, o Purus Blues, que inclusive já tem uma música no nosso MySpace, e a grande novidade pro próximo ano é que recebi um convide pra passar uma temporada em Santa Catarina, vou levar a banda e vamos nos aventurar pelo Sul agora.


Mapinguari Blues

Ronnie, quem quiser ter acesso ao trabalho de vocês, tá tudo lá pelo My Space?

Isso, basta acessar nosso MySpace: myspace.com/mapinguariblues
Tem ainda o nosso blog: mapinguari-blues.blogspot.com
E a nossa pagina no Facebook, onde todo mundo pode ter acesso às novidades,acompanhar nossa agenda e interagir conosco: facebook.com/Mapinguari-Blues 

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