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segunda-feira, 30 de junho de 2014

@SomdoNorte Entrevista: João Lemos (@MolhoNegro) - "Sair da zona de conforto é um dos melhores exercícios possíveis"

São apenas 25 anos de idade e mais de dez anos de estrada na cena rock da mangueirosa, onde ele transitou por diferentes bandas, musicalidades, além de realizar no caminho parcerias fundamentais para a atual formação musical. Da distorção sincera à aparelhagem de apartamento, o músico e compositor João Lemos fala com exclusividade  ao Som do Norte sobre sua trajetória musical, onde revela-se um guitarrista apaixonado por bateria. Vale a pena conferir essa entrevista cheia de molho!  (Bianca Levy, de Belém)



João, quando e como foi que tu descobriu que querias ser músico?

Eita, eu acho que eu tinha uns 9 anos, tava em um ensaio de uma banda com a minha tia, assistindo, e dai fiquei impressionado com a bateria, no final do ensaio o baterista da banda me ensinou a tocar "Billie Jean" (de Michael Jackson)… acho que foi ai que caiu a ficha. 

Então tu começou com a bateria. E a guitarra entrou onde nesse história?

A guitarra apareceu por insistência, eu sempre quis uma bateria quando criança, fui num show dos Titãs aos 11 anos e fiquei o show todo só reparando o Charles Gavin, mas acho que o pessoal não achava uma boa ideia colocar uma bateria na mão de uma criança, aí acabou que me deram uma guitarra, e eu não sabia absolutamente nada de guitarra, achava um instrumento sei lá, ególatra (risos), foi algo tipo "é, eu e você vamos ter que aprender a gostar um do outro agora..."

Foi uma relação construída aos poucos, mas e agora, depois de tantos anos, tu trocarias a guitarra por outro instrumento? 

Eu adoraria tocar bateria em alguma outra banda e tudo mais, mas trocar de vez não. 

E me conta, quais foram as primeiras bandas que tu tivestes e quais referências foram fundamentais pra ti neste primeiro momento?

Eu tive uma banda com uns amigos pouco antes do Sincera, não deu em nada, a gente só andava de skate e ensaiava quando chovia e não dava pra andar de skate (risos), durou pouquinho, o que eu lembro de referencias fundamentais eram as coisas que tocavam nas fitas de skate, o meu mundo era isso com 13 anos de idade, mas pensando bem, tem uma coisa que me acompanha até hoje, que é o Nirvana, essa aí sempre esteve presente. 

E a Sincera, como surgiu?



No finalzinho de 2003 essa banda que eu lhe falei acabou porque o baterista não quis mais tocar, daí passado esse desânimo todo, eu e o Pedro (que na banda usou o nome artístico Pedro Sincera) resolvemos ir atrás de outra pessoa pra tocar com a gente, foi ai que um amigo meu do colégio (João Felipe, que tocou no Telaviv, no Tranze um tempo também..) nos apresentou pro Daniel Soares, e ele foi o primeiro baterista da banda, bem antes de virar vocalista e tudo mais.

Quais os principais trabalhos e shows que vocês fizeram?

Bem, o Sincera foi minha primeira banda de verdade, primeira banda que eu gravei algo em estúdio, primeira banda minha que tocou em festival, que saiu do estado e etc. Se a gente olhar pro volume de coisas, nem parece tanto, foram uns 2 EPs lançados, e acho que uns três festivais, mas isso acabou tendo uma importância fundamental na minha formação.

As composições da banda eram feitas em parceria ou cada um trazia o seu material?

No Sincera teve até composição por carta! O Daniel escrevia 90% das letras, no período de 2006 até um pedacinho de 2007 ele morou no Acre, e enviava uns calhamaços de papel com um monte de letras, eu pegava, compunha umas demos em cima daquilo, gravava e mandava de volta, apesar de já existir, internet ainda era uma coisa meio distante pra gente.

Houve algumas mudanças de formação na banda durante o período de atividade. De que forma elas influenciaram o andamento do grupo?

Teve uma bem importante, que foi quando o Daniel saiu da bateria e resolveu só cantar, foi quando a gente conheceu o Augusto Oliveira. Inclusive acho que essa formação é a que as pessoas reconhecem, foi assim que a banda tomou forma de verdade.

Quais foram as causas do término da banda?

De certa forma a gente cansou, era uma banda que requeria uma logística meio complexa pra funcionar, então uma hora acabou pesando demais pra levar adiante.

Tu voltarias para o Sincera?

Hoje? Não eu adoro a banda e gosto muito dos caras , mas é uma sensação meio colégio, você pode até gostar quando lembra, mas não quer voltar para aquela situação. 

Agora tu estás a frente da  Molho Negro, que apresenta um som esteticamente diferente do Sincera. Como rolou essa mudança sonora?




Foi natural, eu não consigo processar as coisas de uma forma tipo, "agora eu vou parecer e soar de uma forma X, ou fazer um som da década Y". Metade do primeiro disco do Molho Negro são basicamente coisas que não entraram pro Sincera que eu e o Augusto resolvemos gravar após o fim da banda, acho que na percepção das pessoas foi onde rolou a maior mudança sonora.

De que maneira a tua experiência com bandas anteriores e a relação com outros músicos influenciou na tua musicalidade?

Nossa, de uma forma brutal, ter participado de um Terruá Pará (edição de 2013) por exemplo é um choque cultural bem forte, nunca tinha tocado com cordas, percussão e tudo mais, acaba que a gente sempre aprende muito mais do que imagina, sair da zona de conforto é um dos melhores exercícios possíveis pra se aprender alguns truques.



A aparelhagem do teu apartamento é tão eclética quanto a da música? O que andas escutando agora?

Eu tento baixar pelo menos um ou dois discos por dia, acaba que eu fico com uma playlist esquizofrênica sempre, então pra citar alguns nomes que não possuem nenhuma relação entre si (risos), The Brian Jonestown Massacre, Die Antwoord, Savages, Ty Segall, Cramps, Sexy Fi, Mogwai, Chet Faker, Sleigh Bells, Fidlar… foi o que eu vi na minha pasta de musica agora aqui pra responder essa pergunta! 

Os videoclipes são um dos ponto altos da Molho Negro. Me fala sobre a produção deles?

Produção do clipe "Concurso"


Bem, o Molho Negro lançou o CD Lobo esse ano, em breve vai ta disponível via iTunes, Deezer, Spotfy, CD, vinil, tudo que é tipo de formato, por enquanto no www.molhonegro.com dá pra ver o video novo de "Concurso" e o streaming do álbum. O clipe é lindo e foi feito pela Muamba, clipe é uma coisa que a gente se diverte muito fazendo, escrevendo idéias, pensando nas cenas... Como todos nós ainda chegamos a assistir bastante MTV, ser uma banda da qual as pessoas comentam os clipes e tudo mais, é muito legal!





Me fala sobre a tua participação no Laurentino e Os Cascudos; como foi trabalhar com essa trupe?

Foi sem dúvida uma das coisas mais especiais que já aconteceram até hoje, conhecer o (Mestre) Laurentino é uma experiência de vida, foi um presentão do Beto Fares pra mim e pra toda banda. É um processo totalmente diferente de todos os outros, por exemplo… geralmente numa banda o baterista é o músico que os outros músicos vão usar como referência pra tocar, de ritmo e etc, certo? Com o Mestre tudo gira ao redor dele, o que ele fizer no palco, do jeito que ele cantar, a banda tem que se virar em questão de segundos pra resolver qualquer coisa, é o desespero mais legal que eu já vivi em cima de um palco! (risos)

Estás desenvolvendo outros trabalhos paralelos além do Laurentino e Molho Negro?

Fora o Molho Negro eu toco em algumas bandas, o Meio Amargo, A Trip to Forget Someone, Ana Clara, e vira e mexe aparece mais coisa ainda, esse ano ainda deve ter mais alguma novidade.  

Vocês tem shows agendados pra essa temporada? Pretendem fazer tour fora do estado?


Sim, assim que chegarem os discos e os vinis, por volta de agosto, a gente segue o bonde pra turnê pelo pais. Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste já são regiões certas, esse ano vamos ver se conseguimos chegar no Sul do pais, que é um pouquinho mais distante, mas vai rolar.



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