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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Post nº 4400: Diz Aí: Euphonicos

Pode parecer estranho ouvir que Aarão Prado (vocalista da banda Camundogs), Brunno Damasceno (sambista) e Marcos Vinicius (historiador que não canta nem toca qualquer instrumento) fazem parte de uma mesma banda, mas é isso mesmo. No final de 2011, aconteceu essa parceria musical inusitada. Tudo surgiu após Aarão comprar um ukulele (um espécie de violão havaiano); junto com Brunno, musicou um poema de Marcus Vinícius que ganhou o nome de “Velha Nova Rebeldia”, canção vencedora do Festival Som da Cidade em 2012. Desde então, outras 13 músicas foram lançadas pelo trio que se deu um nome tão peculiar quanto a própria formação: “Euphonicos”. E o que era para ser uma banda virtual, ganha agora novos rumos e com muitas novidades e expectativas na mão, o trio conversou sobre o CD, a carreira e os novos planos com o Som do Norte dentro do estúdio da Rádio Aldeia. (Nany Damasceno, de Rio Branco)

Foto: Nany Damasceno


Um roqueiro, um sambista e um historiador. Como surgiu essa banda inusitada?

Vinicius: Rapaz, nós trabalhamos juntos todos os dias, Aarão e Brunno são músicos e eu ficava rabiscando umas coisas por lá, um dia, eles pediram pra ver uma dessas poesias, escolheram uma e botaram música,  aí isso virou um vício que não conseguimos parar, isso do ponto de vista de composições.

Brunno:  Tem um detalhe que antes disso, de pegarmos a música do Marcus, nós ficamos apaixonados pelo ukulele, que foi um instrumento que o Aarão comprou assim sem saber como era, como tocava e nós começamos a brincar com ele.  Então pegamos a poesia do Marcus que se transformou em "Velha nova rebeldia". E de brincadeira, assim como quando a musicamos, a inscrevemos no festival Som da Cidade e ganhamos como melhor canção.

No festival Som da Cidade (2012)


E como foi que aconteceu o ukulele na vida de vocês?

Aarão: Quando a gente começou a trabalhar junto, e ainda nem tinha essa ideia do ukulele eu já falava com o brunno sobre formas diferentes de usar o cavaquinho que ele toca e é um instrumento muito voltado para o samba e um dia estávamos numa agenda e no intervalo o Brunno estava tocando e surgiu a ideia de fazermos começarmos um som onde a gente toque o cavaquinho em músicas que não são samba, alguma coisa meio folk, onde eu toque violão... Aí depois disso a gente acabou ouvindo falar do ukulele, e começamos a ouvir umas bandas que usam ele como base, ouvíamos muito Beirute, então eu comprei um ukulele, logo Brunno também comprou um pra ele e o Marcus tinha uns poemas...

E foi assim que começaram as composições juntos?

Aarão: Depois de "Velha nova Rebeldia", nós nos obrigamos a nos encontrarmos sempre pra fazer novas músicas, o mais legal disso é que nunca era uma música de cada, sempre nos encontrávamos pra fazer as músicas juntos.

Então não existe nenhuma das composições que seja apenas de um?

Aarão: Não. Apenas a "Velha nova rebeldia" que era letra do Marcus, mas no fim ainda teve algumas mudanças, sempre compomos juntos.

Brunno: No máximo rola de eu começar a música por exemplo e mandar pro Aarão, mandar pro Marcus e tal...

Marcus: Uma vez, Aarão viajou pra Tarauacá e Brunno e eu começamos a compor, mas não conseguíamos terminar enquanto Aarão não chegou.

Aarão: É, nós não temos nem um letrista ou musicista, os três fazem tudo junto. O Marcus não toca, mas dá uma opinião no arranjo, e a assim vai.


E vocês começaram numa brincadeira, depois resolveram gravar periodicamente, mas tudo quando dava vontade. Qual a vantagem dessa despretensão de vocês?

Brunno: Isso de não seguir uma linha, de não ter uma amarra é o que queremos. Somos de fato uma banda experimental, sempre estamos experimentando novos caminhos, novos arranjos, instrumentos.  Às vezes a gente entra no estúdio com uma intenção pra musica, estamos lá e mudamos tudo. 

Marcus: Quando começou era uma forma de oxigenar as ideias, e nessa brincadeira as músicas eram bem indefinidas e estavam apenas começando a se desenhar, e essa liberdade experimental de compor o que quiséssemos nos deu a possibilidade de misturar coisas, fazer vários estilos musicais.

Aarão: Essa coisa de fazer o que temos vontade tá começando a ficar complicado porque em "Fronteira", por exemplo, achávamos que cabia uma castanhola, colocamos, mas aí agora, como reproduzir isso no palco? A gente não faz ideia! (risos) Mas essa despretensão musical, é ótima, eu nunca fiz as coisas pras pessoas gostarem, sempre fiz aquilo que eu tava afim, não estou disposto à moldar minhas músicas pra agradar. Sempre quis experimentar mais e o Euphônicos me suprem nisso.



O fato de serem músicos experientes ajuda nessa linha de banda experimental?

Aarão: Ajuda e ajuda muito, porque a nossa estrada na música faz com que tenhamos parceria com grandes músicos acreanos, grandes nomes que nós não pagamos nada, mas vão lá e gravam no estúdio, pessoas como todos do Camundogs.

Marcus: Muitas pessoas foram pro estúdio, pra nos acompanhar, e acabam gravando, como o meu filho de 9 anos, por exemplo tava lá e fez o coralzinho, a Carol Freitas que tava lá e acabou fazendo o backing, entre outros parceiros.

Aarão: Essa nossa relação de amizade colaborou muito pra termos um bom trabalho, temos o prazer de ter o André Dantas, gravando um piano que ninguém faria, o Miquéias com um violino excepcional, o Eriko e o Liguth do Roda de Samba, entre vários, vários outros, muita gente gravou e é todos são muito responsáveis pelo conjunto.

E quais são os planos agora?

Aarão: Agora pretendemos que a Euphonicos deixe mesmo de ser virtual e passe a ser uma banda real, fazer shows e fazer nossas músicas serem ouvidas por todo mundo... era algo que havia morrido em mim mas voltou com tudo agora.  

Brunno: A gente faz tudo com tanto carinho que ficamos mesmo na ânsia de que as pessoas ouçam.


E o CD, como andam os preparativos?

Aarão: O CD tá ficando pronto... estamos agora na fase de masterização, que é esse mesmo disco que as pessoas tem acesso às faixas na internet, com exceção de 1 música que vai ser inédita e chama “Despedida”. Ficamos na dúvida se seria um disco caseiro, artesanal, um disco que na minha teoria serve pra mesma coisa, os meninos não acham isso e acabou que por dois votos a um acabamos decidindo por fazer um disco original mesmo, prensado com encarte, capa e tudo mais. Quando falamos em 15 músicas, tem ainda 2 poemas que eu considero como músicas, são musicas faladas. Porque conta a história do Euphonicos, o começo... conta muito desse primeiro CD.

Quando vai ser o tão esperado primeiro show de vocês?

Aarão: Em agosto, na Usina de Arte, já está tudo certo e lá vamos lançar o CD.

Marcus: E pro show, a gente ainda não sabe como vai usar muita coisa né? Porque além das músicas tem a poesia, queremos agregar outras linguagens também como o teatro, vídeo, ver de que forma essa mistura que já é uma mistura de estilos, de instrumentos e de ritmos também podem ser refletidas em misturas de linguagens.  

Aarão: E esse show ainda tá se desenhando, vai ser uma surpresa pra todo mundo inclusive pra gente, como vamos colocar no palco todos os instrumentos que usamos nas músicas e como vamos levar o Marcus pro palco, que é algo que fazemos questão, mas ele não toca nenhum instrumento (risos) é tudo coisa que ainda estamos planejando.

Brunno: A ideia é ser um show não só musical, mas com várias outras expressões artísticas. Estamos vivendo essa vida Euphônicos baseados na inovação mesmo, desde o processo de criação das músicas, gravação.Esses show é inovador pra gente, diferente de das outras experiências como músicos em nossas bandas de origem... às vezes  ficamos pensando: “que coisa louca!” e a intenção é ser tudo assim mesmo, fora do normal, como a gente é, né?



E quem quiser ouvir as músicas do Euphonicos, onde encontra?

Aarão: As músicas estão pra dowload aqui no Som do Norte e também podem ser ouvidas na nossa página no Soundcloud (https://soundcloud.com/euphonicos), e todo mundo também pode acompanhar tudo na nossa página no Facebook (www.facebook.com/euphonicos)



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