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domingo, 8 de junho de 2014

Foi Show: Festival Casarão 15 anos

Por Nany Damasceno,
enviada especial a Porto Velho

No ano em que comemorou 15 anos de existência, o Festival Casarão foi realizado em duas noites no pub Pioneiros Pub (Porto Velho).

Fuska 69


A primeira parte da festa aconteceu na sexta-feira, 30 de maio. Para abrir o baile,  a banda Fuska 69 foi a primeira à subir no palco; com 5 anos e meio de formação, o trio que veio de Vilhena (interior de Rondônia)  chamou a atenção pelo rock pesado de suas composições. A banda não tem nenhum disco lançado, mas de acordo com o vocalista Antonio Neto, o primeiro EP já está em fase de finalização “Já temos algumas músicas gravadas mas nosso primeiro EP será lançado logo menos ” acrescentou. Uma das músicas mais bonitas do show, “03/09”, foi feita para um amigo de Antônio, morto em um acidente de carro no dia 3 de setembro de 2007.  


Os Filhos da Casa da Mãe


Na sequência foi a vez da banda acreana Os Filhos da Casa da Mãe. Com um publico ainda tímido, o quarteto (Rafael Albuquerque, George Naylor, Hugo Costa e Glauber Jansen, juntos há quatro anos) fez sua estréia fora de Rio Branco e misturou no repertório as próprias composições e covers como Criolo, Roberto Carlos e Nação Zumbi, o que levantou o público. Público aliás que tinha uma caravana de 20 pessoas vindas do Acre, numa excursão organizada pelos próprios Filhos da Casa da Mãe, já que a programação do festival tinha ainda outras duas bandas acreanas, Os Descordantes e Los Porongas. 

Sexy Tape (RO) começou a tocar perto de 23 horas, com um set list totalmente autoral. Caio Neiva, Mikéias Belfort e Rodolfo Bartolo demostraram maturidade. A mistura de estilos da banda conseguiu prender o público. Com uma pegada rock and roll, o show foi energizante do início ao fim. Apesar do pouco tempo de estrada (surgiu há cerca de um ano e meio), a Sexy Tape tem muita qualidade e traz na bagagem um EP lançado logo após formar a banda, que pode ser ouvido em www.soundcloud.com/sexytape .

Em seguida, o pernambucano Bruno Souto, acompanhado de sua guitarra, apresentou sucessos da sua banda Volver, além de músicas de seu trabalho solo, o CD “ Estado de Nuvem” lançado no final do ano passado.

Bruno cantou sucessos como “Gente” do álbum “Próxima estação” da Volver, além de “Dentro”, que recentemente ganhou um videoclipe. Bruno surpreendeu ainda mais o público ao, na metade do show, convidar pro palco Nevilton e Tiago Lobão que assumiram a bateria e baixo, respectivamente, dando uma outra pegada ao som que até então estava bem calmo. Tocaram juntos com muita harmonia sucessos da Volver,  como “um beijo com sabor de choque elétrico” e “Chuva”.


Bruno Souto, Nevilton e Tiago Lobão


Já passava das 2 da manhã, quando a banda Los Porongas subiu ao palco para encerrar a primeira noite do Festival casarão. E o quarteto já iniciou seu show com uma música inédita, “Ao Sul das coisas”. “Esta é um composição que vai estar no nosso terceiro CD”, anunciou o vocalista Diogo Soares. Com um repertório que misturou músicas dos dois discos já lançados, o show contou com a participação especial do tecladista João Leão.

Casarão Segunda Noite

No sábado, 31, me chamou a atenção a disposição das bandas em tocar apenas suas próprias músicas (com algumas exceções), nada contra quem faz covers, mas é importante mostrar o próprio trabalho nessas oportunidades que são vitrines para bandas que estão começando. Talvez pela receptividade do público, os rondonienses tenham segurança em mostrar sua banda sem precisar se render aos covers.

Par de Sais


A primeira a se apresentar foi a banda Par de Sais (RO), que tem público cativo na cidade. Também de Rondônia, a banda Wari foi a minha grata surpresa nesse festival,  o duo de guitarra e baixo faz um trabalho audiovisual sensacional, misturando rock com música eletrônica, animações e projeções, além de cantar apenas em inglês.

A terceira banda da noite foi a Coveiros (RO). A banda, que tem praticamente a mesma idade do festival, faz um som hardcore extremo, com letras de protesto; as músicas tem o objetivo de chamar a atenção para os problemas sociais do estado.

Logo depois, foi a vez de Os Descordantes (AC) subir ao palco. Os meninos têm uma história bem sucedida de amor com os porto-velhenses, pois já se apresentaram em outras oportunidades pela capital e com isso contam com muitos fãs na cidade (sem contar a já citada caravana acreana). O diferencial nesse show foi a participação de Bruno Souto, que dividiu com Dito o vocal de “Tão Perto, Tão Certo” da Volver


Descordantes com Bruno Souto


Em seguida foi a vez da banda Os Últimos, de Ariquemes (RO). O trio é formado por Tom Rodrigues na guitarra e vocal, Rogério Madeira no baixo e Laura Brandhuber na bateria. Surgida em 2011, a banda finaliza seu primeiro CD, com lançamento previsto para junho.

Um dos shows que eu tinha bastante expectativa em assistir era o de Jair Naves, também com um formato diferente (apenas voz e violão). Jair realizou um espetáculo de arrepiar, um show cheio de energia, com as músicas do seu recente CD (o primeiro solo) “"E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas”  Só consigo pensar em uma palavra pro que vi naquele palco: hipnotizante! Foi um show surreal e de deixar com vontade de vê-lo acompanhado com a banda toda.

Quem também estava sendo bastante aguardado pelo público, era o cearense Daniel Groove (da banda O Sonso), que foi acompanhado por Jorge Anzol, Carlos Eduardo Gadelha e Márcio Magrão (os três da banda Los Porongas) e ainda João Leão (da banda Saulo Duarte e a Unidade). Groove com seu estilo brega romântico encantou com as músicas do seu primeiro CD solo “Giramundo”. Canções como “Novo Brega” e “Você sabe muito bem o que me resta“ fizeram o público cantar junto. Uma das partes mais bonitas foi quando chamou Diogo Soares para cantarem a canção linda que compuseram juntos, “Nada”.

Quem ficou com a responsabilidade de encerrar a 15ª edição do Festival Casarão foi Nevilton, e missão dada é missão cumprida: o show foi realmente pra fechar com maestria o festival, O paranaense levou consigo o músico Tiago Lobão (baixista que neste show tocou bateria) e juntos fizeram um show empolgante, dançante e cheio de boas energias. Nevilton agradeceu ao público toda receptividade recebida atendendo vários pedidos e botando geral pra dançar ao som de sucessos como “Só pra dizer” de seu recente CD “Sacode!”.


E assim foi este baile de debutante, um aniversário significativo que um dos maiores festivais da região norte comemorou em grande estilo. É mais um ano de resistência, e que venham outros anos.  Vida longa aos festivais independentes, Vida longa ao som do norte!

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