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segunda-feira, 30 de junho de 2014

@SomdoNorte Entrevista: João Lemos (@MolhoNegro) - "Sair da zona de conforto é um dos melhores exercícios possíveis"

São apenas 25 anos de idade e mais de dez anos de estrada na cena rock da mangueirosa, onde ele transitou por diferentes bandas, musicalidades, além de realizar no caminho parcerias fundamentais para a atual formação musical. Da distorção sincera à aparelhagem de apartamento, o músico e compositor João Lemos fala com exclusividade  ao Som do Norte sobre sua trajetória musical, onde revela-se um guitarrista apaixonado por bateria. Vale a pena conferir essa entrevista cheia de molho!  (Bianca Levy, de Belém)



João, quando e como foi que tu descobriu que querias ser músico?

Eita, eu acho que eu tinha uns 9 anos, tava em um ensaio de uma banda com a minha tia, assistindo, e dai fiquei impressionado com a bateria, no final do ensaio o baterista da banda me ensinou a tocar "Billie Jean" (de Michael Jackson)… acho que foi ai que caiu a ficha. 

Então tu começou com a bateria. E a guitarra entrou onde nesse história?

A guitarra apareceu por insistência, eu sempre quis uma bateria quando criança, fui num show dos Titãs aos 11 anos e fiquei o show todo só reparando o Charles Gavin, mas acho que o pessoal não achava uma boa ideia colocar uma bateria na mão de uma criança, aí acabou que me deram uma guitarra, e eu não sabia absolutamente nada de guitarra, achava um instrumento sei lá, ególatra (risos), foi algo tipo "é, eu e você vamos ter que aprender a gostar um do outro agora..."

Foi uma relação construída aos poucos, mas e agora, depois de tantos anos, tu trocarias a guitarra por outro instrumento? 

Eu adoraria tocar bateria em alguma outra banda e tudo mais, mas trocar de vez não. 

E me conta, quais foram as primeiras bandas que tu tivestes e quais referências foram fundamentais pra ti neste primeiro momento?

Eu tive uma banda com uns amigos pouco antes do Sincera, não deu em nada, a gente só andava de skate e ensaiava quando chovia e não dava pra andar de skate (risos), durou pouquinho, o que eu lembro de referencias fundamentais eram as coisas que tocavam nas fitas de skate, o meu mundo era isso com 13 anos de idade, mas pensando bem, tem uma coisa que me acompanha até hoje, que é o Nirvana, essa aí sempre esteve presente. 

E a Sincera, como surgiu?



No finalzinho de 2003 essa banda que eu lhe falei acabou porque o baterista não quis mais tocar, daí passado esse desânimo todo, eu e o Pedro (que na banda usou o nome artístico Pedro Sincera) resolvemos ir atrás de outra pessoa pra tocar com a gente, foi ai que um amigo meu do colégio (João Felipe, que tocou no Telaviv, no Tranze um tempo também..) nos apresentou pro Daniel Soares, e ele foi o primeiro baterista da banda, bem antes de virar vocalista e tudo mais.

Quais os principais trabalhos e shows que vocês fizeram?

Bem, o Sincera foi minha primeira banda de verdade, primeira banda que eu gravei algo em estúdio, primeira banda minha que tocou em festival, que saiu do estado e etc. Se a gente olhar pro volume de coisas, nem parece tanto, foram uns 2 EPs lançados, e acho que uns três festivais, mas isso acabou tendo uma importância fundamental na minha formação.

As composições da banda eram feitas em parceria ou cada um trazia o seu material?

No Sincera teve até composição por carta! O Daniel escrevia 90% das letras, no período de 2006 até um pedacinho de 2007 ele morou no Acre, e enviava uns calhamaços de papel com um monte de letras, eu pegava, compunha umas demos em cima daquilo, gravava e mandava de volta, apesar de já existir, internet ainda era uma coisa meio distante pra gente.

Houve algumas mudanças de formação na banda durante o período de atividade. De que forma elas influenciaram o andamento do grupo?

Teve uma bem importante, que foi quando o Daniel saiu da bateria e resolveu só cantar, foi quando a gente conheceu o Augusto Oliveira. Inclusive acho que essa formação é a que as pessoas reconhecem, foi assim que a banda tomou forma de verdade.

Quais foram as causas do término da banda?

De certa forma a gente cansou, era uma banda que requeria uma logística meio complexa pra funcionar, então uma hora acabou pesando demais pra levar adiante.

Tu voltarias para o Sincera?

Hoje? Não eu adoro a banda e gosto muito dos caras , mas é uma sensação meio colégio, você pode até gostar quando lembra, mas não quer voltar para aquela situação. 

Agora tu estás a frente da  Molho Negro, que apresenta um som esteticamente diferente do Sincera. Como rolou essa mudança sonora?




Foi natural, eu não consigo processar as coisas de uma forma tipo, "agora eu vou parecer e soar de uma forma X, ou fazer um som da década Y". Metade do primeiro disco do Molho Negro são basicamente coisas que não entraram pro Sincera que eu e o Augusto resolvemos gravar após o fim da banda, acho que na percepção das pessoas foi onde rolou a maior mudança sonora.

De que maneira a tua experiência com bandas anteriores e a relação com outros músicos influenciou na tua musicalidade?

Nossa, de uma forma brutal, ter participado de um Terruá Pará (edição de 2013) por exemplo é um choque cultural bem forte, nunca tinha tocado com cordas, percussão e tudo mais, acaba que a gente sempre aprende muito mais do que imagina, sair da zona de conforto é um dos melhores exercícios possíveis pra se aprender alguns truques.



A aparelhagem do teu apartamento é tão eclética quanto a da música? O que andas escutando agora?

Eu tento baixar pelo menos um ou dois discos por dia, acaba que eu fico com uma playlist esquizofrênica sempre, então pra citar alguns nomes que não possuem nenhuma relação entre si (risos), The Brian Jonestown Massacre, Die Antwoord, Savages, Ty Segall, Cramps, Sexy Fi, Mogwai, Chet Faker, Sleigh Bells, Fidlar… foi o que eu vi na minha pasta de musica agora aqui pra responder essa pergunta! 

Os videoclipes são um dos ponto altos da Molho Negro. Me fala sobre a produção deles?

Produção do clipe "Concurso"


Bem, o Molho Negro lançou o CD Lobo esse ano, em breve vai ta disponível via iTunes, Deezer, Spotfy, CD, vinil, tudo que é tipo de formato, por enquanto no www.molhonegro.com dá pra ver o video novo de "Concurso" e o streaming do álbum. O clipe é lindo e foi feito pela Muamba, clipe é uma coisa que a gente se diverte muito fazendo, escrevendo idéias, pensando nas cenas... Como todos nós ainda chegamos a assistir bastante MTV, ser uma banda da qual as pessoas comentam os clipes e tudo mais, é muito legal!





Me fala sobre a tua participação no Laurentino e Os Cascudos; como foi trabalhar com essa trupe?

Foi sem dúvida uma das coisas mais especiais que já aconteceram até hoje, conhecer o (Mestre) Laurentino é uma experiência de vida, foi um presentão do Beto Fares pra mim e pra toda banda. É um processo totalmente diferente de todos os outros, por exemplo… geralmente numa banda o baterista é o músico que os outros músicos vão usar como referência pra tocar, de ritmo e etc, certo? Com o Mestre tudo gira ao redor dele, o que ele fizer no palco, do jeito que ele cantar, a banda tem que se virar em questão de segundos pra resolver qualquer coisa, é o desespero mais legal que eu já vivi em cima de um palco! (risos)

Estás desenvolvendo outros trabalhos paralelos além do Laurentino e Molho Negro?

Fora o Molho Negro eu toco em algumas bandas, o Meio Amargo, A Trip to Forget Someone, Ana Clara, e vira e mexe aparece mais coisa ainda, esse ano ainda deve ter mais alguma novidade.  

Vocês tem shows agendados pra essa temporada? Pretendem fazer tour fora do estado?


Sim, assim que chegarem os discos e os vinis, por volta de agosto, a gente segue o bonde pra turnê pelo pais. Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste já são regiões certas, esse ano vamos ver se conseguimos chegar no Sul do pais, que é um pouquinho mais distante, mas vai rolar.



sábado, 28 de junho de 2014

Terminam as filmagens do doc As Tias do Marabaixo

Tia Chiquinha com a juventude do Marabaixo


Nesta sexta, 27 de junho, concluímos as filmagens do doc As Tias do Marabaixo, iniciadas em 7 de maio. Ao longo destes 51 dias, colhi depoimentos das pessoas vivas com maior experiência e sabedoria acumuladas em trajetórias quase seculares de respeito e amor ao Marabaixo, uma manifestação cultural afro-amapaense. Quase seculares, sim, pois uma de nossas entrevistadas, a Tia Zefa, completou em fevereiro 98 anos. Anteontem, foi a vez de outra entrevistada, a Tia Chiquinha, comemorar seus 94 (já falamos mais sobre isso). Também ouvimos Natalina Costa e sua irmã Tia Zezé, até chegarmos ontem ao depoimento que faltava, o da Tia Biló, figura histórica do Marabaixo do Laguinho, fundado por seu pai, mestre Julião Ramos. Também gravamos (eu e a equipe da Graphite Comunicação, que contratei para executar as filmagens) diversas festas: o 2º, 3º e 4º Marabaixos (respectivamente nos barracões Dica Congó, Tia Biló e Gertrudes Saturnino), o Cortejo da Murta (que percorreu a av. Beira-Rio até a igreja de São José, em 1º de junho) e o encerramento do Ciclo, no dia do 6º Marabaixo, quando estivemos nos quatro barracões onde se realiza o ciclo atualmente (além dos já citados, também o do Mestre Pavão, sendo que registramos a derrubada do mastro no barracão Gertrudes Saturnino). Volto a dizer: não há previsão de data para estréia do doc, até porque ainda há toda uma pós-produção a ser feita. Enfim, manteremos vocês informados! ;) 

Saindo da casa da Tia Biló, no bairro Renascer, a equipe da Graphite me deixou no Centro Cultural Raízes do Bolão, no Curiaú, onde acompanhei a festa que comemorou o aniversário de Tia Chiquinha, ocorrido na véspera. A festa teve apresentações da banda Afro Brasil e dos cantores Brenda Melo, Paulo Bastos, Raule Assunção, Oneide Bastos e Amadeu Cavalcante. Em dado momento, a própria Tia Chiquinha se juntou à Afro Brasil para entoar um batuque (foto abaixo). 


(Fotos: Fabio Gomes)

Ouça e baixe "Modern Lovers", a nova música da The Tump

A banda paraense The Tump lançou nesta quarta, 25, um novo som na sua conta do Soundcloud, "Modern Lovers", disponível para audição e download.

A letra em inglês é bastante simples. Numa estrofe, o eu-lírico diz amar o computador, o telefone e a smart-TV do ser amado, além de amar muito o próprio ser amado (com o perdão pela minha redundância). Entra o refrão Modern lovers e após o solo a segunda estrofe o eu-lírico afirma precisar de tudo que foi citado na estrofe anterior - computador, telefone, smart-TV e o próprio ser amado. Ou seja, o eu-lírico sente precisar de tudo o que ama (ou, seguindo a ordem da letra, amar tudo de que precisa). 



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Post nº 4400: Diz Aí: Euphonicos

Pode parecer estranho ouvir que Aarão Prado (vocalista da banda Camundogs), Brunno Damasceno (sambista) e Marcos Vinicius (historiador que não canta nem toca qualquer instrumento) fazem parte de uma mesma banda, mas é isso mesmo. No final de 2011, aconteceu essa parceria musical inusitada. Tudo surgiu após Aarão comprar um ukulele (um espécie de violão havaiano); junto com Brunno, musicou um poema de Marcus Vinícius que ganhou o nome de “Velha Nova Rebeldia”, canção vencedora do Festival Som da Cidade em 2012. Desde então, outras 13 músicas foram lançadas pelo trio que se deu um nome tão peculiar quanto a própria formação: “Euphonicos”. E o que era para ser uma banda virtual, ganha agora novos rumos e com muitas novidades e expectativas na mão, o trio conversou sobre o CD, a carreira e os novos planos com o Som do Norte dentro do estúdio da Rádio Aldeia. (Nany Damasceno, de Rio Branco)

Foto: Nany Damasceno


Um roqueiro, um sambista e um historiador. Como surgiu essa banda inusitada?

Vinicius: Rapaz, nós trabalhamos juntos todos os dias, Aarão e Brunno são músicos e eu ficava rabiscando umas coisas por lá, um dia, eles pediram pra ver uma dessas poesias, escolheram uma e botaram música,  aí isso virou um vício que não conseguimos parar, isso do ponto de vista de composições.

Brunno:  Tem um detalhe que antes disso, de pegarmos a música do Marcus, nós ficamos apaixonados pelo ukulele, que foi um instrumento que o Aarão comprou assim sem saber como era, como tocava e nós começamos a brincar com ele.  Então pegamos a poesia do Marcus que se transformou em "Velha nova rebeldia". E de brincadeira, assim como quando a musicamos, a inscrevemos no festival Som da Cidade e ganhamos como melhor canção.

No festival Som da Cidade (2012)


E como foi que aconteceu o ukulele na vida de vocês?

Aarão: Quando a gente começou a trabalhar junto, e ainda nem tinha essa ideia do ukulele eu já falava com o brunno sobre formas diferentes de usar o cavaquinho que ele toca e é um instrumento muito voltado para o samba e um dia estávamos numa agenda e no intervalo o Brunno estava tocando e surgiu a ideia de fazermos começarmos um som onde a gente toque o cavaquinho em músicas que não são samba, alguma coisa meio folk, onde eu toque violão... Aí depois disso a gente acabou ouvindo falar do ukulele, e começamos a ouvir umas bandas que usam ele como base, ouvíamos muito Beirute, então eu comprei um ukulele, logo Brunno também comprou um pra ele e o Marcus tinha uns poemas...

E foi assim que começaram as composições juntos?

Aarão: Depois de "Velha nova Rebeldia", nós nos obrigamos a nos encontrarmos sempre pra fazer novas músicas, o mais legal disso é que nunca era uma música de cada, sempre nos encontrávamos pra fazer as músicas juntos.

Então não existe nenhuma das composições que seja apenas de um?

Aarão: Não. Apenas a "Velha nova rebeldia" que era letra do Marcus, mas no fim ainda teve algumas mudanças, sempre compomos juntos.

Brunno: No máximo rola de eu começar a música por exemplo e mandar pro Aarão, mandar pro Marcus e tal...

Marcus: Uma vez, Aarão viajou pra Tarauacá e Brunno e eu começamos a compor, mas não conseguíamos terminar enquanto Aarão não chegou.

Aarão: É, nós não temos nem um letrista ou musicista, os três fazem tudo junto. O Marcus não toca, mas dá uma opinião no arranjo, e a assim vai.


E vocês começaram numa brincadeira, depois resolveram gravar periodicamente, mas tudo quando dava vontade. Qual a vantagem dessa despretensão de vocês?

Brunno: Isso de não seguir uma linha, de não ter uma amarra é o que queremos. Somos de fato uma banda experimental, sempre estamos experimentando novos caminhos, novos arranjos, instrumentos.  Às vezes a gente entra no estúdio com uma intenção pra musica, estamos lá e mudamos tudo. 

Marcus: Quando começou era uma forma de oxigenar as ideias, e nessa brincadeira as músicas eram bem indefinidas e estavam apenas começando a se desenhar, e essa liberdade experimental de compor o que quiséssemos nos deu a possibilidade de misturar coisas, fazer vários estilos musicais.

Aarão: Essa coisa de fazer o que temos vontade tá começando a ficar complicado porque em "Fronteira", por exemplo, achávamos que cabia uma castanhola, colocamos, mas aí agora, como reproduzir isso no palco? A gente não faz ideia! (risos) Mas essa despretensão musical, é ótima, eu nunca fiz as coisas pras pessoas gostarem, sempre fiz aquilo que eu tava afim, não estou disposto à moldar minhas músicas pra agradar. Sempre quis experimentar mais e o Euphônicos me suprem nisso.



O fato de serem músicos experientes ajuda nessa linha de banda experimental?

Aarão: Ajuda e ajuda muito, porque a nossa estrada na música faz com que tenhamos parceria com grandes músicos acreanos, grandes nomes que nós não pagamos nada, mas vão lá e gravam no estúdio, pessoas como todos do Camundogs.

Marcus: Muitas pessoas foram pro estúdio, pra nos acompanhar, e acabam gravando, como o meu filho de 9 anos, por exemplo tava lá e fez o coralzinho, a Carol Freitas que tava lá e acabou fazendo o backing, entre outros parceiros.

Aarão: Essa nossa relação de amizade colaborou muito pra termos um bom trabalho, temos o prazer de ter o André Dantas, gravando um piano que ninguém faria, o Miquéias com um violino excepcional, o Eriko e o Liguth do Roda de Samba, entre vários, vários outros, muita gente gravou e é todos são muito responsáveis pelo conjunto.

E quais são os planos agora?

Aarão: Agora pretendemos que a Euphonicos deixe mesmo de ser virtual e passe a ser uma banda real, fazer shows e fazer nossas músicas serem ouvidas por todo mundo... era algo que havia morrido em mim mas voltou com tudo agora.  

Brunno: A gente faz tudo com tanto carinho que ficamos mesmo na ânsia de que as pessoas ouçam.


E o CD, como andam os preparativos?

Aarão: O CD tá ficando pronto... estamos agora na fase de masterização, que é esse mesmo disco que as pessoas tem acesso às faixas na internet, com exceção de 1 música que vai ser inédita e chama “Despedida”. Ficamos na dúvida se seria um disco caseiro, artesanal, um disco que na minha teoria serve pra mesma coisa, os meninos não acham isso e acabou que por dois votos a um acabamos decidindo por fazer um disco original mesmo, prensado com encarte, capa e tudo mais. Quando falamos em 15 músicas, tem ainda 2 poemas que eu considero como músicas, são musicas faladas. Porque conta a história do Euphonicos, o começo... conta muito desse primeiro CD.

Quando vai ser o tão esperado primeiro show de vocês?

Aarão: Em agosto, na Usina de Arte, já está tudo certo e lá vamos lançar o CD.

Marcus: E pro show, a gente ainda não sabe como vai usar muita coisa né? Porque além das músicas tem a poesia, queremos agregar outras linguagens também como o teatro, vídeo, ver de que forma essa mistura que já é uma mistura de estilos, de instrumentos e de ritmos também podem ser refletidas em misturas de linguagens.  

Aarão: E esse show ainda tá se desenhando, vai ser uma surpresa pra todo mundo inclusive pra gente, como vamos colocar no palco todos os instrumentos que usamos nas músicas e como vamos levar o Marcus pro palco, que é algo que fazemos questão, mas ele não toca nenhum instrumento (risos) é tudo coisa que ainda estamos planejando.

Brunno: A ideia é ser um show não só musical, mas com várias outras expressões artísticas. Estamos vivendo essa vida Euphônicos baseados na inovação mesmo, desde o processo de criação das músicas, gravação.Esses show é inovador pra gente, diferente de das outras experiências como músicos em nossas bandas de origem... às vezes  ficamos pensando: “que coisa louca!” e a intenção é ser tudo assim mesmo, fora do normal, como a gente é, né?



E quem quiser ouvir as músicas do Euphonicos, onde encontra?

Aarão: As músicas estão pra dowload aqui no Som do Norte e também podem ser ouvidas na nossa página no Soundcloud (https://soundcloud.com/euphonicos), e todo mundo também pode acompanhar tudo na nossa página no Facebook (www.facebook.com/euphonicos)



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Diz Aí: Ricardo Maradei

Como se um furacão derrubasse no chão tudo vivo no mundo, eu me ergo n’um segundo e me escondo no quarto. Foi assim que o músico Ricardo Maradei compôs a maioria das suas canções. Como um trabalho marcado pelo lirismo e introspecção, Ricardo firmou sua identidade musical em bandas em que dividia (e ainda divide) espaço com outros inventivos compositores, a exemplo da extinta Stereoscope e da atual A Volta do Astronauta. Além das letras criativas, a afinação da voz e o groove do baixo são outras marcas do músico, que se mostra virtuoso ao tocar também outros instrumentos, como teclado, guitarra e violão. Um pouco dessa performance pode ser conferida no primeiro disco da banda “A Volta do Astronauta”, lançado na web no início deste mês, e claro, na entrevista exclusiva que Maradei concedeu ao blog Som do Norte, onde ele conta sobre seus processos criativos  e trajetória musical. (Bianca Levy, de Belém)

Em Brasília, gravando o CD Conjunto de Rock

Ricardo, me conta como foi o teu encontro com a música popular.

Foi ainda criança, ouvindo o que minha mãe ouvia: Roberto Carlos, José Augusto, Julio Iglesias e músicas de rádio em geral (Benito di Paula, Paulo Diniz etc.) Nessa mesma época o Rock era uma música que aparecia muito também, e havia um sentimento de euforia pré-adolescente com o resquício de censura, que fazia a gente se sentir parte de alguma coisa.

A partir desse primeiro contato, quais foram as tuas impressões e referências?

Acho que foram essas. Eu gostava de música de rádio. A música vinha do rádio. Mas um dia a gente foi em uma loja de discos e trouxe de lá a coletânea Caminhos, do Raul Seixas. A primeira música, se eu lembro bem, era ‘Mosca na Sopa’, e eu, ainda moleque, criança mesmo, e trabalhado numa coisa mais radiofônica, achei aquilo bem esquisito (risos). Meu tio ouvia e batucava na mesa: “Ritmo de macumba!”. Tinha isso, que era marcante, e era também uma música que mudava de andamento e de alma, que não me parecia comum. Por algum motivo me deram o disco de presente, e depois eu comecei a entender aquilo tudo.

E o baixo? Como foi que esse instrumento te conquistou?

Foi por acaso. A primeira vez que eu vi um baixo, conscientemente (risos), foi ajudando amigos a pegar instrumentos emprestados pra um show. Conseguimos uma guitarra, depois passamos na casa de outra pessoa, e chegaram com o instrumento. Eu olhei e perguntei: Outra?  E ele me disse: Isso é um baixo! Eu era uma daquelas pessoas que não sabiam exatamente que aquele instrumento existia. Não tocava ainda. Depois comecei, primeiro com o teclado, depois violão e guitarra. Um dia o baixista teve que viajar, e eu passei a tocar o baixo no teclado. Depois ele voltou e saiu novamente da banda. Então comprei meu primeiro baixo, um Jeniffer.  

Então a partir daí iniciou a tua incursão no mundo da música? Qual foi a tua primeira banda?

Comecei tocando em dupla com meu irmão. Ele ligava dois teclados juntos e sincronizava os sons. Eu tocava guitarra. Foi meu primeiro sentimento real de estar numa banda. Era pra ser uma espécie de New Order. A gente tocava duas músicas que ele tinha feito. Era tudo muito cru, mas a gente se divertia bastante. Depois desse primeiro momento, toquei numa banda que fazia cover de músicas dos anos 80/90. Também tive uma banda com o Emanuel Paz e com Fernando (meu amigo e irmão do Emanuel), e gravamos um EP com três músicas. Mais tarde conheci o Jack Nilson e toquei com ele em duas bandas antes do Stereoscope. Na última eu já tocava baixo.


Stereoscope

Tu sempre tocou e cantou ou o canto veio com o tempo?

Veio logo no começo.

Tuas letras têm um caráter introspectivo. Me fala sobre o teu processo de composição e criação de letras?

Quando eu componho sozinho, quase sempre preciso que algo esteja me incomodando, e faço a música pra me livrar do problema. Isso desencadeia o processo e não deixa ele empacar. A música vem, a letra vem, e é fácil de concluir. Mas é difícil manter uma constância assim, porque isso não acontece sempre. Talvez por isso eu tenha muitas músicas em parceria.

E na Stereoscope, de que forma a parceria com o Jack, Marcelo Nazareth e Daniel Pinheiro te trouxeram novas referências e moldaram o teu fazer musical?

O Stereoscope foi um processo de aprendizagem. Foi ali que eu descobri o que eu poderia fazer em música e como trabalhar em conjunto. Foi também, durante períodos intercalados, uma experiência mais de gang que de banda, que foi importante na época, e me ajudou bastante, inversamente, a pensar de forma desatrelada de grupo.


Com Phillipe Seabra (Plebe Rude), gravando
o cd Conjunto de Rock


Dos três discos lançados pela Stereo, qual tu te identificas mais, qual tu achas que é ‘mais tu’?

Não sei se eu tenho um disco que identifique dessa forma. Acho o Rádio 2000 (2003) um disco interessante porque, durante o processo de gravação, não considerou o público que poderia atingir, e que viria a se formar depois, e que, pra nossa surpresa, o acolheu muito bem. O Grande Passeio (2006) já é um disco de (re)afirmação da banda, daquilo que já tinha sido feito antes, mas agora com uma intenção mais bem formatada, até mesmo mercadológica. O Conjunto de Rock (2010) já foi um início de desconstrução, de partida pra outro lado.

Partida para novos projetos como A Volta do Astronauta. Como a banda surgiu?




A Larissa Xavier e eu fizemos ‘O Cacto’ e decidimos gravar, chamando amigos pra ajudar a gente. Ela pensou no Bruno Oliveira, que já tinha tocado com ela, pra tocar a bateria, e eu chamei o Emanuel, que é meu amigo há muito tempo, pra tocar o baixo. Depois dos primeiros ensaios pré-gravação, a gente já era uma banda.

Pra ti, qual a diferença estética em relação a Stereoscope?

Em tese, deve haver alguma semelhança porque eu toquei/toco nas duas. Na prática, acho que deve haver muitas semelhanças e muitas diferenças. Assim como deve haver em relação a alguma outra banda também. É difícil de dizer, porque A Volta é uma banda recente.

Quem são os integrantes da banda e qual instrumento cada um tocou nas gravações?

Nas gravações, o Emanuel Paz tocou baixo na maioria das músicas, mas também tocou guitarra, violão, além de outros instrumentos.  A Larissa tocou guitarra, ukelele, violão, teclado etc. Eu toquei guitarra, baixo, violão, teclado etc. O Bruno tocou bateria.

Como é trabalhar em conjunto com a Larissa Xavier? Quais são os pontos positivos de ter uma visão feminina na banda?

É tranquilo. A Larissa é muito intuitiva e talentosa como instrumentista e como compositora, tem uma criatividade espontânea. Ela ajuda a equilibrar as tendências à racionalização excessiva do processo musical. Me ensinou a tocar coisas no violão, que ela teve que racionalizar pra entender o que estava me passando. Fizemos três músicas juntos, e gravamos uma com ‘A Volta’.

Como é o processo de composição e criação de letras da banda? É feito em conjunto ou separadamente?

Normalmente cada um faz suas músicas e já traz letra e melodia prontas. Mas tem as parcerias, em que isso fica em aberto. No disco eu tenho uma música que compus sozinho, e outras três, que fiz com a Larissa (O Cacto), com o Emanuel (12 Canções) e com o Jack (Noites de Circo). Em todas, é muito misturada a influência de cada compositor em letra e música. Além d’O Cacto, a Larissa tem duas parcerias musicais que estão no disco: ‘Streets os Joy’ (em parceria com Glauber Guimarães, da banda baiana Teclas Pretas) e ‘Como Morrem as Borboletas’ (com Ricardo Bezerra).

Me conta como foi o processo de gravação do disco, da escolha das músicas à mixagem?

A gente ia escolhendo as músicas e levando pra banda, sem questionamentos. A gravação foi aquele processo sempre instigante, às vezes descontraído, às vezes maçante, em que começa a aparecer o jeito de cada um de imaginar e lidar com música. Parte do disco foi gravada pelo Ivan Jangoux, no Quarto Amarelo; parte no estúdio itinerante do Aelson Maximiana (da banda Crisantempo), que aconteceu aqui em casa e na casa da Mayra, ex-vocalista deles. Mas a maior parte foi na Marcenaria do Universo, estúdio do Emanuel, que mixou e masterizou a maioria das músicas.

E agora com o disco gravado, quais os planos da banda? O que vocês estão planejando para a divulgação do álbum?

Ensaiar pra tocar ao vivo. E continuar sendo uma banda. Quanto à divulgação, ainda não pensamos nisso direito. Mas fazer clipes seria uma boa.

domingo, 22 de junho de 2014

Filmagens de As Tias do Marabaixo na reta final

Tia Biló

Hoje acabou em Macapá o Ciclo do Marabaixo 2014. Acompanhado de um câmera da Graphite Comunicação, o Bruno, percorri as quatro casas (duas no Laguinho e duas na Favela, antigo nome do bairro Santa Rita) que realizam os festejos do Ciclo. Filmamos inicialmente a descida dos mastros na casa de Natalina Costa e um pequeno cortejo no barracão do Pavão, antes de rumarmos para o Centro Cultural Tia Biló. 

Poucos minutos depois que havíamos chegado, fomos surpreendidos pela própria Tia Biló, que pediu o microfone e cantou um ladrão de marabaixo, acompanhada no coro por outros cantadores, como seu bisneto Iuri Soledade, festeiro deste ano. Um momento único! 

Saindo dali, fomos para o barracão Dica Congó, onde perto das 19h presenciamos outro momento memorável: Tia Chiquinha e Tia Zefa cantando juntas, inclusive versando com a festeira Elízia Congó, tudo devidamente filmado. Mais tarde, por volta das 20h, Tia Chiquinha e Tia Zefa voltaram a cantar, mas nesse momento eu já havia dispensado o Bruno. Mas tudo bem, o momento valeu para quem estava presente.

Para cumprir o cronograma previsto de filmagens, falta ainda uma entrevista, a partir daí começamos a pós-produção do doc As Tias do Marabaixo. Porém é cedo ainda para prever quando o filme estará pronto para exibição. 

domingo, 15 de junho de 2014

Kelen Mendes: "Compor preenche a alma"

Foto: Talita Oliveira


Por Nany Damasceno,
de Rio Branco


Kelen Mendes, com mais de 20 anos de carreira  é dona de um repertório focado na MPB e samba, incorporando ao estilo as tendências que influenciaram parte de sua geração como o pop, o funk, o soul e até  o rap.

A cantora tem um EP lançado, “Inundação” O nome faz uma homenagem à cidade de Rio Branco, ao barranco do rio Acre e aos moradores que habitam a beira do rio, como ela mesma, que viveu toda sua vida em um bairro às margens do rio que corta toda a capital acreana.

"Inundação" traz seis composições de ícones da música acreana: "Chico Rei", de Tião Natureza;  "Conselho de Amigo", famosa na interpretação do grande sambista Da Costa; "Inundação", de Narciso Augusto;  o clássico "Bambu", de Damião Hamilton; "Plantação de Bacuri", de Beto Brasiliense, que ficou conhecida na versão de Pia Villa; e "Dom Quixote", de Sérgio Patchouli.

A intenção da cantora ao pensar o EP foi tirar do baú as canções que costumava ouvir na Rádio Difusora Acreana, quando adolescente com o objetivo de torná-las conhecidas da nova geração, e essa ânsia de trazer o antigo para a atualidade continua nos trabalhos recentes da cantora que está cheia de novidades e novos planos na vida múltipla de cantora, compositora, produtora, musicista, funcionária pública e mãe, e nesse frenesi, Kelen encontrou um tempinho e conversou com o Som do Norte a respeito desses novos planos.

Kelen, você tá fazendo um show mensal, o projeto Sambackriolo. Explica pra gente um pouco o que é o Sambackriolo. 

Sambackriolo é a ideia de juntar o samba de raiz, que eu gosto, com um pouco do “back” ou “baque” de samba do Acre, justamente um samba de caboco; a gente tá descobrindo estas coisas agora; parte da nossa cultura que agora, só os mais velhos conhecem. Esta parte é o que tá rolando; agora a segunda parte é pra chegar até o samba-rock, que é outra coisa que eu gosto muito; na primeira parte recebo o Grupo Hélio Melo. Na segunda parte, espero dividir com Chris Guto, que faz essa praia e tá com a banda pronta; fiz agora o convite pro Chris, ele já sabe da intenção de fazer este trabalho juntos. Chegou a hora de tentar um patrocínio (risos).

Alguns shows já aconteceram, quantos foram e você pretende fazer mais? É um projeto com data pra término ou tu vais fazendo enquanto estiveres afim?

Conseguimos fazer quatro edições, de fevereiro até maio, sendo que uma única apresentação foi vendida; as outras três eu investi do meu bolso e tive apoio das fundações de cultura. Mas o projeto vai crescer e pretendo que cresça muito até o final de 2014, sem deixar falhar nenhum mês. Nós estamos fazendo uma hora e meia de apresentação e quando agregar a segunda parte será baile mesmo; é uma festa pra dançar muito.

Quais músicos te acompanham nesse show?

Os meninos do Grupo Hélio Melo (Tião Sete Cordas, Raimundinho no cavaco, Ronaldo no violão seis cordas, e Júnior no tan-tan) estão me acompanhando. Além de ótimos instrumentistas, também cantam e tem repertório e trabalho próprios. Contamos ainda com o acompanhamento luxuoso do Gabriel Brito no pandeiro.

Fala um pouco pra gente como têm sido essas apresentações.

As duas primeiras edições aconteceram no Clube Tentamen, um lugar que acho lindo. Depois fomos para o Casarão; gosto de coisas antigas, músicas, casas, mas de coisas modernas também. Então, tive o prazer de receber uns artistas para assistir o show, como o seu Pereirinha, Zé Jarina, o Sérgio Satiê, Rodolfo Minari, de quem canto uma poesia que musiquei, “Sessenta Anos” e é nosso flerte com o baque de samba do Acre.

Alguns desses shows tiveram participações especiais, fala um pouco pra gente dos teus convidados e porque os escolheu.

Cantei com a Camila Cabeça uma música do João Donato, “Sambou, sambou”. A Ana Kássia fez “As rosas não falam” do Cartola. As duas estão começando e é sempre bom um espaço a mais pra apresentar o que se sabe fazer; também são as meninas que estão por perto, junto com a gente. A Camila é também uma das linhas de frente do Banzeiro.

Kelen, como surgiu essa idéia do Sambackriolo? Ele é realizado pela Rede Banzeiro não é isso?

Nany, eu tinha a vontade de montar algo cantando samba, que gosto desde criança. Com o segundo ano da Rede Banzeiro, que tá construindo um cortejo carnavalesco regionalizado, a vontade cresceu porque samba e carnaval são primos, né; aproveitei a força do carnaval pra iniciar o Sambackriolo. Na verdade, tanto o show como o cortejo contam comigo, Jessé Luiz, Camila e agora o Alexandre Anselmo se envolvendo mais diretamente também na produção, executiva mesmo; somos nós, a nossa força de trabalho. Também estamos contando daqui pra frente com o apoio do Rodolfo, do Zé Jarina, Regina Cláudia e da Verônica Padrão mais diretamente no Banzeiro.

Fala pra gente sobre a rede, quais são as ações de vocês, porque criaram essa rede e se tá dando certo?

Faz parte do trabalho do Banzeiro tentar impulsionar nossa música e pra isso propus um recorte musical reunindo quatro grupos: a nossa Marujada resguardada pelo mestre Aldenor, o baque de samba do Acre, representado no cortejo por seu Antônio Pedro, Dona Carmem e banda, a música produzida pelo folguedo urbano contemporâneo Jabuti Bumbá, junto com todo um conceito de música produzida aqui (por Narciso Augusto) e reunidas no grupo Baquiry; os quatro grupos reúnem-se para o cortejo carnavalesco “Baquiry”. O Clenilson Batista (cantor e compositor) tinha pensado algo neste sentido e topou na hora agitar a ideia cujo nome ele mesmo sugeriu, Banzeiro (que significa "sucessão de ondas provocadas por uma embarcação em deslocamento"). Pra esse impulso, a música e nossa sustentabilidade artística, pensei em oficinas realizadas durante todo o ano que preparem a comunidade para aderir ao movimento e o próprio cortejo. No entanto, a operacionalização da ideia, a construção da Rede, tudo está em andamento, em construção mesmo. Acho que tem tudo pra dar certo, porque o conceito de “rede” está sendo ampliado na sociedade e os grupos e artistas agregados pela Rede Banzeiro estão começando a vivenciar o que podemos fazer juntos, como coletivo. A proposta está seguindo para o seu terceiro ano de construção e a terceira edição do “Cortejo Baquiry” é para o carnaval de 2015.


No lançamento do EP Inundação

Como é essa coisa de além de cantar, compor, se apresentar ali pro público, ainda ter que ser a própria produtora e fazer os seus eventos?

Muito trabalho e a gente não consegue fazer tudo mesmo, mas estamos começando no Acre um processo de preparação de produtores; empresas de eventos; ainda não sei como isso vai acontecer de fato, porque os recursos são sempre pequenos e o pessoal da produção melhor preparado acaba sendo nós mesmos, que passamos uma vida fazendo; porém nem todos os grupos têm acesso ou condições de acessar apoios e patrocínios; a Rede é uma tentativa de progresso em grupo (risos).

Na verdade essa coisa de produzir, vem de longa data, né? Você sempre foi articulada e participou dos  primeiros festivais aqui do Estado. Fala um pouco desse teu inicio.

Vixe (risos); dos primeiros não, porque era criança, mas FAMP (Festival Acreano de Música Popular) e Festival do Amapá foram o material da monografia que fiz para concluir o curso de Ciências Sociais. Mas sim, cheguei a ganhar o prêmio de primeiro lugar no FAMP de 1993. Eu tinha dezenove anos. Depois participei dos festivais da UFAC (Universidade Federal do Acre) de 2005 e 2006, e de alguns outros com e sem concorrência. Até um concurso de marchinhas de carnaval, onde tirei o terceiro lugar. Todo início é difícil; não ficou fácil (risos), mas hoje tenho alguma experiência e o acalanto de compor; antes apenas cantava e agora, acho que compor preenche a alma porque o processo da criação é terapêutico. O canto também é agora, a criação, a composição é o que me realiza.


No lançamento do EP Inundação

Como tu te descobriste no meio musical?

Canto desde criança, na escola. Mais ou menos aos vinte e três anos, quando estava terminando a Faculdade, abri o olho, e vi que já fazia isso há um “tempão”, quase vivia só pra música e não existia nenhuma chance de voltar pra tentar outra coisa. Agregar outras histórias sim: as Ciências Sociais, a rádio, a comunicação, elaboração de projetos, regente de coro infantil. Noventa por cento do meu cérebro só processa informações musicais.

Hoje, é complicado viver de música?

Atualmente, sou funcionária pública do Estado, concursada; se não fosse isso, não conseguiria sobreviver: tenho um filho; sou mãe solteira e sem pensão (risos). O excesso de mídia para a indústria de entretenimento, audiovisual, musical, não nos deixa qualquer chance de sobrevivência artística. Todo um sistema precisa mudar e até encontrarmos novas formas de diálogo e financiamento, muita cultura irá perder-se. Apenas tentamos fazer com que algo resista para que nossos filhos possam desfrutar de saber quem eles são. As identidades perdem-se e transformam-se; contribuímos de alguma forma.

Como é o dia a dia de quem faz essa arte?

Acho que fazer arte é refletir e desafiar; os artistas são considerados loucos, porque desafiam a lógica capitalista e mostram que nem tudo resume-se aos valores de compra e venda e que outras coisas têm valor. A arte é uma delas. Arte custa caro, no entanto, precisamos de uma transformação de consciência para que seja valorizada no Brasil. Pra fazer por algum tempo é possível fazer sem reflexão, só entretenimento; agora se você decide ficar na arte, acaba refletindo, desafiando e criticando, mesmo sem querer. No mais é cuidar da casa, do trabalho, da família e “ralar” muito antes da diversão, que é está no palco.



Quais são os CDs que vc lançou? Quais são os planos que você tem pra esse ano?

Só lancei um EP com seis músicas de compositores locais, “Inundação”, financiado com recursos da lei de incentivo estadual, antes de ser funcionária do Estado. Tenho um Cd com músicas próprias no forno (PorAquiry); só esperando patrocínio e além de levar o Sambackriolo até o final do ano, quero também lançar um clipe, que já está sendo produzido, e conseguir vender shows para fora do Estado e do país.


terça-feira, 10 de junho de 2014

Turbo festeja a Copa com euforia e ironia em "Raja Brasil"



Em músicas sobre futebol, a regra é clara: ou você encarna o torcedor eufórico, totalmente satisfeito e/ou esperançoso com a Seleção Brasileira, ou se mostra um crítico acerbo, mesmo que (e geralmente) com bom humor. 

A banda Turbo, de Belém, conseguiu a proeza de produzir um single, lançado no YouTube dia 8 a.C. (8 dias antes da Copa, 2 de junho pelo calendário gregoriano), em que a euforia e a ironia se misturam, basta ver o refrão:

Raja Brasil
Faz um golaço
Nos traga o hexa campeonato
E mesmo se você perder
Ainda será feriado

Os versos resumem bem a ambigüidade da composição, afinal nunca antes na história desse país eu ouvi "música de Copa" onde se admite a hipótese da Seleção perder!

Este é o primeiro single da Turbo após a entrada na banda do guitarrista Bruno Cruz. 



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ed Ondo lança EP Attack The Clone

A banda amazonense de rock alternativo Ed Ondo aderiu às atuais tecnologias e disponibilizou, no final de maio, o EP Attack The Clone nas redes de streaming Rdio, Deezer e Spotify. Com cinco músicas autorais, este é o segundo trabalho da banda formada por Micael Silva (vocais), Jean Carlos (guitarra e voz), André Torbey (guitarra), Jackson Zi (baixo) e Markeetoo Silva (bateria e voz).

Foto: Janssem Cardoso

Para o baterista da banda, Markeetoo Silva, o serviço é essencial para a divulgação de bandas atualmente. "Acreditamos que a música 'na nuvem' é uma tendência que veio pra ficar. Muita gente tem parado de comprar discos físicos e até de fazer download. Antigamente o espaço pra armazenar discos físicos eram levado em conta na hora de optar por MP3. Hoje em dia, o espaço virtual também é levado em conta. Se a pessoa tem internet 24h no computador, ou celular e tablet, acaba preferindo ouvir online do que ter que baixar", explicou.

No entanto, para os mais tradicionais, que ainda preferem ter o CD em mãos, a banda também está preparando cópias para venda. "Ainda existe uma minoria que quer comprar o disco físico, por isso vamos fazer algumas poucas cópias pra vendermos nos lugares que tocarmos", contou Markeetoo.

Além do Rdio, Deezer, e do recém-chegado ao Brasil, Spotify, o segundo EP da Ed Ondo pode ser comprado por US$ 3,99 no iTunes.

O EP Attack The Clone foi lançado após dois anos no forno e traz composições que tratam sobre o cotidiano, conflitos internos e a relação dos integrantes da banda com a sociedade. Todo o processo de gravação, mixagem e masterização é assinado por Beto Montrezol.

Sobre os próximos passos, a banda adiantou que planeja fazer um show de lançamento do disco em Manaus, ainda sem data certa, e rodar um videoclipe dirigido pelo cineasta amazonense Anderson Mendes.

Ouça: