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terça-feira, 27 de maio de 2014

Macapá: Laguinho festeja amanhã a Quarta-Feira da Murta

Texto: Mariléia Maciel
Fotos: Márcia do Carmo

Marabaixo


Quarta-feira da Murta do Divino Espírito Santo, 28 de maio, o Grupo Raimundo Ladislau cumpre mais uma etapa do Ciclo do Marabaixo deste ano, com o ritual que inicia às 16h e só termina no outro dia, Quinta-Feira da Hora, às 7h, quando  o  mastro é levantado. É o início dos festejos para o Divino Espírito Santo, que tem ainda novenas e bailes que se entendem o dia 30. Os festeiros Raimundo Ramos  e Iury Soledade, respectivamente neto e tataraneto do Mestre Julião Ramos, prometem treze horas de festa com ordem e segurança.

O Ciclo do Marabaixo é realizado em Macapá nos bairros Laguinho e Santa Rita, antiga Favela, e iniciou no Domingo de Páscoa. Os dois bairros são redutos de famílias negras, que, quando Macapá se tornou a capital do Território Federal do Amapá, foram transferidos do Centro para estes bairros.  A tradição é a mesma do século passado, mas cada um desenvolveu algumas particularidades. Duas famílias de cada bairro fazem a festa, no Laguinho em honra à Santíssima Trindade e ao Divino Espírito Santo,  e na Favela somente para a Santíssima.

Sábado no Mastro no Curiaú

O Divino Espírito Santo reúne inúmeros devotos, que professam a fé cantando,  dançando, fazendo e pagando promessa.  Duas famílias descendentes do precursor do marabaixo, Julião Ramos, são os responsáveis pelos festejos no Laguinho, a de Benedita Ramos e a do Mestre Pavão. Dona Benedita, conhecida como Tia Biló, única filha viva de Julião, participa até hoje da programação, atualmente comandada pelos filhos, netos e bisnetos, que formaram a Associação Raimundo Ladislau.

Sábado no Mastro no Curiaú


O mastro que será levantado foi retirado no último sábado, no Curiaú, e levado no domingo para a casa da Tia Biló. Como é tradição, na Quarta-feira da Murta, os participantes saem às ruas do Laguinho carregando os ramos, que têm uma simbologia religiosa, por remeterem ao galho que na Bíblia anunciou o final do Dilúvio Universal, e também mística, por se acreditar que espantam o mau-olhado. Os ramos são guardados junto aos dois mastros do Divino e, após uma noite inteira de rodadas de marabaixo e fogos, entre goles de gengibirra e caldo, começam a ser arrumados nos mastros às 6h. Uma hora depois eles são levantados.

Domingo do Mastro no Laguinho

A programação no Laguinho continua nos próximos dias com ladainhas, missa, banquetes e bailes, até 19 de junho, dia de Corpus Christi, quando se encerra mais um Ciclo do Marabaixo. Iury Soledade diz estar satisfeito com a participação da população e devotos que preservam a cultura e demostram sua fé durante os festejos. “Estamos preparando com muito carinho e cuidado a programação, para que todos sintam-se bem e professem sua devoção. Isso ajuda a manter viva nossa cultura do marabaixo”, disse o festeiro.   


 Domingo do Mastro no Laguinho



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