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sábado, 31 de maio de 2014

Foi Show: Festa Tucuju

Patrícia Bastos


Patrícia Bastos fez ontem sua primeira aparição nos palcos após o recebimento do troféu de Melhor Cantora Regional no 25º Prêmio da Música Brasileira (a cerimônia aconteceu no último dia 14, no Rio de Janeiro; na mesma ocasião, o mais recente CD de Patrícia, Zulusa, recebeu o prêmio de Melhor Disco Regional de 2013). O retorno de Patrícia aconteceu no show Festa Tucuju, ao lado da mãe, a cantora Oneide Bastos, e do irmão, o cantor-compositor-multiinstrumentista Paulo Bastos. O espetáculo, apresentado no SESC Centro (Macapá), encerrou a programação do 9º Aldeia de Artes SESC Povos da Floresta. 


Paulo Bastos


Talvez o restaurante do SESC Centro, onde todas as terças acontece o tradicional Projeto Botequim, não fosse o lugar ideal para a apresentação de um show deste porte. Basta lembrar que, no ano passado, o show Quando Bate o Tambor, de Oneide Bastos, integrando a 8ª edição do Aldeia, aconteceu no Teatro das Bacabeiras (leia aqui nosso comentário). Mas enfim, ao menos os artistas procuraram compensar as condições do local trazendo seu próprio som, sua luz (cujo acerto na escolha vocês podem constatar nas imagens feitas por mim que ilustram este post) e ainda um praticável colocado à esquerda do palco onde ficaram dois músicos, o baterista Fábio Mont'Alverne e o percussionista Nena Silva. Isto permitiu um maior espaço no palco, que os artistas aproveitaram para se movimentar o tempo todo.


Oneide Bastos


O show foi muito bom e bem dinâmico. Além do trio Bastos, o espetáculo contou ainda com os intérpretes Brenda Melo e Adelson Preto (vocalista da banda Afro Brasil). Os cinco - Paulo, Oneide, Patrícia, Brenda e Adelson - se revezavam ao microfone, e havia ainda o detalhe luxuoso de quando uma das cantoras solava, tinha as outras duas como "backing vocals". Já Adelson e Paulo podiam contar com as três fazendo coro. Esse dinamismo, diga-se de passagem, é raro em termos de shows no Norte do país. 



Brenda Melo


Mas enfim, o importante é que o show foi de fato excelente e agradou em cheio o público que lotou o SESC, havendo muita gente que viu todo, ou quase todo, o show de pé mesmo, já que desde 21h20 chegavam interessados no show anunciado para as 22h e que iniciou perto de 23h, encerrando às 1h10, já no sábado. 


Adelson Preto


Patrícia cantou "Eu sou Caboca" (faixa-título de seu quarto CD, lançado em 2009), "Mal de Amor", do Zulusa, e ainda a inédita "Domingo de Páscoa". "Mal de Amor" teve como acompanhamento apenas a percussão de Nena e a bateria de Mont'Alverne, num arranjo que aproximou este marabaixo de Val Milhomem e Joãozinho Gomes, premiado pelo site Embrulhador como a melhor música brasileira de 2013, dos marabaixos tradicionais, sempre apresentados apenas com voz e percussão. Foi um dos momentos mais belos da noite. Outra composição do Zulusa incluída no roteiro foi "No Laguinho", que Patrícia cantou ao lado de Oneide e Brenda; o trio apresentou também outro clássico da parceria Val-Joãozinho, a animada "Mão de Couro" (que contou com a participação de Adelson nos vocais ao final).


O trio Patrícia-Oneide-Brenda


Oneide cantou músicas do seu CD Quando Bate o Tambor, como "Bacabeira", "Urubu, Mestre do Vôo" e "Bate o Tambor", que foi também o bis. Já Brenda interpretou "Formigueiro", de Val Milhomem, que irá regravar em seu segundo CD, além de cantar faixas do primeiro disco, Tática, ainda inédito. E Adelson sacudiu o salão com sucessos do Afro Brasil, como "Festa na Senzala". Paulo, além de acompanhar a todos ora ao teclado, ora ao violão, ora na caixa de marabaixo, cantou algumas composições suas, como "Balalão" e um agitado-animado rap-reggae-marabaixo. Ao lado do baixista Taronga, Paulo abriu ainda o show com um set instrumental variado que incluiu temas como "I'll Survive", "Amargo", de Lupicínio Rodrigues, e o marabaixo "Rosa Branca Açucena". 





Quase ao final do show, foram chamados ao palco os convidados Enrico Di Micelli (que cantou "Estamparia", do CD inédito Timbres e Temperos), Amadeu Cavalcante (que fez todos cantarem o clássico "Tarumã") e Val Milhomem (que também teve todas as vozes do salão a entoar o coro de "Jeito Tucuju"). 


Enrico Di Micelli


Amadeu Cavalcante


Val Milhomem


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