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sábado, 5 de abril de 2014

Foi Show: Una - Juliana Sinimbú

O show Una, que Juliana Sinimbú apresentou no Theatro da Paz em 28 de março, marca o início de uma nova fase da carreira da cantora - antes e depois dessa noite. Afinal, não é toda hora que uma jovem artista do Pará consegue lotar o mais importante teatro do Estado para levar ao público um show que reúne, majoritariamente, composições autorais. É por esta razão que considero este show um divisor de águas na trajetória de La Sinimbú.

Foi um show impecável, irretocável, Arte com A maiúsculo. E isso sem grandes firulas, nem necessidade de recorrer a quaisquer artifícios. Juliana apostou em colocar a (sua) música como protagonista e acertou em cheio. A soma de vários detalhes formando um todo coeso e fascinante. 

Já quando as cortinas do Theatro se abriram e deixaram ver uma luz trabalhada assim...

Foto: Lays Bastos


...era possível se dar conta de que o que iríamos presenciar não era algo muito comum pelas bandas da capital paraense. De início, estava a banda (à esquerda, Donatinho - teclados e direção musical, Renato Torres - violão e Kleber Benigno - percussão; à direita, Edvaldo Cavalcante - bateria, Príamo Brandão - baixo e Davi Amorim - guitarra) posicionada, e um feixe de luz apontando para um centro de palco com um pedestal sem microfone nem ninguém - sim, pois Juliana veio da coxia cantando o começo de "Clarão da Lua", canção de Almirzinho Gabriel que abre o CD Una. Em seguida, ela interpretou sua lambada "Simpatia", já dançando um pouco. A partir da terceira música, Juliana passou a ficar mais solta, circulando com o microfone tanto à direita quanto à esquerda do palco (nessas horas era possível ver como ela estava radiante por estar vivendo aquela noite tão especial). 



Juliana cantou todas as músicas do novo CD, e também trouxe algumas surpresas, como o tango "El Día que me Quieras" (Carlos Gardel - Alfredo LePera), cantando num espanhol bem superior à média do que se costuma ouvir de intérpretes brasileiros, além de duas canções que faziam parte do CD Sonho Bom de Fevereiro, que gravou em 2010 mas não chegou a lançar: "Flor da Idade" (Chico Buarque), onde dividiu o vocal com Renato Torres, que foi desta forma a única participação especial do show (pena que o som do microfone de Renato estava bem baixo, felizmente isso não chegou a prejudicar o resultado final), e "Santuário do Pau de Aroeira" (Caê Rolfsen - Vicente Barreto).

Entre as melhores interpretações da noite, destaco "Vodka" (Juliana Sinimbú) e "Nua Idéia" (clássico de seus ídolos João Donato e Caetano Veloso, lançado por Gal Costa em 1990). Um dos momentos mais belos do show foi a interpretação de "Delicadeza" (Juliana Sinimbú) , música que no CD conta com uma orquestra de cordas do Rio de Janeiro, e que para o show - na impossibilidade de se contar com a mesma formação que gravou - ganhou arranjo igualmente belo e sensível de Donatinho. Foi merecidamente um dos momentos mais aplaudidos. 

Também destaco "Para um Tal Amor", arrocha no qual Juliana fustiga os canalhas que estraçalham os corações femininos; chega a, durante o solo, desejar literalmente o fim deles: Morre, canalha! Perto do final da canção, a banda pára de tocar, Juliana se debruça no microfone (isso, veja a foto abaixo)...


Foto: Aluísio Almeida

... há uma pausa dramática, a banda retoma e ela arremata com um suspiro, voltando a cantar por diversas vezes "Ai meu coração! ai ai..."

Bem humorada, logo após cantar "Pra Você Voltar", Juliana revelou que a compôs como samba para que assim outras pessoas considerassem a hipótese de gravá-la. Para não ter dúvidas de que o recado chegaria às pessoas certas, acrescentou: "Viu, Arthur (Espíndola)? Viu, Gigi (Furtado)?".

No geral, Juliana demonstrou controlar bem a emoção que visivelmente sentia. Apenas, durante uma repetição do refrão de "Quero Quero" (Iva Rothe), ela parou de cantar um breve momento, deixando soltas as vozes em falsete feitas por Donatinho e Renato, mas logo prosseguiu normalmente.

No show como um todo, Juliana Sinimbú mostrou-se uma compositora inspirada, uma intérprete segura, uma artista que domina seu habitat - o palco - e que está pronta para alçar vôos maiores.

  • Após o show, já no saguão do Theatro, enquanto atendia pedidos de fotos e autógrafos dos fãs, Juliana abriu uma exceção para me conceder esta brevíssima (rapidola) entrevista. 


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