Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Brutal Exuberância lança clipe de "Território Perdido"



No dia 20 de abril, a banda amazonense de trash metal Brutal Exuberância lançou o clipe de "Território Perdido", a faixa-título de seu primeiro CD, lançado em novembro de 2012. Em março de 2013, o álbum recebeu do site Manifesto Norte o prêmio de Melhor Álbum de Heavy Metal de 2012. 

O clipe foi gravado no segundo final de semana de fevereiro deste ano na cidade de Presidente Figueiredo, a 107 km de Manaus, na cachoeira e grutas de Iracema. O vídeo chama a atenção por usar atores caracterizados como pessoas do século 16, remetendo ao início da colonização das Américas. Miguel, da banda Evil Syndicate, interpreta um explorador espanhol, que leva prisioneiro um índio que capturou, interpretado por Adelino Lobato. Adelino também é conduzido preso por um homem engravatado (Nelson Bernardino), que simboliza o capitalismo moderno. Em ambas as situações, o índio está vestido e pintado do mesmo modo, o que poderia indicar que nós ainda somos os mesmos, apenas a forma de nos oprimir mudou. Os atores chegam a circular entre os músicos da banda, mas não chega a haver interação entre os dois universos (diferentemente do que aconteceu no clipe "O Jardim", da banda paraense Gramofolk, lançado ano passado e que também recorreu ao recurso da "quarta parede" teatral). O uso de personagens de época é raro em clipes nacionais. 

O vídeo foi dirigido por Afrânio Pires, o baixista da Brutal, que foi também o responsável pela fotografia e filmagem (ambas as funções divididas com Felipe Amorim) e pela cenografia. O vocalista e guitarrista Naldão editou o clipe. Também integram a Brutal Evaldo Castro (guitarra) e Sandinho (bateria). 



sábado, 26 de abril de 2014

Shows da semana: Macapá

  • Bebeto Nandes - SESC Centro, 22/4 (terça)

O artista apresentou clássicos da MPB e da música amapaense, alguns em releituras bregas, além de um segmento de sambas. Ao final, quando já passava da meia-noite (e, portanto, já era dia 23), Dylan Rocha e Aroldo Pedrosa cantaram músicas em homenagem a São Jorge. William Cardoso encerrou a noite, surpreendendo ao interpretar "O Bem Amado" (Toquinho - Vinicius), em formato instrumental, ao violão, acompanhado pela percussão de Nena Silva, além de outros sucessos da MPB como "Para Lennon e McCartney" (Lô Borges - Márcio Borges - Fernando Brant). 



  • Festa de São Jorge - Largo dos Inocentes, 23/4 (quarta) - fotos Fabio Gomes

Este ano a Confraria Tucuju se uniu ao músico Jorginho do Cavaco, que sempre realiza festas em homenagem a São Jorge a cada 23 de abril, levando a festividade para o Centro histórico de Macapá. A comemoração iniciou por volta das 16h, com uma carreata puxada por dois cavaleiros representando São Jorge e São Thiago. O cortejo saiu da orla do Araxá até a av. São José, passando depois entre a Igreja de São José e a Biblioteca Pública Elcy Lacerda até chegar ao Largo. Na chegada, por volta de 19h30, houve um culto ecumênico oficiado pelo padre Paulo Roberto juntamente com o pai de santo Cláudio de Oxóssi. Seguiram-se apresentações musicais. O grupo Samba de Jorge interpretou sambas de grupos como o Fundo de Quintal e artistas como Almir Guinéto e Zeca Pagodinho. Precisei sair do Largo em meio ao show do Samba de Jorge, e quando retornei quem se apresentava era Osmar Júnior.  Concluído este show, quem subiu ao palco foi o Grupo Afro Brasil, que depois foi a banda base dos outros convidados: Nivito, Val Milhomem e Maria Eli Corrêa. Alguns interpretaram músicas em homenagem a São Jorge, como Cley Lunna e Enrico Di Micelli (que teve a participação especial de Patrícia Bastos). 



Samba de Jorge


Grupo Afro Brasil


Patrícia Bastos e Enrico Di Micelli 

Cley Lunna


  • Maratona Celine Guedes - 24/4 (quinta)
A cantora realizou dois shows em sequência na quinta, totalizando cerca de cinco horas e meia de apresentação. 

1ª parte - Museu Sacaca


No Museu, Celine apresentou-se dentro do Projeto Fim de Tarde no Museu, num dia atípico, já que não houve o costumeiro momento da poesia. O show foi marcado pela interpretação de sucessos como "Só Sei Dançar com Você", de Tulipa Ruiz, "Conversa de Botequim" (Vadico - Noel Rosa) e "Pimenta com Sal" (Eliakin Rufino). O espetáculo contou com as participações das cantoras Nara Lima, Mayara Braga, Hanna Paulino, Lara Utzig e Rebecca Braga, além de Aroldo Pedrosa.

Celine Guedes e Hanna Paulino


2ª parte - Lokau




No bar localizado junto à orla da cidade, a cantora, novamente acompanhada pelo violonista Cássio Pontes, estreou a temporada Cantoras do Brasil, que continua nas próximas três quintas-feiras. O mote é levar ao público clássicos da música brasileira que foram lançado por cantoras, como "Reconvexo" (Caetano Veloso), consagrado na voz de Maria Bethânia, e "Shimbalayê", de Maria Gadú. Dado o intimismo do local, a platéia se sentiu à vontade para pedir suas preferidas, e Celine atendeu a quase todos os pedidos, que incluíram "Trem das Onze" (Adoniram Barbosa) e "Sozinho" (Peninha), entre outras. Nas próximas apresentações, a cada quinta Celine lançará uma composição sua inédita. Rebecca Braga voltou a participar, cantando clássicos como "Trocando em Miúdos" (Francis Hime - Chico Buarque) e "Codinome Beija-Flor" (Ezequiel Neves - Reinaldo Arias - Cazuza). 

  • Mário Salles - Villa Nova Shopping, 25/4 (sexta)

Acompanhei apenas o começo da apresentação do cantor, já que em seguida fui ao Largo dos Inocentes cobrir a intervenção urbana Projeções do Feminino, de Roberta Carvalho. Mário começou a noite interpretando clássicos dos anos 1980/90, de autoria de Lulu Santos, Titãs e Michael Sullivan & Paulo Massadas, entre outros. 

  • Nivito - Villa Nova Shopping, 26/4 (sábado)
O cantor e compositor aproveitou a ocasião para mostrar uma composição inédita, "Antes à Tarde do que Nunca", além de interpretar seu grande sucesso "Tô em Macapá". Cantou também clássicos amapaenses ("Pérola Azulada", "Igarapé das Mulheres") e brasileiros de várias épocas (Adoniram Barbosa, Tom Jobim, Caetano Veloso, Carlinhos Brown, entre outros). Quase meia hora foi dedicada a músicas de Djavan como "Azul", "Oceano", "Sina" e "Flor de Lis". 

Blocked Bones lança duas músicas novas no YouTube



Na terça, 22, foi divulgado no YouTube um vídeo da série "Sessão Invisível", apresentando duas músicas novas da banda paraense Blocked Bones. duo de garage rock é formado por Fill Alencar (vocal e guitarra) e por Thiago Almeida (bateria), e tem influências de sons como Silverchair, The White Stripes e Queens of the Stone Age. As canções em questão são "Parties at Drive-ins" e "Kids & Doorbells". 

O vídeo foi gravado no estúdio de Camillo Royale (da banda Turbo) e é uma parceria da Rajada Records com o selo Inv.Rec. A direção foi de Diego Fadul e Erik Lopes, este também o responsável pelas imagens, juntamente com Matheus Lima. 

Em novembro de 2013, a banda lançou o EP “Deathmails in Blackletters” - clique aqui para baixar. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dharma Burns lança primeiro single do CD de estréia

Com 8 anos de estrada, a banda paraense Dharma Burns lançou pelo selo Inv.Rec em parceria com a Rajada Records nesta quinta, 24, o single "Came like a storm" (algo como 'vinda como uma tempestade'). Trata-se da primeira amostra do CD Nine Years of Physichal Research, que deve sair no segundo semestre. A capa tem arte de Robson Siqueira.

A canção tem a melodia elaborada que é uma das características do vocalista Marcelo Kahwage, também integrante da banda The Baudelaires, mas com um peso e distorções que não caberiam em seu outro trabalho. A faixa foi mixada e masterizada por Ivan Jangoux, um dos preferidos das bandas de rock paraense. 

Anteriormente, em 2010, a banda já havia lançado um EP. Dharma Burns tocou em várias edições do Festival Se Rasgum (Belém) e participou dos Gritos Rock de Belém, Brasília e Cuiabá. 

Dharma Burns é:

Marcelo Kahwage (vocal e guitarra)
Bruno Rafael (guitarra)
Antonio Bomber (baixo e backing vocals)
Bruno Oliveira (bateria)
André Monteiro (teclado)



Filme do Dia: Ciclo do Marabaixo



Desde o Domingo de Páscoa (este ano, 20 de abril), estamos vivendo em Macapá o Ciclo do Marabaixo, com diversas festividades nos bairros Laguinho e Santa Rita, que se estendem até 22 de junho, o Domingo do Senhor (o domingo seguinte ao dia de Corpus Christi). 

Para homenagear esse ciclo festivo, a produtora amapaense Graphite Comunicação produziu um videoclipe em animação (com bonecos de massinha) do marabaixo estilizado "Mal de Amor" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes), utilizando a gravação de Val Milhomem.

No ano passado, esta música foi regravada por Emília Monteiro e Patrícia Bastos em seus respectivos CDs, Cheia de Graça e Zulusa. A gravação de Patrícia foi eleita pelo site Embrulhador a melhor música brasileira de 2013.

O vídeo teve direção e iluminação de Bruno Vinícius, cenário, modelagem e movimentos de Felipe Fonseca e edição de André Cantuária e foi lançado agora pela manhã no YouTube. 


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Em dia de lançamentos, Madame Saatan anuncia recesso

Na tarde desta quarta, 23 de abril, um anúncio surpreendeu os fãs da banda Madame Saatan - a saída da vocalista Sammliz (à direita em foto de Antonia Muniz), e a conseqüente pausa nas atividades da banda. O início do recesso foi acompanhado do lançamento do clipe da música "Moira", faixa do CD Peixe Homem (2011), e do EP comemorativo 11 Anos na Missão. Explicações e descrições constam dos textos que reproduzimos abaixo.

Creio não exagero em apontar Madame Saatan como a mais bem sucedida banda de rock autoral paraense de todos os tempos, como tive oportunidade de dizer na "biografia" do grupo que escrevi para o site Pará Música em 2011. Em seis de seus onze anos, os integrantes da banda - formada então por Sammliz, Ed Guerreiro, Ícaro Suzuki e Ivan Vanzar - moraram em São Paulo, participando dos maiores festivais do país e aparecendo com freqüência na mídia nacional (a opção por morar no Sudeste foi justamente para facilitar o trânsito da banda pelo Brasil, conforme Sammliz me contou em entrevista de 2009). O sucesso artístico, porém, não eliminou a necessidade de os músicos buscarem seu sustento em outras atividades, o que fez com que em 2012 o baterista Ivan se afastasse da banda para ir trabalhar no Sul do país, pouco antes do acidente com o baixista Ícaro que o afastou dos palcos. A saída dos dois fundadores coincidiu com o retorno a Belém e estreia da nova formação, com Vince no baixo e Nugoli na bateria, no já histórico show do dia do fim do mundo (alguém ainda lembra da profecia maia? rs). Foi uma das melhores performances de grupo que eu já vi na vida. A volta a Belém fez com que a banda intensificasse sua presença no Norte do país, tocando em festivais no Amazonas e no Pará, e circulando pelo interior paraense a bordo da carreta-palco do projeto Música na Estrada. O último show aconteceu em 14 de dezembro de 2013, no Pitiú Fest.

***


11 anos de estada, tocadas, parcerias, suor, algumas certezas, festivais, Belém, São Paulo, Brasil. 11 anos na missão.
Preparamos um pacote de b-side para vocês, que vêm nos acompanhando desde o comecinho, e, claro, para quem acaba de conhecer a banda. Aproveite e baixe nossos trabalhos no site e assista nossos outros vídeos.

Nesse EP digital estão 4 músicas + 1 web clipe. Duas versões acústicas de músicas (Até o Fim e A Foice) que constam em nosso último disco, Peixe Homem. Caos, música que fez parte da trilha do espetáculo Ubu – Uma Odisseia em Bundalele, que tocávamos no inicio do MS e que até hoje muitos pedem. Para finalizar, uma versão demo de Estranhos, música que não chegamos a finalizar e fez parte da pré produção do Peixe Homem. E para finalizar um web clipe feito com imagens da banda , em suas duas formações, feitas ao longo desses 11 anos e com muitas imagens retiradas de vídeos postados pelo público.

E é nesse clima comemorativo que eu acho propício para anunciar meu desligamento temporário do Madame Saatan. Há muitos anos acalento a vontade de trabalhar em meu disco e enfim é chegado esse momento. Venho reunindo ao longo de todo o tempo que estou de braços dados e bem apertados com a música, composições minhas e com novos parceiros. Necessidade minha de voar sozinha e de experimentar outras sonoridades que me habitam. Preciso, portanto, desse tempo para me dedicar de corpo e alma nessa nova etapa da minha vida. Estou indo em direção dela muito feliz e na suavidade. Não é o fim do Madame Saatan, apenas umas férias que a banda tira. E um novo começo pra mim.

Muita gratidão à todos que estiveram conosco e sempre estarão, aos nossos amigos, ao nosso publico incrível de Belém, a SP, nossa segunda casa, a quem nos acompanhou estrada a fora.

Sorriso largo, amor infinito, lágrimas de saudades para todos.

Até breve 
Samm



Release – 11 Anos Na Missão


O Madame Saatan acaba de lançar o EP comemorativo “11 Anos na Missão”(Doutromundo Discos). No pacote estão as músicas “Caos”, parte da trilha do espetáculo que deu origem à banda “Ubu Rei – Uma odisséia em bundalele”, “Até o Fim” e “A Foice” em versões acústicas, e “Estranhos”, música não finalizada que fez parte da pré-produção do disco “Peixe Homem”. As músicas têm a produção musical de Paulo Anhaia, responsável pelo disco “Peixe Homem”. Junto com o EP, está o web clipe da música Moira, que trás um apanhado de imagens desses 11 anos de banda.

Esse momento também marca o afastamento temporário da vocalista Sammliz das atividades do Madame Saatan para se dedicar à sua carreira solo. Com isso a banda entra em recesso por tempo indeterminado.

O EP 11 Anos na Missão pode ser baixado gratuitamente no site madamesaatan.com, assim como toda a discografia da banda.


Clique na imagem para baixar o EP


sábado, 19 de abril de 2014

Macapá: Confraria Tucuju prepara Festa de São Jorge

Por Mariléia Maciel,
de Macapá


São Jorge terá uma grande homenagem este ano em Macapá e vai reunir todos os devotos do santo guerreiro em um cortejo que vai percorrer a orla da cidade e encerra com uma celebração ecumênica e shows no Largo dos Inocentes. A programação acontece no dia 23 de abril, quarta-feira, e será  realizada pela Confraria Tucuju, que preza pelas tradições macapaenses. A entidade abraçou a iniciativa do músico Jorginho do Cavaco, que há anos faz a homenagem, e com a parceria do Governo do Estado e Prefeitura de Macapá, realiza o festejo

Macapá é mais uma das cidades brasileiras que cultua São Jorge, que tem devotos em todo o mundo, pela história de lutas e vitórias. A história conta que foi martirizado na Capadócia no ano 303. É venerado no catolicismo e nas religiões afro-brasileiras, onde é simbolizado pela imagem de Ogum. Na capital amapaense, em seu dia, as igrejas, centros de cultos afros e em casas de devotos, muitas homenagens são feitas, e a intenção da Confraria Tucuju é reunir os devotos do santo, que está enraizado em nossa cultura religiosa.

Nesta primeira edição, terá ainda a parceria da Comissão de Organização da Festa de São Tiago, de Mazagão Velho, município amapaense. É de lá que vêm os dois personagens que simbolizaram São Jorge e São Thiago em 2013, na festa tradicional que reverencia os dois mártires no mês de julho. Sandovan Júnior, São Jorge, e Adriano Pontes, São Thiago (ambos nas fotos que ilustram este post), estarão vestidos à caráter, montados em cavalos, na frente da procissão.

A concentração será às 16h no Complexo Araxá para a adesivagem. O cortejo sai às 16:30 e percorre a orla até o Largo dos Inocentes, onde a segunda parte da programação acontece.  O padre Paulo Roberto e o Pai Cláudio de Oxóssi celebram o momento religioso, com a participação da Banda Afro-Brasil e Grupo de Dança Baraká. A programação encerra com shows, como de Val Milhomem, Joãozinho Gomes, Samba de Jorge, Lolito do Bandolim, Enrico Di Micelli, Nivito Guedes, Osmar Júnior, Ivo Cannuti e outros. O encerramento será com a bateria dos Boêmios do Laguinho. 



Marabaixo do Laguinho começa Domingo de Páscoa na Casa da Tia Biló em Macapá

Por Mariléia Maciel,
de Macapá





Na casa da Tia Biló os festeiros e integrantes do grupo Raimundo Ladislau deixam tudo pronto para  Domingo de Páscoa, quando o Ciclo do Marabaixo terá início no Laguinho. Os festeiros Iury Soledade e Raimundo Ramos, respectivamente tataraneto e neto do Mestre Julião Ramos, trabalham para que o Ciclo do Marabaixo inicie e encerre dentro das perspectivas de manter a cultura secular e fortalecer a fé no Divino Espírito Santo e na Santíssima Trindade. Os festejos iniciam agora e só encerram em junho, no dia de Corpus Christi.


Iuri Soledade e Raimundo Ramos,
com a gengibirra à espera dos brincantes


No Laguinho a programação segue a tradição e durante os três meses de honrarias acontecem rodadas de marabaixo, bailes de sócios, novenas, missa e café da manhã. Desde que mestre Julião Ramos atravessou do centro de Macapá para povoar o Laguinho, estes momentos são regados a caldo, gengibirra, fogos e muitas roupas floridas e brancas. “Mantemos os costumes dos antigos para preservar nossa memória. Ainda criamos ‘ladrões’ de marabaixo contando nossa história e preservamos nossa fé”, diz Iury Soledade.

Para a abertura do Ciclo, mais de 90kg de gengibre para fazer o gengibirra foram comprados e ¼ de boi será usado com muita verdura para o caldo. “Até domingo a gengibirra está apurada. Ela está na medida, só tem que ser degustada com cuidado, mas o caldo corta o efeito e deixa todo mundo brincar no salão sem problemas até o final da festa” diz Iuri. Os fogos serão manuseados por um profissional para evitar acidentes. As fitas coloridas e as coroas que representam o Divino e a Santíssima Trindade estão limpas aguardando os devotos e promesseiros.

Desde que o Governo do Estado sancionou a Lei aprovada na Assembleia Legislativa, o Ciclo é realizado em quatro locais, dois na Favela, antigo Santa Rita, e dois no Laguinho, que são bairros tradicionais inicialmente povoado por negros. Nos últimos anos a comunidade de Campina Grande, zona rural de Macapá, também realiza as homenagens. O Governo do Estado e a Prefeitura de Macapá patrocinam os eventos. No sábado os festejos começam na Favela, na casa de Bibi Costa e Natalina Costa, e no Laguinho nas casas de Tia Biló e Mestre Pavão. Sempre a partir das 16h.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Shows da Semana: Sergio Salles, Ronaldo Silva & Allan Carvalho

O Sesc Centro (Macapá) recebeu nesta terça, 15, um raro programa duplo no Projeto Botequim. Como os paraenses Ronaldo Silva e Allan Carvalho se encontravam na capital amapaense (onde já haviam feito um show na sexta, 11), o cantor e compositor Sergio Salles, que estava na pauta desse dia, ofereceu-lhes parte do seu tempo para que ambos cantassem no Sesc.

Sergio Salles (fotos: Fabio Gomes)

Sergio Salles abriu os trabalhos por volta das 22h, interpretando apenas composições próprias, como "Nada Bem" e o samba "Proverbiando", além de músicas falando de horóscopo e da vida noturna. 





O violonista Helder Melo (acima), que acompanhou Sergio, aproveitou para mostrar sua composição "Diáspora".

Em seguida, Ronaldo e Allan voltaram a apresentar seus principais sucessos, tanto do repertório do Arraial do Pavulagem quanto das respectivas carreiras solos, tendo no acompanhamento os músicos Franklin Furtado (percussão), Alan Gomes (baixo) e Paulo Bastos (percussão) - o primeiro, paraense, veio com Ronaldo e Allan para esta temporada; os outros dois, amapaenses.

O bom público presente ao SESC cantou e dançou ao sucesso de temas como "Biduin", "Represa do Querer", e várias outras toadas de boi (com homenagens aos bois Malhadinho e da Estrela, além, é claro, do Boi Pavulagem), retumbões e até reggae (sim!).


Allan Carvalho e Ronaldo Silva;
em segundo plano, Alan Gomes e Franklin Furtado


Outro destaque da noite é que a cantora Patricia Bastos fez ali sua primeira aparição pública após o anúncio de sua tripla indicação para o 25º Prêmio da Música Brasileira.

Allan Carvalho, Alan Gomes, Patrícia Bastos,
Franklin Furtado, Ronaldo Silva e Paulo Bastos

Patrícia iniciou cantando "Rodopiado", música de Ronaldo Silva que gravou no CD Zulusa (2013), tendo o autor declamando na hora do solo. Seguiu com "O Meu Grande Amor não há quem Meça" (Enrico Di Micelli - Joãozinho Gomes), do CD inédito Timbres e Temperos, que dedicou ao esposo, de aniversário naquela terça; nesta canção, Enrico Di Micelli acompanhou Patricia ao violão. Em seguida os dois, Enrico e Patricia, cantaram outra do já citado CD inédito, "Estamparia" (Enrico Di Micelli - Jorge Andrade). 


Alan Gomes, Patricia Bastos, Franklin Furtado, Paulo Bastos e Enrico Di Micelli

Ronaldo e Enrico mostraram uma antiga parceria sua, do tempo em que Enrico (que é paraense) ainda morava em Belém: "Vida Vadia", composição que lembra muito o estilo de Vital Lima.


Ronaldo Silva, Alan Gomes, Franklin Furtado, Enrico Di Micelli e Paulo Bastos

A hora da canja prosseguiu com Paulo Bastos, que chamou sua mãe Oneide Bastos para cantar uma homenagem a Danniela Ramos, bisneta de mestre Julião Ramos, patriarca do marabaixo do Laguinho, bairro do qual foi um dos fundadores. Na sequência, Paulo cantou outra música sua, na qual compara o Criador a um compositor.


Oneide Bastos, Alan Gomes e Paulo Bastos


Retomando os trabalhos, Allan Carvalho surpreendeu fazendo uma versão sensível do "Baião Psicodélico" (Zé Gonzaga) - inclusive com trechos em inglês (!) -, que emendou com "Qui nem Jiló" (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira). Ronaldo voltou ao palco, e a dupla mandou logo o hit "Tambor de Couro" (Ronaldo Silva), seguindo-se uma sequência de merengues (incluindo o  "Merengue Latino", também de Ronaldo, que menciona Macapá na letra). Pra encerrar, o clássico carimbó "Lua, Luar" e, apenas nas vozes de Allan e Ronaldo, "Bandeira de Ouro". 




quinta-feira, 17 de abril de 2014

Macapá: Ciclo do Marabaixo da Favela inicia no Sábado de Aleluia

Por Mariléia Maciel



O Ciclo do Marabaixo do bairro Santa Rita, antiga Favela, inicia neste final de semana e prossegue até o mês de junho, seguindo a tradição. A Associação Berço do Marabaixo prepara os festejos religiosos e lúdicos na casa da Dona Natalina, que todo ano realiza a programação junto com os festeiros, que em 2014 está a cargo de Loren Mendes e Marinês Lopes, descendentes dos primeiros moradores de Macapá. No Sábado da Aleluia elas recebem os participantes e convidados para a festa, que inicia com a inauguração da Biblioteca Cultural Gertrudes Saturnina.




Fé – Na Favela somente a Santíssima Trindade é louvada na festividade, que começa agora e só termina no dia de Corpus Christi. Ela é um dos Mistérios da crença católica, que acredita em um só Deus, formado pelo Pai, Filho e Espírito Santo. Familiares contam que dona Saturnina fez uma promessa para Santíssima pedido que sua filha Natalina engravidasse, e com a bênção alcançada, foi feito um almoço para doze crianças, que representam os apóstolos, que se repete até hoje.

Tradição e Respeito - Atualmente, para garantir sua manutenção da cultura sem causar problemas para a comunidade, algumas adaptações tiveram que ser feitas. Hoje os fogos só são estourados até 22h nos dias de festa, e o som que reproduz as caixas de marabaixo não ficam no volume máximo. Os Bailes dos Sócios foram substituídos pelas rodas de marabaixo alternativo, e, para ajudar a preservar o meio ambiente, somente um mastro é tirado no Curiaú, o outro é em acrílico. Outra medida é o incentivo dado para que as crianças tragam da mata muitas mudas para serem plantadas no bairro.

Programação – Este ano uma iniciativa da Associação vai contribuir para a preservação da história. No Sábado de Aleluia, às 16h, será inaugurada a Biblioteca Gertrudes Saturnina, com obras literárias e de arte de artistas com trabalho voltado para a cultura afro. Logo após inicia o marabaixo que encerra à meia-noite. A programação continua no dia 30 de abril, e mais dois marabaixos em maio. No mês de junho,  quatro rodadas completam o ciclo.  

Programação do Ciclo do Marabaixo 2014

ABRIL
Dia 19 – Sábado da Aleluia
16h – Marabaixo da Aleluia
- Inauguração da Biblioteca Cultural Gertrudes Saturnino
- Exposição das obras de: Piedade Videira (escritora)
                                            Ivaldo Souza (escritor)
                                            Elenilda (artesã)
                                            Egídio Gonçalves (artista plástico)
                                            Willian Cruz (artista plástico)
- Início da rodada de marabaixo
Dia 30 – Véspera do feriado
16h - Marabaixo do Trabalhador

MAIO
Dia 11 – Dia das Mães
16h – Marabaixo das Mães
Dia 24 – Sábado do Mastro
16h – Marabaixo do Mastro

JUNHO
De 6 a 14 – Atividades Religiosas
De 19h às 21h – Ladainha da Santíssima Trindade
Dia 8 – Domingo da Murta
De 16h – Marabaixo e levantamento do mastro às 7h do dia 9
Dia 15 – Domingo da Santíssima Trindade
De 8h às 18h
- Missa na casa da Dona Natalina
- Café da Manhã
- Almoço dos Inocentes
Dia 19 – Dia de Corpus Christi
18h –  Marabaixo de Corpus Christi - Encerramento




quarta-feira, 16 de abril de 2014

Renato Torres lança clipe de "Sim"



O cantor e compositor Renato Torres lançou ontem o clipe de sua música "Sim". Não se trata, porém, de um vídeo feito especificamente para a música, e sim um trecho do curta-metragem Tambatajá de Marrí, do cineasta Rudá Miranda, lançado no Cine Olympia (Belém) no ano passado. Conforme o próprio Renato explicou ontem no Facebook, a canção entrou de forma despretensiosa no filme, e foi elevada à categoria de canção-tema do amor tempestuoso entre Ossanha e Gente Boa nessa história singular de uma ilha no Pará (no caso, a ilha de Colares, onde o filme foi rodado). 

Este se tornou o primeiro registro oficial desta canção de Renato que integrava o repertório dos shows da cantora Luê a partir de abril de 2011, chegando a ser  incluída no CD virtual ao vivo do show Tu, Já Rainha que lançamos aqui pelo Som do Norte em dezembro daquele ano.




terça-feira, 15 de abril de 2014

Molho Negro lança clipe e single de "Concurso"



Concurso
De uns tempos pra cá, a grande meta da juventude brasileira deixou de ser mudar o mundo; se não todos, muitos se contentam em passar em um concurso público. Este, em linhas gerais, é o tema da nova música da banda paraense Molho Negro, lançada hoje como single e clipe através do site Tenho Mais Discos que Amigos. O lançamento antecipa o novo CD do grupo, que sai pelo mesmo site em 8 de maio. 

O som é o costumeiro do "Molho": rock de garagem, riffs no talo, bateria matadora. Visualmente, o clipe brinca com o tema da música - enquanto a letra descreve um processo de acomodação, semelhante ao da primeira música que a banda lançou ("Fliperama Superstar", de 2012), o clipe mostra justamente um momento de surto de quatro funcionários públicos - o que pode ser consequência de tantos sonhos represados e deixados de lado. 

Altamente recomendável. 


Quatro artistas do Norte concorrem ao 25º Prêmio da Música Brasileira

Foi divulgada hoje a lista dos artistas e discos que concorrem ao 25º Prêmio da Música Brasileira, cuja entrega acontece, como de hábito, no Rio de Janeiro, no dia 14 de maio. Como também é hábito, são pouquíssimos os artistas do Norte que foram indicados como finalistas. 

A nortista com mais indicações é a amapaense Patrícia Bastos, que novamente é apontada na categoria Melhor Cantora Regional, pelo CD Zulusa, indicado como melhor álbum regional. Novamente porque Patrícia já havia sido indicada para a mesma categoria em 2010 (relembre aqui). Patrícia concorre também a Artista Revelação, ao lado de dois grupos paulistas, o Bixiga 70 e o Vento em Madeira. A categoria Regional tem ainda o paraense Felipe Cordeiro indicado como Melhor Cantor. 

Fecham a lista de nortistas indicados a Banda Calypso (PA), como Melhor Grupo de Canção Popular, e o grupo Os Cariocas, liderado pelo paraense Severino Filho, na categoria Melhor Grupo de MPB, 





INDICADOS:
Artista revelação
• Bixiga 70, disco ‘Bixiga 70’
• Patricia Bastos, disco ‘Zulusa’
• Vento em Madeira, disco ‘Brasiliana’
Melhor grupo de canção popular
• Banda Calypso (‘Ao vivo no Distrito Federal’) 
• Cheiro de amor (‘Flores’)
• Monobloco (‘Arrastão da alegria’)
Melhor grupo de MPB
• Boca Livre (‘Amizade, Boca Livre’)
• Orquestra Criôla (‘Subúrbio Bossanova’)
• Os Cariocas (‘Estamos aí’)
Melhor álbum de música regional
• ‘3 Brasis’, de 3 Brasis, produtor gravadora Kuarup
• ‘Canta Gonzagão’, de Quinteto Violado, produtor Quinteto Violado
• ‘Zulusa’, de Patricia Bastos, produtores Du Moreira e Dante Ozzetti
Melhor cantor de música regional
• Felipe Cordeiro (‘Se apaixone pela loucura do seu amor’)
• Sérgio Reis (‘Questão de tempo’)
• Victor Batista (‘Manchete do tico-tico’)
Melhor cantora de música regional
• Bia Goes (‘Bia Goes’)
• Maria da Paz (‘Outro Baião’)
• Patricia Bastos (‘Zulusa’)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Diz Aí: Ronaldo Silva e Allan Carvalho

Allan Carvalho e Ronaldo Silva 
(foto: Fabio Gomes)

Entrevistamos no final da tarde desta segunda os cantores e compositores Ronaldo Silva e Allan Carvalho, que estão desde a semana passada fazendo shows e conhecendo colegas de Macapá. Em conversa realizada no hotel onde estão hospedados, no centro da cidade, ambos falam da alegria de estar no Amapá (Allan, inclusive, pela primeira vez), da parceria, dos CDs já lançados e em projeto e, naturalmente, do Arraial do Pavulagem. Ronaldo começa falando de como foi viabilizada a vinda para Macapá.





Nesta terça, 15 de abril, Ronaldo e Allan se apresentam no SESC Centro, a partir de 22h, com abertura de Sérgio Salles. Entrada franca. 



domingo, 13 de abril de 2014

Shows da Semana: Macapá

  • João Amorim - Museu Sacaca, 10.4.14
(Foto: Prsni Nascimento)


O artista interpretou músicas de seu recente CD Nômade, como a faixa-título, mais "Dia", "A Praça" e "Margaridas" (esta, atendendo pedido da platéia). Também mandou sucessos de Ed Motta, Marina Lima, Chico Buarque, Osmar Júnior e Djavan, entre outros. O show teve um momento erudito com a apresentação de "Valsa da Dor" (Heitor Villa-Lobos). Perto do final da primeira parte, enquanto tocava "Espanha" (Chick Corea), João surpreendeu a todos literalmente mandando pro chão o teclado Casio no qual tocou todo o começo do show. 

(Fotos: Fabio Gomes)

Kassia Modesto fez o momento da poesia...

... tendo Lorrana Maciel como uma das convidadas

  • Ronaldo Silva e Allan Carvalho - Diretoria, 11.4.14


Os dois músicos paraenses estão fazendo uma breve temporada em Macapá. No show deste sábado, lembraram sucessos do Arraial da Pavulagem, como "Canoinha da Guiné", além de temas de projetos paralelos - Allan, do grupo Quaderna (como "Biduin"), e Ronaldo de sua carreira solo. O público cantou junto hits como "Represa do Querer", "Uirapuru", "Tambor de Couro", "Merengue Latino", "Dança na Mata" e os carimbós tradicionais "Lua, Luar" e "Pescador". Allan fez um pot-pourri de brega, reunindo "Garçom", sucesso de Reginaldo Rossi, com a sua "Que Brega é Você?" e "Eleanor Rigby", dos Beatles. Houve diversas participações especiais: Enrico Di Micelli e Patricia Bastos cantaram "Estamparia", do CD inédito Timbres e Temperos. Patrícia cantou, acompanhada por Enrico, "Eu sou Caboca" (faixa-título do seu quarto CD) e "Gogó do Nego" e, já com Allan Carvalho ao violão, "Canoa Voadeira" (que abre o novo disco Zulusa). Patrícia tambem dividiu com Brenda Melo os vocais de "Domingo de Páscoa", tendo o autor, Paulo Bastos, ao violão. Também participaram os cantores-compositores Paulo Bastos e Sergio Salles e o saxofonista paraense Alexandre Pinheiro, que também se encontra em Macapá nesta semana. 




Patricia Bastos, Allan Carvalho, Franklin Furtado
e em segundo plano, Paulo Bastos e Alan Gomes

Brenda Melo, Patrícia Bastos, Enrico Di Micelli, Paulo Bastos
e Nena Silva (ao fundo, à direita)

Quem não conseguiu ver, ou quer ver novamente, Ronaldo Silva e Allan Carvalho, não precisa se preocupar: eles participam do show de Sergio Salles no Projeto Botequim do SESC Centro nesta terça, 15 de abril. 

  • Jota Mambembe - Shopping Vila Nova, 12.4.14


Foto: Taty Taylor

O artista apresentou composições próprias, além de sucessos dos anos 1970-80, com destaque para músicas "lado B" de Belchior, Cazuza, João Bosco, Tim Maia e Renato Russo. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Foi Show: Duas Águas


A  cantora Carmem Peniche comandou ontem uma grande noite de Arte com A maiúsculo no SESC Centro (Macapá).  Como vemos no cartaz, a atração do Projeto Botequim era seu show Duas Águas. O título vem a propósito de Carmem ser do Pará e estar radicada no Amapá. Mas a noite não se restringiu apenas a seu show (o que não seria problema algum, digo desde já, pois o show foi ótimo). 

Primeiramente, tivemos um pré-show com o cantor e compositor João Amorim (ao lado, em foto de Prsni Nascimento), que perto das 21h40 começou a mostrar faixas do seu CD Nômade, recentemente lançado, junto com sucessos de Ed Motta.  

Passado pouco das 22h, iniciou-se uma roda de poesia, com a ilustre presença do convidado especial Jorge Andrade, poeta e letrista vindo especialmente de Belém para a ocasião. Participaram também poetas locais - Kassia Modesto, Annie Carvalho, Andreia Lopes, Lorrana Maciel, Jubson Blada e Lia Borralho, interpretando poemas próprios e ainda clássicos de Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Eliakin Rufino, além de textos do próprio Jorge Andrade. 


Jorge Andrade
(esta e as demais fotos do post: Fabio Gomes)

O início do show Duas Águas já foi de arrepiar. Sob uma chuva de papel picado prateado (tá, meu bem?), Carmem soltou o vozeirão à capella cantando um trecho de "Minha Noite é de Manhã" (Pedro Holanda). Logo em seguida, já acompanhada pela banda (formada por José Maria Cruz - violão, Taronga - baixo e Fábio Mont'Alverne - bateria), trouxe um clássico paraense, "Flor do Grão-Pará" (Chico Sena). 




Se teve boa parte do roteiro dedicada a autores do Norte - como "Pássaros do Meu Canto" (Osmar Júnior - Ademir Pedrosa), "Canção de Amor e Rio" (Sóstenes), "Meu Grande Amor" (Eudes Fraga), que Carmem dedicou a seu marido, e "Porto Caribe" (Paulo André - Ruy Barata) -, o espetáculo também navegou em águas de outras regiões, trazendo sucessos como "É d'Oxum" (Gerônimo), "Moro Longe" (Vanessa da Mata) e "O Meu Amor" (Chico Buarque). 


Após interpretar uma música de Ademir Pedrosa,
Carmem chamou o compositor ao palco para conversar com a platéia

Igualmente, após cantar uma música de Jorge Andrade,
chamou-o novamente ao palco para mais um momento poético

Após novo momento de poesia com Jorge Andrade, começaram as participações especiais. Enrico Di Micelli cantou sua parceria com Jorge, "Estamparia", ao lado das cantoras Patrícia Bastos e Brenda Melo. Em seguida, Brenda fez o único número solo de convidada, interpretando "Tática", canção  também de Enrico e Jorge que intitula o CD que ela já tem gravado. 


"Tática"  - Brenda no vocal e Enrico Di Micelli ao violão


Seguiram-se as participações especiais: com Josy di Lima, Carmem cantou "Filho da Bahia" (Walter Queiroz). Com Mayara Braga, "Dona da Maré" (música da própria Carmem em parceria com Edson Duarte, tema que já tem pinta de sucesso). Com Brenda Melo, "Mal de Amor" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes) - ficou lindo o lamento no final, em que Carmem manteve a voz grave, e Brenda fez um agudo com alguns toques líricos. Com Alexandra Moraes e Mayara Braga, "Canadá" (Jana Figarella). Com Taty Taylor, “A Brasileira” (Alfredo Reis - Príncipe). Taty Taylor cantou ainda "Segura Tua Saia", um marabaixo-batuque de sua autoria, com Mayara Braga. 


Josy di Lima e Carmem

Brenda Melo e Carmem

Taty Taylor e Mayara Braga


Alexandra Moraes, Carmem e Mayara

Carmem e Taty Taylor


terça-feira, 8 de abril de 2014

Veja "Despedida", o novo clipe da Strobo



O site Natura Musical lançou ontem o novo clipe da banda paraense Strobo. Dirigido por Lucas Escócio, "Despedida" é um single do 3º CD do grupo, disco este que será lançado oficialmente só no segundo semestre.

"Despedida", que vai encerrar o disco, difere um pouco da vibe costumeira dos sons da banda, por se tratar de um tema mais lento. Além da guitarra de Léo Chermont e da bateria de Arthur Kunz, a faixa conta com um piano sintetizado.

O clipe foi gravado em Belém, em um casarão e nas ruas da Cidade Velha, em fevereiro passado (no período do ano conhecido como "inverno amazônico" - inverno no sentido de que o calor é um pouco menor e pode acontecer de chover o dia inteiro).

Baixe aqui a música

sábado, 5 de abril de 2014

Foi Show: Una - Juliana Sinimbú

O show Una, que Juliana Sinimbú apresentou no Theatro da Paz em 28 de março, marca o início de uma nova fase da carreira da cantora - antes e depois dessa noite. Afinal, não é toda hora que uma jovem artista do Pará consegue lotar o mais importante teatro do Estado para levar ao público um show que reúne, majoritariamente, composições autorais. É por esta razão que considero este show um divisor de águas na trajetória de La Sinimbú.

Foi um show impecável, irretocável, Arte com A maiúsculo. E isso sem grandes firulas, nem necessidade de recorrer a quaisquer artifícios. Juliana apostou em colocar a (sua) música como protagonista e acertou em cheio. A soma de vários detalhes formando um todo coeso e fascinante. 

Já quando as cortinas do Theatro se abriram e deixaram ver uma luz trabalhada assim...

Foto: Lays Bastos


...era possível se dar conta de que o que iríamos presenciar não era algo muito comum pelas bandas da capital paraense. De início, estava a banda (à esquerda, Donatinho - teclados e direção musical, Renato Torres - violão e Kleber Benigno - percussão; à direita, Edvaldo Cavalcante - bateria, Príamo Brandão - baixo e Davi Amorim - guitarra) posicionada, e um feixe de luz apontando para um centro de palco com um pedestal sem microfone nem ninguém - sim, pois Juliana veio da coxia cantando o começo de "Clarão da Lua", canção de Almirzinho Gabriel que abre o CD Una. Em seguida, ela interpretou sua lambada "Simpatia", já dançando um pouco. A partir da terceira música, Juliana passou a ficar mais solta, circulando com o microfone tanto à direita quanto à esquerda do palco (nessas horas era possível ver como ela estava radiante por estar vivendo aquela noite tão especial). 



Juliana cantou todas as músicas do novo CD, e também trouxe algumas surpresas, como o tango "El Día que me Quieras" (Carlos Gardel - Alfredo LePera), cantando num espanhol bem superior à média do que se costuma ouvir de intérpretes brasileiros, além de duas canções que faziam parte do CD Sonho Bom de Fevereiro, que gravou em 2010 mas não chegou a lançar: "Flor da Idade" (Chico Buarque), onde dividiu o vocal com Renato Torres, que foi desta forma a única participação especial do show (pena que o som do microfone de Renato estava bem baixo, felizmente isso não chegou a prejudicar o resultado final), e "Santuário do Pau de Aroeira" (Caê Rolfsen - Vicente Barreto).

Entre as melhores interpretações da noite, destaco "Vodka" (Juliana Sinimbú) e "Nua Idéia" (clássico de seus ídolos João Donato e Caetano Veloso, lançado por Gal Costa em 1990). Um dos momentos mais belos do show foi a interpretação de "Delicadeza" (Juliana Sinimbú) , música que no CD conta com uma orquestra de cordas do Rio de Janeiro, e que para o show - na impossibilidade de se contar com a mesma formação que gravou - ganhou arranjo igualmente belo e sensível de Donatinho. Foi merecidamente um dos momentos mais aplaudidos. 

Também destaco "Para um Tal Amor", arrocha no qual Juliana fustiga os canalhas que estraçalham os corações femininos; chega a, durante o solo, desejar literalmente o fim deles: Morre, canalha! Perto do final da canção, a banda pára de tocar, Juliana se debruça no microfone (isso, veja a foto abaixo)...


Foto: Aluísio Almeida

... há uma pausa dramática, a banda retoma e ela arremata com um suspiro, voltando a cantar por diversas vezes "Ai meu coração! ai ai..."

Bem humorada, logo após cantar "Pra Você Voltar", Juliana revelou que a compôs como samba para que assim outras pessoas considerassem a hipótese de gravá-la. Para não ter dúvidas de que o recado chegaria às pessoas certas, acrescentou: "Viu, Arthur (Espíndola)? Viu, Gigi (Furtado)?".

No geral, Juliana demonstrou controlar bem a emoção que visivelmente sentia. Apenas, durante uma repetição do refrão de "Quero Quero" (Iva Rothe), ela parou de cantar um breve momento, deixando soltas as vozes em falsete feitas por Donatinho e Renato, mas logo prosseguiu normalmente.

No show como um todo, Juliana Sinimbú mostrou-se uma compositora inspirada, uma intérprete segura, uma artista que domina seu habitat - o palco - e que está pronta para alçar vôos maiores.

  • Após o show, já no saguão do Theatro, enquanto atendia pedidos de fotos e autógrafos dos fãs, Juliana abriu uma exceção para me conceder esta brevíssima (rapidola) entrevista.