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domingo, 9 de março de 2014

Até dia 18, Dossiê de Registro do Carimbó está aberto para consulta pública; participe!

Fotos: Cris Salgado e 
Elielton Amador


Diversas lideranças do carimbó - mestres, músicos, dançarinos, pesquisadores, vindos de cidades próximas a Belém e da Região do Salgado - se reuniram na sede regional do IPHAN no Pará, na quinta, 6 de março, para debater o dossiê de registro do Carimbó como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Até o dia 18 de março, qualquer pessoa pode consultar o dossiê e contribuir com sugestões ou correções. (Acesse a notícia no site do IPHAN onde constam os links do dossiê e do inventário de referências culturais do carimbó). 

O encontro foi aberto com uma roda perto de 10h30 da manhã, onde cada participante falou de sua relação com o carimbó e expectativa em relação ao registro. Antes disso, várias equipes de reportagem estiveram no local entrevistando os mestres e lideranças do movimento - podemos citar as TVs Liberal, Cultura, RBA e SBT, as rádios Cultura e Liberal, o jornal Amazônia, o site Pará Música e o blog Som do Norte. O debate sobre o dossiê apresentado pelo IPHAN se estendeu até perto de 16h. 



É necessário destacar o ineditismo desta consulta. Usualmente, quando o IPHAN realiza o registro de um bem cultural brasileiro, após a fase de pesquisas elabora um dossiê e um inventário que são analisados por seu Conselho Consultivo, que aprova (ou não) o registro do bem. Porém, os coordenadores da Campanha Carimbó Patrimônio, argumentando que, uma vez publicado o dossiê, este se tornará a maior referência disponível sobre o carimbó, entenderam pela necessidade de terem acesso ao documento, para se assegurar que este de fato contenha as informações corretas. Isto nunca foi solicitado antes, e olhem que o IPHAN já registrou o samba de roda da Bahia, o tambor de crioula do Maranhão, o frevo pernambucano, entre outros importantíssimos bens culturais brasileiros. Faço votos de que esta etapa de consulta pública a partir de agora seja incorporada ao ritual de registro dos bens culturais a serem tombados pelo instituto (lembrando que atualmente se realiza no Amapá a pesquisa de campo visando o registro do marabaixo como patrimônio imaterial). 

A expectativa é de que, finalizada a consulta e incorporadas as correções e sugestões, o Conselho Consultivo do IPHAN se reúna (a princípio, em Brasília, mas a Campanha pretende solicitar que a reunião aconteça em Belém) e decida pelo registro do Carimbó como patrimônio imaterial brasileiro ainda neste primeiro semestre. De todo modo, o registro deve acontecer ainda este ano, como a ministra Marta Suplicy declarou ao Som do Norte em janeiro. 

Ouça na seqüência quatro entrevistas realizadas pela manhã. Primeiro, Mestre Manoel, do Grupo Uirapuru, fala à TV Liberal da luta dos carimbozeiros para a preservação do carimbó de raiz (ao final, conta ao Som do Norte sobre o bloco do Zimbarimbó, que tem desfilado nos carnavais de Marapanim). Depois, Isaac Loureiro, coordenador-geral da campanha, chega a ser poético ao falar da relação do carimbó com a natureza; ele destaca também o crescente interesse dos  jovens paraenses pelo autêntico carimbó. As outras duas falas trazem relatos sobre a resistência que representa manter o carimbó vivo em Belém: Nego Ray (foto), do espaço cultural Coisas de Negro, comenta a roda de carimbó que o espaço realiza todos os domingos há 14 anos, e Neire Rocha, diretora do Grupo Sancari, lembra a roda que o grupo comandava todos os sábados por volta de 2010. 


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