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domingo, 26 de janeiro de 2014

Foi Show: Emília Monteiro

Fotos: Sergio Malcher



Foi show a primeira apresentação de Emília Monteiro em Belém. A amapaense, com ligações familiares com a capital do Pará (terra de seu avô), lançou ontem na cidade seu CD Cheia de Graça, lotando o auditório do SESC Boulevard. 


Ao lado da Banda Boto (formada apenas por músicos do Amapá), Emília mostrou alguns dos principais sucessos do disco, como "Córrego Rico" e "Descalço" (destaco "Mandacaru", com tintas mais roqueiras que a gravação, que abriu o show e depois foi o único número do bis, e "Coisinha", onde foi notável a mudança de clima da interpretação de Emília, combinado com o arranjo e a efeitos na luz, na parte que começa O dono mandou me chamar, coisinha....). 

Emília praticamente não parou de dançar, convidando 
sempre o público a fazer o mesmo. Poucos fizeram.


Fora do repertório do CD, cantou "Proposta Indecente", de Dona Onete, gravado por Aíla em dueto com a autora (outra que na segunda parte teve uma pegada bem roqueira. Sentada a meu lado na platéia, Dona Onete comentou comigo: Minha música virou rock!), "Pimenta com Sal", de Eliakin Rufino, e, já perto do final, "Ai Menina" (Lia Sophia) e "Sinhá Pureza" (Pinduca). Esta parte final, mais agitada, foi coroada com uma brilhante execução de "Mão de Couro" (Val Milhomem - Joãozinho Gomes), onde Emília abriu e encerrou fazendo em vocalise a parte dos metais na gravação, e onde bateria e percussão fizeram com que por breves minutos o SESC Boulevard se tornasse um pouco o Curiaú. Foi merecidamente um dos números mais aplaudidos. Aliás, a banda deu um certo ar de marabaixo a quase todo o show (com exceção das passagens roqueiras).

Emília impagável ao simular a disputa com Dona Onete
por um moreno em "Eu Quero esse Moreno pra mim"


Pouco antes de chamar Dona Onete ao palco, Emília cantou "Veneno de Cobra" e aproveitou para contar de sua surpresa ao se deparar com um vídeo de Onete no YouTube, na época da pesquisa de repertório para Cheia de Graça. Encantada, conseguiu o contato da compositora e lhe telefonou, pedindo para gravar o "Moreno Morenado". Onete disse que não seria possível, pois "esse moreno já está comprometido comigo e com o Terruá Pará". Mas pediu que Emília não ficasse triste, pois Onete faria outro moreno especialmente para ela. Qual não foi a surpresa de Emília ao receber de Onete, dois dias depois, a música "Eu Quero Esse Moreno pra Mim"! Este foi um dos pontos altos do show; diferentemente do CD, onde Onete apenas participa com falas, aqui as duas cantaram juntas, simulando de fato uma disputa pelo tal moreno dos olhos verdes. 

"Olha lá Dona Onete, não é ele que vem chegando?
O moreno dos olhos verdes?"


Onete também cantou, sozinha com a Banda Boto, o "Moreno Morenado" (que arrancou suspiros da ala feminina da platéia), e, com Emilia, o grande sucesso "Jamburana" (com Onete 'regendo' as subidas e descidas de Emília nos trechos e o jambu vai descendo, vai descendo... e o jambu vem subindo, vem subindo...). 

Dona Onete também me comentou sobre a presença de palco de Emília, que lhe lembra, nesse quesito, a postura cênica de Fafá de Belém. E disse que prevê um belo futuro para sua afilhada artística. Assim esperamos!

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