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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

IAP lança documentários sobre rock e samba do Pará

Texto e fotos: Raissa Lennon,
de Belém

Saudosismo, no dicionário da língua portuguesa significa que sente, procura ou revela saudades; nostálgico. Talvez essa palavra defina um pouco o que algumas pessoas sentiram no auditório do Instituto de Artes do Pará (IAP), em uma noite de quarta-feira, do dia 18 de dezembro, ao assistir ao documentário Rádio 2000, dirigido pelo músico e publicitário Erik Lopes.

O filme relembrou um momento próspero do rock autoral alternativo paraense, que há dez anos fervilhava com sons de bandas como Eletrola, Suzana Flag e Stereoscope. Uma época em que, com poucos recursos, lotavam-se casas de shows, com público que chegou a ser de 2 mil pessoas em uma única noite. Como isso aconteceu? É o que alguns músicos, produtores e jornalistas tentam explicar no doc que foi o resultado da Bolsa de Criação, Pesquisa, Experimentação e Divulgação Artística (2013), promovido pelo IAP, dentro da programação do Circuito das Artes.

No vídeo, Camillo Royale (ex-Eletrola, atualmente guitarrista e vocalista da Turbo), conta emocionado histórias do rock em 2000, dos cartazes toscos colados na parada de ônibus, dos poucos recursos eletrônicos que tinham, e de o como o rock é essencial para a vida dele. Elder Effe (ex-Suzana Flag, atualmente em carreira solo), também conta como o público era interessado e comparecia em “peso” nos shows, o que agora é mais difícil de acontecer, porque o público está disperso, em sua opinião.

Erik Lopes

Esse e outros depoimentos podem ser vistos em Rádio 2000, que também mostra alguns shows memoráveis da época e músicas marcantes. “Eu vivi uma parte daquilo tudo, e foi daí que a idéia surgiu. Em minhas conversas com os músicos, percebi que eles tinham muita história para contar, e uma importância muito grande na cena roqueira de Belém”, conta o idealizador do projeto e diretor do filme, Erik Lopes. “Na década de 2000 existia uma pluralidade de coisas acontecendo, mas o foco do documentário foi a cena mais pop rock, porque não dava para falar sobre tudo”, explica.

Para Erik, o principal objetivo do vídeo é dar visibilidade para as bandas daquela época, e também serveir como um documento, um registro de que aquilo aconteceu, para não ficar esquecido. “Além do mais, é um impulso para incentivar essa nova geração que está fazendo música na cidade”, acredita. Erik Lopes, que dirigiu e editou o documentário, e contou com a colaboração de Zek Nascimento na produção, Karina Menezes e Monique Malcher no roteiro e assessoria de imprensa, e Marcelo Sarmento como designer. 

Amazônia Samba

Na mesma noite, outro produto audiovisual de alta qualidade lançado no Instituto de Artes do Pará, como resultado da bolsa de pesquisa: trata-se de Amazônia Samba, uma iniciativa do sambista Arthur Espíndola, do diretor e roteirista Pedro Vianna, com a realização da produtora Narjara Oliveira.

O Amazônia Samba é uma série de programas que tem o intuito de divulgar e contar histórias do mundo do samba com gente da Amazônia. O Som do Norte já divulgou o primeiro episódio, que estreou no YouTube na quarta (18), e destaca a entrevista de Edmundo Souto. O segundo episódio, que será lançado em janeiro, trará a entrevista com Toninho Nascimento, sambista compositor de vários sucessos eternizados em vozes como as de Clara Nunes e Elza Soares. Os dois episódios foram exibidos no IAP, no último dia 18, na estreia oficial do programa.

Segundo Arthur Espíndola, a ideia é que outras edições do programa sejam lançadas em 2014. “Ainda estamos atrás de patrocinadores, mas tenho certeza que tem muita gente a fim de apoiar este projeto”, contou entusiasmado, o artista. “Queria mostrar a obra de alguns artistas e o trabalho deles, daí surgiu a ideia do projeto, o Edmundo Souto e o Toninho têm clássicos da música popular brasileira, e saber dos bastidores dessas canções em um registro é maravilhoso, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode ter contato”, comentou Arthur.

 Arthur Espíndola

Para ele, a importância principal do Amazônia Samba é justamente essa, ter em arquivo a contribuição desses artistas para a música, suas composições e histórias. Além disso, no vídeo outros cantores regionais interpretam os sucessos dos entrevistados, como Larissa Leite, Gigi Furtado e Pedrão Frade. “Não tinha melhor forma de homenagear esses compositores do que as belíssimas interpretações dessa gente talentosa da nossa região”, elogia Arthur Espíndola, que também canta no programa.



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