Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Aquiles Reis: "Emília Monteiro vive de cantar e voar"

por Aquiles Reis*

Emília Monteiro é macapaense. Nascida para viver o destino reservado aos que crescem no meio de uma floresta, se fez cantora. Ainda que hoje viva em Brasília, seu canto tem o brilho da mata amazônica e sua voz é banhada pelas águas do rio mar.

Embora hoje a música do Pará seja reconhecida e divulgada no restante do país (e não sem razão, é bom que se diga), a música do Amapá ainda não tem o reconhecimento merecido por sua diversidade rítmica e poética. Pois, assim como Belém, Macapá também é palco de grandes manifestações da cultura popular trazidas pelos negros africanos: marabaixo, batuque, carimbó, dentre outros.

Dessa miscigenação musical, típica do Norte brasileiro, deriva a energia de Emília Monteiro em Cheia de Graça (independente), seu primeiro CD. Os tambores traduzem a atmosfera da floresta. As melodias, embaladas por incrível suingue, têm a beleza de uma vitória-régia. Os versos revelam mistérios que se esgueiram como a onça em busca da presa. Música que a ventania leva adiante, como o oxigênio vai pulmões adentro. Músicas encantadas que falam de uma Amazônia que só conhecem os que lhes conhecem as entranhas.

Assim, plenos de mistérios, a Amazônia e o Amazonas soam trombetas para anunciar que mais uma de suas filhas está apta a brilhar. E ela vem toda faceira lá de Macapá, via Brasília, afinada, suingada, brejeira, abençoada pela densa mata da Amazônia.

Tudo começa com "Mandacaru" (Nanon), um batuque-jazz pleno de guitarras e tambores. A força da cantora se expõe.

"Veneno de Cobra" (Dona Onete), que tem participação da autora cantando com Emília, é um dançante "zouk love" (ritmo vindo das Antilhas), onde brilha o naipe de metais.

"Mal de Amor" é um marabaixo composto por Joãozinho Gomes e Val Milhomem. Os tambores pontuam uma trágica história do ciúme: (...) O amor do nego não foi brincadeira/ Por Madalena nego quis se matar/ No peito a chama, na mão a peixeira/ E uma tristeza a mais, dentro do olhar/ (...) é um batuque/ Cantou o lamento dos saramacás/ E guardou calmamente a peixeira no coração (...). Também de Joãozinho e Val, "Mão de Couro" é um batuque arretado. Os sopros se juntam às peles dos tambores e criam um ritmo ardente.

 Uma das belas canções do CD é "Meus Ventos" (Márcia Tauil - Simone Guimarães). Delicada, a melodia permite que percebamos com clareza toda a beleza da voz de Emília. Versos líricos, sobre arranjo enxuto, dão-lhe a chance de se revelar por inteiro. Meu Deus!

Como todas as cantoras nascidas no Amapá, Emília vive de cantar e voar feito o pássaro que se põe sobre as copas das árvores mais altas da floresta. Sua veia musical iguala em beleza o fruto que brota e amadurece nos galhos. Maturada, se faz consistente. Graças ao orvalho, sua pele reflete o tom de um povo criador. Brotada em meio ao mistério impenetrável da Amazônia, seu canto é o sumo nascido do ventre de um feitiço que percorre a floresta.


* Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB-4 

Publicado em Domingo, 22 Setembro 2013 22:58 em


Música do Dia: Amor de Promoção

A Música desta quinta, 26, é "Amor de Promoção", a canção que abre o novo CD de Lia Sophia, batizada com o nome da artista. 

Esta composição foi lançada por Lia em seu 2º Baile BregaChic, realizado em 18 de dezembro de 2010 no Bar-Teatro Vitrola (Belém), hoje extinto. Desde então, passou a ser número obrigatório no repertório dos shows da cantora, inclusive em sua participação no show de Gaby Amarantos no Teatro Oi Futuro (Rio de Janeiro), em 23 de março de 2012, sendo cantando em dueto pelas duas intérpretes. A primeira gravação de "Amor de Promoção" ocorreu em 2011, sendo veiculado num EP virtual que continha ainda "Ai Menina" (um dia a TV Globo encontrou este EP ao procurar músicas para a trilha da novela Amor Eterno Amor e o restante vocês já sabem ;)

Para a inclusão no CD Lia Sophia, a música foi regravada, tendo a participação especial do guitarrista Chimbinha, da Banda Calypso. Esta faixa foi a escolhida pela Natura Musical, patrocinadora do disco, para ser disponibilizada para download gratuito promocional do disco, em 25 de julho de 2013. O  clipe da canção foi apresentado aos fãs de Lia no show de lançamento do CD, no anfiteatro da Estação das Docas (Belém), em 20 de setembro de 2013. Na mesma data, o vídeo estreou no canal da cantora no YouTube. 

"Amor de Promoção", o clipe, tem direção de Larissa Bezerra, produção executiva de Taísa Fernandes e, no elenco, o guitarrista Luiz Félix Robatto estreando como ator no papel de um bicheiro Goretti Ribeiro como "La Mujer", mais  Rafael Barbosa e Domênica Nepomuceno, além da participação especial de Maderito (da Gang do Eletro, que aparece em pé no ônibus bem no começo do clipe) e a erveira Beth Cheirosa (do Mercado do Ver-O-Peso). A banda que toca com Lia no clipe é formada por  Adelbert Carneiro (contrabaixo), Daniel Delatuche (trompete), Davi Amorim (guitarra), Edvaldo Cavalcante (bateria), Jó Ribeiro (trombone) e Márcio Jardim (percussão) - os mesmos que gravaram a música no CD, junto com Chimbinha, que não tomou parte no clipe. 


domingo, 22 de setembro de 2013

Foi Show: Seletivas do Se Rasgum 2013

Noticiamos em primeira mão na madrugada deste domingo as bandas classificadas nas Seletivas do Festival Se Rasgum 2013, bem como as primeiras atrações confirmadas para o evento que acontece de 11 a 16 de novembro em Belém (http://somdonorte.blogspot.com.br/2013/09/se-rasgum-anuncia-primeiras-bandas-da.html).

É hora então de comentarmos as apresentações das dez bandas que concorreram às quatro vagas. De forma geral, todas estiveram bem e demonstraram condições de estar no palco da 8ª edição do festival. O nível elevado das atrações, que expressaram boa parte da diversidade da cena paraense, com certeza deu bastante trabalho aos jurados Anderson Araújo (jornalista), Cláudio Darwich (músico) e Léo Bitar (DJ). Também votou o público presente ontem no Hotel Gold Mar. Enfim, foram três horas e meia de muito som (contados do começo do show de Juca Culatra, às 21h46, até o final porrada com All Still Burns, às 1h19 já deste domingo). Vamos pela ordem de entrada no palco:

  • Juca Culatra - Representou o reggae na noite. Cantou músicas do primeiro CD, de 2011 ("Crioulo Doido" e "Brócolis") e do novo Breggae ("Minha Amiga", com a qual abriu o show). Foi o único que cantou para um público ainda reduzido no Gold Mar. 


  • A República Imperial - A banda, formada por 8 integrantes, é recém-criada. Tanto que ontem realizou seu primeiro show (simm!). Mas nem parecia, tal a desenvoltura que demonstrou. Seu som pop, com influências de bolero cubano (evidenciadas pelo trompete), contagiou o público que já começava a se fazer mais numeroso. Foi uma das belas surpresas das Seletivas. 

  • Cais Virado - Outra que contagiou o público, principalmente a partir da segunda canção, quando a banda entrou firme no rock  (já que a primeira, "Sobrenome", do single de estréia da banda, é mais lenta). Até a vocalista Keila Monteiro tirou o sapato para dançar mais à vontade no palco. 

    Projeto Secreto Macacos
  • Projeto Secreto Macacos - Sua experimental mistura de jazz e rock, que entusiasmou o cantor Otto no Se Rasgum de 2010, pendeu bem mais para o rock na noite de ontem, num set bastante pesado. Foi uma das classificadas.

  • Enfim Nós - Surgida em 2011, tem feito poucos shows desde então. Apresentou canções pop bem construídas. Destaque pra canção que fechou o set, "O Velho Fatorial". 

  • Meio Amargo - Outra banda novíssima, comemorava ontem o lançamento de seu primeiro EP dois dias antes. Foi a única banda a ter uma certa mise-en-scène - começou com o vocalista Lucas Padilha tocando violão sozinho no palco, em seguida os outros três integrantes foram até o microfone da bateria e, apenas mexendo a boca, simularam estar cantando o rock-balada. As músicas seguintes foram mais dançantes. 

  • The Tump - Única representante do interior na noite (os músicos são da cidade de Peixe-Boi). Fiel à sua proposta de "no guitars", tem dois baixos e uma bateria. A baixista e vocalista Bárbara Lobato consegue fazer seu baixo soar às vezes como guitarra. Iniciou o set com uma canção em espanhol. e foi uma das bandas mais aplaudidas da noite. 

    Arthur Espíndola
  • Arthur Espíndola - Fez uma apresentação concisa (tanto que usou apenas 11 dos 15 minutos a que todos tinham direito), mandando três sambas de sua autoria, incluindo o já sucesso "Tô Fora de Moda". Colocou todo mundo pra dançar e foi um dos classificados. 




  • Som do Pau Oco - O grupo de carimbó comandado por um paulista (que confessou ter se apaixonado pelo ritmo ao conhecê-lo na praia de Algodoal) também fez todo o Gold Mar dançar. O set da banda teve a única participação especial da noite, a da cantora Nanna Reis (que, depois de dividir os vocais na divertida "Amigos do Tchochó", foi reforçar a percussão). Foi uma das classificadas.

All Still Burns
  • All Still Burns - A banda encerrou a noite com muito metal, exibindo suas influências que vão do metal core ao death metal melódico. Fez muita gente banguear e foi uma das classificadas.




Encerrando a noite, houve o show do cantor Wado, catarinense radicado em Maceió, e que não voltava a Belém desde o Se Rasgum de 2008. Foi durante seu show que se anunciaram as bandas classificadas pelas Seletivas.

Se Rasgum anuncia primeiras bandas da edição 2013

O Festival Se Rasgum anunciou nesta madrugada as primeiras bandas confirmadas para sua oitava edição, a se realizar de 11 a 16 de novembro em Belém. 

Há 25 minutos, o cantor  Wado, que faz no Hotel Gold Mar (Belém) o show de encerramento desta prévia do festival Se Rasgum, leu a lista, entregue pelo produtor Marcelo Damaso, das bandas classificadas nas Seletivas. Veja aqui, em primeira mão, os classificados:

1º Projeto Secreto Macacos

2º Arthur Espíndola

3º Som do Pau Oco

4º All Still Burns


Também foram anunciadas as primeiras atrações de fora já confirmadas para o evento:

- Jards Macalé (RJ)

- Tom Zé (BA)

- Tulipa Ruiz (SP)

- Los Peyotes (Argentina)

- Mukeka di Rato (ES) 

sábado, 21 de setembro de 2013

Foi Show: Lia Sophia e Juca Culatra

Ontem Belém foi palco de dois belos shows - Lia Sophia lançando seu quarto CD e Juca Culatra gravando seu primeiro DVD (fora inúmeras outras atrações e atividades que têm feito a cidade ferver ultimamente não só no sentido climático).



Lia se apresentou em palco montado à frente do anfiteatro existente na área externa da Estação das Docas, área central da capital. Em show de pouco menos de duas horas (iniciado a partir das 21h07), a cantora e compositora apresentou todas as canções gravadas no novo disco, seu primeiro intitulado apenas Lia Sophia

Na abertura, cantando "Quando Eu te Conheci" (Dona Onete), Lia surpreendeu entrando em cena segurando um guarda-chuva e vestindo uma capa de chuva, a qual despiu teatralmente em meio à sensual canção (perto do telão à direita do palco, um grupo gritou nessa hora para ela tirar o restante, chamando a cantora de gostosa!). Demonstrando estar muito feliz com o lançamento e a presença maciça de público, Lia alterou parte da letra de "Que Sorte" para saudar a platéia: Que sorte a minha encontrar vocês aqui! (no original, o pronome está no singular). Mais tarde, foi ela a surpreendida pelos fãs ao iniciar "Cheio de Flor" (Lia Sophia - Edvaldo Cavalcante): as pessoas que estavam próximas ao palco começaram a sacudir flores artificiais que haviam recebido da produção do espetáculo sem que Lia soubesse. O  vestido amarelo da foto que abre o post foi o figurino da parte final do show, que abriu com o grande sucesso "Ai Menina", que foi também a última do bis a pedido do público (após encerrar com "E se Quiser", parceria com Jade Guilhon, Lia cantou uma versão acústica de "A Natureza das Coisas", de Flávio José, como um incentivo para que as pessoas façam como ela própria, Lia, e não desistam de seus sonhos. Bela como mensagem, seu andamento bem lento destoava do clima dançante da maior parte do espetáculo). 


O show teve diversas participações especiais - além do guitarrista Luiz Félix Robatto, co-produtor do CD junto com Lia, que participou de praticamente o show inteiro (incluindo o reforço à percussão junto com Márcio Jardim, do Trio Manari, no set romântico que lembrou o terceiro CD da cantora, com "Amor Amor", de Magno e André Carlos, e "Ao Pôr-do-Sol", de Firmo Cardoso e Dino Souza). Ao lado do já citado Trio Manari, Lia cantou a música que abre o novo CD do grupo, "Santeria Cubana" (nesta hora, a cantora tocou percussão junto com Luiz Félix, cabendo a Kléber Benigno, do Trio, tocar banjo). Com a violinista Jade Guilhon, d'O Charme do Choro, Lia tocou "Beleza da Noite" (Mestre Curica) e "Eu Sou o Caso Deles" (Moraes - Galvão), clássico dos Novos Baianos que dedicou a seus pais, presentes na platéia. Ao lado de Mestre Vieira, que saudou como um dos responsáveis pela atual projeção dos artistas paraenses na mídia nacional, Lia cantou "Você Voltou pra Mim", tema que os dois já haviam gravado no DVD de 50 anos de carreira do Mestre (cujo lançamento foi anunciado para o mesmo anfiteatro da Estação das Docas, no próximo dia 25 de outubro, uma sexta).

Lia cantou ainda "Salto Mortal", música sua que em 2011 chegou a ser anunciada como faixa-título do 4º CD, porém sem ter sido incluída no álbum ora lançado. De outros artistas, interpretou "Desafinado" (Tom Jobim - Newton Mendonça) e "Tudo pela Metade" (Marisa Monte - Nando Reis), além de dar uma palhinha de "Só no Charminho", da Gang do Eletro, logo após cantar "Um Beijo", parceria com Felipe Cordeiro. 

Um momento que destaco particularmente como de grande emoção foi quando cinco caixas de marabaixo (tocadas pelo  Trio Manari,  Edvaldo Cavalcante  e a própria Lia) acompanharam a interpretação dos marabaixos "Aonde Tu Vai, Rapaz?" (Raimundo Ladislau) e "Rosa Branca Açucena". Este set homenageou as raízes amapaenses de Lia, filha de paraenses nascida em Caiena (Guiana Francesa) e criada dos 2 aos 17 anos em Macapá. 

Foto: Thiago Araújo

Se a palavra para definir o show de Lia foi "encantamento", a melhor definição para o de Juca Culatra seria "bom humor". Esta característica do artista foi fundamental para lidar com as interrupções costumeiras numa gravação de DVD, ainda mais numa gravação como a de ontem, denominada como ninja - referindo-se à Mídia Ninja, que tem coberto em tempo real as manifestações nas capitais brasileiras. A produção irá utilizar também na finalização do DVD material gerado pelo próprio público presente no Bar Palafita no show. 

Passavam de 2h20 da manhã deste sábado quando Juca entrou no palco acompanhado do tecladista Fábio Seqüela, o baixista Charles Santana e o baterista Júnior Gurgel. O repertório incluiu temas dos dois CDs que o artista já lançou, Dino Sapiens (2011), autoral, e Breggae (2013), com canções bregas paraenses arranjadas em ritmo de reggae. Este, conforme anunciou Juca, inagura uma trilogia que irá incluir os projetos Skreggae (mesclando ska e reggae) e Jamaica Amazônia (juntando o carimbó e o marabaixo ao reggae). Do disco mais recente, vieram temas românticos "Minha Amiga", "Conquista" e  "Ao Pôr-do-Sol". Do primeiro CD, canções como "Xingu" (a mais política da noite, posicionando-se contra a construção da Usina de Belo Monte), que contou com rimas improvisadas pelo convidado MC Bruno B.O., e sucessos como "Crioulo Doido" e "Brócolis", que tiveram a participação do guitarrista Marcel Barreto, que integrava a banda de Juca na época da gravação do disco.

Marcel, que se destacou por um belo solo em "O que Você Quiser", também tomou parte na jam session final, que reuniu no palco o baixista MG Calibre, mais Renato Rosas na guitarra, o sambista Arthur Espíndola na bateria e até, em dado momento, o DJ Homero Flávio (que dirigia a filmagem do DVD) na cuíca. Juntos, essas feras da música paraense fizeram uma homenagem a Chico Braga, cantando ainda carimbós clássicos como "Pescador, Pescador" e o "Carimbó do Macaco". A festa acabou perto das 4h da manhã, hora em que o Palafita precisa encerrar as atividades. 

Foto: Yvan Wilson
Evangelista Gondim


Agora é ficar torcendo para que não demore o lançamento do DVD! 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Colabore com a 3ª edição de Música e Músicos do Pará

O recentemente falecido Vicente Salles foi, em vida, um dos maiores, se não o maior, pesquisadores sobre a música do Pará. 

Uma de suas principais obras, Música e Músicos do Pará, terá uma 3ª edição a ser editada pelo IAP (Instituto de Artes do Pará), sob a coordenação do professor Jonas Arraes. 



Se você é compositor(a), intérprete, instrumentista, letrista, arranjador ou desempenha alguma outra função ligada à música, não deixe de se inscrever pelo formulário disponível no link https://docs.google.com/forms/d/1tJNAKoyZTQywVAkmhkKRGpM_EoLxzD5z1ml_3peuwdU/viewform

Você pode mandar fotos, documentos e outros materiais que julgar importantes para o e-mail musicaemusicosdopara@hotmail.com 

Participe! 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Foi Show: Raízes do Bolão

Fotos: Reginaldo Conceição


Acabou há pouco no SESC Boulevard (Belém) a belíssima apresentação do grupo Raízes do Bolão, de Macapá - mais exatamente do Quilombo do Curiaú. O grupo encerrava na capital paraense a primeira parte da extensa excursão do projeto Sonora Brasil, que o levou este ano a conhecer 56 cidades do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste (a outra parte, bem como o Sudeste e o Sul, ficaram para 2014), dentro da programação Tambores e Batuques.



O evento teve como mestre de cerimônias a senhora Esmeraldina dos Santos, filha da Tia Chiquinha do Curiaú (que completou recentemente 93 anos - e, como disse a letra de uma das músicas, ainda dança e faz festa). Antes de  cada canção que seria entoada pela própria Esmeraldina, fosse marabaixo ou batuque, conhecíamos a história que originou a música, o que acrescentou muito ao espetáculo. Muitos dos aficionados por marabaixo, por exemplo, já sabiam que "Aonde Tu Vai, Rapaz?" (Raimundo Ladislau) fala da expulsão dos negros da orla de Macapá - aí eles precisaram fazer sua morada "lá pros campos do Laguinho". Mas eu ao menos não imagina que "Patavina", um ladrão (ou seja, canção de marabaixo) da própria Tia Chiquinha, se referia a uma disputa envolvendo a derrubada de uma cerca que Raimundo Ladislau colocara para o gado não invadir a roça, disputa essa que foi parar na delegacia. Já "Lago das Flores", de Joaquim Laurindo, teve como inspiração a briga iniciada porque João de Paula saíra de casa dizendo que ia caçar porcos do mato, e voltou com um porco morto que pertencia a um vizinho, seu Guardenso - o que levou Laurindo a escrever Eu não sei, eu não sabia,/ Pra mim vieram contar/ João de Paulo matou meu porco/ Na mata dos araçás// (...) No dia 15 de abril/ Tive um prejuízo imenso/ João de Paulo matou meu porco/ Que eu comprei do Guardenso."


A primeira parte do espetáculo foi toda de marabaixos como os citados. Aos poucos, tocadores e dançarinas foram se soltando, acompanhando a própria gradação do show - as músicas, a princípio tristonhas, foram se tornando progressivamente mais animadas e contagiando o público (que infelizmente foi em número muito reduzido). A apresentação, realizada no auditório do SESC, não utilizou de nenhuma amplificação de som, nem para vozes nem para instrumentos (ao final do show, Esmeraldina me contou que o mesmo ocorreu em todas as 56 cidades que o grupo já percorreu). 


Finda a primeira parte, Mestre Pedro Bolão (à esquerda na foto acima) falou de como se dão as festas no Curiaú, e como, quando criança, ele aprendeu o batuque e o marabaixo com os pais, sem a necessidade de passar por oficinas de percussão, o que entende hoje ser uma necessidade, já que os tempos são outros. Chegou a culpar a internet pelo desvio dos mais novos das tradições: "nossa criançada às vezes falta aula pra ficar o dia na lan house". 

Seguiu-se então a parte de batuques, em que as dançarinas evoluíram com mais liberdade pelo palco, geralmente postadas atrás dos tocadores. O primeiro batuque apresentado foi "São Joaquim", em homenagem ao padroeiro do Curiaú, cuja festa se realiza anualmente em agosto (menos neste ano, em que o Raízes estava se apresentando em Pernambuco, e coincidentemente morreu um membro da comunidade do Curiaú; Mestre Pedro me relatou que se morre alguém da comunidade próxima da data da festa, esta é cancelada). 

Outro batuque cantado hoje se inspirou na briga de duas mulheres por causa de um homem que ambas disputavam - "Eu vi duas mulher brigar/ A Josefa Borboleta e a Maria Tacacá.// A Maria foi quem disse/ Hoje eu vou te dá na boca/ Que é pra tu largar meu home/ Pra tu ver que eu não sou sopa". Mas, segundo Esmeraldina, no fim ele não ficou com nenhuma das duas...

Maycon Tosh lança clipe de "Religião"

O músico amapaense Maycon Tosh lançou no YouTube nesta terça, 17, o clipe de sua música "Religião", faixa-título do seu novo CD (que comentamos aqui - http://somdonorte.blogspot.com.br/2013/07/ouvimos-religiao-maycon-tosh.html). Na letra, Maycon questiona a origem do ser humano e seus atos nem sempre elogiáveis cometidos em nome da religião.

O clipe foi dirigido por Carlos H. G. Lima, da Mega Produtora, e gravado na Praça da Bandeira, em Macapá. Participam do vídeo, junto com Maycon, os músicos Junior Batista e Samur Brito (guitarras), Jerson Lima (baixo) e Lucas Amaral (bateria). 


sábado, 14 de setembro de 2013

Mapeamento 2013: Raul & Esperança


90

Banda - Turbo
Cidade/ Estado - Belém (PA)
Single
Gênero/ estilo - pop/rock
Selo - Rajada Records
Data de lançamento - 13.9.13

O novo single da banda Turbo é uma homenagem a dois amigos, o casal de jornalistas Raul Bentes (Funtelpa) e Esperança Bessa (Diário do Pará), que irão se casar no próximo dia 28 de setembro. Fui testemunha do começo deste romance: no dia 5 de abril de 2011, participei do programa Sem Censura Pará, na TV Cultura (Belém), que teve Esperança como debatedora. Falei sobre o Workshop de Jornalismo Cultural que iria realizar no dia 16. Ao sair para pegar o ônibus, vi Esperança e Raul atravessando a rua de mãos dadas. A letra descreve os sentimentos de Raul no dia do casamento, brincando com o nome da amada - Você é a Esperança que eu sempre quis pra mim - e culminando numa declaração de amor. (Fabio Gomes)




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Foi Show: Vida é Sonho

Foto: Sergio Malcher

No começo da noite desta sexta no SESC Boulevard (Belém), Renato Torres fez um show lindo e surpreendente, que já enquanto assistia eu tinha na conta de ser o melhor que vi neste ano. A surpresa maior foi por se tratar de um show de cunho teatral, à maneira do espetáculo De Tudo, que o artista faz em dupla com o poeta Renato Gusmão (e que já resenhamos aqui http://somdonorte.blogspot.com.br/2012/08/foi-show-de-tudo.html). A exemplo do que ocorre em De Tudo, no Vida é Sonho nada se ouve que não seja letra de canção ou verso de poesia, dando mesmo a sensação de estarmos assistindo a uma peça de teatro (pelo efeito da chamada "quarta parede"). Isto já desde a abertura, na qual Renato, banda e atores convidados descem a escada do SESC, vindo do andar superior até o palco, recitando um poema (na verdade, eram dois textos: enquanto os convidados Vitor Nina, Carol Magno e Daiane Gasparetto diziam um texto do próprio Renato, "Leva Teus Sonhos a Sério", ele respondia com um poema de Ricardo Reis, "Sei Bem"), até que a banda se posiciona no palco e os atores vão para a sacada do SESC. 

Não era assim na estréia deste show, em 20 de abril de 2012, uma sexta. Numa apresentação igualmente bela (que resenhamos aqui - http://somdonorte.blogspot.com.br/2012/04/foi-show-aila-renato-torres-felipe.html), no mesmo local e contando com a mesma banda (Rubens Stanislaw - baixo, Rodrigo Ferreira - piano e teclado, Diego Xavier - bandolim e vocais, e João Paulo - percussão, além de ter na ocasião a cantora Camila Honda como backing vocal), foi lançado o projeto solo de Renato Torres, que dificilmente até então se apresentava sem os parceiros de sua banda Clepsidra (Maurício Panzera - baixo e Arthur Kunz - bateria). O show Vida é Sonho voltou a ser apresentado, também no SESC, na sexta seguinte, 27. Outra diferença é que em 2012 Renato encerrou o show com uma música que não era sua - "Feito para Acabar", de Marcelo Jeneci. Já hoje o repertório era todo seu, assinado com parceiros do quilate de Paulo Vieira, Dionelpho Jr., Jorge Andrade, Daiane Gasparetto, Nanna Reis (cuja presença chegou a ser anunciada no flyer do show, mas não se confirmou), Valéria Fagundes, Ronaldo Silva e Floriano.  

Após o poema de abertura, Renato e banda tocam "Eu que Não Sei de Nada" (parceria com Nanna Reis), seguindo-se a canção-título do show, "Vida é Sonho", parceria sua com a pianista mineira Alice Belém, e que Renato canta habitualmente em shows, seus ou da parceira Juliana Sinimbú (aliás foi num dueto de "Vida é Sonho" no primeiro show solo dela, Daqui pra Frente, em 2007, que começou a parceria de Juliana com a banda Clepsidra). Logo depois, Renato cantou "Manhã de Janeiro" (parceria com Edir Gaya), e pouco depois Daiane Gasparetto, sem anúncio algum, saiu da sacada pra fazer dueto em "Amanhecer" (aqui um dos momentos mais hilários da noite - fiel à diretriz de nada dizer que não fosse verso de poema ou canção, Renato chamou a atenção do técnico de som Rui para a necessidade de entregar um microfone a Daiane repetindo umas cinco vezes o verso Dai a ela o que vês..., que, como me disse Renato após o show, "por incrível que pareça, faz parte da letra da canção 'Musa Música', minha e do Dionelpho, que usei para anunciá-la"). "Amanhecer" é de autoria de Renato com a própria Daiane Gasparetto. 

Renato e Daiane
(Foto: Sergio Malcher)

Enquanto o show principal, digamos, acontecia no palco, os atores na sacada davam um show à parte, em especial Carol Magno, que jamais saiu do personagem, a todo instante podia ser vista dançando (com máscara ou sem) ou imitando o pianista Rodrigo Ferreira. Daiane às vezes dançava. Vitor manteve a aparente embriaguez de seu personagem (que, no começo dos trabalhos, parecia que iria cair da escada do SESC, mas na real o vinho que tinha em sua garrafa não passava de suco de uva ;) Uma pena que esse show à parte foi visto por bem pouca gente, apenas os que, como eu, estavam sentados nas cadeiras de frente pro palco, bem junto às sacadas. Eu via aquilo e ficava pensando o que passaria na cabeça de quem estivesse na rua àquela hora. Fiquei sabendo ao final do show, quando um casal que conversava com um amigo meu comentou: A gente entrou porque viu gente na sacada e pensou: "O show tá tão louco que a galera tá dançando até na sacada já!"

Seguiu-se a canção "Que Quer Dizer Cativar?" (a única do show de autoria unicamente de Renato, e cujo estilo de abrir perguntas na letra, sem que se chegue necessariamente a uma resposta conclusiva, me lembrou Gilberto Gil), logo depois um poema dito por Carol (que, sem máscara, abriu a porta da sacada e falou o poema, sem microfone, o que pode ter prejudicado a compreensão de quem estava longe. O texto era o começo do "Poema de Não Acordar", do próprio Renato) e outra música, "Quem Faz uma Canção" (parceria com Jorge Andrade). Ao final desta, a banda sai do palco, e Renato tira o violão dos ombros, enquanto diz um poema de modo um pouco matuto, falando em fulô, para dizer que a gente vai floriano, modo inventivo de chamar o parceiro Floriano ao palco. Assumindo o violão, Floriano acompanhou Renato em dois temas ("Canto que Ama e Ondeia" e "A Canção Mais Sincera", as duas parcerias de Renato com Floriano). Belas músicas, com boas passagens em terças, que me animam a dizer: Renato e Floriano deveriam fazer um show inteiro juntos. Pensem nisso, rapazes. 


Renato Torres com Floriano
(Foto: Luciana Brandão Carreira)

Após Renato fazer seu único número solo ("Viração", parceria com Paulo Vieira), seguido de um poema dito por Vitor (outro trecho do "Poema de Não Acordar"), a banda volta ao palco para acompanhar "O Mar" (parceria com Henry Burnett). 

O que se seguiu foi histórico: Renato conseguiu reunir, quase completa, a primeira banda com a qual saiu de Belém para tocar (no Festival de Inverno de Ouro Preto, em Minas Gerais, em 1996) - a Boca de Luar. Foram chamados, também através de um poema citando seus nomes, a cantora Valéria Fagundes, o percussionista Dionelpho Júnior e o baixista Maurício Panzera - faltou apenas o percussionista Cristiano Costa, que hoje mora em São Paulo. A canção apresentada tinha o nome do grupo, "Boca de Luar" (parceria com Valéria Fagundes). 

Daiane, que saíra da sacada e estava junto à parede brincando com um jarro para flores cheio d'água, diz o final do "Poema de Não Acordar", enquanto a banda volta ao palco para tocar "Cavalo Marinho", parceria de Renato com Ronaldo Silva, que encerra o CD A Fim de Onda, de Luê, lançado em marçoDionelpho Jr. volta ao palco para tocar pandeiro no número final, "Comum de Dois" (parceria com Dionelpho Jr), e todos saem do palco enquanto Vítor, Carol, Daiane e Renato recitam mais um poema: "A Vida é Sonho", do autor espanhol Calderón de la Barca, que inspirou o título do espetáculo. 

Bueno, quem não foi hoje marcou uma touca violentíssima. O show não tem reapresentação prevista. Renato chegou a falar numa volta do espetáculo quando conseguir lançar o CD Vida é Sonho (o que prevê que ocorra para meados de 2014, até porque no momento as gravações nem começaram). Eu espero que não seja necessário aguardar tanto, afinal nada impede que se volte a fazer o show mesmo antes do CD estar pronto. Fora isso, há uma gravação em vídeo do show de hoje, que como Renato me falou deve ser disponibilizado na internet em breve. 

Agenda Presidente Figueiredo (AM): 2º Festival Amazonas de Rock



sábado, 7 de setembro de 2013

Mapeamento 2013: Dialética Estática


89

Banda - Sociedade Austera
Cidade/ Estado - Belém (PA)
EP
Número de faixas - 5
Gênero/ estilo - post punk/alternativo/shoegaze
Data de lançamento - 14.9.13

O segundo EP da banda traz cinco músicas - "Spalteholz-Spanner", "O Sangue dos Outros", "Tudo Tem Um Nome", "Semântica dos Anglos" e "Somos Abismo". A primeira estava presente no primeiro EP (Não Basta Sentir, lançado pela "Central de Abastecimento" do Som do Norte em outubro de 2011 - http://somdonorte.blogspot.com.br/2011/10/central-de-abastecimento-nao-basta.html). Desta vez, não estão presentes os questionamentos políticos-sociais que marcaram o primeiro EP; o foco das letras de Alceu Jennings (também vocalista e baixista da banda) é a inadaptação social. O antigo trio atualmente é um quarteto; segue na banda o baterista César Jennings, e em lugar do guitarrista Nehemias Menezes hoje há dois guitarristas, Pedro Nascher e Danilo Mercês (este também tecladista e baixista). O material foi produzido por Marcus Brito no estúdio R Dú Blues (Belém), na modalidade "ensaio gravado". 

Os arquivos são no formato .WAV

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Gaby Amarantos lança clipe de "Gemendo"

A cantora Gaby Amarantos divulgou no YouTube nesta quinta seu novo clipe, para a canção "Gemendo", faixa do CD Treme!, lançado em abril do ano passado. 

O clipe foi co-produzido pelo canal de TV a cabo Bis, no qual Gaby estréia no próximo dia 19 a série Gaby Gringa, sobre sua recente turnê por Inglaterra e Estados Unidos. Aliás, o vídeo foi rodado em uma instalação do artista Kenny Scharf, em Nova York, com direção de Tatiana Issa e Guto Barra. Guto também foi um dos quatro câmeras, ao lado de Raphael Alvarez, Angelo Perim e Lucas McGowan. A Priscilla Brasil, Raffael Regis e Sergio Coelho, da produtora Greenvision, de Belém, coube fazer edição, gráficos e computação gráfica. 


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Gang do Eletro comemora o "bicampeonato" no Prêmio Multishow



Na cerimônia de entrega do Prêmio Multishow, realizada ontem no Rio de Janeiro, o grupo paraense Gang do Eletro dividiu com o baiano Caetano Veloso a vitória na categoria Melhor Show, na eleição do Superjúri. Integrantes do grupo e seus admiradores saúdam desde ontem a conquista como sendo um "bicampeonato", já que em 2012 a Gang venceu a categoria "Artista Revelação".

Outro grupo do Pará, a banda Strobo, concorria este ano na categoria de Revelação, junto com as cantoras Anitta, Clarice Falcão e Karol Conká, que foi a vencedora, também na escolha do Superjúri. 

A cantora Lia Sophia concorreu na categoria Experimente, definida por voto popular, que consagrou a Oba Oba Samba House. Também estavam na disputa P9, Roberta Campos e Sambô. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Foi Show: Por Aquiry


Por Nany Damasceno,
de Rio Branco



No último final de semana, a cantora e compositora acreana Kelen Mendes, se apresentou no palco do teatro Hélio Melo em Rio Branco com o seu show Por Aquiry. Foram dois dias de apresentações: sexta, dia 30 e sábado 31 de agosto. Acompanhei a sessão de estréia.  

Kelen Mendes
(Foto: Nany Damasceno)

A cantora subiu ao palco acompanhada dos músicos Charles Sampaio na guitarra, David Sampaio na bateria, João Gabriel na percussão, Saulinho Machado no baixo, Pedras Leão nos efeitos e Ana Kássia como backing vocal .

Foi um show lindo, cheio de alegria e a cantora, parecia de fato feliz e se divertir em cima do palco, o que contagiou a plateia cheia de amigos da artista. 

Além dos grandes nomes da música acreana que estavam acompanhando a artista no palco, o show ainda contou com a participação de Zé Jarina cantando a música “Ester” e Clenilson Batista em “No açude”. Kelen cantou ainda músicas de sua autoria e homenageou compositores acreanos como o sambista Da Costa ao cantar “Conselho de amigo” e Luiz Satiê e Edson Alexandre, com a música “Dom Quixote”.

Clenilson Batista e Kelen Mendes
(Foto: Lelande Holanda)


Kelen Mendes começou sua carreira em 1992 participando de um grupo de música da Universidade Federal do Acre - Ufac. Ganhou o FAMP [Festival acreano de música] em 1993 e traz em sua bagagem um disco lançado em 2008, o CD Inundação. O nome faz uma homenagem à cidade de Rio Branco, ao barranco do rio Acre e aos moradores que habitam a beira do rio, como ela mesma, que viveu toda sua vida em um bairro às margens do rio que corta toda a capital acreana.

A artista tem uma importante contribuição para a cultura local e é dona de um repertório focado principalmente na MPB mas que  incorpora estilos como o pop, o funk, o soul e até o rap. 


  • Saiba mais

Ouça Kelen Mendes cantando Inundação, faixa-título de seu primeiro CD - http://somdonorte.blogspot.com/2009/09/musica-do-dia-inundacao.html

Foi Show: 6º Festival Fabrikaos

Por Raissa Lennon,
de Belém
Primeira foto: Casa Fora do Eixo Amazônia
As outras: Luneta Fotografia

Djair (Antcorpus) com Sammliz (Madame Saatan)



Ver o sol se pôr na beira do rio, ouvindo solos enfurecidos no melhor clima de companheirismo roqueiro, foi o privilégio daqueles que não perderam a sexta edição do Festival Fabrikaos. O evento que rolou no sábado, 24 de agosto, contou com a presença de 12 bandas de rock que botaram o público para estremecer as tábuas do Mormaço. 

Como estava programada desde o início, a abertura com a banda Bixo Morto começou pontualmente às 15h, e o encerramento se deu à meia-noite. “Batemos muito nessa tecla do horário pontual, pois acho importante e creio ser uma falha em alguns eventos na cidade”, explicou o vocalista dos Delinquentes, Jayme Katarro, idealizador do evento.

Como o próprio nome já lembra, o evento foi inspirado no clima dos ensaios no Fabrika Studio, que é um local onde muitas bandas iniciantes e veteranas já ensaiaram e ainda ensaiam. Em 2013, são vários os exemplos dessa geração “Fabrikaos”, que não se cansou de buzinar a campainha do estúdio do Jayme para fazer um som. O festival contou mais uma vez com o apoio da Abunai Produções.

Para Jayme a organização deste ano foi melhor do que as outras edições. “O Fabrikaos foi excelente na minha concepção. A estrutura estava melhor que a do ano passado, em relação ao palco, som e iluminação”. Ele comenta também o público, que muda a cada ano. “Senti a falta de um determinado público, o chamado metalcore e os headbangers, mas em compensação ganhamos outro público que nunca havia ido ao festival, que foi justamente aquela galera mais clássica do punk e do metal, que queriam ver a Insolência Públika e o D.N.A.”. 

O evento permaneceu fiel a sua veia de rock'n'roll pesado, apesar de cada banda ter seu próprio estilo. A edição abriu espaço para a agressividade do punkcore do Bixo Morto, além do novíssimo deathgrind do Methastasy - que conta com o ex-vocalista da emblemática banda de metalcore D.H.D. Já o Seven Foot levantou a bandeira do hardcore melódico, enquanto Hellride continuou na linha do genuíno heavy metal.

Scream of Death

No meio da tarde, o Navalha subiu ao palco trazendo o seu metal denso, com letras em português, como poucas bandas desse estilo sabem fazer. Em seguida, a banda Scream of Death, de Castanhal, agitou o público e anunciou que aquele era o primeiro show de sua turnê Norte e Nordeste (no sábado seguinte, a banda encerrou a 3ª Zombie Night, em Macapá). Outra banda de fora da capital, a Antcorpus, de Parauapebas também fez muita gente punkear. No meio da música “Chuva ácida”, eles ainda derramaram sobre o público uma cachaça que a própria banda comercializa. 

A 'Chuva Ácida' da Antcorpus 

Já o Molho Negro trouxe o seu som mais alternativo, fazendo uma performance elétrica no palco, com direito a versão inédita de “Negro Gato” (Getúlio Côrtes), sucesso de Roberto Carlos, e um vídeo feito ao vivo com a participação do público.

Molho Negro

O Fabrikaos contou também com os veteranos do Insolência Públika, que é a primeira banda punk/hardcore da cidade, criadora de hinos como “Beirute Está Morta”. Além dos Rennegados, que foi a primeira banda a ensaiar no estúdio do Jayme, com seu “hardcore made in Guamá”. Já o Telaviv, com seu metal extremo, marcou sua estréia na 1ª edição do Fabrikaos. Para encerrar a noite em bom estilo, o evento trouxe o heavy metal do D.N.A. que surgiu nos anos 90, fez escola e recentemente voltou com tudo, fazendo o show de abertura do internacional Deep Purple.

“Apesar das minhas preferências, todas as bandas foram boas e deixaram o seu recado. O Navalha, por exemplo, surpreendeu. Methastasy tocou cedo e para um público menor, mas quem viu e não conhecia, gostou de cara. Antcorpus, Rennegados e Telaviv também agitaram bastante a galera”, elogiou Jayme Katarro. Para ele, o projeto que surgiu como uma forma de mostrar a qualidade musical das bandas que tocavam em seu estúdio, agora, é um evento importante para o calendário underground da cidade. “Vejo como uma grande vitrine em que se apresentam as bandas que estão mandando ver na nossa terrinha, mas que nem sempre tem um espaço ao sol. Lógico que há bem mais bandas que essas, mas seria impossível botarmos todas que merecem num único festival, teria que ser um megaevento de um mês inteiro. As bandas de rock autorais da cidade têm uma pegada boa, inclusive com o público. Então merecem mostrar o seu trabalho no palco”. 

Já para o próximo ano, Jayme anuncia que talvez haja alguma mudança no formato, o que é importante para “revigorar e reciclar o festival”. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mapeamento 2013: A Miragem


88

Grupo - AmericAM
Cidade/ Estado - Manaus (AM)
Participações especiais - Silvio e Tina
Single
Gênero/estilo - rap
Data de lançamento - 1.8.13

O eu-lírico deste rap relata viver em meio a tribulações e injustiças, porém não esmorece porque acredita que uma fase muito melhor está por vir - mas também sem grandes ilusões. O pacote de download inclui capa e letra do single. 




domingo, 1 de setembro de 2013

Mapeamento: Quer Saber


87

Banda - Epístula
Cidade/ Estado - Boa Vista (RR)
Single
Gênero/ estilo - rock
Data de lançamento - 26.8.13

A banda completa um ano agora em setembro, desde que deixou de se chamar "Impactu's" (já usado por várias outras formações no território brasileiro). Formada atulamente por Jeremias Nascimento (vocal), Leandro Bastos (guitarra), Heitor Bríglia (baixo) e Elielton Kannys (bateria), a banda existe desde 2006 e participou recentemente da Coletânea Roraima Rock'n'Roll, lançada em rede pelos blogs  Roraima Rock'n'Roll e Som do Norte com a canção "Tudo se Fez Novo". O single "Quer Saber", numa moldura musical de hard rock, fala de como o eu-lírico vivia entre mentiras e ilusões, e de como abriu os olhos e hoje se libertou daquela "escuridão vazia", pois "a verdade apareceu". Embora sem alusões diretas, o tema se insere na linha principal do grupo, o sentimento cristão (o nome da banda, "Epístula", remete às cartas dos Apóstolos que formam parte do Novo Testamento). A banda prepara para breve novo single, “Em cima do muro”, também com produção de Fabrício Cadela, e já trabalha em seu primeiro CD. 

Onde ouvir e baixar - https://soundcloud.com/14volume-estudio/epistula-quer-saber



Ut Opia grava em japonês para coletânea


A banda paraense Ut Opia é a única representante do Norte na coletânea V.A. Brazil Visual Rock - Cover Tribute, que reúne regravações de temas japoneses. Os paraenses gravaram  - em japonês mesmo - a música "yami yori kurai doukoku no acapella to bara yori akai jounetsu no aria", original da banda D. 

A coletânea foi produzida pela  Visual Rock Brasil, e pode ser baixada no link http://www.mediafire.com/download/19tag9vuzkvdjxp/V.A._Brazil_VRock_~Cover_Tribute~.rar