Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Foi Show: Ocupa Cacimbão

Por Nany Damasceno,
de Rio Branco

Foto: Santiago Queiroz



No domingo, 11 de agosto, aconteceu em Rio Branco o “Ocupa Cacimbão”. Movimento inspirado no projeto “Acústico Lo-fi” que surgiu este ano em Porto Velho e tem movimentado a cena musical da capital rondoniense.

O evento, organizado coletivamente por amigos, produtores, músicos e entusiastas, ocorreu no “Cacimbão da capoeira” patrimônio histórico da capital acreana e contou com a apresentação do Zé Jarina, com suas oesias e músicas irreverentes, das bandas Os filhos da mãe, Grupo Capu, e os cantores Alessandro Ferreira’ e Diogo Soares (vocalista da banda Los Porongas) acompanhados dos músicos Saulinho (do Caldo de Piaba), Paulo Nobre, entre outros. 

Cerca de 300 pessoas se reuniram no espaço para prestigiar os shows que tiveram abertura com a banda Os filhos da mãe. Surgida em 2011, a banda traz em seu repertório músicas autorais de boa qualidade e que ao surgir, teve uma rápida passagem pela cena musical acreana, caindo novamente em anonimato, devido a projetos pessoais dos integrantes. A banda voltou, agora com novo baixista; seu show foi curto, mas empolgante e com bastante qualidade.



Os Filhos da Mãe
(foto: Hugo Costa)


Logo depois quem tomou conta do microfone foi o poeta e cantor César Farias, figura lendária do Acre. César, também conhecido como Zé Jarina, prendeu a atenção de todos com os repentes e histórias do cotidiano que contar muito bem, seja em forma de prosa, poesia ou mesmo em músicas que têm como característica principal a linguagem típica dos acreanos.

Alessandro Ferreira também se apresentou, relembrando os tempos em que cantava com a banda Garagem 178, no Loft Bar, com músicas próprias e alguns covers de clássicos do rock. 

Ainda levando poesia ao evento, Clenilson Batista foi ao palco junto com o Grupo Capú, a mais antiga banda de rock autoral do estado, que sempre serviu de inspirações para as que estão começando. Com letras que falam de amor, lutas e resistência à ditadura enfrentada nos anos 70, quando surgiu, o grupo ontinua sendo uma das bandas mais originais do Acre.


Grupo Capú
(Foto: Ronnie Blues)


Para encerrar, Diogo Soares cantou covers, músicas de sua autoria com parceiros como Saulinho e ainda, sucessos do primeiro e do segundo CDs da banda Los Porongas sempre com a emoção que lhe é característica. Durante todo o show, Diogo pediu que o público se faça presente e ocupe os espaços públicos com arte. 

Este movimento é histórico pra cidade que passa por certo hiato musical, foi pensado para tentar resgatar os festivais e eventos que sempre fizeram de Rio Branco uma das referências na cena cultural da região norte. Veio ainda, como alternativa, igual a tantas outras vezes em que se tentou não deixar o rock morrer. Porém, desta vez, quem estava lá há de concordar: teve um gosto, uma vibe, um astral diferente e deixou a sensação de que “Agora vai”.

O principal entusiasta do movimento Ocupa Cacimbão é o já citado Diogo Soares, que afirma: “O Ocupa Cacimbão foi um grito de liberdade na cidade de Rio Branco. A ocupação do Cacimbão da capoeira foi feita de encontros, de muita conversa, música e a poesia. Ver no mesmo palco uma banda nova como a Filhos da casa da Mãe e o grupo mais antigo do rock acreano, o Capú, numa mesma noite foi maravilhoso... A ocupação do Cacimbão nasceu inspirada pelo movimento Acústico Lo-Fi, que reúne público e artistas na beira do rio Madeira, aos domingos em Porto Velho. Com essa inspiração e diante do paradoxal marasmo que toma conta da música no Acre (nunca houve tantas espaços e nunca nossa música esteve tão desarticulada!) a idéia surgiu como um grito, uma alternativa, um caminho novo pra quem acredita na arte e deseja construir algo junto. Espero que a ocupação do Cacimbão seja uma virada pra que comecemos, nós, cidadãos rio-branquenses, a ocupar os espaços públicos todos e discutirmos sem medo a cidade que queremos.”

O Cacimbão da capoeira é um local de grande importância histórica e social. Foi fundado em 1927, sendo tombado em 1984 como patrimônio histórico. Situado às margens da zona urbana, o Cacimbão abasteceu por 30 anos a cidade de Rio Branco com água potável. Hoje revitalizado, está um espaço bonito, cheio de verde e carregado de poesia, bem no centro da cidade.

Clenilson Batista comentou sobre o evento em sua página do Facebook:

 “EXISTE VIDA INTELIGENTE NO CACIMBÃO!

Essa foi a conclusão dos Seringueiros Astrais que sobrevoaram o bairro da Capoeira com suas astralnaves movidas a som, na tarde-noite deste domingo. Cabeças pensantes musicais iluminadas cruzavam nas calçadas, estrelas no palco e sentadas na grama. Tinha um quê de Woodstock no ar. Deu pra respirar um pouco de saudade e encher os pulmões de esperança. Nem tudo está perdido na terra de Galvez. Deu satisfação ver os reflexos de um país em ebulição ir beber das águas cristalinas dos sonhos de mentes sedentas que estavam por ali. Me fez continuar acreditando que tudo é possível, até mesmo o impossível. ...Os primeiros raios de luz do novo tempo já brilham no horizonte. Vibrações positivas, irmãs e irmãos de planeta! Acordamos para viver um sonho que sonhamos juntos! Viva Era das Águas musicais do Cacimbão da Capoeira! Viva nós! Viva todos que organizaram, ajudaram, participaram e os que torceram pelo sucesso desta primeira grande celebração. A viagem só está começando!

E é esta a sensação que o Ocupa Cacimbão deixou: que a viagem está só começando e que Rio Branco pretende mesmo ocupar os seus espaços como anos atrás, com poesia, música, encontros, cinema, enfim... arte.

Como bem disse o cineasta Sérgio de Carvalho: “A hora agora é de somar forças e sacudir este Acre com a força da arte, de toda forma de arte” E o povo entendeu o recado, o próximo encontro já está marcado para o dia 25 de agosto, um domingo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário