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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Foi Show: O Charme do Choro em Macapá

Camila, Carla e Jade
(Foto: Zewton Batista )


Macapá - Terça, durante o show d'O Charme do Choro aqui no SESC Centro, abrindo a programação da temporada do SESC Amazônia das Artes na cidade, eu estava pensando em que talvez (a gente nunca sabe ao certo, né...) a base do sucesso do grupo esteja em não fazer concessões. 

São seis garotas de Belém - Jade Guilhon (bandolim e violino), Dulci Cunha (flauta), Laíla Cardoso (violão), Camila Alves (violão 7), Carla Cabral (cavaquinho) e Rafaela Bittencourt (percussão) - que há seis anos e meio se propuseram a tocar choro tradicional, de forma tradicional. O que - felizmente! - também não significa tocar-o-repertório-que-todo-chorão-toca. Houve clássicos no repertório, sim, principalmente na reta final: "Corta-Jaca" (Chiquinha Gonzaga), com citação (ou "interferência", como classificou Dulci, ao anunciar) de "Uirapuru" (Waldemar Henrique) e o magnífico número final que foi "Assanhado" (Jacob do Bandolim), com "interferência" (vá lá :) de "Brasileirinho" (Waldir Azevedo) - este número foi aberto com um solo de pandeiro de Rafaela que durou, talvez, um minuto (não cronometrei, mas foi por aí). Também tivemos "Feira de Mangaio" (Sivuca - Glória Gadelha), que foi o tema mais aplaudido da noite, e justificadamente, pois se tratou de uma interpretação primorosa, com solo duplo em uníssono de Dulci à flauta e Jade ao violino. 

Fora esses temas mais conhecidos, o repertório teve ainda outros dois temas de Jacob, do qual o mais conhecido, mas de modo algum um "grande sucesso", é "Santa Morena", choro com um quê de flamenco, e ainda "De Coração a Coração" (parte do "bloco intimista" do show, tocado unicamente por Camila, Carla e Jade. As três, mais Dulci, atuam no outro tema do bloco, "Overdose de Amor", parceria de Camila com Marcelo Ramos). 

"Overdose", bem como outras quatro músicas do repertório, faz parte do recém-pronto CD O Charme do Choro, estréia fonográfica do grupo (o disco, que esteve à venda terça no SESC, ainda não tem data de lançamento em Belém). Algumas, como "Já? Já!" (Jacinto Kahwage) e "Charmosinho" (Adamor do Bandolim), foram compostas especialmente para o disco. 

Enfim, como eu disse, as seis garotas não estão aí para fazer concessões. Tocam um gênero tido por muitos como difícil, sem inserir influências "da moda" como timbres eletrônicos, por exemplo (nada contra quem utiliza, apenas estou ressaltando que O Charme não recorre a isso), não privilegiando apenas músicas que sabidamente a platéia já conheça. Em suma: o Choro na sua essência. A recente participação em vários projetos de circulação como o Terruá Pará, o Música na Estrada (ambos em 2011) e esta atual turnê pelo SESC Amazônia das Artes são provas mais do que suficientes de que elas estão no rumo certo. 

O repertório apresentado foi montado especialmente para esta turnê, que encerra nesta sexta,, 23, em Castanhal (PA), no Anfiteatro da Catedral, a partir das 20h. A primeira parte da turnê aconteceu em maio, percorrendo Palmas, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Manaus. A segunda, agora em agosto, iniciou em Cuiabá e passou por São Luís e Teresina antes de chegar à capital do Amapá. O público que superlotou as dependências do SESC Centro (houve não só gente em pé, como ainda muitas pessoas sentadas no chão mesmo) aplaudiu muitas vezes as músicas em meio à execução, e no geral acompanhou com um silêncio reverente a performance das paraenses.

Quem é de Macapá e não viu nesta terça não precisa se preocupar: O Charme do Choro já anunciou que irá voltar à cidade em dezembro, para tocar na Casa do Chorinho do Ceará da Cuíca. 


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