Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

sábado, 31 de agosto de 2013

Mapeamento: Segredo



86

Banda - Mogno
Cidade/ Estado - Rio Branco (Acre)
Single
Gênero/ estilo - rock
Data de lançamento - 24.8.13

O grupo, formado em 2008, só agora lança seu primeiro single. Na canção, o eu-lírico dialoga com sua ex-amada, incialmente ameaçando "chutar o balde" e evitá-la a todo o custo (Vou contar aquele nosso segredo/ pra qualquer um que eu encontrar/ (...) / rezar pra não te encontrar..."), até que propõe uma nova abordagem ("Então "tá", vamos deixar como está,/ e pra constar, dessa vez, vamos brincar do meu jeito...)  que muda o rumo da história. 




quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Foi Show: 2º Ocupa Cacimbão

Por Nany Damasceno,
de Rio Branco

Foto:  Nany Damasceno


A segunda edição do Ocupa Cacimbão aconteceu no último domingo, dia 25, e mais uma vez foi sucesso. Cerca de 400 pessoas prestigiaram as apresentações das bandas Maria Joana, Mapinguarí Blues, Versalle (Rondônia), Mogno e Ibã Huni Kuin, além de poesias e das apresentações teatrais da Cia. Garatuja de Artes Cênicas.

Maria Joana


Quem abriu o segundo domingo no cacimbão foi a banda Maria Joana. O trio que mistura estilos como blues e rock apresentou em seu repertório músicas da própria banda e alguns covers. Logo em seguida, quem ocupou o palco foi a banda rondoniense Versalle.

Criston Lucas, Igor Jordir, Rômulo Pacífico e Ítalo Carlos estavam em Rio branco para se apresentar em um outro evento e aproveitaram para somar com o projeto. “Foi demais, esse intercâmbio é sempre muito válido. Coisa linda ver todo aquele público no Cacimbão faminto por cultura, prestigiando os artistas. Apresentar nossas canções e ser aplaudido de música a música, e ainda vê-las na ponta da língua de alguns, não tem preço. Próximas virão!”, disse o vocalista Criston Lucas.


Versalle
(Foto: Max Henrique)

A banda Mogno também mostrou o seu trabalho, cantando suas canções que em breve estarão reunidas no primeiro CD que já está em fase de gravação. Recentemente o quarteto lançou o primeiro single, com a música "Segredo". Além das músicas autorais, Mogno presenteou o público com covers de Joe Cocker e uma versão pra lá de incrível de "Mercedes Benz" da Janis Joplin.

O artista indígena Ibã Huni Kuin também presenteou o público com seu canto, mostrando um pouco da cultura do povo Huni Kuin. Foi, sem dúvidas, um dos momentos mais bonitos da noite. 

E para fechar, a banda Mapinguari Blues. Uma das mais aguardadas da noite, a banda que recentemente realizou o show Vivi Raul em homenagem ao aniversário de Raul Seixas, aproveitou para passear pelo repertório do "Maluco Beleza", mas como sempre, o ponto alto da apresentação são mesmo as composições de Ronnie  Blues.

Cia. Garatuja
Foto:  Nany Damasceno

Nos intervalos dos shows, houve intervenção teatral da Cia Garatuja, que apresentou  dois esquetes contemporâneos. O poeta Raimundo Nonato e a poetisa Francis Mary, a Bruxinha, também ocuparam o microfone com suas poesias. Bruxinha é uma importante ativista cultural no estado do Acre e sabe bem do valor que o Cacimbão da Capoeira tem para a população e a importância de sua ocupação com eventos culturais. 

O microfone estava aberto para quem desejasse participar, se expressar,  e o público teve vez e principalmente VOZ no Cacimbão. Um morador do bairro da Capoeira assistiu atento a tudo que acontecia, ele parecia de fato feliz com o que via e ouvia, em vários momentos ele que estava acompanhado do neto, chegava para o público e dizia que morava ali ao lado do cacimbão e nunca tinha visto aquilo. Até que foi ao microfone e falou, emocionado que “em seus 53 anos, morando ali, nunca tinha vivido algo assim no bairro”. 

Quem também participou do evento, mas pela internet, foi Diogo Soares, um dos idealizadores do projeto. Presente à primeira edição, há duas semanas, o vocalista de Los Porongas já retornou a São Paulo, de onde falou com o público acreano ao vivo por webcam. Diogo demonstrou todo o apoio à galera da unidade coletiva que está tocando o projeto. “Não houve um dia em que eu estivesse tão longe do Acre e me sentisse tão lá, como hoje! Nas falas do Clenilson, nas poesias e protestos da tribuna livre, nas performances da Cia Garatuja, no lindo momento do canto indígena, do  Iban Huni Kuin com o público batendo palmas enquanto ele cantava, nos shows que rolaram, especialmente os da banda Versalle e do Mapinguari Blues e principalmente com o público que lotou o Cacimbão da Capoeira! Muito há por vir se seguirmos nessa”, comentou Diogo em seu perfil no Facebook.

A idéia é que a ocupação cultural do Cacimbão aconteça a cada 15 dias, a próxima já está marcada para o dia 9 de setembro. 



terça-feira, 27 de agosto de 2013

Na Rede: Humberto Finatti recomenda Stereovitrola e Emília Monteiro

Em sua atualização semanal (excepcionalmente sendo feita numa terça, já que o habitual é às sextas), o jornalista Humberto Finatti destaca em seu Zap'n'Roll dois recentes lançamentos de artistas do Amapá, a banda Stereovitrola e a cantora Emília Monteiro, no post que tem, como de costume, um título quilométrico - Agora vai: o blogão campeão em rock alternativo e em cultura pop volta com post MONSTRO e lança seu olhar (ou sua audição) sobre os novos discos do Travis, do Superchunk e do… FRANZ FERDINAND! Mais: TUDO (ou quase) sobre o gigante festival indie Porão Do Rock, que rola neste finde em Brasília (e o blog vai estar lá, claro!); e em mais um rigoroso trabalho de investigação jornalística, entrevistamos uma advogada (que já estagiou no MINISTÉRIO PÚBLICO) que afirma: “a atuação do Fora do Eixo já pode ser enquadrada em vários crimes”; e finalmente os tópicos de tirar o fôlego da galere: mais fotos incríveis da nossa musa indie oficial, a XOXOTUDA Julieta DeLarge, e um diário sentimental sexual pra lá de ordinário e cafajeste, uhú! (postaço quaaaaase completo mas ainda em construção). Veja o post na íntegra em http://www.zapnroll.com.br/?p=3089 

***

* Rock psicodélico do Amapá: a Stereovitrola, de Macapá (capital do Estado do extremo Norte brazuca) continua sendo uma das bandas prediletas do blogão zapper dentro da indie scene nacional do novo milênio. Com formação enxuta agora (chegou a ser um sexteto; agora continua com Ruan Patrick nos vocais e guitarras, Marinho Pereira no baixo, Rubens Ferro na bateria e Wanderson Matix nos teclados) mas não menos poderosa, a banda finalmente soltou seu novo trabalho de estúdio (isso, após quatro anos da estréia em disco). Trata-se do ep “Symptomatosys”, com cinco faixas cabulosas onde a psicodelia e o estranhamento composicional reinam, aliados a vocais sussurrados e sonolentos (no ótimo sentido do termo) e melodias que grudam fácil no ouvido. Sério, a Stereovitrola é seguramente uma das melhores bandas em atividade no atual raquítico rock indie brazuca (difícil achar, em Sampalândia, algum grupo com a mesma qualidade musical dos macapaenses) e dá gosto ouvir músicas como “Experiências com modelo animal” ou “Macaco Rei”. E afinal, quem mais senão Ruan Patrick batizaria uma faixa com o nome “VHS” (um antagonismo proposital e que afronta com gosto esses tempos de tecnologia desumana e irracional às vezes), e nela cantaria versos como “Naves e automóveis em Berlim/A monotonia é um refrigerador/Encaro a vida como Blade Runner”? Pois é. Pra ouvir tomando vinho num dia chuvoso, chapado de ácido ou maconha, com certeza. Interessou? Vai lá: https://soundcloud.com/stereovitrola.



O quarteto Stereovitrola: psicodelia rocker (e muito boa!) direto da longínqua Macapá


* Nova MPB do Amapá: não é exatamente a praia do blog, mas vamos lá. Daquelas surpresas ÓTIMAS do dia: o blog recebe e-mail da assessoria de imprensa do Som do Norte, anunciando o disco de estréia da cantora amapaense Emília Monteiro. O release fala em mistura de sons regionais (carimbó, marabaixo) com flertes na nova mpb e pitadas de jazz. Músicas de Zeca Baleiro e Dona Onete (um dos destaques da nova música paraense) compõem o repertório do álbum. O jornalista calejado já imagina: “lá vem abacaxi!”. Decide ouvir o disco. Se engana no seu pensamento e se surpreende de verdade. Ela canta bem, voz suave, músicas bem construídas, melodias bucólicas e letras acima da média. Taí: mesmo não sendo mega fã de mpb tradicional, estas linhas virtuais gostaram do que ouviram. Tomara que ela desça pro Sudeste e faça algum sucesso por aqui. E longe da máfia do Fora do Eixo, de preferência. Pra saber mais sobre Emília Monteiro, vai lá: http://musicadonorte.blogspot.com.br/2013/06/disco-do-mes-cheia-de-graca.html.



Emília Monteiro, a bela de Macapá: boas canções de mpb em seu disco de estréia

sábado, 24 de agosto de 2013

Músicos do Amapá iniciam movimento de valorização de seu trabalho

Fotos: Katya Lacerda

 Heraldo Almeida

Macapá - Cerca de 40 profissionais ligados à música (compositores, cantores, músicos, jornalistas e produtores) estiveram ontem na Casa de Chorinho Ceará da Cuíca, atendendo à convocação do radialista Heraldo Almeida, para iniciar um movimento que visa a valorização da música amapaense, mais especificamente para inciar a construção de uma política cultural pública viável, para a sustentabilidade, difusão, divulgação, organização, propagação e planejamento que o segmento merece. 

Heraldo mantém há cinco anos na rádio Diário FM o programa Canto da Amazônia, um dos poucos na capital amapaense a difundir a música amapaense e amazônica (os outros são o Festa na Floresta, na mesma emissora, produzido por Clícia Vieira Di Micelli e Claudiomar Rosa, cuja continuidade se encontra ameaçada em virtude de outros compromissos profissionais de ambos; e o Fora do Eixo, na rádio Universitária, produzido por Otto Ramos e Heluana Quintas; o foco deste é a música independente brasileira, não se atendo exclusivamente à região Norte). Na abertura do encontro, Heraldo relatou que se deu conta de poderia passar 10 ou 20 anos tocando música do Amapá no programa, mas isso não iria modificar a realidade vivida por criadores desta arte nem a de sua criação, daí a idéia de convocar a classe para que esta defina ações a serem tomadas para alterar este quadro. 

Foram muitas as propostas levantadas no encontro que durou cerca de duas horas e meia. Destaco algumas: Osmar Júnior sugeriu que se faça uma caravana que leve os músicos de Macapá para cidades do interior do Estado. Carlos Piru propôs entregar gravações a DJs que animam festas populares. Heluana Quintas observou que a oportunidade é perfeita para se organizar o Fórum Permanente de Música do Amapá. Silmara Lobato lamentou que, atualmente, só se escute música amapaense nas escolas em um único período do ano - agosto, o mês do Folclore. 


Em breve intervenção, declarei o apoio irrestrito do Som do Norte, colocando suas variadas plataformas - o blog, a página no Facebook, noso Twitter -, à disposição para divulgar as ações do movimento. 

Nova reunião deve acontecer no começo de setembro. 

Strobo e Gang do Eletro concorrem ao Prêmio Multishow 2013

Dois grupos paraenses, Strobo e Gang do Eletro, estão concorrendo em duas categorias do Prêmio Multishow 2013, que será entregue no dia 3 de setembro, uma terça-feira. 

Nestas categorias, quem define o vencedor não é o público, e sim um "Superjúri" constituído por 11 personalidades. 

Veja os indicados:

ARTISTA REVELAÇÃO



Anitta
Clarisse Falcão
Karol Conka
Strobo


MELHOR SHOW

Baby do Brasil - "Baby Sucessos"
Caetano Veloso - "Abraçaço"
Gang do Eletro - "Gang do Eletro"

***

Em outra categoria, você pode e deve votar numa artista do Norte: a amapaense radicada no Pará Lia Sophia participa da votação popular na categoria "Experimente". O nome dela está grafado errado, como "Lia Sofia", mas seu voto vale, e muito! Já publicamos aqui como votar na Lia - http://somdonorte.blogspot.com.br/2013/07/vote-em-lia-sophia-no-premio-multishow.html  . O prazo encerra em 2 de setembro!  


Agenda Manaus: Fórum Permanente da Música no Amazonas



Mapeamento 2013: O Diabo Dita as Regras


85

Grupo - Sequestro da Mente
Cidade/ Estado - Belém (PA)
Single
Gênero/ estilo - rap
Data de lançamento - 25.7.13

O som produzido no estúdio Quarto Abafado denuncia a violência na baixada, que como o grupo diz, "tá pior que o Vietnã", com "moleque de 12 anos andando armado", além da atuação da polícia e das autoridades "que nem sequer mexe uma palha". 



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ajude Ben Charles a tocar no Circuito Cultural Banco do Brasil - Etapa Salvador



O músico roraimense Ben Charles está entre os 20 finalistas da votação que irá escolher a atração de abertura do Palco Brasil do Circuito Cultural Banco do Brasil - Etapa Salvador. O evento acontece no próximo dia 31 de agosto, um sábado, no Wet'n Wil. O vencedor da votação toca às 14h30, sendo seguido por Preta Gil (com participação especial de Jau)(15h15) e Monobloco (16h30). No outro palco, chamado Circuito, se apresentam a partir das 17h30 Jota Quest, Skank, Joss Stone (repetindo: Joss Stone) e Carlinhos Brown

E como fazer para ajudar Ben Charles a estar no Palco Brasil? É bem simples:


2 - Vá em "Como votar" e clique no ícone do Facebook onde está escrito "Iniciar votação" (você só pode votar uma vez, através do seu perfil no Facebook). Serão carregadas as fichas dos 20 artistas concorrentes. 

3 - O passo seguinte é clicar nas medalhas que estão acima da foto de cada artista, na ordem de sua preferência. Comece clicando no nº "1" acima da foto do Ben Charles, escolha mais dois e... pronto! Irá aparecer uma mensagem pedindo que você confirme os artistas escolhidos e sua ordem de preferência. Se estiver tudo ok, basta confirmar e seu voto será computado!

O prazo para votação se encerra no dia 23 de agosto, sexta-feira da semana que vem.

Dica: salve o cartaz acima e compartilhe em seu Facebook. 

***

Para nós do Som do Norte, ter um artista de Roraima, e especificamente Ben Charles, participando desta votação é um motivo de grande orgulho. Em janeiro deste ano, lançamos aqui no blog, em rede com o Roraima Rock'n'Roll, o novo CD de Ben, Carimbó Electro Seco (http://somdonorte.blogspot.com.br/2013/01/lancamento-carimbo-electro-seco-ben.html). Já em março, Ben tocou ao lado da banda amazonense Malbec na 7ª Noite Som do Norte, realizada em Boa Vista. 

Outro motivo de orgulho foi o uso no site da votação de um texto do editor deste blog, Fabio Gomes, apresentando Ben Charles (inclusive com a famosa "metáfora do conhaque nos barris de carvalho"), junto com o videoclipe da canção "Eu Tava Oco", do CD ainda inédito Duben. Para ver isto no site do CCBB, clique em + SAIBA MAIS na área de votação do Ben. 

Ben Charles
Considerado um dos pioneiros do rock em Roraima, Ben Charles é o nome artístico adotado por Charles Filgueiras, músico, compositor e produtor, natural de Boa Vista. Neto de índio e nordestino, bisneto de pagé, Ben Charles lançou os CDs 'Caminhada', 'Ben Charles', 'Ben Encarnado', 'Pra quem gosta do escuro', 'Canaimé', 'O mundo' e 'Carimbó Electro Seco', lançado em janeiro pelo blog Som do Norte. O CD Carimbó Electro Seco foi gerado com vagar e deixado amadurecer, qual conhaque em barris de carvalho. Ben gravou-o entre 2007 e 2008 em seu estúdio La Toca Music, em Brasília, tocando todos os instrumentos. Além deste, há outro CD já gravado, intitulado 'Duben'.




Foi Show: O Charme do Choro em Macapá

Camila, Carla e Jade
(Foto: Zewton Batista )


Macapá - Terça, durante o show d'O Charme do Choro aqui no SESC Centro, abrindo a programação da temporada do SESC Amazônia das Artes na cidade, eu estava pensando em que talvez (a gente nunca sabe ao certo, né...) a base do sucesso do grupo esteja em não fazer concessões. 

São seis garotas de Belém - Jade Guilhon (bandolim e violino), Dulci Cunha (flauta), Laíla Cardoso (violão), Camila Alves (violão 7), Carla Cabral (cavaquinho) e Rafaela Bittencourt (percussão) - que há seis anos e meio se propuseram a tocar choro tradicional, de forma tradicional. O que - felizmente! - também não significa tocar-o-repertório-que-todo-chorão-toca. Houve clássicos no repertório, sim, principalmente na reta final: "Corta-Jaca" (Chiquinha Gonzaga), com citação (ou "interferência", como classificou Dulci, ao anunciar) de "Uirapuru" (Waldemar Henrique) e o magnífico número final que foi "Assanhado" (Jacob do Bandolim), com "interferência" (vá lá :) de "Brasileirinho" (Waldir Azevedo) - este número foi aberto com um solo de pandeiro de Rafaela que durou, talvez, um minuto (não cronometrei, mas foi por aí). Também tivemos "Feira de Mangaio" (Sivuca - Glória Gadelha), que foi o tema mais aplaudido da noite, e justificadamente, pois se tratou de uma interpretação primorosa, com solo duplo em uníssono de Dulci à flauta e Jade ao violino. 

Fora esses temas mais conhecidos, o repertório teve ainda outros dois temas de Jacob, do qual o mais conhecido, mas de modo algum um "grande sucesso", é "Santa Morena", choro com um quê de flamenco, e ainda "De Coração a Coração" (parte do "bloco intimista" do show, tocado unicamente por Camila, Carla e Jade. As três, mais Dulci, atuam no outro tema do bloco, "Overdose de Amor", parceria de Camila com Marcelo Ramos). 

"Overdose", bem como outras quatro músicas do repertório, faz parte do recém-pronto CD O Charme do Choro, estréia fonográfica do grupo (o disco, que esteve à venda terça no SESC, ainda não tem data de lançamento em Belém). Algumas, como "Já? Já!" (Jacinto Kahwage) e "Charmosinho" (Adamor do Bandolim), foram compostas especialmente para o disco. 

Enfim, como eu disse, as seis garotas não estão aí para fazer concessões. Tocam um gênero tido por muitos como difícil, sem inserir influências "da moda" como timbres eletrônicos, por exemplo (nada contra quem utiliza, apenas estou ressaltando que O Charme não recorre a isso), não privilegiando apenas músicas que sabidamente a platéia já conheça. Em suma: o Choro na sua essência. A recente participação em vários projetos de circulação como o Terruá Pará, o Música na Estrada (ambos em 2011) e esta atual turnê pelo SESC Amazônia das Artes são provas mais do que suficientes de que elas estão no rumo certo. 

O repertório apresentado foi montado especialmente para esta turnê, que encerra nesta sexta,, 23, em Castanhal (PA), no Anfiteatro da Catedral, a partir das 20h. A primeira parte da turnê aconteceu em maio, percorrendo Palmas, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Manaus. A segunda, agora em agosto, iniciou em Cuiabá e passou por São Luís e Teresina antes de chegar à capital do Amapá. O público que superlotou as dependências do SESC Centro (houve não só gente em pé, como ainda muitas pessoas sentadas no chão mesmo) aplaudiu muitas vezes as músicas em meio à execução, e no geral acompanhou com um silêncio reverente a performance das paraenses.

Quem é de Macapá e não viu nesta terça não precisa se preocupar: O Charme do Choro já anunciou que irá voltar à cidade em dezembro, para tocar na Casa do Chorinho do Ceará da Cuíca. 


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Festival DoSol 2013 terá duas bandas do Norte


A edição que comemora os 10 anos do Festival DoSol, em Natal, terá duas bandas da Região Norte: Stereovitrola, de Macapá, na noite de abertura (8 de novembro) e Molho Negro, de Belém, dois dias depois. 

Veja a programação completa do evento que terá apresentações em três cidades do Rio Grande do Norte:


Natal
Rua Chile, Ribeira

Dia 8/11, sexta, 21h, R$ 5

Talma&Gadelha (RN)
Camarones Orquestra Guitarrística (RN) + Ynaiã Bertholdo (MT)
Drakula (SP)
Mad Grinder (RN)
Stereovitrola (AP)
Mahmed (RN)
Last Starfighters (RN)

Dia 9/11, sábado 15h30, R$ 5

Dusouto (RN)
Digital Dubs (RJ)
Rastafeeling (RN)
Carcará na Viagem (RN)
Fukai (RN)
Uh La La (PR)
Autoramas (RJ)
Far From Alaska (RN)
MQN (GO)
The Sinks (RN)
Alf (DF)
Petit Mort (Argentina)
Cassino Supernova (DF)
Medialunas (RS)
Single Parents (SP)
Lupe de Lupe (MG)
Rocca Vegas (CE)
Rollercoaster (RN)
Ar, Tu e o Vendaval (RN)
Zurdo (RN)

Dia 10/11, domingo, 15h30, R$ 5

Mukeka Di Rato (ES)
Croskill (RN)
Devotos (PE)
Zander (RJ)
Los Peyotes (Argentina)
Monster Coyote (RN)
Don Fernando (Australia)
Molho Negro (PA)
Red Boots (RN)
Iminent Attack (SP)
Skate Pirata (CE)
Observer (RN)
Sertão Sangrento (RN)
Damage Division (RN)
Godhound (RN)

Mossoró
CCl Dosol/Estação das Artes
Dia 13/11, quarta, 22h, R$ 8

Los Peyotes(ARG)
Depois de Velho (RN)
Velociraptors (RN)

Dia 14/11, quinta, 22h, R$ 8

Don Fernando(AUS)
Red Boots (RN)
Godhound (RN)

Dia 15/11, sexta, 22h, R$ 8

Criokar(CE)
Abra Kadaver (RN)
Desalma(PE)

Dia 16/11, sábado, 18h, Entrada Franca

Estação das Artes
SeuZé (RN)
Androide Sem Par (RN)
AMP (PE)
Arcanjos (RN)

Dia 17/11, domingo, 18h, Entrada Franca

Estação das Artes
Monster Coyote (RN)
Damage Division(RN)
Truck Driver Killers(PB)
Mad Grinder (RN)

Caicó
Ilha de Santana, Entrada Franca

Dia 23/11, sábado, 18h


Boats
Pscicomancia
Riveros
The Sinks
Far From Alaska
Fukai
Monster Coyote
Scoria
Kataphero
Sertão Sangrento


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Zeca Baleiro elogia Emília Monteiro


No começo da tarde desta terça, a cantora Emília Monteiro comemorou em sua página pessoal no Facebook ter recebido um elogio do compositor Zeca Baleiro, de quem ela gravou uma canção em seu CD Cheia de Graça. Leia a comemoração de Emília e em seguida o texto de Baleiro:

"Aí eu acordo hoje, depois da delícia de show que rolou ontem no Outro Calaf (Brasília) e me deparo com essa lindeza de comentário sobre o meu CD... Tô demais Cheia de Graça !!! Obrigada querido Zeca Baleiro !! Saravá !!! 

Emília Monteiro"

***


Emília Monteiro é uma grata surpresa musical vinda do Norte brasileiro. Com seu caldeirão fervente e moderno de música regional e pop radiofônico, ela faz sua estréia em CD em grande estilo (e que estilo!).  

Fiquei muito feliz de ter uma música gravada por ela - "Coisinha", parceria minha com Suely Mesquita. Todo o disco é intenso e bonito, e ela canta todas as canções com alma e propriedade.

Evoé, Emília!


Zeca Baleiro
***


 O CD Cheia de Graça pode ser adquirido no site da Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42137486&sid=89921531215815851649760546


 Conheça a fan page de Emília Monteiro no Facebook - https://www.facebook.com/emiliamonteiroOficial

domingo, 18 de agosto de 2013

Mapeamento 2013: Obaluaê


84

Banda -  Psicotheremin
Cidade/ Estado - Capanema (PA)
EP
Número de faixas - 6
Gênero/ estilo - rock/eletrônico
Gravação - Estúdio Canto do Curupira, 22/7 a 2/8
Data de lançamento - 12.8.13

Lançamento do grupo de Capanema, homenageando Obaluaê, o orixá da medicina, da cura, da transformação, comemorado em 16 de agosto (devido a seu sincretismo com São Roque). A canção-título, que encerra o EP, é basicamente instrumental, só é cantada a saudação ao orixá "Atotô, Obaluaê", acompanhada por forte percussão, que se alterna com uma base de guitarra e toques espaciais do sintetizador (toques que perpassam todo o disco). Um poema para Obaluaê faz parte do pacote de download (que inclui ainda capa, contra-capa e foto da banda). Outra orixá está presente na faixa que abre o disco, "Yemanjá" (a mãe do mar, a quem o eu-lírico pede para ser guiado, preocupado que está com a hipótese da lua não baixar - "não dormirei só em pensar como ficará o mar sem uma noite de luar"). A relação com temas dos cultos afro-brasileiros tem ligação com a antiga banda de dois integrantes do Psicotheremin, Messias Lima (bateria) e Nazo Glins (guitarra e baixo), ambos ex-Destruidores de Tóquio. A DDT chegou a fazer um show da série Invasão Caipira no Terreiro do Caboclo João da Mata, na cidade paraense de Quatipuru, em 1 de outubro de 2010. O EP inclui a releitura de "Subúrbio Central", da Classe B (antiga banda do vocalista Kleydir Mendes), e um tema em inglês, "Personal Hell", que Nazo Glins compôs para uma de suas primeiras bandas, a Transformer, no final dos anos 1990. Já a sonoridade do álbum remete ao rock nacional da virada das décadas de 80-90. 


A produtiva fase da Gang do Eletro


É comum que, após o lançamento de um álbum completo, os fãs se conformem com a idéia de que seu artista ou banda preferidos vai demorar para apresentar novas músicas. Mas ao menos com isso os fãs da Gang do Eletro não têm que se preocupar. 

Após lançar o primeiro CD em março, a Gang já disponibilizou um tema ("No Caquiado do Samba") composto especialmente para o programa Esquenta! (da TV Globo), em julho, e só neste final de semana, mais três sons. Ontem foi a vez de "Electro dos Caras de Pau", e hoje de manhã o DJ Waldo Squash lançou em seu Soundcloud "Galera da 7", tema de sua autoria onde ele divide os vocais (coisa rara!) com Maderito e Keila Gentil. 


Quer mais? Tem!

Agora de tarde, Waldo já lançou novo som, "Equipe Barca Show" (https://soundcloud.com/djwaldosquash/gang-do-eletro-1), onde novamente ele canta com Maderito. 



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

CD Cheia de Graça, de Emília Monteiro, já está à venda pela internet

Cheia de Graça, o primeiro CD da cantora Emília Monteiro, amapaense radicada em Brasília, tem distribuição nacional da Tratore. No disco, a intérprete promove um passeio sonoro pelo Brasil, com especial ênfase nos ritmos do Norte do país: batuque e marabaixo (Amapá), carimbó chamegado, lundu e carimbó (Pará), além do zouk love (originário das Antilhas e chegado ao Norte do Brasil via Guiana Francesa), balada e pitadas de jazz. A cantora faz show em Macapá no próximo dia 7 de setembro, no Motor's Beach.



A pesquisa de repertório para este trabalho durou quatro anos; o resultado reúne inéditas de Ellen Oléria, Zeca Baleiro, Suely Mesquita e Dona Onete, além da gravação da primeira parceria das cantoras Márcia Tauil e Simone Guimarães e o lançamento de um novo autor, o até então inédito compositor paulista Nanon, que assina duas faixas do disco. Participam do CD Dona Onete, o guitarrista Aldo Sena e o produtor e músico Rodrigo Campello.

O ex-Titã Charles Gavin considerou o trabalho excelente e recomendou sua audição, em mensagem postada em seu Facebook pessoal em julho.


O CD pode ser adquirido, em formato físico, no site da Livraria Cultura: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42137486&sid=89921531215815851649760546


Em formato digital, o álbum completo ou faixas isoladas podem ser adquiridas pelo iTunes - https://itunes.apple.com/br/album/cheia-de-graca/id685811887


Escute o álbum completo no blog Música do Norte - http://musicadonorte.blogspot.com.br/2013/06/disco-do-mes-cheia-de-graca.html


Conheça a fan page de Emília Monteiro no Facebook - https://www.facebook.com/emiliamonteiroOficial

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Equipe Som do Norte: Ingred Loureiro


Nesta semana, tivemos a estréia aqui no blog da mais nova colaboradora do Som do Norte: Ingred Loureiro, 22 anos. Narural de Manaus, Ingred cursa Jornalismo na Uninorte. Já escreveu para vários endereços na internet, como o Manaus Rock, o Blog de Comunicação da Agex - Uninorte e o site Tenda do Bardo, do Rio de Janeiro.

Ingred já era nossa leitora antes de escrever para o blog, e diz porque não hesitou em aceitar nosso convite: "Acho o Som do Norte a minha cara: fala das coisas que eu defendo, música independente. Som autoral de qualidade e do Norte."

A paixão pela cena musical manauara levou Ingred a colaborar com a produção de alguns eventos (entre eles o nosso parceiro Riffs Desplugados) e também a ser vocalista da banda autoral Monalisa. 



Agenda Manaus: Riffs Desplugados



Cheia de Graça: O Brasil não conhece Pindorama

Por Zé Vaz*


Nos anos 70, os compositores Mauricio Tapajós e Aldir Blanc tiveram uma de suas parcerias imortalizada na voz de Elis Regina: “Querelas do Brasil”. Em seus versos insistentemente repetidos - "o Brazil não conhece o Brasil" - criticavam o olhar e o ouvir daqueles que privilegiam o que vem do exterior, particularmente da cultura anglo-saxã, ao mesmo tempo em que desprezam ou não dão a atenção devida à riqueza das coisas nossas, da cultura popular do nosso país.

Ao ouvir o CD Cheia de Graça\ - da amapaense radicada em Brasília Emília Monteiro - não há como não aproveitar o mote dos geniais compositores e parafraseá-los: o Brasil não conhece Pindorama.

Pindorama, em tupi-guarani, é como os indígenas se referiam ao nosso território antes da chegada dos europeus.  Tem como tradução mais usual "Terra das Palmeiras", que correspondia à paisagem vista pelos que habitavam o litoral brasileiro, índios que hoje estão praticamente extintos.

Porém a herança cultural indígena sobrevive na maior região do Brasil, que também é a mais desconhecida pela maioria dos brasileiros: o Norte. Uma região de baixa densidade populacional, coberta de densas florestas e rios caudalosos, onde é difícil se deslocar.  Mas também uma região em que pulsa uma surpreendente diversidade de expressões culturais.

Passados mais de cinco séculos, apesar de toda a violência do processo civilizatório, ainda existem vigorosos traços dessa cultura ancestral de Pindorama. Cultura que sobreviveu e se enriqueceu, ao mesclar-se com expressões culturais trazidas pelos africanos e ibéricos.

Lá no Norte habitam sonoridades desconhecidas da grande maioria dos que vivem no “sul maravilha” (expressão de humor ácido consagrada na fala da Graúna, inesquecível personagem do cartunista Henfil). Ainda que recentemente a cena musical do Pará venha ganhando espaço no mercado musical, o som do Norte, de uma forma geral, ainda é uma novidade nos grandes centros urbanos do país.

Porém, nesse CD,  essa sonoridade não é apresentada de forma pura. Não se trata de um trabalho de etnologia musical. Como manda a nossa boa vocação antropofágica, Emília Monteiro faz uma leitura contemporânea bem pessoal, mesclando influências das mais diversas.

Fotos: Thiago Sabino/Nayara Viana


Emilia canta o carimbó, o lundu, o batuque e o envolvente marabaixo - essa a principal expressão musical de sua terra, o Amapá. Sempre com uma leitura bem singular, com arranjos instrumentais ousados, mas que respeitam a base rítmica desses gêneros. Cabe aqui destacar o trabalho do arranjador João Ferreira.

A primeira faixa do CD é um cartão de visitas pra não deixar dúvidas do que vem pela frente: “Mandacaru” (Nanon) é quase um manifesto da proposta musical do CD. É como se avisasse que, daí em diante, iremos ouvir a voz de uma cabocla que anda descalça, que nunca quis ficar pra titia, que dá no couro, que “leva a vida desse jeito assim”. Vigorosa e doce, decidida e passional. Assim é a interpretação de Emilia Monteiro.

O marabaixo “Mal de amor”, da dupla amapaense Joãozinho Gomes e Val Milhomem, é de uma beleza melódica e poética indescritível. Emilia dá a essa canção uma interpretação suave, que contrasta e se afina com o bater dos tambores do marabaixo. De arrepiar.



Emilia ainda interpreta algumas baladas e gêneros dançantes, que evocam uma sensualidade cabocla-cafuza que dispensa discursos. Apenas enreda, envolve e seduz. Simples assim. E cheia de graça. A participação especialíssima de Dona Onete em duas faixas é a cereja do bolo (em “Eu Quero Esse Moreno pra Mim” e “Veneno de Cobra”).

O CD termina com um batuque, designação genérica que denomina muitos gêneros de “DNA” afro-ameríndio. “Mão de Couro” (Joãozinho Gomes - Val Milhomem) traz uma polirritmia embalada por um competente naipe de metais, com a voz de Emília alinhavando versos e melodia com precisão.



Arte: Ralfe Braga




Emília faz a sua estréia com brilho. E, para quem tiver a oportunidade e o privilégio de vê-la ao vivo, saiba que ainda vai se encantar com a sua beleza física e o carisma com que domina o palco.

O CD Cheia de Graça pode ser uma ótima introdução ao universo musical do Norte do país, mas que não se restringe a isso. No mundo de hoje a música regional não se prende às fronteiras geográficas nas quais se inscreve, pois há o inevitável flerte com as vizinhanças. Assim, o CD de Emilia Monteiro namora com as Guianas e Antilhas no balanço do dançante zouk love, se enrosca com o Maranhão de Zeca Baleiro, se encanta com o Centro-Oeste de Ellen Olléria e devaneia com canções de compositores das cidades cosmopolitas do Sudeste.  

Um trabalho que aumenta em nós o orgulho da nossa brasilidade, da nossa imensa diversidade cultural, dos frutos da nossa miscigenação. Emilia Monteiro nos mostra que essa nossa riqueza é ainda maior do que imaginávamos.

Crítico musical 





quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Foi Show: Ocupa Cacimbão

Por Nany Damasceno,
de Rio Branco

Foto: Santiago Queiroz



No domingo, 11 de agosto, aconteceu em Rio Branco o “Ocupa Cacimbão”. Movimento inspirado no projeto “Acústico Lo-fi” que surgiu este ano em Porto Velho e tem movimentado a cena musical da capital rondoniense.

O evento, organizado coletivamente por amigos, produtores, músicos e entusiastas, ocorreu no “Cacimbão da capoeira” patrimônio histórico da capital acreana e contou com a apresentação do Zé Jarina, com suas oesias e músicas irreverentes, das bandas Os filhos da mãe, Grupo Capu, e os cantores Alessandro Ferreira’ e Diogo Soares (vocalista da banda Los Porongas) acompanhados dos músicos Saulinho (do Caldo de Piaba), Paulo Nobre, entre outros. 

Cerca de 300 pessoas se reuniram no espaço para prestigiar os shows que tiveram abertura com a banda Os filhos da mãe. Surgida em 2011, a banda traz em seu repertório músicas autorais de boa qualidade e que ao surgir, teve uma rápida passagem pela cena musical acreana, caindo novamente em anonimato, devido a projetos pessoais dos integrantes. A banda voltou, agora com novo baixista; seu show foi curto, mas empolgante e com bastante qualidade.



Os Filhos da Mãe
(foto: Hugo Costa)


Logo depois quem tomou conta do microfone foi o poeta e cantor César Farias, figura lendária do Acre. César, também conhecido como Zé Jarina, prendeu a atenção de todos com os repentes e histórias do cotidiano que contar muito bem, seja em forma de prosa, poesia ou mesmo em músicas que têm como característica principal a linguagem típica dos acreanos.

Alessandro Ferreira também se apresentou, relembrando os tempos em que cantava com a banda Garagem 178, no Loft Bar, com músicas próprias e alguns covers de clássicos do rock. 

Ainda levando poesia ao evento, Clenilson Batista foi ao palco junto com o Grupo Capú, a mais antiga banda de rock autoral do estado, que sempre serviu de inspirações para as que estão começando. Com letras que falam de amor, lutas e resistência à ditadura enfrentada nos anos 70, quando surgiu, o grupo ontinua sendo uma das bandas mais originais do Acre.


Grupo Capú
(Foto: Ronnie Blues)


Para encerrar, Diogo Soares cantou covers, músicas de sua autoria com parceiros como Saulinho e ainda, sucessos do primeiro e do segundo CDs da banda Los Porongas sempre com a emoção que lhe é característica. Durante todo o show, Diogo pediu que o público se faça presente e ocupe os espaços públicos com arte. 

Este movimento é histórico pra cidade que passa por certo hiato musical, foi pensado para tentar resgatar os festivais e eventos que sempre fizeram de Rio Branco uma das referências na cena cultural da região norte. Veio ainda, como alternativa, igual a tantas outras vezes em que se tentou não deixar o rock morrer. Porém, desta vez, quem estava lá há de concordar: teve um gosto, uma vibe, um astral diferente e deixou a sensação de que “Agora vai”.

O principal entusiasta do movimento Ocupa Cacimbão é o já citado Diogo Soares, que afirma: “O Ocupa Cacimbão foi um grito de liberdade na cidade de Rio Branco. A ocupação do Cacimbão da capoeira foi feita de encontros, de muita conversa, música e a poesia. Ver no mesmo palco uma banda nova como a Filhos da casa da Mãe e o grupo mais antigo do rock acreano, o Capú, numa mesma noite foi maravilhoso... A ocupação do Cacimbão nasceu inspirada pelo movimento Acústico Lo-Fi, que reúne público e artistas na beira do rio Madeira, aos domingos em Porto Velho. Com essa inspiração e diante do paradoxal marasmo que toma conta da música no Acre (nunca houve tantas espaços e nunca nossa música esteve tão desarticulada!) a idéia surgiu como um grito, uma alternativa, um caminho novo pra quem acredita na arte e deseja construir algo junto. Espero que a ocupação do Cacimbão seja uma virada pra que comecemos, nós, cidadãos rio-branquenses, a ocupar os espaços públicos todos e discutirmos sem medo a cidade que queremos.”

O Cacimbão da capoeira é um local de grande importância histórica e social. Foi fundado em 1927, sendo tombado em 1984 como patrimônio histórico. Situado às margens da zona urbana, o Cacimbão abasteceu por 30 anos a cidade de Rio Branco com água potável. Hoje revitalizado, está um espaço bonito, cheio de verde e carregado de poesia, bem no centro da cidade.

Clenilson Batista comentou sobre o evento em sua página do Facebook:

 “EXISTE VIDA INTELIGENTE NO CACIMBÃO!

Essa foi a conclusão dos Seringueiros Astrais que sobrevoaram o bairro da Capoeira com suas astralnaves movidas a som, na tarde-noite deste domingo. Cabeças pensantes musicais iluminadas cruzavam nas calçadas, estrelas no palco e sentadas na grama. Tinha um quê de Woodstock no ar. Deu pra respirar um pouco de saudade e encher os pulmões de esperança. Nem tudo está perdido na terra de Galvez. Deu satisfação ver os reflexos de um país em ebulição ir beber das águas cristalinas dos sonhos de mentes sedentas que estavam por ali. Me fez continuar acreditando que tudo é possível, até mesmo o impossível. ...Os primeiros raios de luz do novo tempo já brilham no horizonte. Vibrações positivas, irmãs e irmãos de planeta! Acordamos para viver um sonho que sonhamos juntos! Viva Era das Águas musicais do Cacimbão da Capoeira! Viva nós! Viva todos que organizaram, ajudaram, participaram e os que torceram pelo sucesso desta primeira grande celebração. A viagem só está começando!

E é esta a sensação que o Ocupa Cacimbão deixou: que a viagem está só começando e que Rio Branco pretende mesmo ocupar os seus espaços como anos atrás, com poesia, música, encontros, cinema, enfim... arte.

Como bem disse o cineasta Sérgio de Carvalho: “A hora agora é de somar forças e sacudir este Acre com a força da arte, de toda forma de arte” E o povo entendeu o recado, o próximo encontro já está marcado para o dia 25 de agosto, um domingo.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Abertas as inscrições para o 2º Festival Amazonas Rock



Por Ingred Loureiro,
de Manaus

Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira, 8 de agosto, a Secretaria de Cultura do Amazonas informou como será a segunda edição do Festival  Amazonas Rock. O evento estreou em março de 2012, sendo realizado em Manaus, com 30 bandas locais e 2 de outros estados, além de oficinas educativas e acadêmicas visando o fomento da cultura e o desenvolvimento do trabalho dos artistas independentes.

Neste ano, o Festival é realizado pela Secretaria  em parceria com o Fórum Permanente de Música do Amazonas. Pela primeira vez, uma ação deste porte irá ocorrer num município do interior - a cidade de  Presidente Figueiredo irá sediar o evento, que acontece de 2 a 6 de outubro.

As inscrições para bandas do Amazonas já estão abertas através da plataforma TNB-Toque no Brasil, pelo link http://tnb.art.br/oportunidades/ii-festival-amazonas-rock/  até o dia 3 de setembro.  

Outras duas bandas da região Norte serão convidadas, informou Thiago Hermido, membro da comissão organizadora, que também anunciou a presença da produtora cearense Thaís Andrade, da Feira de Música de Fortaleza e RedeCem, na relação dos oficineiros do Festival. As oficinas também serão em cidades do interior - Iranduba, Itacoatiara e Rio Preto da Eva

Para Thiago, o Festival caminha para alcançar cunho nacional, o que abre oportunidades para bandas amazonenses, que são vistas pelos produtores das atrações nacionais. 

 
Sandro Nine, também da comissão organizadora, comentou que o festival de 2012 repercutiu até no exterior. Adiantou que se estuda a abertura de vagas para bandas de fora da região Norte. Também citou o fato de que o trabalho de bandas do Amazonas, como Luneta Mágica e Malbec, já está repercutindo fora da região.  

***

Números do Festival 

O festival contará com o investimento de: R$ 690.259,00
14 shows de bandas locais
4 shows de bandas nacionais
160 vagas gratuitas para oficinas.
Mais de 9 horas de música ao vivo.
E premiação de R$ 3.000.00 para as bandas selecionadas.


*** Esta matéria foi reproduzida em  15.8.13 no site da Web Rádio Manifesto Norte - http://webradio.manifestonorte.com/index2.php?option=noticia&value=183

domingo, 11 de agosto de 2013

Felipe Cordeiro regrava Cazuza


Felipe Cordeiro foi um dos convidados pela jornalista Lorenna Calábria para tomar parte do CD Agenor - Canções de Cazuza, lançado este mês pela gravadora Jóia Moderna. Felizmente a opção da curadora foi privilegiar obras menos conhecidas do repertório do compositor nascido Agenor de Miranda Araújo Neto. A música que Felipe regravou foi uma surpresa até para Lorenna, quando a descobriu no garimpo para o CD: “Eu nem suspeitava que Cazuza tivesse feito uma rumba como 'Tapas na Cara', entregue a Angela Maria.", declarou Lorenna ao site da revista Trip

Outra surpresa é que esta é uma rara composição em que Cazuza assina letra e melodia; na maior parte de sua obra, ele geralmente é o letrista. 

A versão original da música saiu no LP Angela Maria, lançado em 1987 pela extinta RGE. A regravação de Felipe (feita em Bonn, na Alemanha, onde ele se apresentou em 26 de junho deste ano) deu à canção um ar de novo-som-de-Belém, com pitadas de lambada e carimbó, que casaram muito bem com a composição. 



sábado, 10 de agosto de 2013

Polícia interrompe festa e fecha boate em Macapá


Há pouco mais de uma hora, a boate Disco Gloss, na rua Tiradentes (centro de Macapá) foi fechada por uma equipe da Prefeitura Municipal acompanhada de força policial. A intenção era verificar a regularidade da documentação da casa (alvará) bem como as condições de segurança do local. Alegando irregularidades na documentação e falta das condições ideais numa das saídas de emergência (trancada por cadeado), policiais foram à pista da boate, fazendo gestos para o DJ suspender a sonorização que fazia enquanto a banda Stereovitrola se preparava para tocar. Em seguida, os policiais informaram ao pequeno público presente na pista (a maioria se encontrava na frente da boate, já que era um momento de intervalo) as razões da interdição e pediram a todos que saíssem para sua própria segurança. Perto de 1h20, os músicos da Stereovitrola deixaram a boate com seus instrumentos, indo em direção a seus veículos para se dirigirem para casa. 

A dona da boate chegou a conversar com os policiais e a equipe da Prefeitura, explicando que a festa realizada hoje (a Isso não é um Bingo) era beneficente, mas o oficial policial que chefiava a operação respondeu que isto não vinha ao caso, pois um prazo fora dado para a casa se adequar, o que ficara constatado não ter ocorrido; caso a festa não parasse, a proprietária seria levada à delegacia por desobediência.

A festa visava arrecadar fundos para o tratamento de três pessoas que sofreram acidente há pouco tempo, uma delas a DJ Pin Up. 

A única banda a tocar foi a Beatle Jorge, que levou seu rock instrumental-experimental por cerca de 50 minutos, parando uns 5 minutos antes da polícia chegar. De início explorando sons muito dissonantes, a banda foi conduzindo o set para sons mais harmônicos ao longo da performance. O que não variou foi a intensidade, o trio atuou sempre no máximo. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Banda Calypso ensaia para a gravação do DVD em Ceilândia (DF)

Ontem o fã-clube BDC tuitou fotos do ensaio que a Banda Calypso fez já no local do show onde irá gravar seu novo DVD, em Ceilândia, no Distrito Federal. Na primeira foto, é possível ver à esquerda Chimbinha, de costas, e Joelma ao fundo, no centro da foto. 


Este será o 7º DVD da banda, e terá as participações especiais de Amado Batista e Reginaldo Rossi. 

Palco do show

Mais informações em http://somdonorte.blogspot.com.br/2013/07/agenda-ceilandia-df-gravacao-do-dvd-da.html