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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sobre cobertura de festivais pelo @SomdoNorte

Desde a semana passada, tem sido frequentes as abordagens de bandas e amigos de Porto Velho me perguntando se irei cobrir o Festival Casarão deste ano. A todos, não sem um certo pesar, tenho respondido que não irei. Como o tema - cobertura de festivais independentes - faz parte do rol de assuntos tradicionalmente abordados pelo Som do Norte, julguei oportuno e mesmo necessário fazer de público este esclarecimento. E desde já informo que o que segue não é específico sobre o Casarão, e sim festivais da cena independente em geral. 

Em primeiro lugar, é bom lembrar: o Som do Norte é um blog independente. Ou seja, uma realização minha, bancada com recursos próprios. Não temos, como nunca tivemos, anúncio algum no blog. Não que não queiramos, mas nas várias vezes que tentamos, isso nunca se concretizou, até que um dia desencanamos - se um dia rolar, beleza, mas também não temos como ficar permanentemente em busca de algo que jamais acontece. 

A cobertura de um festival em outra capital envolve uma série de custos altos - passagens aéreas, hospedagem, alimentação, deslocamento dentro da própria cidade. Já houve casos em que fui convidado pela organização de festivais para cobrir os eventos, tendo todas as despesas pagas. Foram os festivais Varadouro 2008 (Rio Branco, onde nasceu a idéia de criar este blog), Tendencies Rock 2010 (Palmas), Conexão Vivo 2010 (Belém), Quebramar 2010 (Macapá), TomaRRock 2010 (Boa Vista), e Grito Rock Capanema (2011) - em todos estes eu também fiz parte da programação, ministrando workshops e/ou participando de debates sobre Jornalismo Cultural e a cena independente, à exceção do Tendencies, onde o debate que eu faria com Fábio Mozine (Mukeka Di Rato, Os Pedrero - ES) foi cancelado devido à demora na passagem de som da banda Os Raimundos (DF). 

Já no ano passado, fiz uma experiência, estabelecendo acordo com alguns festivais, acordo pelo qual eu mesmo arcaria com as despesas aéreas, o festival entrando com suporte nos outros itens, e assim cobri os festivais Casarão (Porto Velho) e Até o Tucupi (Manaus); já neste ano, aconteceu o mesmo em relação ao Grito Rock Castanhal, com a diferença de que a passagem em questão era de ônibus, e não de avião. Também em 2012, houve o único caso até agora de cobertura na qual eu arquei com todos os meus custos, que foi a do Quebramar (do qual, aliás, eu também participava da programação). Afora isso, há os festivais que acontecem em Belém, cujo custo é evidentemente muito menor (afinal, eu já estou na cidade), o que me possibilitou cobrir sem grandes dificuldades o Se Rasgum 2010, Grito Rock 2011 e Conexão Vivo 2011 - mas "sem grandes dificuldades" não quer dizer necessariamente "com facilidade". A organização do Se Rasgum 2010, por exemplo, recusou-se a me transportar para o Hangar (local onde aconteceu a primeira noite de shows), e eu concluí que não valia a pena ir e voltar de táxi (as duas corridas sairiam hoje em torno de R$ 50,00); publiquei uma nota a respeito no blog e cobri apenas as duas noites seguintes, realizadas no African Bar. 

Enfim, é inviável economicamente para um jornalista de blog independente viajar de avião por conta própria para acompanhar um evento cuja cobertura será posteriormente disponibilizada para leitura gratuita. É isto. 


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