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domingo, 7 de abril de 2013

Natália Matos canta Aracy de Almeida na reabertura do SESC Boulevard


A foto acima, de autoria de Sergio Malcher, ilustra um dos pontos altos do show Tributo a Aracy de Almeida, que a cantora Natália Matos apresentou na  quinta, 4, na reabertura do SESC Boulevard (Belém). - a hora em que Natália e Arthur Espíndola relembraram a polêmica que envolveu Noel Rosa e Wilson Batista nos anos 1930. Ele cantou "Lenço no Pescoço", de Wilson, e ela "Rapaz Folgado", de Noel, sambas que em 1933 iniciaram a polêmica (ela se estenderia por mais três anos, embora não tenha tido na época o destaque que geralmente se acredita hoje. Mas isso já é outra história).

Ao receber o convite do SESC para dois shows (o outro, com músicas próprias, será no dia 12, a partir das 19h), Natália logo pensou em fazer em Belém um show que já apresentara em 2009, no começo da carreira em São Paulo (onde morou alguns anos) - justamente este tributo a Aracy, uma de suas paixões desde a infância, inclusive por semelhanças vocais (a voz aguda e levemente anasalada). A voz, o conhecimento e o bom gosto musical fazem-na de fato uma intérprete ideal para esse repertório, fortemente ancorado nas décadas de 30 e 40, e que teve também como destaques "Silêncio de um Minuto" e "O X do Problema" (ambas de Noel), "Tenha Pena de Mim" (Ciro de Souza - Babaú), "Vai Trabalhar" (Ciro de Souza) e "Engomadinho" (Pedro Caetano - Claudionor Cruz).

Louve-se ainda a incrível capacidade de Natália frasear a melodia, poucas vezes repetindo de forma idêntica maneira um mesmo trecho, e sempre adequando sua expressâo à mensagem da letra. Enfim, um belo show, que merece ser repetido novamente. 

SESC - O retorno às atividades do SESC Boulevard vem ajudar a sanar um grave problema para a cidade, que foi abordada em reportagem do caderno "Magazine", do jornal O Liberal, em 27 de março passado, por ocasião do Dia do Teatro: a falta de palcos em Belém. A matéria citou apenas, em funcionamento, o Teatro Gasômetro, o Teatro Maria Sylvia Nunes (que é usado também como cinema), o Teatro Waldemar Henrique (recém-reaberto, e cujo edital de pautas está em elaboração) e o palco do Museu de Arte Sacra, que confesso desconhecer, mas creio não estar disponível para shows de música popular (ao menos jamais vi nada do gênero anunciado para lá).

Fosse feita uma semana depois, a lista do "Magazine" já poderia incluir o auditório do SESC Boulevard, que compensa de alguma forma a lacuna deixada pelo Teatro Margarida Schivasappa, em reforma desde o começo do ano passado. Afora isso, como bem lembrou o diretor do SESC José Maria Vilhena, o SESC Boulevard mantém uma regularidade na sua programação, sempre dedicando à música o horário de 19h de quarta a domingo, ao longo do ano todo.

Essa regularidade e constância são fundamentais para a fidelização do público, para usar um termo da moda. Sabendo que o espaço estará aberto e com uma programação de qualidade, a pessoa adquire o hábito de prestigiar o trabalho autoral dos artistas locais. Ainda mais com a programação sempre gratuita (sim!!). E quando isso já se repete por três anos, é digno de nota. Enfim, um belo local, que merece ser frequentado por moradores e visitantes de Belém. 

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