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quinta-feira, 21 de março de 2013

Juca Culatra fala do CD Breggae

Por Raissa Lennon, de Belém,
especial para o Som do Norte

Pela primeira vez as letras românticas do brega paraense encontraram as batidas do reggae roots jamaicano. O responsável por essa mistura inusitada foi o músico Juca Culatra, que lançou o CD Breggae (http://somdonorte.blogspot.com.br/2013/02/mapeamento-2013-breggae.htmlem fevereiro deste ano. Bem à vontade deitado em sua rede, na Casa Fora do Eixo Amazônia (Belém), o cantor Juca Culatra concedeu uma entrevista exclusiva para o Som do Norte, contando tudo sobre o novo disco e projetos futuros.


O cantor brinca que ele fez um disco “covarde”, pois as músicas são velhas conhecidas do público.  

- Esse é um disco covarde. São oito músicas que todo mundo conhece, não tem nenhum paraense que nunca tenha ouvido essas músicas. O cara pode até não gostar delas, mas com certeza já escutou em algum lugar. Por isso, são facilmente aceitáveis e nessa nova versão de reggae, parece que a galera se identificou ainda mais. 

As músicas a que Juca Culatra se refere, são grandes sucessos de bregas antigos como “Palavras”, de Marcelo Wall, e “Caprichos” de Nelsinho Rodrigues.

Experimentação

Foi em 2011 que Juca Culatra começou a perceber a possibilidade de experimentação do reggae com o brega.

- A galera da aparelhagem começou a fazer versões de grandes clássicos da Jamaica e colocaram nas batidas do brega. E eu percebi que dava para fazer ao contrário. A primeira vez que a gente testou foi no início de 2012, lá no Porto Solamar, quando tocamos ‘Palavras’, de Marcelo Wall e a galera gostou muito. Desde então começamos a tocar em alguns shows com o intuito de gravar. 


Juca foi acompanhado nas gravações de Breggae pelos músicos Júnior Gurgel (bateria), Fabio Ramos (teclados e produção musical) e Charles Santana (contrabaixo): "Foi um processo de total experimentação, em que algumas músicas deram certo e outras não”, comentou.

As letras do reggae, que geralmente falam de natureza, rastafári e contestação social, ganharam um novo ambiente no Breggae, com letras e harmonias que falam de amor.

- As letras são do brega romântico, mas a levada da música é praticamente toda de reggae. No disco as letras falam de amor, traição, que é uma coisa que não se vê no reggae.

Além disso, para o cantor paraense foi um aprendizado fazer versões de músicas, já que o seu primeiro disco Dino Sapiens (2011) foi totalmente autoral. 

-É muito fácil a pessoa cantar as suas próprias músicas, agora cantar coisas de outros compositores e fazer esse trabalho de interprete, é mais trabalhoso. Eu tive que realmente estudar as músicas, nota por nota. Também tive que pegar umas ‘cornadas’ na testa para sentir mais o clima do brega - brincou o cantor.  

Direito Autoral

O disco Breggae também nasceu com a intenção de levantar uma discussão a respeito do direito autoral.

“A ideia era fazer um disco sem pedir autorização para ninguém mesmo. Até utilizei nas redes sociais a hashtag #podeprocessar. É um lance de levantar a discussão do direito autoral no Brasil que é muito pouco falado aqui. E também do movimento brega que se apropria das outras músicas. Não que eu ache errado isso, é apenas um processo de amadurecimento de como o artista vê o direito autoral. Eu, por exemplo, não vou ficar pedindo autorização para editora nenhuma liberar música para eu gravar, para um disco que eu lancei todo pirata”, opina Juca. 

Segundo o cantor, os artistas do brega como Wanderley Andrade e Nelsinho Rodrigues adoraram o trabalho e a mistura.  

"Eles me deram os parabéns e até já me convidaram para gravar outras versões das músicas deles”.

Trilogia

Juca Culatra também adiantou as novidades do próximo disco, que terá música autoral e versões. Será a continuação da experimentação entre os ritmos da Jamaica e do Pará. O Breggae foi o primeiro da trilogia desse projeto. O segundo será o SKrega, uma mistura de ska com brega, que tem previsão para lançamento já em junho deste ano.

"Não tem nada mais cafona do que uma trilogia. Essa tem o nome de Jamaicamazônia, tudo junto mesmo. A primeira experiência foi com o ‘brega-reggae’, a segunda é o ‘ska-brega’ e a terceira a gente vai misturar o carimbó com dub e eletromelody também. Esse terceiro vai ser mais doidice ainda”, revelou Juca.

Ele contou também que pretende se desvincular do reggae aos poucos, para fazer um som ainda mais variado.

“Eu quero fazer música variada, como ragga, ska, brega, rock, porque eu acho que o artista tem que ser completo e capaz de fazer qualquer tipo de música. Não quero ser rotulado”. 

O cantor fala que essa versatilidade sempre foi algo marcante em sua carreira: “Eu sempre toquei um reggae diferente, que não é roots”.

O disco Breggae foi lançado para download na plataforma Soundcloud, mas na primeira semana acabou o limite disponível por música. Pra quem quiser conferir, as músicas estão disponíveis no servidor do Som do Norte - http://somdonorte.com.br/Juca%20Culatra%20-%20Breggae.rar

“Ouço comentários de mães de colegas meus, e de jovens falando que gostaram do disco. Então, tem tudo para ser um marco da música paraense. Fora que o reggae é uma linguagem universal, assim como é o rock, que em qualquer lugar do mundo tem gente que gosta”, acredita Juca Culatra. 

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