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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Diz Aí: Diogo Soares (Los Porongas)

Entrevista a Nany Damasceno


Formação atual da banda - Diogo é o da direita

Como começou a Los Porongas? Resume um pouquinho dessa historia que eu sei que é grande...

O começo do Los Porongas tem a ver com o momento da cidade de Rio Branco no começo dos anos 2000. Tinham vários artistas com vontade de fazer a coisa rolar, teve o Festival Universitário da Canção, uma noitada cultural chamada Baladas Kintas, organizada pelo Dande Tavares. A gente surgiu nesse contexto e fizemos o primeiro show com a formação que se jogou na estrada em junho de 2003, na Concha Acústica. De lá pra cá o sonho de ter uma banda virou nossa vida e a vida já ganhou outros sonhos, mas em todos eles a música é central.

Como foi esse começo, na cena do Acre? Já que além de ser artista, vocês também eram ativistas culturais e eram grandes responsáveis pela cena cultural de Rio Branco.

Foi massa demais. Dava gosto realizar as coisas, ver as bandas das quais gostávamos tocando nos eventos que a gente produzia e proporcionar a conexão do que a gente fazia com o resto do Brasil, a partir do Festival Varadouro. Essa plenitude nos deu confiança e foi muito importante pra decidirmos cair na estrada, rumo ao desconhecido. Se a coisa virava no Acre, poderia virar em qualquer lugar.


Show em Rio Branco - janeiro de 2011


E em que momento rolou a decisão de ir morar em SP?

Foi durante o ano de 2006, quando tocamos em vários festivais pelo país e sentimos a aceitação do público e da crítica. Era uma ideia antiga já, principalmente pro Magrão e pro Anzol, que até já tinha saído do Acre pra morar em São Paulo na década de 80. Mas o ano de 2006 foi quando essa decisão deixou de ser vontade pra se tornar ação.

Como foi o começo da vida aí?

Difícil pra caralho! Não conhecíamos quase ninguém e quase ninguém nos conhecia. Zerou tudo: público, reconhecimento. Tocamos em cada lugar que tínhamos oportunidade quando chegamos, das casas da Augusta até os palcos mais consagrados da cidade como o Itaú Cultural, CCSP, Sesc’s. O tempo foi passando e ficamos mais seletivos, não dá pra entrar em qualquer uma, pessoas foram se achegando à gente e de repente temos uma equipe trabalhando junto, pensando várias coisas, hoje tudo evoluiu pra isso. Mas tivemos que morar juntos, o que foi fundamental pra conseguirmos nos manter aqui, mas muito desgastante também. Chegamos na cidade sem produtor, nós mesmos que fechávamos os shows, mas não aconselhamos ninguém a fazer isso! 

Fala um pouquinho do hiato entre um CD e outro.

Foram 4 anos de adaptação a uma nova vida que se impôs a partir da mudança pra São Paulo. Foi um tempo de saudades, muitas descobertas e inspirações. As músicas foram ficar prontas mesmo de 2009 a 2010. As letras ficaram prontas por último em praticamente todas as canções. A gente só sabia que tinha que fazer o disco, e ele foi surgindo de ideias que cada um ia trazendo, acertávamos algumas coisas ensaiando, apesar de ensaiarmos menos que eu imaginava antes de virmos. Na real tudo o que aconteceu em São Paulo é completamente diferente do que um dia imaginamos para essa viagem. Imaginar a cidade é uma coisa, viver nela é que são elas.
E como está sendo este momento agora de em pouco tempo o lançamento do CD, o lançamento de dois clipes e vários shows e reconhecimento.
A gente tá experimentando várias coisas que eram vontades antigas. Sair em turnê e produzir videoclipes era duas coisas que estavam entre nossos anseios há muito tempo. Esse momento tem me feito olhar pra trás e ver como se deu tudo o que vivemos até hoje. Tentamos ser coerentes com o nosso tempo pra sobreviver como banda de rock autoral no Brasil 2000 e se nossas escolhas nos trouxeram até aqui, só nos resta dar tudo de nós no próximo disco, nos próximos shows e no que mais a música nos sugerir.

E como vai ser agora com o lançamento do clipe de "A Dois"? Vai rolar lançamento em outros lugares?

O clipe tá repercutindo muito bem, tanto na mídia especializada como na internet. Nas próximas semanas ele vai entrar na grade da MTV, MIXTV, CANAL BRASIL, PLAYTV e Multishow. A gente já quer é fazer outro. 

E o terceiro CD, tem previsão?

Já começamos a criar algumas coisas, estamos experimentando, já tem alguns esboços, mas nenhuma canção finalizada ainda. Este ano vamos criar o repertório e gravar o disco para lançar no primeiro semestre de 2014.

E as novidades pra 2013?

Queremos gravar o DVD de 10 anos no Acre, produzir um documentário e um tour que passará pelas cidades do Norte do Brasil em que já tocamos. A novidade mais quente é o lançamento do documentário sobre o Tour Norte que fizemos ano passado, que em breve estará disponível.

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