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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Agenda Belém: Tó Teixeira, Vida e Obra



O pacote de lançamentos valoriza a figura de Tó Teixeira, violonista que os belenenses geralmente conhecem apenas por ele emprestar o nome à lei municipal de incentivo à cultura. Salomão Habib apresenta o fruto de 24 anos de pesquisa, lançando numa vez só:

- livro de partituras de Tó;
- três CDs com peças inéditas para violão solo  - Salomão Habib Interpreta Tó Teixeira
- livro Tó Teixeira - O Poeta do Violão, com história do violão no Pará, incluindo um panorama cultural e violínistico da Belle Époque
- e um documentário em DVD. 


REPERTÓRIO DO CONCERTO

1.      BAMBIÁ QUE DINDINHA DANÇAVA – 1900
2.      CARIMBÓ (SOLO) – 1908
3.      MÁGOAS DE CRIOULO (SOLO) – Sem data de composição
4.      SINTO-ME BEM ASSIM (SOLO) – Sem data de composição
5.      PINHO CHOROSO (SOLO) – Sem data de composição
6.      VOVÓ, LÁ VEM O TIO TÓ ! (SOLO) - 1976
7.      DEPOIS DA CHUVA
8.      DANÇA ALEGRE– 1920*
9.      BRASIL O CANECO É TEU !– 1970*
10. OLHA O PATO COMENTO ALPISTA – Sem data de composição*
11. CHULA SAPECA*
*Participação do Grupo “Pau e Corda” Marcelo Ramos - cavaquinho, Azarias Cardoso -  Violão, Bruno Miranda - Pandeiro e Paulo Borges - Flauta 

TÓ TEIXEIRA (adaptado do release enviado pelo artista)



Antonio Teixeira do Nascimento Filho, popularmente conhecido como TÓ TEIXEIRA, era filho de um ferreiro de profissão e exímio flautista por vocação. Foi mais um dos descendentes dos escravos que serviam as ricas famílias portuguesas moradoras das Rocinhas de Nazaré.

Tendo nascido e se criado no antigo bairro de negros chamado Umarizal, um ambiente propício à música e aos festejos populares, logo despontou para a arte musical, tornando-se um dos mais festejados violonistas de sua época e conceituado professor de música de famílias de Belém da Belle Époque, deixando rica e variada obra musical à posteridade, composta não somente de estudos violonísticos, mas de uma grande variedade de gêneros.

Autor de inúmeras valsas, sambas, sonatas, choros, polcas, ladainhas, canções e uma série de outros diferentes gêneros, o compositor TÓ TEIXEIRA tinha uma particularidade em sua obra: a forma de nomear suas músicas. Peças como “CARVOEIRO DO SAPATO BRANCO”; “CARANGUEJO REFOGADO COM AZEITE DOCE”; “VAMOS TOMAR CAFÉ”; “SINTO-ME BEM ASSIM”; “PADEIRO SEM CAMISA”; “OLHA O PATO COMENDO ALPISTA” ilustram a originalidade e a simplicidade deste genial mestre que retratou como ninguém o cotidiano dos negros trabalhadores na Belém da Belle Époque.

Não seria exagero afirmar, que foi a partir do trabalho desenvolvido por TÓ TEIXEIRA que o violão no Pará iniciou sua conceituada trajetória, pois há de se considerar que mesmo possuindo um caráter meramente popular, sua obra e, fundamentalmente, sua dedicação ao ensino da técnica violonística, transformaram a imagem desse instrumento, provocando grandes modificações no que se refere à aceitação da ideia de que o violão poderia transitar fluentemente pelo campo erudito, o que contribuiu vigorosamente para o fortalecimento e a ascensão do violão às grandes salas de concerto neste Estado.

Portanto, na esteira musical iniciada por TÓ TEIXEIRA, revelou-se no Pará, uma linhagem tradicional de grandes compositores e músicos de violão, dentre os quais podemos ressaltar nomes como de ALUÍSIO SANTOS, BEM-BEM, PEDRO MATA-FOME, ATAULFO MIRÓN, CARLOS RODRIGUES, SALATHIEL MOREIRA, VAÍCO, MESTRE CATIÁ, GARARD (violão de sete cordas); GINO (violão de sete cordas), NEGO NELSON, EVERALDO PINHEIRO, ALDEMIR, PAULO MOURA, SEBASTIÃO TAPAJÓS e o próprio SALOMÃO HABIB.

Hoje, sabemos que todos esses talentosos músicos foram brindados pelo pioneirismo desse grande mestre, tendo sido beneficiados com o caminho trilhado por ele no início do Século 20.

Como temos visto, atualmente, vivencia-se, em âmbito nacional, um momento de grande interesse pelo Estado do Pará, com claras evidências de aceleração nos negócios em torno da cultura regional, principalmente, no que diz respeito à valorização do turismo, da gastronomia e de nosso patrimônio histórico como um todo, seja ele material ou imaterial.

Contudo, a busca incessante por novas formas de empreendimento, com uma linguagem mais acessível comercialmente, tornam as iniciativas de revitalização e preservação de antigos legados, bastante difíceis e até mesmo insuficientes.

Diante desse quadro de pouco incentivo, uma valorosa parte de nossa cultura musical, principalmente, a do início de século XX, encontra-se seriamente ameaçada de se esvair com o tempo.

Um exemplo desta triste realidade foi a constatação por parte de SALOMÃO HABIB, de que a rica obra deixada por MESTRE TÓ TEIXEIRA encontrava-se totalmente desconhecida pela nova geração de músicos paraenses e o pior, em vias de grave deterioração, correndo o risco de se perder por completo.

Todavia, pouco mais de duas décadas após seu falecimento, as ínfimas iniciativas de preservação e divulgação desta inestimável obra tomaram um rumo diferente, diante do interesse e empenho de SALOMÃO HABIB em recolher, completar e catalogar um quantitativo em torno de 600 peças, num árduo e silencioso trabalho de pesquisa que durou mais de duas décadas.

Com a finalidade de dar seguimento a um projeto de levar tal legado musical ao conhecimento público, tornou-se imprescindível a captação de recursos materiais e financeiros para a editoração, gravação e divulgação da obra, a fim de que nem o Estado e nem o povo dessa Região, lamentasse posteriormente a perda dessa importante parcela de nossa cultura.

Foi graças ao patrocínio do SESC Nacional e do SESC Regional do Pará, em função do apoio incondicional da pessoa de seu Presidente Regional, Sr. CARLOS MARX TONINNI, que SALOMÃO HABIB finalmente pode pôr em prática seu projeto de revitalização musical, intitulado TÓ TEIXEIRA - VIDA E OBRA, que tinha por objetivo maior a publicar parte da obra desse talentoso artista, contando sua história, com vias a reconduzir MESTRE TÓ TEIXEIRA ao posto que lhe é de direito, ou melhor, à condição de ícone em nosso seleto grupo de artistas regionais. 

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