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domingo, 27 de janeiro de 2013

Bruno B.O.: Máximo respeito ao Rap da Amazônia


Foto: Ana Flor

Em dezembro de 2010, o rapper paraense Bruno B.O. recebeu da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC) o Prêmio Hip-Hop 2010 – Edição Preto Ghóez, na categoria Conexões, que contemplou ações que promovem o intercâmbio do hip hop com outras linguagens. Exatamente o que se viu um mês antes em seu show no 5º Festival Se Rasgum. Bruno tinha a seu lado no palco parceiros das várias fases de seus 16 anos de carreira – além da banda Clã Real (ele, De Luca, Negro Eddie e o DJ Fantasma), de rap, o guitarrista Flávio, de sua primeira banda, a Carmina Burana, de rapcore, criada em 1994.

Por volta de 1998, saiu da Carmina e foi para os MBGC (Manos da Baixada Grosso Calibre), porque queria falar de questões raciais. Saiu em 2002 por divergências musicais – o grupo pretendia manter-se no rap tradicional, enquanto Bruno queria explorar fusões com o ragga. Seu projeto mais destacado desde então foi o Alma Livre Sound System, misto de banda e coletivo de DJs criado em 2006, no qual tinha como parceiros Vladimir Cunha, Negro Eddie, DJ Fantasma e Rick D. e que misturava reggae, ragga e new roots com bases eletrônicas. Também atuou no Clã Real, projeto paralelo do Alma Livre que durou até 2011, e nas bandas Luz de Ras, de reggae, e Raízes de Sião.

No começo de 2010, decidiu priorizar a carreira solo. Inscreveu-se nas Seletivas do Se Rasgum, chegando ao festival como primeiro colocado. A crítica destacou a sinceridade e a força de seu som – que o próprio Bruno define como “rap afro-amazônico”. Seu trabalho se apóia no tripé música, religiosidade, em especial religiões afro como o candomblé, e ação política. “Minha letra é sempre política, não acho que o rap deve buscar se tornar palatável para todo mundo”, afirma.

Até agosto, Bruno planeja lançar o single “Floresta de Concreto”, rap-salsa-brega que gravou com Gaby Amarantos. Dubalizer irá produzir uma faixa. Em 2012, lança a mixtape que irá gravar com parte dos R$ 13 mil que recebeu do MinC – atualmente, usa a verba para construir uma casa com estúdio no bairro da Pratinha, em Belém. A mixtape terá bases de Dubalizer e Pedrinho Hortelani (Radiola Dub) e produção de MacBeat. “A idéia é fazer a mixtape do Conexões juntando músicos de diversas linguagens com hip hop. Mesmo tendo base de vários parceiros, há uma unidade na mixtape. Pela primeira vez, depois do Carmina Burana, estou plenamente satisfeito com um trabalho meu.”

O single e a mixtape serão praticamente sua estréia fonográfica. Com a Carmina, tem 14 músicas gravadas - sete em estúdio, sete ao vivo num Especial Balanço do Rock, programa então apresentado por Beto Fares, que eventualmente tocava na rádio Cultura o material, jamais lançado em CD, e que contêm ainda duas gravações caseiras dos MBGC. Bruno participou ainda de faixas gravadas pelo Alma Livre e pela Luz de Ras no CD Pará Roots, em 2009.

* Publicado no site Pará Música 
em 13.06.11 

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