Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Agenda Belém: Tropicália (filme + show)


Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee e Gal Costa;
Sérgio Dias e Arnaldo Baptista

Neste sábado, 26 de janeiro, a Estação das Docas celebra o 10º aniversário do Cine Estação com o show de Renato Torres, Olivar Barreto e Joelma Kláudia, com repertório de um dos maiores movimentos da Música Popular Brasileira: a Tropicália. O show, com entrada franca, tem início a partir das 20h45, precedido da exibição do filme Tropicália, documentário de Marcelo Machado, com depoimentos e canções de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, entre outros.

A programação começa com o bate-papo com o público sobre os dez anos do Cine Estação, com o crítico de cinema Marco Antônio Moreira

Já o show, produzido especialmente para celebrar o 10º aniversário do Cine Estação, traz para o palco Renato Torres (voz e guitarra), Joelma Kláudia (voz), Olivar Barreto (voz), Rodrigo Ferreira (teclado), Rafael Azevedo (baixo) e Arthur Kunz (bateria).

Para Renato Torres (ao lado, em foto de Everaldo Nascimento), o Tropicalismo retoma a linha evolutiva da música brasileira, estacionada na bossa nova, e que na segunda metade dos anos 1960 estava perigosamente se engessando no radicalismo dogmático da esquerda nacionalista e nas marchas contra a invasão da guitarra elétrica (NR: a rigor, só houve uma marcha contra a guitarra, em 1967). A ala mais conservadora da MPB considerava má a influência da música pop norte-americana e britânica. “Os baianos vieram com um estardalhaço necessário, o que, paralelamente, os mineiros também estavam a fazer no Clube da Esquina, ao incorporar às suas poéticas musicais as influências do pop britânico, sedimentando um propósito semelhante. A diferença se dá na amplitude intelectual do movimento tropicalista, que incluía literatura, artes plásticas (via neoconcretismo, antropofagismo e pop art) e cinema (Cinema Novo, Cinema Marginal)”, diz Renato. 

Capítulo importante na evolução histórica e estética da música no Brasil, numa época em que os embates intelectuais e estéticos poderiam, até, custar sua liberdade civil, ou sua vida, anos depois o desdobramento do movimento possibilitou o florescimento da outra vertente na música moderna brasileira, com Belchior, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo e outras manifestações que se estendem até o mangue beat a partir dos anos 90, nas encruzilhadas de informações, que pela estética da antropofagia, apresenta resultados originais e surpreendentes. 

A redescoberta da força potencial tropicalista por parte de artistas estrangeiros (David Byrne, Sean Lennon) possibilitou um novo olhar sobre o seu legado, assim como o resgate do ostracismo de artistas do porte de Tom Zé.

Para Renato Torres, o Brasil é carente de memória e de preservação de seu riquíssimo acervo cultural, entronizando apenas alguns elementos que são "escolhidos" pelas mãos titubeantes do processo histórico. A revaloração dos Mutantes também realinhou Arnaldo Baptista – então proscrito como louco no interior de Minas, onde pintava seus quadros - como um dos grandes compositores do Tropicalismo, movimento musical que até hoje influencia artistas internacionais como Beck, Devendra Banhart, entre outros.

A programação de aniversário do Cine Estação das Docas tem encerramento no domingo, 27, a partir das 10h, com a exibição da animação O Gato do Rabino, novamente o documentário Tropicália (18h) e o filme francês Um Verão Escaldante (20h30), com Louis Garrel.

Confira a programação completa:

Dia 26/1 (sábado)

19h: Bate-papo com o crítico de cinema Marco Antônio Moreira
19h30 – Tropicália. De Marcelo Machado. 72 min. 12 anos. Documentário. Brasil.
20h45 – Show com Renato Torres, Olivar Barreto e Joelma Kláudia (repertório com a temática do filme Tropicália). Entrada franca.

Dia 27/1 (domingo)

10h: O Gato do Rabino. De Antoine Delesvaux e Joann Sfar. 100 min. 12 anos. Animação. França /Áustria.
18h: Tropicália. De Marcelo Machado. 72 min. 12 anos. Documentário. Brasil.
20h30: Um Verão Escaldante. De Philippe Garrel. 95 min. 14 anos. Ficção. : Itália/ França/ Suíça

Serviço:

“Show Tropicália com Renato Torres, Joelma Kláudia e Olivar Barreto”
Neste sábado, 26, a partir das 19h, no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas (Av. Boulevard Castilhos França, s/nº - Campina)
Informações: (91) 3212.5660
Entrada gratuita 

* Texto: Assessoria Estação das Docas

2 comentários:

  1. Fábio,

    venho agradecer a divulgação do show e de minha entrevista para a Assessoria da Estação das Docas, e também reiterar minhas falas contestadas por você nas duas pequenas notas em itálico.

    no que se refere à "marchas contra a guitarra", referi-me dessa maneira, sem o rigor numérico ao qual te referes, por retórica pura, intentando muito mais enfatizar a força da resistência xenófoba contra a chamada "invasão americana".

    quanto ao período do movimento, considero particularmente delicado precisar essa informação, haja visto que o Clube da Esquina não foi um movimento formalmente pensado e eclodido num dado momento histórico, como aconteceu com o Tropicalismo; ele nasceu espontâneo, familiar e fraternal, tendo como focos principais a família Borges (cujos irmãos Lô, Yé, junto a Beto Guedes, já em 1964, formaram seu primeiro grupo The Beavers, onde tocavam Beatles), e o Berimbau Trio de Milton Nascimento, Wagner Tiso e Paulinho Braga, a amizade crescente de Milton com Márcio e Lô Borges na segunda metade dos anos 1960. se te referes ao disco Clube da Esquina, de 1972, que registra o encontro composicional em especial de Milton e Lô, e o agregamento generoso de Milton de toda uma geração de talentosos músicos mineiros, e referendas o disco como marco inicial do "movimento", creio ser esse um equívoco. toda a concepção de violão arrítmico (ou polirrítmico) e percussivo de Mílton, a paixão generalizada por Beatles, as influências da bossa nova, do jazz e do blues em músicos como Toninho Horta e o próprio Tiso, tudo isso já se processava e gestava enquanto os baianos faziam seu estardalhaço nos festivais. agora, é claro que os tropicalistas, justamente por terem tido a coragem que tiveram, foram abrindo o caminho a tudo o que se estabeleceu a reboque, incluindo aí a música mineira... mas os caracteres de ambos os movimentos são profundamente distintos, não havendo, portanto, influência do Tropicalismo sobre o chamado Clube da Esquina.

    abraços mano!

    r

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Perfeito, Renato, de fato eu considerava como marco do "movimento" Clube da Esquina o disco com tal nome. Agradeço sua contribuição, e vou retirar minha observação do texto.

      Abraços, e bom show!

      Excluir