Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Som do Norte lança primeiro single de Laís Cristo no dia 4


Na próxima segunda, 4 de fevereiro, estaremos lançando o primeiro single da cantora Laís Cristo, a mais nova artista Som do Norte. 


Laís é natural de São Miguel do Guamá (PA) e mora em Belém desde 2005, ano em que fez o Curso de Técnicas Vocais oferecido pelo IAP (Instituto de Artes do Pará). Participou de alguns festivais, vencendo em novembro de 2011 a 9ª Mostra de Intérpretes da UFPA (foto acima). Integrou de 2010 a 2012 a banda Fulano de Tal, com a qual se apresentou em vários eventos na capital e no interior do Pará, e atualmente faz parte da banda Medida Provisória. Em 2013, dá início, paralelamente, à sua carreira solo, com produção do jornalista Fabio Gomes. 

O single será do samba "Criado Mudo" (Bruno Benitez), com o qual Laís participou do 3º Festival de Mùsica Popular Paraense, promovido pela TV RBA em 2011. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Carol Luna MC divulga prévia do primeiro álbum


Formada no rap, Carol Luna MC apareceu na cena de Manaus integrando o Negonas MCs, além de participar de uma faixa do CD do rapper manauara Isaac Mesquita. Ao assumir o trabalho solo, Carol optou pelo reggae, embora seja evidente a influência do rap nas estrofes dessa amostra do CD que ela prepara atualmente, com previsão para lançamento em maio, conforme informações do blog Repeiros do Norte - http://repeirosdonorte.blogspot.com.br/2013/01/carol-luna-ex-negonas-mcs-com-um-reggae.html



Na Rede: Gaby Amarantos fala sobre a preparação do 2º CD

Na sexta, 25, quando esteve em Manaus para se apresentar no evento Parada Musical, Gaby Amarantos concedeu entrevista a Orlando Junior, ao qual falou sobre a preparação de seu segundo CD. Sua ideia é contar novamente com vários autores do Norte (falou de suas pesquisas entre compositores do Pará, Amapá e Amazonas). Também revelou estar ouvindo várias canções de Eliakin Rufino, pois gostaria de repetir a parceria que já deu muito certo com "Pimenta com Sal".

O vídeo tem ainda imagens do show em Manaus, porém o áudio é das duas gravações que Gaby fez de "Pimenta com Sal" - com Fernanda Takai no CD Treme! e com Solange Aviões em um clipe. 


A letra de "Proverbiando"


O compositor do samba "Proverbiando", Sergio Salles, nos mandou a letra da música para que publicássemos, a fim de que todos possam cantá-la. 

O clipe do samba, interpretado por Ingrid Sato, foi lançado ontem aqui no Som do Norte, e já atingiu 70 acessos no blog e 50 no YouTube - http://www.youtube.com/watch?v=iXe3cWuuxLg&sns=tw

Na foto, vemos Ingrid no dia da gravação do clipe, fotografada por Vanessa Rafaelly, que, assim como Ingrid, também é uma artista Som do Norte. 



PROVERBIANDO

Letra e música: Sergio Salles
Interpretação: Ingrid Sato

Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato
Quem não tem cão caça com gato
há males que vem para o bem
Palavras se vão no vento
Cesteiro que faz um cesto faz um cento

De noite todos os gatos são pardos
O olho do dono é que engorda o gado
Não se ria o roto do esfarrapado
Antes só do que mal acompanhado

Pra quem sabe ler um pingo é letra
A ocasião faz o ladrão
Casa onde não há pão todos gritam e ninguèm tem razão
Quem vê cara não vê coração

Cada um por si e Deus por todos
Cada macaco no seu galho
Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão
Andorinha só não faz verão

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Agenda Manaus: Show de aniversário da Karine Aguiar

Karine Aguiar é uma artista Som do Norte

A cantora Karine Aguiar irá festejar seu aniversário no próximo dia 23 de fevereiro, um sábado, apresentando-se no Fino da Bossa. O show, marcado para as 23h, terá participações de renomados artistas da cena amazonense, como Gonzaga Blantez, Célio Cruz, Zeca Torres (Torrinho) e Gil Valente. 

No repertório, músicas do CD Arraial do Mundo, lançado por ela no ano passado; composições dos convidados; e clássicos da música brasileira e do jazz. 

A compra de uma mesa para o evento, ao preço de R$ 60,00 (valor para quatro pessoas), garante um CD Arraial do Mundo grátis para a mesa. 

Informações: 92-9259-0236 ou 92-8126-9049.

Festival Hey You anuncia bandas de Roraima na escalação


A Bodó Produções, organizadora do Hey You Music Festival, anunciou hoje duas bandas de Roraima que farão parte do evento. Jamrock e Veludo Branco estarão no evento que acontece nos dias 26 e 27 de abril, em Manaus. 

Na segunda, 4 de fevereiro, serão anunciadas as 12 bandas de Manaus que farão parte da programação. 

Mapeamento 2013: Quando Bate o Tambor


13

Artista - Oneide Bastos
Cidade/ Estado - Macapá, AP
CD
Título - Quando Bate o Tambor
Número de faixas - 11
Gênero/ estilo - MPB
Data de lançamento - 31.1.13

Novo CD de uma das mais importantes cantoras do Amapá, mãe da também cantora Patricia Bastos. O lançamento irá acontecer em noite de autógrafos no SESC Centro Macapá, em 31 de janeiro. 


Onde comprar em Macapá: Banca do Dorimar, Revistaria Democrata e Casa do Artesão

 

Veja Ingrid Sato no clipe de 'Proverbiando', samba inédito

O Som do Norte orgulhosamente lança hoje o segundo clipe de Ingrid Sato, com a música "Proverbiando". O samba, inédito ainda em disco, é de autoria do paraense radicado no Amapá Serginho Sales

A filmagem foi feita durante a apresentação de Ingrid na primeira do SESCanta Amapá 2012, no SESC Araxá (Macapá) em 22 de novembro do ano passado. Serginho foi um dos compositores selecionados para a mostra não-competitiva, e teve Ingrid a interpretar duas de suas músicas (o vídeo da outra, "A Pausa", já foi publicado aqui no blog - http://somdonorte.blogspot.com.br/2012/11/musica-do-dia-pausa.html). Outra música, "O Ponto", foi cantada pelo próprio Serginho. 

O autor já vem interpretando a composição na noite de Macapá, como presenciei em sua canja durante o show de Chermont Jr. no Projeto Botequim (SESC Centro, 11 de dezembro de 2012). Na ocasião, Serginho me contou que partiu de mais de 80 provérbios, que foi agrupando e testando como ficariam na letra, até chegar ao resultado final, que realmente considero irretocável, e valorizado ainda mais na interpretação de Ingrid, uma das revelações da MPB vinda do Amapá. 


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Boi Caprichoso anuncia as toadas do CD do Centenário



Na quinta, 24 de janeiro, o Boi Caprichoso anunciou as toadas que farão parte do CD O Centenário de uma Paixão. O DVD será gravado no dia 9 de março no Curral Zeca Xibelão, em Parintins. As 21 toadas são: 

O centenário de uma paixão
Guto kawakami / Adriano Aguiar / Geovane Bastos
Sou centenário
Adriano Aguiar / Geovane bastos

Centenário de amor
Adriana cidade / Jean Carlos Maciel

Avassalador é o amor Caprichoso
Adriano Aguiar

Caprichoso amor da minha vida
Maurício Filho / Ademar Azevedo

Festa de um boi brasileiro
Adriano Aguiar/Geovane Bastos

Circulo da vida (festa da tribo)
Paulinho dú Sagrado

100 anos de cultura popular
Cézar Moraes/ Rossy do Carmo

Campeão da terra
Cézar Moraes

Paixão de uma nação
Adriano Aguiar

É festa no Caprichoso
Cézar Moraes

Deusa da paixão
Geovane Bastos / Alquiza Maria

Se manque contrário
Bené Siqueira

Estrela do amor
Paulinho dú Sagrado / Gabriel Moraes

Pescador da Amazônia
Erick Nakanome / Ronaldo Rodrigues / Tarcisio Coimbra / Keandro Tavares

Profética
Adriano Aguiar

Yuriman
Geovane Bastos / Saullo Vianna

Yaraware Erukê
Guto Kawakami / Geovane Bastos/ Michael Trindade

Aldeia dos espíritos
Maurício Filho / Ademar Azevedo

Pétalas de estrelas
Alder Oliveira

Boi de Rua
Ariosto Braga


Na Rede: Inéditas da Stereovitrola

No blog stereovitrola-No Espaço Líquido, Lana Dantas anunciou no sábado, 26, a liberação de duas músicas inéditas do EP simptomatosys que a banda grava atualmente no estúdio You Wide Productions, em Macapá. A primeira entrou no ar no dia 11 de janeiro, chama-se "Fita VHS". No ano passado, o baixista Marinho Pereira me mandou o áudio para que eu fizesse uma audição prévia, e chamou-me a atenção que a faixa é quase toda instrumental, com exceção de um ligeiro trecho cantado que eu classifiquei como "solo de voz". Marinho me disse que a banda vai adotar a expressão :)



A outra, que foi publicada há 4 dias, menciona em seu título Daniel Nec, importante artista do audiovisual amapaense.




Veja o post completo em http://fasstereovitrola.blogspot.com.br/2013/01/faixas-ineditas.html

Maquinários anuncia lançamento do novo EP

A banda de rock tocantinense Maquinários divulgou a data de lançamento do seu novo registro. O EP Seis milhas para o inferno, que conta com 4 faixas gravadas durante o mês de setembro de 2012 no estúdio Mr. Som, em São Paulo, sai no próximo dia 13 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas. 
Produzido pelos ganhadores do Grammy em 2011 Marcello Pompeu e Heros Trench, o EP tem participações de peso em seu registro. Rogério Fernandes, vocalista do Carro Bomba, que tem em seu histórico bandas como GOLPE DE ESTADO participou da faixa-título. O produtor Marcello Pompeu, vocalista da banda de metal brasileira Korzus, também fez questão de participar de uma faixa. 
O EP estará disponível na página oficial da banda: www.maquinarios.tnb.art.br - e também no Som do Norte. 


Veludo Branco lança clipe de "Maldita Ressaca" dia 1º de fevereiro

Na próxima sexta, 1 de fevereiro, às 16h20, a banda Veludo Branco irá lançar seu segundo videoclipe oficial, mostrando a gravação no estilo “ao vivo no estúdio” de “Maldita Ressaca”, uma das faixas do EP Sem Mentiras, lançado em julho de 2012. A gravação foi feita no Estúdio Parixara, em Boa Vista.

“Maldita Ressaca” é um blues-jazz assinado em conjunto pela banda, formada hoje por Victor Matheus (voz/guitarra), Paulo Hennrique Veludo (baixo) e César Matuza (bateria). No EP, é antecedida pelos “Poemas de Boteco”, recitados pelo vocalista Victor, também autor dos versos. Porém, se no poema o eu-lírico apenas constata o deplorável estado em que a embriaguez o deixa, do qual a ressaca é o maior sintoma, na canção a ressaca é francamente hostilizada, chegando o eu-lírico a fazer votos de “nunca mais beber um gole de nada”.

A gravação do EP Sem Mentiras foi realizado no Estúdio Parixara em abril de 2012, ao longo de oito horas. Simultaneamente à gravação, Saulo Oliveira filmou tudo, além de fazer imagens de bastidores ao lado de Juliana Coelho. Este material, que reunido irá formar o primeiro DVD da banda, está sendo lançado gradativamente na internet em forma de videoclipes. O primeiro foi da canção “Sem Mentiras”, em agosto do ano passado.




O clipe de “Maldita Ressaca” será lançado simultaneamente pelos blogs Roraimarocknroll e Som do Norte. O DVD Sem Mentiras será lançado em breve; além do registro das gravações do EP, deverá ter imagens de shows da Veludo e entrevistas com os integrantes da banda e da equipe de produção.

Serviço

Lançamento do clipe “Maldita Ressaca” – Veludo Branco
Data – 1/2/13

Ficha técnica do clipe

Produção Musical: Estúdio Parixara
Edição/Finalização de vídeo: Camera Pro Films
Imagens: Saulo Oliveira 

Mapeamento 2013: Não nos Pergunte o que Nós Tocamos


12

Banda - Um Quarto de Som
Cidade/ Estado - Palmas, TO
EP
Título - Não nos Pergunte o que Nós Tocamos
Número de faixas - 6
Gênero/ estilo - rock
Data de lançamento - 9.2.13

EP de estreia da banda tocantinense formada por Leornardo Loughan (guitarra, baixo,vocal); Bruno Antonio (teclado,guitarra, vocal); Klaus Krishna (bateria) e Guido Jargões (baixo, guitarra, vocal). A sonoridade tem ecos dos anos 1960 e 70, além de lembrar um pouco a banda gaúcha dos anos 80 TNT. 

Obs: o download é faixa-a-faixa

domingo, 27 de janeiro de 2013

Bruno B.O.: Máximo respeito ao Rap da Amazônia


Foto: Ana Flor

Em dezembro de 2010, o rapper paraense Bruno B.O. recebeu da Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC) o Prêmio Hip-Hop 2010 – Edição Preto Ghóez, na categoria Conexões, que contemplou ações que promovem o intercâmbio do hip hop com outras linguagens. Exatamente o que se viu um mês antes em seu show no 5º Festival Se Rasgum. Bruno tinha a seu lado no palco parceiros das várias fases de seus 16 anos de carreira – além da banda Clã Real (ele, De Luca, Negro Eddie e o DJ Fantasma), de rap, o guitarrista Flávio, de sua primeira banda, a Carmina Burana, de rapcore, criada em 1994.

Por volta de 1998, saiu da Carmina e foi para os MBGC (Manos da Baixada Grosso Calibre), porque queria falar de questões raciais. Saiu em 2002 por divergências musicais – o grupo pretendia manter-se no rap tradicional, enquanto Bruno queria explorar fusões com o ragga. Seu projeto mais destacado desde então foi o Alma Livre Sound System, misto de banda e coletivo de DJs criado em 2006, no qual tinha como parceiros Vladimir Cunha, Negro Eddie, DJ Fantasma e Rick D. e que misturava reggae, ragga e new roots com bases eletrônicas. Também atuou no Clã Real, projeto paralelo do Alma Livre que durou até 2011, e nas bandas Luz de Ras, de reggae, e Raízes de Sião.

No começo de 2010, decidiu priorizar a carreira solo. Inscreveu-se nas Seletivas do Se Rasgum, chegando ao festival como primeiro colocado. A crítica destacou a sinceridade e a força de seu som – que o próprio Bruno define como “rap afro-amazônico”. Seu trabalho se apóia no tripé música, religiosidade, em especial religiões afro como o candomblé, e ação política. “Minha letra é sempre política, não acho que o rap deve buscar se tornar palatável para todo mundo”, afirma.

Até agosto, Bruno planeja lançar o single “Floresta de Concreto”, rap-salsa-brega que gravou com Gaby Amarantos. Dubalizer irá produzir uma faixa. Em 2012, lança a mixtape que irá gravar com parte dos R$ 13 mil que recebeu do MinC – atualmente, usa a verba para construir uma casa com estúdio no bairro da Pratinha, em Belém. A mixtape terá bases de Dubalizer e Pedrinho Hortelani (Radiola Dub) e produção de MacBeat. “A idéia é fazer a mixtape do Conexões juntando músicos de diversas linguagens com hip hop. Mesmo tendo base de vários parceiros, há uma unidade na mixtape. Pela primeira vez, depois do Carmina Burana, estou plenamente satisfeito com um trabalho meu.”

O single e a mixtape serão praticamente sua estréia fonográfica. Com a Carmina, tem 14 músicas gravadas - sete em estúdio, sete ao vivo num Especial Balanço do Rock, programa então apresentado por Beto Fares, que eventualmente tocava na rádio Cultura o material, jamais lançado em CD, e que contêm ainda duas gravações caseiras dos MBGC. Bruno participou ainda de faixas gravadas pelo Alma Livre e pela Luz de Ras no CD Pará Roots, em 2009.

* Publicado no site Pará Música 
em 13.06.11 

Mapeamento 2013: A Hora é Essa


11

Banda - Os Grileiros
Cidade/ Estado - Belém, PA
Single
Gênero/ estilo - rock
Data de lançamento - 23.1.13

Segundo single do disco de estreia da banda paraense, Piscar de Olhos, com lançamento previsto para este início de 2013. A letra mostra a afirmação típica da adolescência, Vem que a hora é essa e eu tenho pressa de chegar em algum lugar/ (...) Eu não vou mais parar, eu não vou mais viver assim/ Ninguém vai me mudar, eu quero mais! O arranjo, com toques eruditos, assinado por Alcir Meireles, também produtor do CD, combinado aos riffs vigorosos da guitarra de Thiago Magalhães, faz pensar no encontro de rock-pop-erudito da segunda metade da década de 1960. 






Mapeamento 2013: Pensamentos Cativos


10

Grupo - Rebelião Racional
Cidade/ Estado - Rio Branco, AC
Single
Título - Pensamentos Cativos
Número de faixas - 2
Gênero/ estilo - rap/ hip hop
Data de lançamento - janeiro de 2013

Formado por Augustdohiphop (Augusto Maia) e Toreto MC (Antonio Marcos), Rebelião Racional prepara para novembro seu primeiro CD, lançamento antecipado por este single "Pensamentos Cativos". Esta música que fala da discriminação racial e religiosa contra os negros ficou em 2º lugar no concurso Sons da Cidade (2012). 




Onde ouvir e baixar - https://soundcloud.com/rebeliaoracional 

Mapeamento 2013: Belvedere


9

Artista - Roni Moraes
Cidade/ Estado - Macapá, AP
Título do disco - Belvedere
Número de faixas - 11
Gênero/ estilo - MPB
Data de lançamento - 11.1.13

Primeiro CD do cantor e compositor Roni Moraes, com produção de Ppeu Ramos. O disco contém composições do próprio Roni, algumas das quais em parceria.  

Onde comprar - Banca do Dorimar (Praça Veiga Cabral - Macapá)

Clipe de 'Belvedere', lançado em 2011

sábado, 26 de janeiro de 2013

Mapeamento 2013: Fafá, Frevo e Folia



8

Artista - Fafá de Belém
Cidade/ Estado - Belém, PA
Título do disco - Fafá, Frevo e Folia: Coração Pernambucano 
Número de faixas - 5
Gênero/ estilo - frevo
Gravação - dezembro de 2012
Data de lançamento - 25.1.13

EP gravado pela artista com exclusividade para o mercado pernambucano, contendo os frevos Voltei, Recife (Luiz Bandeira), Sabe lá o que é isso (João Santiago), Sedução (Luiz Bandeira), De chapéu de sol aberto (Capiba) e Hino do Galo (Mário Chaves). O lançamento anterior de Fafá foi o CD e DVD Ao Vivo (2007). 

Onde ouvir - Duas faixas foram disponibilizadas no YouTube: "De Chapéu de Sol Aberto" http://www.youtube.com/watch?v=LzmEdzLhfM0 e "Hino do Galo" http://www.youtube.com/watch?v=r7bOsxpGgXg



Onde comprar - Sede do Galo da Madrugada (Recife, PE), a R$ 5

Mapeamento 2013: A Casa da Árvore




7

Artistas - Chá de Flores, Platinados, Charlie Perfume, Several, Espantalho, Mezatrio, Underflow, Zona Tribal, No Phonic, Infâmia, Os Tucumanus, Cabocrioulo
Cidade/ Estado - Manaus, AM
CD
Número de faixas - 13
Gênero/ estilo - Rock
Data de lançamento - 14.1.13

Coletãnea gravada em 2005 visando a divulgação de bandas de Manaus em nível nacional.  A prensagem seria paga pela Fundação Villa-Lobos,o que não chegou a acontecer. Em 2006, um torrent com a íntegra do álbum foi postado no Overmundo, porém o link hoje está desativado. Agora em 2013, Marcos Terra Nova, da banda Espantalho, disponibilizou o material novamente no Mediafire, razão por que incluímos o disco em nosso Mapeamento. Ao menos cinco canções eram inéditas em disco na época da gravação: "Cafeína", "Mundo Gira", "Meu Presente", "Ninguém te Ama" e "Amanhã de Braços Abertos". 


Onde ouvir - 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Na Rede: Rodrigo Baraúna comenta CD de Ben Charles

Ben Charles – Amazônia em ritmo e poesia



Ok, ok! Sou suspeito em se tratando de qualquer trabalho que meu primo/irmão, Ben Charles, realize. E daí? Foi meu primeiro Guitar Hero, o cara que me inspirou a empunhar uma guitarra e fazer um som. Sempre acompanhei de muito perto seus trabalhos, desde os primórdios da banda Classe Média, que arrasava nos palcos de Boa Vista, até o seu mais novo disco, recém lançado gratuitamente na internet, Carimbó Electro Seco ou o Amor e a Esperança em Tempos de Aquecimento Global. E mais uma vez o primo mandou bem. 

Por Rodrigo Baraúna


Às vezes penso que, para valorizarmos nossas raízes e nossa essência, precisamos largar tudo e mudar de lugar, mudar de aldeia, como diz Neuber (Uchôa), fazer nossa fuzarca em outra maloca. Pois esse paradigma, de estar longe, mas perto, é no mínimo intrigante. Uma coisa é você ver a montanha de longe, outra é subir a montanha. Mas se você nasceu na montanha e nunca a desceu para contemplá-la de longe, você não se permitirá ter uma visão do todo, e acima de tudo, sentir saudade dela. Resumindo, estar perto é se acomodar com o mesmo, e estar distante é amar estar perto e aprender a conviver com a saudade. 

Saudade cantada, meu velho, é uma experiência complexa, pois não é ficção, é uma coisa concreta. Imaginativa, enfim. Bom, chega de viagem! Hehehehehe. O cara passou alguns anos longe de Roraima e tudo que é cantado por ele é uma saudação às suas raízes. 

Vamos ao disco: 

Neste trabalho, Ben Charles fez uma espécie de compilação de estilo de todos os discos já lançados até agora, isso incluiu até mesmo o primeiro CD, intitulado A Caminhada, quando ainda assinava artisticamente como Charles Filgueiras. O termo “Chuva Verde” está implícito em ambos os trabalhos, fazendo uma alusão ao horizonte chuvoso das planícies infinitas de Roraima. 

Os arranjos rítmicos pré-programados também lembram bastante o segundo disco, que leva o nome já mudado do artista. A música “Coração Sessentista” poderia fazer parte do repertório deste novo trabalho, mas só em termos de arranjos, pois na concepção conceitual a coisa não se encaixaria muito bem, uma vez que, como sugere o título da música mencionada, Ben Charles teve como fonte a fase da Literatura Modernista Brasileira. 

Para não confundir muito, sugiro aos curiosos e amantes da música roraimense que conheça a discografia dos artistas locais. Ben Charles é uma ótima opção, porque além de multi-instrumentista, as letras compostas por ele são verdadeiras poesias de amor à cultura Amazônica. Coisas simples, como o pé sujo de barro, buscar água no poço, o olho d’água que deseja ser rio. Tudo é poesia. 

O bacana – para mim, que sou primo – é que a família é outra de suas fontes de inspiração. Destaco a música “A Raça É Uma Ana”, que além de ter um arranjo bem para cima, dançante, é também uma homenagem à nossa tia Ana Almeida, que morava em sua casa e que, de fato, “cuidava” dele quando criança. A babá era a tia. E realmente, a tia Ana tem uma alma de humanidade muito grande. Em outras palavras, ela estraga os sobrinhos e eu não fiquei de fora, Hehehhehhehe!!!!. 

Já escrevi horrores, mas agora sinto certa necessidade de falar do Carimbó. Mas que diabos o Carimbó tem a ver com um guitarrista, que no início era tido do “Dimi Endriquis do Lavrado”? 

Explico: 

Menino quieto que era, sempre ficava fuçando os aparelhos domésticos de casa, afinal, tudo era brinquedo. Mas uma coisa chamava mais sua atenção – o rádio. Aquele botãozinho que rodava e fazia um fiozinho laranja andar de um lado para o outro, atrás de uma régua, era fascinante. Quanto mais se rodava, mais coisas estranhas aconteciam. Homens falando palavras estranhas, músicas, novelas, propagandas. As frequências AM eram mais “fáceis” de serem captadas nos aparelhos antigos, por isso era comum se ouvir rádios do Caribe. Uma safra de músicos do Norte do País, que cresceu ouvindo música caribenha criou o ritmo conhecido como Carimbó. Ben Charles foi um deles. Não que o cara tenha inventado a parada, longe disso. Acontece que esse ritmo é a essência musical dele. 

Acho que já está bom. Se ficou faltando alguma coisa, mande um e-mail para mim, que eu passo o celular dele e vocês matam uma galinha para conversar depois. Tstststs. 

Abraços. 

Clique aqui para baixar o disco:




Mapeamento 2013: Você e Eu


6

Artista - Luís Campos
Cidade/ Estado - Boa Vista, RR
Single
Número de faixas - 1
Gênero/ estilo - Reggae
Data de lançamento - 22.1.13

Single lançado com exclusividade pelo blog Roraima Rock'n'Roll. 

Agenda Belém: Tropicália (filme + show)


Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee e Gal Costa;
Sérgio Dias e Arnaldo Baptista

Neste sábado, 26 de janeiro, a Estação das Docas celebra o 10º aniversário do Cine Estação com o show de Renato Torres, Olivar Barreto e Joelma Kláudia, com repertório de um dos maiores movimentos da Música Popular Brasileira: a Tropicália. O show, com entrada franca, tem início a partir das 20h45, precedido da exibição do filme Tropicália, documentário de Marcelo Machado, com depoimentos e canções de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, entre outros.

A programação começa com o bate-papo com o público sobre os dez anos do Cine Estação, com o crítico de cinema Marco Antônio Moreira

Já o show, produzido especialmente para celebrar o 10º aniversário do Cine Estação, traz para o palco Renato Torres (voz e guitarra), Joelma Kláudia (voz), Olivar Barreto (voz), Rodrigo Ferreira (teclado), Rafael Azevedo (baixo) e Arthur Kunz (bateria).

Para Renato Torres (ao lado, em foto de Everaldo Nascimento), o Tropicalismo retoma a linha evolutiva da música brasileira, estacionada na bossa nova, e que na segunda metade dos anos 1960 estava perigosamente se engessando no radicalismo dogmático da esquerda nacionalista e nas marchas contra a invasão da guitarra elétrica (NR: a rigor, só houve uma marcha contra a guitarra, em 1967). A ala mais conservadora da MPB considerava má a influência da música pop norte-americana e britânica. “Os baianos vieram com um estardalhaço necessário, o que, paralelamente, os mineiros também estavam a fazer no Clube da Esquina, ao incorporar às suas poéticas musicais as influências do pop britânico, sedimentando um propósito semelhante. A diferença se dá na amplitude intelectual do movimento tropicalista, que incluía literatura, artes plásticas (via neoconcretismo, antropofagismo e pop art) e cinema (Cinema Novo, Cinema Marginal)”, diz Renato. 

Capítulo importante na evolução histórica e estética da música no Brasil, numa época em que os embates intelectuais e estéticos poderiam, até, custar sua liberdade civil, ou sua vida, anos depois o desdobramento do movimento possibilitou o florescimento da outra vertente na música moderna brasileira, com Belchior, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Ednardo e outras manifestações que se estendem até o mangue beat a partir dos anos 90, nas encruzilhadas de informações, que pela estética da antropofagia, apresenta resultados originais e surpreendentes. 

A redescoberta da força potencial tropicalista por parte de artistas estrangeiros (David Byrne, Sean Lennon) possibilitou um novo olhar sobre o seu legado, assim como o resgate do ostracismo de artistas do porte de Tom Zé.

Para Renato Torres, o Brasil é carente de memória e de preservação de seu riquíssimo acervo cultural, entronizando apenas alguns elementos que são "escolhidos" pelas mãos titubeantes do processo histórico. A revaloração dos Mutantes também realinhou Arnaldo Baptista – então proscrito como louco no interior de Minas, onde pintava seus quadros - como um dos grandes compositores do Tropicalismo, movimento musical que até hoje influencia artistas internacionais como Beck, Devendra Banhart, entre outros.

A programação de aniversário do Cine Estação das Docas tem encerramento no domingo, 27, a partir das 10h, com a exibição da animação O Gato do Rabino, novamente o documentário Tropicália (18h) e o filme francês Um Verão Escaldante (20h30), com Louis Garrel.

Confira a programação completa:

Dia 26/1 (sábado)

19h: Bate-papo com o crítico de cinema Marco Antônio Moreira
19h30 – Tropicália. De Marcelo Machado. 72 min. 12 anos. Documentário. Brasil.
20h45 – Show com Renato Torres, Olivar Barreto e Joelma Kláudia (repertório com a temática do filme Tropicália). Entrada franca.

Dia 27/1 (domingo)

10h: O Gato do Rabino. De Antoine Delesvaux e Joann Sfar. 100 min. 12 anos. Animação. França /Áustria.
18h: Tropicália. De Marcelo Machado. 72 min. 12 anos. Documentário. Brasil.
20h30: Um Verão Escaldante. De Philippe Garrel. 95 min. 14 anos. Ficção. : Itália/ França/ Suíça

Serviço:

“Show Tropicália com Renato Torres, Joelma Kláudia e Olivar Barreto”
Neste sábado, 26, a partir das 19h, no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas (Av. Boulevard Castilhos França, s/nº - Campina)
Informações: (91) 3212.5660
Entrada gratuita 

* Texto: Assessoria Estação das Docas

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pelé do Manifesto denuncia racismo no rap "Sou Neguinho"



O rapper Pelé do Manifesto divulgou no Soundcloud "Sou Neguinho", denúncia contra o racismo que fará parte do seu primeiro álbum.

O som foi gravado no Studio da DiRoxa Produções, em Belém.

Post nº 3100: Panorama da Cena Musical do Amazonas

A ideia deste texto é traçar uma visão geral (daí o nome que escolhi, ‘panorama’) sobre a produção musical do estado do Amazonas na atualidade, sem porém ter a pretensão de esgotar o assunto, de natureza bastante ampla, afinal estamos falando da unidade da federação com maior extensão territorial.

Podemos dizer que, nas últimas décadas, a música do Brasil tem passado pelo Amazonas, principalmente a partir da implantação da Zona Franca de Manaus (1967). Nos últimos anos, embora empresas de outros estados tenham começado a prensar CDs, ainda é expressiva a parcela de gravadoras ou mesmo artistas independentes que optam pela fabricação de seus discos junto a empresas do Pólo Industrial de Manaus. Mas, se a música do Brasil passa pelo Amazonas, a recíproca ainda está longe de ser verdadeira. A produção musical amazonense circula com muita dificuldade junto ao público brasileiro de outros estados e regiões, que em geral associa de imediato o Amazonas a toadas de boi, em especial ao Festival Folclórico de Parintins, cidade localizada a 315 quilômetros da capital.

Desde 2008, a TV Bandeirantes (São Paulo) transmite para todo o Brasil o Festival, no qual competem os bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul). O festival foi criado em 1965, e desde 1988 acontece no Bumbódromo de Parintins. A partir de 2006, fixou-se a data de realização sempre no último final de semana de junho, em três dias. A cada noite, várias toadas são cantadas pelo “levantador de toadas”. Anualmente, cada boi adota um tema, abrindo um concurso para selecionar as toadas que farão parte do desfile e também do CD anual; o número tem variado entre 16 e 20 toadas, em média. Desde 2007, os compositores de toadas também podem concorrer aos prêmios do Festival de Toadas de Parintins, realizado pela Prefeitura do município. Em 2012, foram inscritas 109 composições, das quais foram selecionadas para a competição 14 relativas a cada boi. Uma diferença em relação aos desfiles de escolas de samba (frequentemente apontados como modelo do festival folclórico): enquanto os sambas-enredo atuais dificilmente são lembrados após a Quarta-Feira de Cinzas, muitas toadas se tornam sucesso fora do Bumbódromo, sendo o melhor exemplo “Vermelho”, de Chico da Silva, gravada por Márcia Siqueira e certamente a música amazonense mais conhecida além-fronteiras do estado. A difusão posterior das toadas tanto tem ocorrido no formato original, quanto com inovações. Citemos duas: o CD Da Amazônia para o Mundo (2010), onde o Dueto Amazônico (formado pelas cantoras Anna Cláudia Ribeiro e Julieta Câmara) gravou alguns clássicos com a letra total ou parcialmente vertida para inglês, francês e espanhol; e o show Toadas in Jazz (2012), da cantora Amanda Aparício.


Chico da Silva

É claro que a produção musical amazonense não se resume às toadas de boi. Os compositores e intérpretes do estado também se dedicam aos principais gêneros e estilos musicais brasileiros. O já citado Chico da Silva, além de toadas, dedica-se ao samba. Após ter feito sucesso com “Pandeiro é Meu Nome” (parceria com Venâncio) na voz de Alcione, Chico foi contratado em 1977 pela PolyGram (hoje Universal), gravando sete discos de samba até 1988. Posteriormente, um grave problema de saúde afetou suas cordas vocais, afastando-o do canto por um tempo, durante o qual seguiu compondo. Em 2001, foi homenageado com o lançamento do CD Lucilene Castro canta Chico da Silva; a intérprete relançou a obra em 2006, acrescentando novos temas de Chico. Outro sambista de Manaus gravado por Alcione é Júnior Rodrigues; a “Marrom” incluiu em seu CD Acesa, de 2009, o samba “A Casa da Mãe da Gente”, parceria de Júnior com Gilson Nogueira. Júnior mantém em sua própria casa, no bairro Flores, em Manaus, o Espaço Quintal, onde semanalmente faz uma roda de samba que recebe com frequência grandes sambistas do Rio de Janeiro e também revelações locais, a exemplo do Samba-Choro Pé de Muleka. Idealizado pelo músico e produtor Rosivaldo Cordeiro, o grupo gravou seu primeiro CD neste segundo semestre de 2012.

Um dos mais longevos festivais competitivos do Amazonas é o FECANI – Festival da Canção de Itacoatiara, cidade a 265 km da capital. A relação de seus vencedores contém os mais expressivos nomes da MPB amazonense, como Alírio Marques, Aníbal Beça, Armando de Paula (natural de Roraima), Candinho e Inês, Carlos Batata, Celdo Braga, Célio Cruz, Felicidade Suzy, Gonzaga Blantez (natural do Pará), Macca, Natinho, Salomão Rossy, Sebastião Nunes, Simone Ávila e Zeca Torres (Torrinho), para citar apenas alguns. Realizado desde 1985, tem como modelo os antigos “festivais da canção” italianos (sendo o de San Remo o mais famoso), importados pela TV brasileira na década de 1960; atualmente, porém, está muito diminuída a eficácia deste modelo de festival como mola propulsora do sucesso de seus ganhadores. Mesmo levando-se em consideração que é uma praxe o lançamento de um CD oficial do festival reunindo as músicas finalistas, a realidade é que a circulação deste material é restrita. Tome-se como exemplo o disposto no regulamento da 28ª edição do FECANI, realizada em setembro de 2012: caso o CD e o DVD oficiais sejam produzidos (ou seja, já nem há a garantia destes lançamentos), a tiragem será dividida entre os autores finalistas, a empresa produtora do evento e os patrocinadores. É bom observar que isto não ocorre apenas com o FECANI, e sim com a maioria dos festivais competitivos atuais, em oposição a uma prática frequente entre os anos 1960 e 80, quando os CDs de festivais eram lançados por gravadoras e distribuídos nacionalmente. Um caminho alternativo é veicular as canções vencedoras em CDs de carreira dos próprios artistas, como fez Karine Aguiar ao incluir “Acalanto”, (Eduardo Santhana), campeã do FECANI 2011, em seu CD Arraial do Mundo, gravado em Nova York (Estados Unidos) em 2012. Karine, aliás, conseguiu uma proeza em se tratando de festivais competitivos, ao vencer o 28º Festival da Canção de Ourém (PA), em julho de 2012 – enquanto paraenses são premiados com frequência em Itacoatiara, é raríssimo alguém de fora do Pará vencer em Ourém.


Karine Aguiar 

Majoritária nos festivais, a produção autoral contemporânea de Manaus até poucos anos atrás era praticamente desconhecida do público que frequenta a noite da capital, devido à predominância dos shows “cover”, ou seja, aqueles em que a banda, mesmo quando possui composições próprias, toca apenas sucessos de outros grupos. Há aproximadamente dois anos, este quadro começou a mudar gradativamente, tanto que no recente debate Vivo de Arte – E Agora?, realizado pelo Coletivo Difusão em  setembro de 2012, participaram dois artistas ligados à música que comemoraram o fato de hoje estarem tocando com muita frequência em Manaus. Tratam-se da cantora e compositora Elisa Maia (ex-backing vocal da banda de reggae Johnny Jack Mesclado), que fez 44 shows na cidade de janeiro de 2011 a julho de 2012, e Davi Escobar, vocalista da banda Alaídenegão, que toca de duas a quatro vezes por semana na capital, além de fazer um show mensal em outro estado. Evidente e felizmente, eles não são os únicos nesta situação, fruto de organização, planejamento e divulgação dos artistas em relação a suas próprias carreiras - hoje três integrantes da Alaídenegão vivem exclusivamente da banda, que recentemente abriu uma casa de shows própria em Manaus, o Espaço Cauxi, e fez uma turnê pelo Nordeste no começo de 2012, participando também da Feira da Música de Fortaleza em agosto.


Elisa Maia

É relativamente frequente a presença de bandas amazonenses em festivais independentes (nos quais os artistas realizam shows breves, sem caráter competitivo) de outros estados da própria região Norte. Por exemplo, a Cabocrioulo, já confirmada para o Festival Tomarrock, a ser realizado em Boa Vista, Roraima, em novembro de 2012, esteve também no Festival Varadouro, em Rio Branco, Acre, em 2008, e no Festival Megafônica, em Belém, Pará, em 2010. O intercâmbio de bandas entre Manaus e Boa Vista é um dos mais expressivos do Norte, com várias bandas de um estado já tendo público cativo no outro. Em festivais realizados fora do Norte, porém, é escassa a presença de bandas do Amazonas. A banda de reggae Ayahuasca foi selecionada para tocar na Cúpula dos Povos da Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em junho de 2012 no Rio de Janeiro. Residindo no Rio há dois anos, a banda foi escolhida entre 600 grupos que se inscreveram no site do evento. Já em relação a viagens para o exterior, destacam-se as recentes idas da Nekrost para o Wacken Open Air Festival, considerado o maior festival de heavy metal do mundo, realizado na cidade de Wacken, Alemanha, em agosto de 2011, e da banda Os Tucumanus para show no palco alternativo do Brazilian Day em Nova York, em setembro de 2012. O grupo Cordão do Marambaia foi selecionado para tocar no Brazilian Winter Festival, em Estocolmo (Suécia), em agosto de 2013. 


Os Tucumanus no Brazilian Day - Nova York

O já citado Coletivo Difusão, surgido em 2006, representa hoje no Amazonas o Fora do Eixo, circuito surgido em 2005 unindo produtores de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Londrina (PR) e Uberlândia (MG) e que hoje reúne coletivos do Brasil inteiro, atuando em muitas outras frentes além da música. Na área musical, o Difusão é o responsável pela produção anual de dois festivais independentes, o Grito Rock e o Festival Até o Tucupi. O Grito é considerado o maior festival colaborativo em rede do mundo, pois é produzido em todos os municípios onde há coletivo ligado ao Fora do Eixo no Brasil, e também em algumas cidades da América Latina; a partir de 2013, se tornou efetivamente um festival mundial, com edições em todos os continentes. Já o Até o Tucupi é um festival de artes integradas realizado desde 2007, ano em que teve duas edições, e que só foi interrompido em 2009, tendo chegado à sua sexta edição em setembro de 2012. Nesta mais recente edição, ao longo de uma semana, foram realizadas oficinas, minicursos, intervenções artísticas, debates, apresentação de peças teatrais, arrecadação de livros, atividades de conscientização ambiental, exibição de filmes, exposição de artes visuais e uma roda de negócios, encerrando-se o evento com duas noites de shows, dos quais participaram as bandas amazonenses 00:00, Brutal Exuberância, Dpeids, Espantalho, Grind, Linha Rasta (única banda de reggae do evento), Luneta Mágica, Malbec, Nekrost e Os Tucumanus, além dos artistas Elisa Maia (que fez show com a cantora roraimense Euterpe), Ramiro Hitotuzi, Nunes Filho (veterano cantor romântico, com mais de 30 anos de carreira, que se apresentou acompanhado por roqueiros), Igor Muniz (rapper) e os DJs Luana Aleixo e MC Fino, além de bandas de outros estados – uma delas também tinha na formação uma amazonense: Keila Gentil, cantora da Gang do Eletro, que mora há seis anos em Belém e fez no Até o Tucupi seu primeiro show na cidade natal.

Em 2010, o governo do Estado do Amazonas, em parceria com o Sindicato dos Músicos do Amazonas,  Ordem dos Músicos (OMB), Associação dos Bois de Manaus e Associação de Música Gospel, criou o Festival Amazonas de Música, realizado anualmente em setembro, que conjuga aspectos dos dois modelos citados: Mostra Competitiva (ou seja, um festival aos moldes do FECANI) e Mostra Não-Competitiva (uma noite de shows de bandas, semelhante ao Até o Tucupi), mais uma programação acadêmica com atividades de formação (oficinas, painéis e workshops). À proposta inicial do registro do Festival em CD, com os finalistas da Mostra Competitiva (o disco do 2º Festival, de 2011, foi lançado em março de 2012), acrescentou-se na terceira edição do evento o registro em DVD, reunindo os 10 finalistas da Mostra Competitiva, mais uma canção de cada banda participante da Mostra Não-Competitiva, que em 2012 foram Anônimos Alhures, Bquadro, Bandaid, Escândalo Fônico, Johnny Jack Mesclado, Luneta Mágica, Necroblood e Triplugados. Nicolas Jr. foi o vencedor da Mostra Competitiva, interpretando sua composição “Vicissitude”. (Ao lado, Daniela Nascimento, que interpretou a canção vencedora de Melhor Letra no festival de 2012)

Em 2007, a banda Os Playmobils iniciou um projeto de valorização do rock autoral de Manaus: o Toca Rock. Suas 32 edições (até julho de 2012) foram todas realizadas na Toca da Sinuca.

Projeto semelhante ao Toca Rock, o Riffs Desplugados foi criado em março de 2011 por Sandro Correia, da banda Nicotines. Sandro é criador também do blog Manifesto Rock Underground, no ar desde abril de 2010, e da Rádio Web Manifesto Norte, que iniciou suas transmissões em junho de 2012. Os três projetos têm em comum o propósito de valorização da produção autoral do Amazonas e da região Norte. O Riffs consiste na apresentação acústica de uma banda autoral no Espaço Thiago de Mello na Saraiva Megastore do Manauara Shopping Center, sempre com entrada franca. Já se apresentaram no projeto desde março de 2011 as bandas Ed Ondo, Tudo Pelos Ares, Os Playmobils, Projeto Campari, Humanos, Os Tucumanus, Aliases, Alaídenegão, Roodie, Luneta Mágica, Escândalo Fônico, Piscianos, Blue Line, Sônomo, Control–Z e Willy Kaolho, além da cantora Elisa Maia. O projeto também investe no intercâmbio Manaus-Boa Vista: de Roraima, já estiveram no Riffs a banda Haadj e os cantores Sérgio Barros e Vinicius Tocantins.