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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Noite compacta e chuva marcam encerramento do Festival Quebramar


Só não dá pra dizer que o último dia de shows do Festival Quebramar 2012 - o domingo, 16 - foi enxuto porque uma chuva torrencial se abateu sobre o Anfiteatro da Fortaleza de São José durante o show de BNegão e os Seletores de Frequência (foto acima). Como se pode ver, a galera não arredou pé; claro que muita gente preferiu ir pra casa, mas mesmo assim foi muito expressivo o número de pessoas que permaneceu curtindo o show, mesmo debaixo desta chuva toda. Eu ouvi mas não vi o show, pois nessa hora fui para a área reservada para a imprensa, atrás do palco; dali, conseguia ouvir a banda e também a intensa vibração do público a cada final de canção, até o encerramento habitual com BNegão fazendo beatbox em uma versão instrumental de "Suíte dos Pescadores" (Dorival Caymmi), como eu já presenciara em Manaus durante o Festival Até o Tucupi, em setembro. A chuva iniciou durante a segunda música, logo após a apoteótica abertura com uma versão também instrumental de "Another Brick in the Wall", do Pink Floyd. 

Juca Culatra

Bueno, se não dá pra falar em enxuta, pode-se sim qualificar a noite de encerramento do Quebramar como compacta, já que a programação contou com apenas cinco das oito bandas escaladas (em virtude da prolongada passagem de som da banda da cantora Mallu, a curadoria do festival optou por cancelar as apresentações das bandas amapaenses Genezis, Samsara Maya e Mini Box Lunar). Assim, passava pouco das 22h quando entraram no palco os paraenses Juca Culatra & Os Piranhas Pretas. Juca já passara pelo Quebramar em 2010, quando ainda se apresentava com um Power Trio, tendo a participação especial da conterrânea Aíla. Neste retorno, Juca incluiu uma pegada adicional de rock em seu reggae, ao tocar sucessos como "Crioulo Doido" (do refrão Crioulo doido, muito doido da cabeça...) e "Dino Sapiens", faixa-título do CD que lançou em 2011.  Seguiu-se o rock com pitadas de psicodelia dos paranaenses da Uh La Lá; a batida seca da bateria, com pouco balanço, lembrava o rock gaúcho. 

Gang do Eletro

Se as duas primeiras atrações já haviam conseguido botar o público pra dançar, quem levou isso à enésima potência foi a Gang do Eletro, outra atração vinda do Pará. A banda é um expoente da cena de eletromelody, e já tem o passaporte carimbado para ir ao SXSW, nos Estados Unidos, além de prêmio do Multishow, antes mesmo de lançar seu primeiro CD (já anunciado para janeiro). O carisma da Gang é sempre o mesmo, seja em Belém, Manaus ou Macapá (as cidades onde já os vi tocando), não deixando ninguém parado ao som de hits arrasa-quarteirão como "Panamericano", "Só no Charminho" e "Galera da Laje". 

Após a Gang, subiu ao palco a banda de BNegão, rolando o toró do qual já falei no parágrafo inicial. A chuva continuou firme após o final do show dos Seletores de Frequência, de modo que eu optei por já me dirigir para o aeroporto, pois já estava perto da hora do meu vôo de volta para Belém. Em função disso, acabei não vendo o show de Mallu.

Em tempo: eu sempre defendo que os festivais programem cinco, no máximo seis bandas por noite; acho excessivo oito (como foi na segunda noite deste Quebramar), que dirá dez! (como foi no Até o Tucupi 2012). Embora cinco não fosse a programação original desta noite, e sim oito, foi interessante ver na prática uma coisa que eu até então defendia só na teoria, e que a meu ver funcionou perfeitamente. :)

Keila da Gang do Eletro, Caio Mota e Fabio Gomes
  • Antes dos shows, rolou nos bastidores do Quebramar um debate sobre a circulação da música independente pelo Brasil em geral e pela Amazônia em particular, mediado por Caio Mota, da Casa Fora do Eixo Amazônia, e transmitido pela Pós TV. Participei no segundo bloco, ao lado da vocalista da Gang do Eletro, Keila Gentil Gomes.  


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