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sábado, 15 de dezembro de 2012

Festival Quebramar começa com noite inspiradora


Macapá - Inspiradora a primeira noite do Festival Quebramar. Falo primeira porque, embora o Quebramar esteja acontecendo desde o dia 10, ontem é que iniciou a programação de shows. É bom ver uma programação bem pensada, em que as diversas propostas sonoras dialogam entre si. Como a atração principal da noite era o duo Finlândia (foto acima), formado por um argentino e um brasileiro, a curadoria do evento buscou atrações que seguissem a mesma linha, sem entretanto cair numa sequência de mais-do-mesmo.


A programação no Centro de Difusão Cultural Azevedo Picanço iniciou com o grupo amapaense Le Phénix, uma original formação de cinco violoncelos, violão e bateria. Além da conexão mais óbvia - o violoncelo -, Le Phénix tem em comum com Finlândia a liberdade na abordagem das composições que toca, seja em "Golden Slumbers", dos Beatles, seja num samba. Ótima escolha para abrir o festival. Podemos dizer mais, uma escolha inspiradora. Em meio ao show, no escuro mesmo, a poetisa amapaense Emmily Beatriz, sentada a meu lado, escreveu um poema, que acabou no exato instante em que Le Phénix encerrou a música que tocava! O poema está publicado no final deste post. 


Depois de Le Phénix, tivemos o show que reuniu pela primeira vez membros das bandas amapaenses Tem Deck? e Lúcia no Limbo e contou ainda com a participação da Máfia Nortista (coletivo amapaense de rappers, ou repeiros, como eles preferem), que mandou várias rimas, incluindo "Minha Vida, Meu Problema!", do clipe recentemente lançado (uma pena que estes momentos, os únicos cantados da noite de abertura, foram parcialmente prejudicados pelo som do microfone, que só foi ajustado perto do final desta participação). Também tocaram músicos da Calistoga (RN) e Genezis (AP). Foi o show mais experimental da noite, a começar pela formação inusitada - de início, dois teclados, bateria, guitarra e um DJ  mandando bases através de um notebook (em dado momento reconheci citação a Secos e Molhados),  e em vários momentos o guitarrista tocava um terceiro teclado. 

Violoncelo, experimentalismo, liberdade também se fizeram presentes no show final, do duo Finlândia. Duas pessoas parece pouco para uma banda? Mas não é: o  brasileiro Raphael Evangelista toca violoncelo e o argentino Mauricio Candussi se alterna entre teclado e acordeon  - e, quando toca este instrumento, deixa rolando uma base rítmica programada no teclado. O produto sonoro desta alquimia que funde elementos pop/ulares, eruditos, Argentina, Brasil, África, Europa, resulta absolutamente dançante. Uma das músicas que levou o público a dançar na frente do palco foi "Forronga", misturando o forró brasileiro com a milonga argentina.

***

Le Phénix

por Emmily Beatriz

Ao som de violoncelos
Danço no quadrado do céu
Meu corpo sente o ritmo do metrônomo
Me enlaça com as escalas
Ao som de rock, jazz e salsa
Navego na imensidão do sentir
Aflora o sentido
O sentido da batida do coração
Com um toque de paixão
E vários toques de cordas
Feitas por dedos e arcos
Despertando sentimentos desconhecidos em mim
Apaixonando-me.


3 comentários:

  1. Muito lindo Emmily, vc tem muito talento! bjos...
    Thais *Le Phénix

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  2. Muito legal mesmo, concordo com a Thais! Que bom participar do processo de desenvolvimento!

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