Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Foi Show: Festejo Beradero


Por Nany Damasceno,
enviada especial a Porto Velho



Para encerrar a semana do Festejo BeradeRO-20 anos de Kanindé, o Fora do Eixo, através do Coletivo Caos, o Movimento Hip-Hop da Floresta e a Kanindé organizaram duas noites de shows no Pioneiros Pub, 23 e 24 de novembro, sexta e sábado. 

Na sexta-feira, a primeira banda a subir no palco foi a banda rondoniense Kali e os Kalhordas, que tem quase um ano de estrada. Foi um show e tanto! O público, receptivo, acompanhou a vocalista Kali  Tourinho, que interagiu o tempo todo com a plateia. Tocaram alguns covers como  "Eu sou Neguinha", de Caetano Veloso, e um pot-pourri de Jorge Ben, mas o ponto alto da noite foram realmente as músicas autorais, além da participação encantadora da poeta Gabi Amadio, recitando seu poema “Sobre o Acaso”. Era perceptível o entrosamento de Kali, a banda e o público, tornando o show surpreendente.

Gabi Amadio (ao microfone) participa do 
show de Kali e os Kalhordas

Quem tocou em seguida foi a Comunidade Manoa, uma dupla de rappers talentosos e com letras que mesclam a cultura dos povos da florestas e os problemas sociais, fazendo o que chamam de 'Indioribeiriferia', ou seja a junção das culturas dos povos da floresta e das cidades amazônicas, traduzida na linguagem do Hip Hop. 

Comunidade Manoa

A terceira banda da noite foi o duo argentino Finlandia, com músicas que combinam os ritmos latino-americanos com a sonoridade contemporânea. Raphael Evangelista e Mauricio Candussi utilizam vários efeitos de programação mesclando com o som dos instrumentos acústicos (piano, acordeão e violoncelo). Um show  energizante e envolvente, encantou o público que dançou desde a primeira música e não economizou nos pedidos de "mais uma", atendidos prontamente.

Finlandia

Já passavam das 4 da manhã quando MCF2 subiu ao palco, ou melhor, fez a roda hip hop, alí mesmo no chão, junto ao público que fazia o “breaking” (movimento com a mão no ritmo da música, comum no rap) e permaneceu na roda até o fim do show. 

Devido ao horário já avançado, o show da banda AP12 foi transferido pro dia seguinte.

Já o sábado foi uma noite pra lá de eclética. No palco etnoambiental, se apresentaram bandas dos mais variados estilos. A primeira foi a banda de reggae Leão do Norte. Surgido em 2004, com um trabalho 100% autoral, a Leão do Norte tem como referência o reggae jamaicano, tanto na sonoridade quanto no visual. Eles já têm uma longa estrada, tendo tocado vários festivais da Amazônia.

Logo depois, veio Binho, figura já muito conhecida na cena rondoniense. Em sua apresentação, costuma  sempre mesclar músicas  autorais e covers, interpretando grandes clássicos da MPB. Seu show contou com participações das já citadas Gabi Amadio e Kali Tourinho. 

Em seguida, foi a vez da banda gospel AP-12 fazer o show que não fora possível apresentar na noite anterior. A AP-12 mistura influências  como o new metal, hard rock, rock progressivo e pop rock, gerando ao final um estilo bem peculiar.

Enquanto os shows aconteciam no espaço interior do Pioneiros Pub, na área externa imagens da programação de todo o Festejo e de povos indigenas eram exibidas em um telão, além de haver um microfone livre para os artistas presentes.

O rapper Boca, que estava vendendo suas famosa camisetas (uma delas na foto à esquerda), fez sucesso no microfone alternativo, com suas rimas de improviso e chamou a atenção. Em determinado momento, tinha-se a impressão que o festejo estava acontecendo era lá fora, tal o sucesso que Boca alcançou.

A quarta banda da noite foi a Versalle. Com um visual descolado, é uma banda  que faz o que eu chamo de rock gaúcho. O quarteto indie rondoniense se garantiu em cima do palco. É a segunda vez que vejo a apresentação deles e desde a primeira (no Festival Casarão 2011)  já tinha ficado encantada com o som deles. O público consumiu o show, autoral do início ao fim. Apesar do pouco tempo de estrada (a banda surgiu em 2009),  agrega músicos experientes - todos faziam parte de outras bandas. A Versalle têm como influências (visíveis) bandas como Coldplay, Strokes e Los Hermanos.

Versalle

Beradelia (foto à direita) foi a  penúltima banda da noite. Figurinha carimbada nos eventos culturais porto-velhenses, a Beradelia tem público garantido que canta as letras junto com o vocalista Rafael Altomar - letras carregadas ora de orgulho pelo Estado natal, ora de protesto. Formou-se até uma grande roda de ciranda em frente ao palco.

Encerrando a última noite de programação musical do Festejo Beradero, apresentou-se a banda acreana Caldo de Piaba. Já passavam de 4 da manhã e o público parecia incansável, dançando os ritmos que misturam o carimbó, lambada, brega e vários outros. A principal característica do Caldo é sempre experimentar algo novo. Com muitos pedidos de bis, o quarteto só conseguiu deixar o palco após as 5 da manhã.

O Festejo Beradero-20 anos de Kanindé teve a duração de uma semana e contou com uma vasta programação que além dos shows incluiu formação de agentes culturais, oficinas de comunicação e cultura, debates, mesa redonda e palestras, levantando discussões sobre os movimentos sociais, ambientais e étnicos.

Caldo de Piaba

Nenhum comentário:

Postar um comentário