Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

domingo, 7 de outubro de 2012

Foi Show: Marco André

O show apresentado por Marco André nesta sexta, 5, no SESC Boulevard foi um dos melhores que já vi naquele espaço, que há dois anos integra o roteiro obrigatório dos moradores de Belém que apreciam boa música. O espetáculo, que durou perto de duas horas (algo pouco usual no local), teve três partes. Na duas primeiras, Marco relembrou sucessos de sua carreira. Na primeira, com banda (foto abaixo), interpretou canções dos álbuns Amazônia Groove e Beat Iú. Inclusive brincou com o fato de que a canção intitulada "Amazônia Groove" não foi feita pro CD de mesmo nome, e sim pro disco seguinte, o Beat Iú

Foto: André S. de Alcântara

Já do DVD também chamado Beat Iú, veio a homenagem a Dona Onete, "Lua Namoradeira", um dos destaques da segunda parte do show, onde Marco se acompanhou apenas com o próprio violão. Nesta parte, Marco relembrou composições suas que seus fãs haviam pedido pelo Facebook durante a semana, e ainda seu primeiro sucesso nacional, "Meu Bem, Meu Mal", de Caetano Veloso, tema de abertura da novela homônima, exibida pela TV Globo em 1990. Ao final desta parte, Marco convocou a banda de volta ao palco e começou a falar do CaBloco Muderno, sua iniciativa que reúne instrumentos típicos amazônicos como caixa de marabaixo com a percussão do samba (tamborim, surdo etc). A estreia oficial do projeto será na terça, 9 de outubro, saindo às 20h30 do Anfiteatro que existe dentro da Estação das Docas, colada ao Ver-o-Peso, percorrendo a orla da Estação até o Teatro Maria Sylvia Nunes, onde acontece o primeiro show da banda do CaBloco, com início previsto às 21h - tudo isso grátis.

Enfim, mesmo com a estreia oficial do CaBloco sendo só na terça, quem esteve no SESC nesta sexta já pôde ter uma boa ideia de como será o desfile. Entre 30 a 50 ritmistas ocuparam vários espaços do auditório do SESC - o palco, a frente, do palco, as laterais da plateia, o fundo... As fotos abaixo ajudam a dar uma ideia do que se passou, que na prática é quase indescritível. Vou fazer o possível :)

Foto: Virgilina Chaves
(clique para ampliar, é uma bela panorâmica que 
constitui a melhor imagem que achei)

Abrindo esta parte, Marco trocou o violão pela guitarrada e brilhou, solando à la Mestre Vieira, na "Guitarrada do CaBloco", que já publicamos aqui no Som do Norte http://somdonorte.blogspot.com.br/2012/08/vem-ai-o-cabloco-muderno.html. Nessa parte, depois da participação de Pedrinho Callado tocando seu sucesso "De Banjo na Mão", Marco convocou também ao palco o mestre Jacó do Pente, que faz um prosaico pente com um papel de seda soar como um potente trombone. Jacó apareceu um dia no ensaio da bateria do CaBloco na praça da República e foi sem demora incoporado ao grupo. Nesta parte, foram homenageados outros grandes mestres do Pará, como Cupijó, recém-falecido, e Verequete. 

Foto: Virgilina Chaves

Foi maravilhoso estar no auditório envolvido pela bateria do CaBloco, uma sensação que só consigo comparar com a de ter presenciado um ensaio de maracatu nas ruas do Recife Antigo em fevereiro de 2007. Porém em Pernambuco eu estava próximo à bateria, separado por uma corda, e aqui em Belém eu e todos os presentes no SESC estávamos rodeados pela bateria - o que, fala sério, é muito melhor! Chocalhos e caixas e tamborins e barricas e surdos e curimbós e sei lá que mais assumiram o protagonismo do show, resultando numa das mais belas manifestações de cultura popular que já presenciei num espaço fechado. Parabéns ao Marco André, a todos os participantes do CaBloco Muderno e também à direção do SESC Boulevard, que em nenhum momento buscou interromper o espetáculo, mesmo quando já era passado de 22h, horário habitual de encerramento das atividades, expressando assim tacitamente sua compreensão que de fato o que acontecia ali era algo especial e irrepetível. 

Ensaios do CaBloco Muderno - montagem: Ronaldo Franco

Um comentário:

  1. Poxa Fábio ! muito obrigado, vc me emocionou com sua narrativa. Continuo dizendo que a música do Paré é infinita. Só acredito na coletividade e nas ações em conjunto. Hj passei o dia vibrando para que td desse certo no Terruá e o Ibirapuera lotou. Sempre fui fã ardoroso do Pavulagem e o CaBloco chegou para aprender com esses grandes mestres de nossa cultura. Vamos dar-nos as mãos sempre, pois, caminhando na mesma sintonia a gente há de fazer esse país voltar os olhos totalmente para cá. Nossas ruas têm de estar repletas de manifestações bacanas. E espero que possamos contribuir, eu e os outros integrantes do CaBloco, pro bem de nossa cultura. E vc já é um dos nossos. Muito obrigado pelo carinho dispensado aos nortistas. Abraços

    ResponderExcluir