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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Foi Show: Fim de semana em Rio Branco

 Por Nany Damasceno,
de Rio Branco

O último final de semana em Rio Branco foi bastante agitado. Recheado de eventos culturais que tiveram inicio já na quinta-feira, dia 4, com o Sarau da Casa, na UFAC (Universidade Federal do Acre), organizado pelo Coletivo Ciclo Florestal. 

O sarau, de acordo com um dos membros do coletivo, Lucas Monteiro, teve como objetivo “dar incentivo à cultura dentro da própria universidade, onde não vem tendo nenhum estimulo, e além de tudo, dar uma valorizada nas bandas locais". Ressaltou que há "poucos lugares para nossas bandas se apresentarem". Desta forma, o sarau contribuiria também para que as bandas adquiram experiência. 

Foram mais de três horas de show, a partir das 20h, com as bandas Apátridas, Maria Joana, Os Descordantes e Camundogs. Apesar do clima intimista, considerei a noite energizante. 

Formado recentemente por estudantes de Engenharia Florestal, aos quais logo se agregaram alunos de Medicina, Nutrição, Biologia e História, o Coletivo Ciclo Florestal vem resgatando a tradição dos saraus do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFAC, onde há alguns anos se apresentavam artistas e bandas como Los Porongas, Caldo de Piaba, Filomedusa e Pia Vila. Um dos objetivos é retomar o Festival da Canção Universitária. 

Já a sexta, 5, foi marcada pelo Tributo ao Beatles no Café Porão. O lugar, aconchegante e climatizado, ficou pequeno para a grande quantidade de pessoas. Começou às 22 horas, e já por volta das 23h30 estava praticamente impossível entrar no local, mesmo com a chuva que insistia em cair. A homenagem ao quarteto britânico ficou por conta das bandas Os Descordantes e Mogno. A primeira aproveitou para comemorar também o lançamento, na véspera, de seu primeiro EP, Vida em Cinco Atos, Disco do Mês de outubro do Som do Norte (ouça aqui - http://musicadonorte.blogspot.com.br/2012/10/disco-do-mes-vida-em-cinco-atos_4.html)

Com seus repertórios cuidadosamente selecionados, as duas bandas agradaram ao público que se espremia para poder acompanhar os shows. Além disso, nenhuma das duas conseguiu sair do palco cantando apenas canções dos Beatles. O público pediu várias das músicas autorais, uma demonstração de valorização à boa musica acreana.

Dito (Os Descordantes) no Porão

E os embalos de sábado à noite ficaram por conta do ensaio aberto do Quinteto Mujangué, apresentado na Usina de Arte. Zé Jarina, Tiago de Moura, Chico Corrêa, Antônio Loureiro e Arismar do Espírito Santo formam o quinteto que surgiu a partir do edital Rumos Música Coletivo do Itaú Cultural. Eles iniciaram um trabalho conjunto realizando vários encontros que aconteceram nas cidades de cada um dos integrantes, passando assim por João Pessoa (PB), Belo Horizonte (MG), Passo Fundo (RS) e São Paulo (SP); e por último, em Rio Branco.

Quinteto Mujangué

 As apresentações do Quinteto Mujangué são marcadas pela diversidade musical que representa a junção da bateria e piano de Arismar, com o trabalho do jovem compositor Antônio Loureiro no vibrafone, junto à guitarra de Tiago de Moura, com as experiências eletrônicas do também guitarrista Chico Corrêa, e a irreverência do acreano Zé Jarina. Oriundo da família Farias, uma tradicionalmente conhecida no Acre por sua importante contribuição cultural , Zé Jarina é um artista irreverente que faz uma mistura de cordel, música e contação de histórias. Sobre o show, ele comentou, referindo-se a si próprio na terceira pessoa:

- Foi muito bacana, as pessoas acharam diferente do trabalho que o Zé Jarina faz. Os músicos estavam todos livres para criar durante o espetáculo e as melodias foram fluindo e o Zé Jarina tá muito feliz com tudo. 

A mistura de estilos e culturas torna o show interessante do início ao fim. Original, engraçado e talentoso. Zé Jarina é sem dúvidas uma das figuras mais culturais deste Estado.

E há quem diga que Rio Branco é a cidade do tédio.

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