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sábado, 8 de setembro de 2012

Foi Show: Festival Casarão - 3º noite

 

O Move Light superlotou ontem, sexta, feriado da Independência e, mais que isto, 3ª noite do Festival Casarão 2012, aqui em Porto Velho. O organizador do evento, Vinicius Lemos, estimou em 1.200 pessoas o público presente na hora em que estava no palco a última atração, Pouca Vogal, definida por Humberto Gessinger como a menor banda do rock gaúcho, fazendo uma brincadeira com o fato de que na real não se trata de uma banda, e sim de uma dupla, formada por ele e por Duca Leindecker. No repertório, sucessos da própria dupla (em atividade desde 2008) e das suas respectivas bandas de origem, Engenheiros do Havaí e Cidadão Quem - foi uma surpresa para mim ouvir algumas pessoas na plateia, aqui na capital de Rondônia, cantando inteiras músicas da "Cidadão", uma banda que, embora tenha chegado a circular pela MTV e eventos como o Festival de Verão de Salvador, não é exatamente um grupo que tenha feito sucesso nacional, não ao nível dos Engenheiros. Naturalmente, foram as músicas desta banda, afora as da própria Pouca Vogal, as que o público cantou com mais ardor - em certos momentos, Duca e Humberto afastavam-se do microfone sem aviso prévio, e os fãs de Porto Velho seguiam cantando a plenos pulmões. Houve quem cantasse todas as músicas, o show inteiro! Dentre as canções dos Engenheiros relembradas, destaco a nova versão para "Era um Garoto que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones", antigo iê-iê-iê italiano, sucesso no Brasil com Os Incríveis em 1967, reciclado pela banda do Sul em 1990 e que no show de ontem foi transformado em uma canção gaúcha, com ritmo de xote a princípio, evoluindo para um vanerão, que Gessinger pontuou à sanfona (gaita, para os gaúchos). 

A expectativa na cidade para ouvir Pouca Vogal acabou sendo benéfica para o evento como um todo. O público já se mostrava expressivo durante mesmo o primeiro show, com a banda local Jam. Um trio roqueiro (guitarra-baixo-bateria) formado por jovens que demonstraram seu amor pela música recheando quase todas as composições apresentadas com longas introduções ou finalizações, afora alguns temas puramente instrumentais, sempre com uma interpretação enérgica e intensa. 


Seguiu-se a banda Sub Pop (foto acima), de Vilhena (RO), da qual recentemente lançamos aqui no Som do Norte o clipe da música "Pronto, Fala Alguma Coisa Agora" (http://somdonorte.blogspot.com.br/2012/08/musica-do-dia-pronto-fala-alguma-coisa.html). Nesta música, no show, assim como no clipe, o saxofone assume um papel protagonista, conduzindo a melodia com um sabor jazzy. De modo geral, as canções da Sub Pop apresentam melodias bem construídas (bailáveis, inclusive) e letras inteligentes (felizmente o som do palco secundário* estava ajudando, sendo possível compreender tudo o que era cantado pela Sub Pop) às quais o vocalista empresta um certo ar blasé (que às vezes funciona como um contraponto irônico para a letra). Espero poder conferir tudo isso melhor no CD que a banda já anunciou para sair ainda este ano. 

Sobe então ao palco a banda acreana Os Descordantes, cujo rock tem boas doses de influência de música brasileira, em especial samba, e brega - o que fica visível nas canções alheias escolhidas para integrar o show: "As Rosas não Falam", de Cartola (numa versão bem ao estilo da banda) e um lado B (ou Z?) de Raul Seixas, "Tu és o MDC da Minha Vida" (famosa pelos versos Aquele seu chaveiro escrito love/ até hoje me comove...). Entre as músicas próprias apresentadas, destaco "O Porto e o Rio", que fala da cidade onde o show acontecia (Porto Velho) e a de onde a banda veio (Rio Branco). Os instrumentistas conseguem passar bem as sutilezas melódicas e rítmicas das canções mais elaboradas. 
Com a ausência dos paraenses do Projeto SIM - Sinais Invertidos de um Mágico, coube à banda Versalle (à esquerda), de Porto Velho, tocar logo antes de Pouca Vogal. Versalle combinou músicas do EP gravado em 2010 ("O Modelo Adequado", "Atrás da Solidão") com inéditas ("Mente Cheia", cujo clipe está sendo preparado) e algumas alheias, como "Ainda é Cedo", da Legião Urbana (numa versão muito mais pesada do que a original). 

* Havia dois palcos na Move Light - este, que chamo de secundário, é onde tocavam todas as bandas, menos a headliner de cada noite. A estas, era reservado o palco principal, maior. O som do principal era passado à tarde e até a hora do show ninguém mais fora (fora roadies das headliners) mexia naquele ambiente. 

Fotos: Douglas Diógenes - Mosh Photography

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