Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Em debate no Festival Até o Tucupi, como viver de arte

Elisa Maia, Lobão, Davi Escobar, 
Cristiane Silva e Francis Madson

O Coletivo Difusão promoveu ontem à noite aqui em Manaus um debate sobre o tema Vivo de Arte, E Agora?, reunindo artistas de várias vertentes atuantes no cenário amazonense: o grafiteiro Lobão, o músico Davi Escobar (da banda Alaídenegão), a estilista Cristiane Silva (da grife Santa Cris) e o ator Francis Madson (da Cia. Cacos de Teatro), tendo a mediação da cantora e produtora Elisa Maia. O evento integrou a programação do Festival Até o Tucupi e infelizmente atraiu um público minúsculo à sede da Academia Amazonense de Letras. 

Pouco público, aliás, não chega a ser um problema na vida de ao menos um dos debatedores, o ator Francis Madson. Ele comentou que vários espetáculos da Cia. Cacos são produzidos tendo em vista um público de não mais que 10 espectadores por sessão, e isso não chega a ser um problema atualmente porque a companhia só produz novas peças mediante aprovação em editais públicos. Afora isso, a Cacos se converteu numa produtora que responde legalmente pelas questões jurídicas do grupo.

Institucionalizar-se também foi o caminho encontrado por Lobão, que falou como foi importante para ele e seus colegas da Point Paint Grafitti Shop passar a ter um lugar onde sediar seus cursos e oficinas, e comercializar sua produção (infelizmente, a participação de Lobão no evento foi breve, justamente por ele ter sido avisado de um assalto à loja). A banda Alaídenegão também passou a ter outro status após ampliar o uso de um espaço que era apenas um estúdio para ensaios e gravações para uma casa de shows - o Espaço Cauxi. Hoje a banda toca em média 2 a 4 vezes por semana em Manaus, e se mantém com isso, afora uma apresentação mensal em outro estado. Três dos músicos já vivem exclusivamente da renda da banda. 

Elisa ainda não conseguiu atingir esta meta, mas não se arrepende de ter largado a Arquitetura. No ano passado, fez 30 shows na cidade (quase 3 ao mês, algo perto de 1 a cada 10 dias), e entre fevereiro e julho deste ano somou mais 14. Desde então, tem focado mais na sua atuação no Coletivo Difusão. Com isto, embora reconheça que há outras etapas para vencer até poder dizer que vive apenas de sua arte, Elisa não vê nenhum sentido numa mudança para São Paulo ou Rio de Janeiro, algo quase obrigatório para as gerações anteriores. 

Outra que descarta a mudança para São Paulo é a estilista Cristiane Silva, embora de todos ela seja a que tenha uma situação mais peculiar: o foco de seu trabalho é traduzir em roupas a natureza e a cultura amazonenses, o que faz com que sua clientela seja majoritariamente de outros estados. 

A única pergunta vinda pela internet (32 pessoas assistiram o debate pela Pós-TV do Fora do Eixo) indagava se era este o caminho - abrir uma empresa ligada a seu próprio trabalho artístico. Afinal, foi isto que todos até ali haviam dito que fazem. O consenso é que é um dos caminhos, sim. Porém Francis apresentou um caso curioso que pode fazer pensar. Entre 2002 e 2010, em Porto Velho, onde nasceu, ele conseguia manter sua companhia teatral funcionando através de bilheteria; os espetáculos não raro ficavam 8 a 10 meses em cartaz! Há dois anos, porém, a prefeitura de lá instituiu uma taxa sobre o ingresso que desmontou essa equação, impedindo que os grupos rondonienses consigam se manter através do próprio trabalho. 

Quanto ao futuro, todos se mostraram otimistas, apenas Francis demonstrou preocupação caso o atual sistema de incentivo à cultura no Brasil via editais sofra alguma interrupção. Não descartou, neste caso, o abandono da atual profissão, caso a Cia. Cacos não encontre outro canal de viabilizar suas produções. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário