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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Diz Aì: Maurício Viana (Meachuta)

Por Bianca Levy



Som do Norte - Como nasceu a Meachuta? De quem partiu a ideia, qual a proposta inicial e como as coisas foram acontecendo?

Maurício Viana - A Meachuta surgiu de uma conversa de bar entre eu, Yuri Santos e Rodrigo Barbosa em 2008, falávamos do que acontecia em Belém e o que estava acontecendo na noite das maiores cidades do mundo. A proposta era fazer uma festa diferente de tudo aqui na cidade, desde a música, a escolha do local, dos temas, do público... Chamamos dois amigos que a gente sabia que iam gostar da ideia, foi quando o Gil Yonezawa e o Raffael Regis ntraram. Nossa primeira festa foi num clube GLS, o nervosismo era enorme por todo mundo ser meio iniciante nesse ramo. A primeira deu certo e fomos gostando da coisa. Raffael, Rodrigo e Yuri tiveram que se mudar e ficaram participando à distancia. Depois o Gil foi fazer um intercâmbio fora do Brasil e ficou só eu aqui em Belém, foi quando o Pedro Fernandez e a Débora MacDowell, que já participavam das produções de vez em quando, entraram de vez.

Som do Norte - Qual foram os principais desafios que vocês passaram até se firmarem na cena de Belém?

Maurício Viana - Acho que o maior desafio é sempre tentar fazer algo diferente, sempre prezamos que cada festa seja diferente e que as pessoas tenham boas experiências em todos os aspectos que fazem parte do evento. A proposta é que a pessoa saia de uma festa já ansiosa pra próxima edição. Outra dificuldade recorrente são os valores das passagens aéreas e a falta de lugares pra realizar as festas. O que acaba diminuindo o nosso leque de opções, mas sempre fomos dando um jeito pra não ficar no lugar-comum.
Som do Norte - Me falem um pouco sobre a função, características e peculiaridades de cada um? A única presença feminina do trio dá um toque diferente na produção das festas? 

Maurício Viana - Cada um tem uma importância muito grande na produção das festas. Por nós virmos de diferentes ramos de trabalho, isso da uma variedade maior de ideias e experiências que a gente pode agregar. Eu por exemplo cuido mais da parte técnica e financeira, o Pedro já mexe mais com a parte de produção, a Débora, além de dar o toque feminino, cuida mais da parte de imprensa e contato com o público. E além de nós três ainda têm muita gente que nos ajuda, participa dos brainstorms, opina, reclama, elogia... No final todo mundo acaba aprendendo e participando um pouquinho de cada coisa.

Som do Norte - Vocês procuram inovar a cada festa? Como é o processo de produção e o que vocês fazem para manter este ritmo?

Maurício Viana - As ideias não têm muito uma regra pra surgir. Como já fazemos isso há quatro anos acaba sendo parte do nosso dia-a-dia essa procura por coisas diferentes. Antes de cada festa costumamos reunir todo mundo pra trocar as ideias e acaba saindo essas coisas inusitadas que fazem parte de cada edição.

Som do Norte - As festas de vocês agregam um público variado, especialmente o GLS. Como se dá o processo de trabalho a partir dessa visão de público? Vocês produzem festas setorizadas ou abertas?

Maurício Viana - Na verdade eu vejo que a festa agrega um tipo de público sem preconceito, por isso os gays, lésbicas e simpatizantes se sentem mais a vontade de frequentar. É isso que sempre preservamos, que a festa seja pra todos, independente de opção sexual. Por enquanto não temos outras festas com o selo Meachuta, alguns de nós que montaram projetos paralelos, mas nada muito setorizado, acabamos atingindo um pouco do mesmo público.


Meachuta Folia 2012


Som do Norte - Atualmente as sonoridades antes consideradas do gueto como funk e tecnobrega caíram no mainstream, e aqui na cidade vocês foram responsáveis por essa novidade ao público. Como vocês avaliam este fenômeno musical? Pra vocês, a apropriação da "música de periferia" pelo público é uma modinha ou veio pra ficar?

Maurício Viana - A música de periferia não veio pra ficar agora, ela já está aí ha muito tempo! As pessoas que antes eram bitoladas abriram a cabeça, quebraram as barreiras do preconceito e se deram conta que a música de periferia pode ser tão boa a quanto as que tocavam nas rádios ou nas novelas. Como disse, sempre fomos uma festa livre de preconceitos e sempre misturamos a música pop com a do gueto, rock com eletrônico e por aí vai. O povo fica livre pra escutar de tudo. 
Som do Norte - Pra vocês qual é o diferencial da produtora em relação a tantas outras que existem na cidade?

Maurício Viana - A experiência que adquirimos ao longo desses quatro anos já faz alguma diferença. Essa busca pelo novo que o nosso público gosta e exige também faz com que a vontade de sempre ter alguma novidade pra apresentar nunca acabe. Valorizamos muito nosso público e temos uma relação bem próxima com ele. Escutamos o que eles têm a dizer - e, acredite, eles têm muito!

Som do Norte - Às portas do aniversário de quatro anos da Meachuta, como vocês se sentem? Imaginavam que chegariam tão longe?

Maurício Viana - Temos planos bem maiores, mas não imaginávamos que estaríamos onde estamos hoje. Às vésperas de uma festa tão grande como essa o nervosismo vai aumentando cada vez mais. É muita coisa pra fazer e queremos que tudo seja perfeito até nos mínimos detalhes.

Som do Norte - Como se deu a escolha das bandas que vão tocar na festa de aniversário da Meachuta e  o que se pode esperar de cada uma delas?

Maurício Viana - As atrações foram pensadas pra ter a cara da festa. Chamamos bandas de variados estilos e que estão bombando na cena nacional e internacional atualmente. O pessoal do Bonde do Rolê lançou CD recentemente e estão vindo de uma mini turnê super bem criticada nos Estados Unidos. Já a Banda Uó, que também lançou CD recentemente, tocou na Meachuta Uó no começo do ano, então quisemos fazer algo diferente, por isso chamamos a Gang do Eletro, que tá bombando nacionalmente, pra fazer um show junto com eles. O André Paste é outro DJ que é nosso xodó, já tocou duas vezes com a gente e as apresentações dele são incríveis! A Deyze Tigrona veio pra trazer o funk carioca pra pista, as músicas dela já são conhecidas há bastante tempo nas nossas festas.

Som do Norte - Como está a produção nessa ultima semana? Nervos à flor da pele?

Maurício Viana - Nervosismo nas alturas! Mas tentamos nos acalmar trabalhando e organizando os últimos preparativos. Já temos muita coisa pronta, agora são só as tarefas finais. Queremos que tudo seja perfeito!

Som do Norte - Aniversário é tempo de refletir. Vocês têm planos ou ideias engatilhadas pra Meachuta 2013?

Maurício Viana - Queremos alcançar novos públicos, levar esse jeito natural de se divertir que nós temos pra outras pessoas. Em 2013 já estamos pensando em fazer dois dias de BDay Party e cotando artistas internacionais pra festa. Estamos recebendo convites pra tocar em outros estados, a meta agora é ser conhecido pelo Brasil. Além de fazer as nossas edições já características como a House Party, Tropical, Alopra, Secreta, entre outras serem maiores e cada vez melhores. Vem muita novidade boa por aí.
Maurício, Pedro e Débora

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