Aqui se fala do som dos estados do Norte do Brasil: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

domingo, 16 de setembro de 2012

Acre: Após sucesso em Rondônia, Os Descordantes irão tocar em Roraima


 Por Nany Damasceno

NE: Nossa repórter no Acre, Nany Damasceno, acompanhou o primeiro ensaio da banda Os Descordantes em Rio Branco depois do show no Festival Casarão. As fotos são deste show, de autoria de Douglas Diógenes. 

Eles acabam de voltar ao Acre, depois de participar do Festival Casarão em Porto Velho. Quando entrei em contato com o vocalista Dito (Diego Torres Bruzugú) pedindo uma entrevista, ele me disse que era noite de ensaio (visando a participação no Acre Rock Festival no sábado, 15) e fui convidada para assistir. Quando cheguei, três dos integrantes estavam revendo os vídeos gravados no festival em Rondônia. 

Em um ensaio descontraído e divertido mas sem perder a seriedade e profissionalismo, os quatro (além de Dito, integram a banda Paulo Roberto - contrabaixo, George Naylor - bateria e Marxson Henrique - teclados) passaram o repertório e ensaiaram uma música quase inédita: "Hoje de manhã”. Foi com ela, apenas com voz e guitarra, que atenderam ao pedido de "bis" feito por  aproximadamente 600 pessoas ao término do show do Casarão no dia 6, no Move Light (NR: boate de Porto Velho). 

Recém-chegados e ainda entusiasmados com o que aconteceu no Casarão, este acabou sendo o tema principal da conversa, que rolou solta. Apesar de acreditar no potencial da banda, nenhum deles esperava a repercussão positiva que teve a apresentação:

Foi realmente algo surpreendente, nós não esperávamos que fosse ser assim, foram mais de 600 pessoas naquele lugar cantando nossas músicas”, entusiasma-se Dito. "E o público era muito diverso, havia poucos amigos nossos lá, realmente as pessoas gostaram do nosso trabalho”, completa George.

A banda surgiu em 2010. Dito a considera "filha" da Marlton, sua primeira banda, formada ainda na adolescência junto com Paulo. Ambos a consideram tecnicamente boa mas tinha público no estado:  "As músicas não agradavam às pessoas". Chegaram a tocar em Cuiabá e Porto Velho, mas encerravam as atividades após o Festival Varadouro 2008. 

Foi aí que, após um hiato de dois anos, surgiu a idéia de montar uma nova banda. Relembra Dito:

- Estávamos no The Rock Bar, George e eu, jogando uma sinuca quando surgiu a proposta. Se não fosse a atitude dele em me dizer seriamente: "Vamos ensaiar na próxima quarta feira, aconteça o que acontecer", Os Descordantes não estariam aí hoje.

No primeiro ensaio, já surgiram as duas primeiras composições. “A nossa banda é uma banda autoral, os covers que fazemos são na verdade uma homenagem a grandes compositores”, enfatiza George (foto à direita).

O nome da banda vem da poesia trovadoresca, onde o poeta que sofria/vivia alguma paixão não correspondida lamentava isso através da poesia, escrevendo os descordos. E fazendo jus à origem do nome da banda, as letras são em sua maioria  românticas, casadas com  um ritmo que mistura pop, rock, samba e brega. Por isso para eles é comum ouvir sempre: “Lembra Los Hermanos, né?” durante os shows.  Quando pergunto sobre esta comparação, são unânimes ao dizer que incomoda um pouco. Ressaltam que ninguém na banda é fã de  Los Hermanos.

O que acontece é que a Los Hermanos foi a primeira banda* que misturou MPB, samba, com rock, então a partir daí, todas as bandas que fizerem isso vão ser comparadas à eles. A  Los Hermanos não é a maior influencia da Descordantes, a gente pode dizer que talvez bebamos da mesma fonte que eles beberam. Ouvimos muita coisa, muita MPB, samba, rock, de tudo”, explica Dito.

George é o músico mais novo, começou a tocar bateria há pouco tempo, mas os seus parceiros não poupam elogios a suas baquetas. “Pesa quando tem que pesar e limpa quando tem que limpar”, afirma o vocalista Dito. Recentemente, Marxson entrou na Descordantes, para substituir Sóstenes no teclado e trazendo sua experiência de 15 anos na estrada com a Camundogs. “É estranho, os meninos todos são muito novos e eu chego com os meus 30 e pouco anos. Mas ao mesmo tempo é bom ver esse interesse em fazer o som com qualidade, sendo ainda tão novos".

Paulo é o mais tímido, adjetivo que sempre atribuo aos baixistas. O único momento que se pronunciou na conversa foi para sorrir timidamente quando Dito e George elogiaram e disseram que ele é o cabeça da banda. "É ele que nos coloca pra ir estudar, aperfeiçoar”, comenta George.

O quarteto considera que está em sua melhor fase. Para Dito, "Não gostamos do título de promessa da música acreana, quando acreditamos nisso e começamos a nos achar muito bons, foi a época de decadência da banda, portanto hoje, seguimos aproveitando as oportunidades”. Literalmente: logo após o sucesso em Rondônia, o grupo já recebeu o convite para tocar em Roraima em dezembro, no 2º Skinni Rock Festival, evento apoiado pelo Som do Norte

“A gente quer conhecer o Norte, lógico, primeiro o Acre... mas queremos tocar por todo o Norte.. então, [o convite] veio em uma ótima hora. O mais legal disso tudo é o fato da viagem a Porto Velho já ter resultado em outra viagem... O que a gente sabe é que Roraima é rock'n'roll pra caramba”, entusiasma-se Dito.

Os Descordantes já tem gravado seu primeiro EP, Vida em cinco atos, com seis músicas. Dito explica que a ideia é fazer um lançamento físico, se possível ainda este ano, e não apenas na internet. “Agora para que isso aconteça, precisamos de dinheiro, mas existem prioridades na banda, agora estamos com planos de comprar um  baixo.” 

 * NE: A bem da verdade, muitas outras bandas misturaram MPB/samba com rock antes de Los Hermanos, como Os Mutantes, Novos Baianos e Os Paralamas do Sucesso, apenas para citar algumas. O próprio termo "samba-rock" surgiu numa música gravada por Jackson do Pandeiro em 1957 - "Chiclete com Banana", de Gordurinha e Almira Castilho. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário