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domingo, 29 de julho de 2012

Gravando o clipe "Legal e Ilegal"

Por Felipe Cordeiro*

Após muitas reviravoltas, eis que tínhamos em mãos um roteiro definitivo. Elaborado pela Carolina Matos, o desafio era colocar em prática aquela idéia maluca, trabalho que passaria pelas mãos e lentes do outro diretor, o comandante da câmera Brunno Régis.

A pré-produção demorou muito tempo, pois tanta gente envolvida e tantos detalhes exigiram uma demanda intensa, trabalho que coube sobretudo ao Brunno Apolônio, foram meses. Decidi com a equipe da Greenvision que iríamos chamar o Carlos Vera Cruz, meu amigo de longa data, pra cuidar do conceito dos figurinos.


Fiz uma viagem demorada pra São Paulo, quando voltei só deu tempo de ir em casa tomar banho e partir pro set de filmagem, o sítio distante e tranquilo da Priscilla Brasil, no subúrbio de Belém.

Chegando lá me surpreendi, a empresa, que aparentava ser simples, me assustou, tamanha a complexidade. O circo estava armado e ostentando vitória. Eram mais de cinquenta profissionais envolvidos. Estudantes de audiovisual e de letras também estavam presentes. No elenco, muitos músicos e amigos, alguns atores e gente que eu só conheci ali.

A liguagem do clipe flertava com teatro e circo, as panadas que serviram de fundo aos diversos quadros que se sucedem durante "Legal e Ilegal" foram trocadas manualmente a cada mudança. Sim, o clipe foi feito numa única tomada de plano-sequência, esse foi o maior desafio.

Quando a câmera focava em mim, por exemplo, havia uma verdadeira mobilização e corre-corre por detrás das paredes móveis, de modo que muitas vezes deu a impressão de estarmos participando de uma disputa esportiva. Aliás, há aí uma curiosidade, havia quatro paredes, a câmera rotativa no meio, e, para ficar mais eficaz o elenco foi divido em quatro, por cores: magenta, ciano, amarelo e preto. No final das filmagens as equipes já tinham encarnado o espírito de disputa e até vaiavam quando algum erro vinha de outra equipe-cor.

Eu troco de figurino quatro vezes durante a música; a primeira mudança é o tempo das primeiras notas da introdução para primeira frase cantada, ou seja, tinha eu que trocar de roupa em cravados dez segundos, coisa que só aconteceu porque tive a ajuda do Carlos e da Márcia (Braga), havia de ser como a troca de pneus de uma equipe de Fórmula 1.

Festival RecBeat - Recife - Carnaval 2011O primeiro dia foi só pra ensaiar, poupamos Dona Onete e meu pai (Manoel Cordeiro). Veloso Dias, compositor do hit "Ex-My Love", cantado pela Gaby Amarantos, participou do ensaio, mas no dia seguinte passou mal e não compareceu, na verdade eu acho que ele ficou com medo, pois todos tinham que aguentar horas de gravação. No ensaio começamos às 17h e fomos até 0h.

No dia da gravação, tudo afinado, testado e ensaiado, um susto, faltou luz. Demorou um pouco, mas voltou para alívio dos diretores e de todos. Começamos a gravar mais ou menos 21h.

No começo parecia um ensaio geral, ainda teve vários erros, gravar um plano-sequência requer muito rigor e paciência. Mas logo pegamos o ritmo e a gravação começou a andar bem mas ainda com pequenos erros e não podia ter absolutamente nenhum. Só André Abujamra não errava, fazia participação especial de dentro de uma tv. Depois de 17 takes muito frenéticos e suados, ficou bom.

Meu primo, Sérgio Mutuca, fez um trabalho de pós-produção incrível, ajustando algumas pequenas sujeiras. O Brunno Régis ainda fez um letreiro para abrir o clipe, que contou também com um bigode desenhado pela arquiteta e cantora Camila Honda.

O resultado me agradou muito, "Legal e Ilegal" é uma canção cínica e divertida mas que tem muitas sutilezas, o tema da tolerância, bem ilustrada na cena em que o punk agride o cabra do carnaval, é uma delas. O clipe conseguiu expor outras filigranas embutidas na letra da canção, sair com um painel do comportamento multicultural contemporâneo, a partir do pretexto tortuoso do tema das drogas e da “questão do gosto” (a grande questão do Kitsch Pop Cult), é o grande sucesso deste vídeo, o primeiro da minha carreira. Obrigado a todos, a ficha técnica está junto ao vídeo no YouTube.


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* Publicado originalmente no site de Felipe Cordeiro 

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